7 razões para se fecharem em casa a ouvir Future Islands

Future Islands

Nunca subestimem o poder do viral, muito menos se envolver homens a dançar de forma estranha e desconfortável. Depois de quase 11 anos a fazer excelente música sem serem muito notados, bastou aos Future Islands uma ida ao programa de David Letterman para que meio mundo começasse a falar deles. E foi também graças a essa performance que eu os fiquei a conhecer, porque o Gonçalo Sítima, ao vê-la, pensou “o João é capaz de gostar disto” (tendo em conta os movimentos de dança com que Samuel T. Herring, o vocalista da banda, abrilhantou esta atuação, o que é que isso dirá sobre mim?!).

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“Heavenly Father”, o regresso de Bon Iver

Heavenly Father, o regresso de Bon Iver

Pensei há dias, enquanto ouvia For Emma, Forever Ago, que me fazia falta música nova de Bon Iver. É provavelmente a minha banda favorita dos últimos 6 anos, pelo que não é propriamente um pensamento estranho.

Estranho é que dois ou três dias depois o desejo se cumpra. Já tinha ouvido falar de Wish I Was Here, o novo filme de Zach Braff, mas não sabia nada sobre a banda sonora. Pois que os Bon Iver figuram no alinhamento com “Heavenly Father”.

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O meu balanço do Primavera Sound 2014

O meu balanço do Primavera Sound 2014

Com expectativas pouco elevadas, lá fui eu para o Porto pelo terceiro ano consecutivo para assistir aos concertos do Primavera Sound 2014. O balanço é, mais uma vez, muito positivo, ainda que não tenha conseguido apanhar tantos momentos gigantes como nas edições anteriores do festival.

Mas vamos ao que interessa.

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Seis anos

Hoje este blog faz seis anos.

Em termos de evolução, o Ouve-se é provavelmente o blog mais aborrecido do mundo.

Passou lentamente de um blog pessoal a um blog coletivo, com o Gonçalo Sítima, o Gonçalo Trindade e o João Oliveira a fazerem-me companhia de tempos a tempos. O número de visitas continua a crescer de forma relativamente estável e ligeira e é possível que este mês consigamos ultrapassar pela primeira vez a média das 100 visitas diárias. É curioso porque tenho perfeita noção de que isto não é nada mas… há dois anos a média era mais ou menos metade. Tem de valer alguma coisa. Mas pronto, nunca pensei de forma especialmente intensa sobre isso, não é agora que vou começar.

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Rodrigo Amarante através do olhar de Cavalo

Este artigo foi escrito pelo Duarte Pedreño, jornalista da revista BGamer, e que, ao contrário de muitos músicos, paga as contas a jogar videojogos e dedica os tempos livres à música.

Rodrigo Amarante - Cavalo

Há algo de mágico no trabalho minimalista e a título independente de um músico que tenha pertencido a uma banda badalada. Para uma boa parte das pessoas, esta austeridade crua e honesta equivale a uma qualidade de confissão por contraste ao trabalho anterior, orquestrado. O tom pessoal, aos ouvidos do público com quem a relação é de longa data, assume uma dimensão tão grande quanto a da banda a que o músico pertenceu em tempos. Nesta perspectiva, é quase injusto o primeiro contacto com uma obra de estreia minimalista, em que o autor não tem a grandiosidade de composições extravagantes anteriores que sirvam de comparação e ampliem o aspecto confessional do seu trabalho.

Não obstante o seu percurso com Los Hermanos, Rodrigo Amarante dispensa comparações. Cavalo, o seu primeiro projeto a solo, não serve o público, mas o próprio músico. É uma introspeção assumida no próprio título, que por entre outros significados mais místicos, se refere à estranheza do olhar vidrado do animal. Amarante é bastante claro nas suas letras e o monólogo que desenvolve acaba por se tornar num diálogo entre o próprio e aquele a que chama de duplo: o seu eu incoerente, por assim dizer. “Nada em vão, no espaço entre eu e você, no silêncio um grito, o sim e o não”, começa assim o álbum, com um relógio a marcar o tempo, o piano a explorar o desconforto de notas imprevistas e o saxofone caprichoso a romper a composição.

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O que é o Tradiio?

O que é o Tradiio?

Todos os dias surgem aplicações novas na Web. Todas lutam por espaço no Facebook e nos telemóveis dos seus públicos-alvo e nos media. O Tradiio não é diferente.

O Tradiio é um jogo de descoberta de música portuguesa que assenta numa espécie de bolsa de valores em que podemos investir em determinada canção, apostando no seu sucesso, e gerir um portfólio de investimentos com o objetivo final de ganhar prémios. Isto do ponto de vista do jogador.

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A propósito de Stacks

A propósito de Stacks

É uma das canções que mais ouvi nos últimos seis anos. A minha favorita dos últimos seis anos. A que mais me marcou nos últimos seis anos.

Parece certamente um exagero quando alguém diz “esta canção vai mudar a tua vida”. Na maior parte das vezes, não passa disso mesmo. Mas arrisco dizer que isto é diferente.

Vou armar-me em comentador de futebol e dizer que não tenho um intensómetro, que não consigo medir a intensidade da mudança (não consigo, é certo)… mas também não consigo imaginar-me sem esta música. Sem a companhia, sem o refrão praticamente ininteligível e a melodia inesquecível, sem as frustrantes horas de guitarra na mão a tentar combater uma aparente incapacidade crónica de fazer sons bonitos.

Sem “Re: Stacks”, a minha vida seria diferente, mesmo que só um bocadinho de nada.

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Vocês não conhecem os Ching mas vão passar a conhecer

Vocês não conhecem os Ching mas vão passar a conhecer

O pós-rock hoje em dia está um bocado chato, não está? Há coisas boas que vão surgindo, tanto cá como lá fora, mas o género no geral parece reduzido a explosões de guitarras com mais explosões de guitarras e, no final, mais algumas explosões de guitarras. A fórmula começa a esgotar-se e quando há bandas a tentar fugir disso a coisa nem sempre corre bem (já tinha dito que não gostei muito do último disco dos Mogwai? É que fiquei mesmo desiludido, raios).

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The Antlers, “Palace” e a promessa de um grande álbum

The Antlers -

É raro uma canção conquistar-me à primeira… mas os The Antlers conseguiram-no com “Palace”.

Não foi nas primeiras notas – que me puseram a pensar que a banda de Brooklyn se tinha passado para o lado da Disney ou que estava a preparar-se para concorrer à Eurovisão – mas foi um processo tão rápido e simples que até estranhei. No final da primeira audição estava mais que convencido.

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