Sun Kil Moon em modo banda completa na Casa da Música

Mark Kozelek foi ao Porto mostrar o novo Benji e eu fui atrás dele.

Foi a terceira vez que vi ao vivo o criador dos Red House Painters e dos Sun Kil Moon. A novidade deste concerto de pouco mais de uma hora na Casa da Música foi mesmo o facto de ter tido direito a banda – Chris Connolly no piano, Eric Pollard na bateria e Vasco Espinheira (dos Blind Zero) na guitarra. Chris Connolly e Eric Pollard, importa referir, são basicamente os Desertshore, que por sua vez têm dois álbuns com a participação de Mark Kozelek.

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MØ: a criação de um mito

Este artigo foi escrito pelo Duarte Pedreño, jornalista da revista BGamer, e que, ao contrário de muitos músicos, paga as contas a jogar videojogos e dedica os tempos livres à música.

MØ: a criação de um mito

Proponho um exercício simples: pensar em referências musicais da nossa pós-adolescência, aquele momento último antes de nos despedirmos dos sonhos e ambições idílicas e de nos entregarmos à realidade daltónica. Imagino que as referências da maioria datem dos anos 60 e 70, duas décadas prósperas no que diz respeito à música ideológica. Curiosamente, podemos considerar estas duas décadas como a adolescência e pós-adolescência da música – rebelde, inconformada, reivindicativa e ambiciosa – e os anos 80 e 90 como a idade adulta – mais preocupada com a estabilidade financeira e com pontuais crises de identidade. Pontuais porque, afinal, o dinheiro não é tudo na vida, mas a originalidade não paga as contas.

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Troika, Euromilhões e Woody Allen na nova dos Diabo na Cruz

Diabo na Cruz

Os Diabo na Cruz lançaram um novo single – “o primeiro de 2014”, afirmam como que piscando o olho sobre que há de vir aí. “Vida de Estrada” é mais uma prova de que os Diabo encontraram a fórmula certa para o pop/rock português (com raízes fundas no nosso cancioneiro popular) e prosseguem a sua disciplinada exploração.

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Forgotify, onde as músicas do Spotify têm a sua primeira vez

Forgotify, onde as músicas do Spotify vão para terem a sua primeira vez

Serem tocadas pela primeira vez. É isso que se espera que aconteça às cerca de 4 milhões de músicas nunca ouvidas no Spotify (cerca de 20% do seu catálogo total) que o Forgotify disponibiliza para audição, de forma simples e aleatória. Mas como é que tudo funciona? Muito fácil: o Forgotify disponibiliza um player do Spotify que vai seleccionando aleatoriamente músicas que ainda não apelaram a nenhum utilizador. Basta clicar em Start Listening e entregarmo-nos à sorte.

Se estão a pensar “isto é a melhor coisa de sempre, agora poderei descobrir músicas espetaculares desconhecidas de todos”, só tenho uma coisa para vos dizer: provavelmente existem boas razões para uma música nunca ter sido ouvida por ninguém. Eu aventurei-me por este mundo (recordo a expressão “águas badalhocas” anteriormente utilizada pelo Filipe) e o que vos posso dizer… Não há palavras! Clicar no botão “Next” é um ato de corajoso desafio, um arriscar-se a conhecer recantos do inferno bem mais profundos que os sete círculos desvendados por Dante.

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Vídeo: “Good Sex” de Kevin Drew

Vídeo: "Good Sex" de Kevin Drew

Falta exatamente um mês para o lançamento de Darlings, o segundo álbum de originais de Kevin Drew a solo. As minhas expectativas, já se sabe, estão na estratosfera e não acredito que venham por aí abaixo aos trambolhões quando o álbum sair.

Nestes quase dez anos de amizade musical unilateral, Kevin Drew nunca me desiludiu. Posso dizer até que gosto mais de alguns lados B manhosos de Kevin Drew do que de algumas pessoas com quem até me dou bem. Triste? Sim, um bocado, mas ei, o que pode uma pessoa fazer?

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Benji

Sun Kil Moon - Benji

Benji chegou-me aos ouvidos há uma semana.

Ando desde então à procura das palavras certas para descrever a hora e pouco de música que Mark Kozelek encaixou no mais recente álbum dos Sun Kil Moon.

Decidi há dois ou três dias que não queria escrever nada que se assemelhasse a uma crítica. O motivo é simples: li a crítica perfeita no Pitchfork e acho que, se vão ler uma crítica a Benji, não há melhor opção que essa. Mas não podia deixar de falar sobre o álbum, nem que fosse simplesmente pela minha (bem documentada) relação com a música de Mark Kozelek.

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O problema do Optimus Primavera Sound

Optimus Primavera Sound 2014

O cartaz do Optimus Primavera Sound 2014 foi anunciado há alguns dias e inclui nomes como The National, Neutral Milk Hotel, Pixies, Mogwai, Slowdive, Godspeed You! Black Emperor, Kendrick Lamar, Spoon, Television e Haim, entre muitos outros. Mas há um pequeno problema.

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O resto é ruído

O resto é ruído, de Alex Ross

O Resto É Ruído, de Alex Ross, é provavelmente o livro sobre música mais difícil que já li. É também – posso dizê-lo com grande certeza – o mais interessante.

A propósito da minha última ida às compras – e por ter comprado um livro com as letras de Mark Kozelek -, pus-me a pensar nos livros sobre música que li até hoje. Apesar de já ter lido uns quantos muito interessantes, como o inacreditável Musicofilia, de Oliver Sacks, ou a biografia dos Broken Social Scene This Book Is Broken, de Stuart Berman, O Resto É Ruído supera-os porque foi duro mas sobretudo porque me abriu a porta para um mundo que ainda hoje conheço muito, muito mal: o da música clássica.

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