Até que não é mau, o novo dos Coldplay
Já por aí anda Viva la Vida or Death and All His Friends, o mais recente dos Coldplay. Confesso que X&Y me agradou muito menos que os álbuns anteriores. Com excepção de uma ou duas músicas, era enfadonho, vulgar e desinteressante. Basta dizer que a medonha “Fix You” era, segundo a própria banda, o tema em torno do qual todos os outros giravam (de um ponto de vista conceptual, imagino eu). Infelizmente, quase nada em X&Y se aproximava da simplicidade indie de Parachutes ou do requinte pop de A Rush of Blood to the Head. “Speed of Sound” era um single gigante, é um facto, mas o resto era simplesmente medíocre. X&Y foi, no entanto, um enorme sucesso comercial: uns milhões de cópias vendidas transformaram-no no álbum mais popular de 2005.
Por este e outros motivos, Viva la Vida or Death and All His Friends não me aguçava especialmente a curiosidade. A capa e o título do álbum e “Violet Hill”, o primeiro single, acentuaram esta tendência. Quer dizer, o título sempre deu para fazer umas larachas com o Ricky Martin à mistura… mas pouco mais. Havia apenas dois pontos de interesse: ser o novo álbum dos novos U2 (que para os velhos já não tenho paciência) e ser produzido por Brian Eno.
Foi com este cepticismo que comecei a ouvir “Life in Technicolor” no meu iPod. A partir daí, mudou tudo. Não, não regressaram ao som mais simples dos primeiros dois álbuns; mas puseram, por oposição, as lacunas de X&Y ainda mais à vista. Viva la Vida or Death and All His Friends tem – espantemo-nos – bom gosto. Não consigo deixar de pensar que o responsável é Brian Eno (mas pode ser preconceito). Este álbum está tão bem produzido, tão cristalino, que até nos faz duvidar. É que, apesar de não fugir muito da linha de X&Y, o novo álbum dos Coldplay abandona os riffs manhosos e aquela tensão demasiado dramática de algumas das músicas do anterior… o que faz com que as melodias e a voz de Chris Martin saltem para a frente de todos os temas (e é aí que estão bem). “Life in Technicolor”, curiosamente, é apenas uma introdução instrumental, com alguns elementos de electrónica à mistura… mas é atípica, porque parece uma música completa (coisa rara em introduções).
E o resto, que ainda está fresco, ganha com esta introdução. “Lost” (que também tem uma excelente versão acústica como bónus), “42″, “Lovers in Japan”, a escondida (a meio do álbum) “Reign of Love” e a bem-disposta “Strawberry Swing” provam-no competentemente. Claro que também há “Cemeteries of London” e “Yes”, por exemplo… que pouco têm de especial.
Mas está giro, no geral. É engraçado poder voltar a gostar de um álbum dos Coldplay. Ainda não tomei atenção suficiente às letras para opinar… mas ainda não ouvi nada como “Swallowed in the Sea”, do último álbum, o que só pode ser bom. Viva la Vida or Death and All His Friends não é grandioso mas também não tenta ser (foi aí que X&Y falhou redondamente), o que faz com que seja mais de quem o ouve e menos de todo o mundo. “Death and All of His Friends” encerra o álbum de forma circular (a melodia de “Life in Technicolor” volta a fazer-se ouvir) e faz com que apeteça dar a volta também e escutá-lo novamente. Geralmente, isto é bom sinal.
Queremos ser desafiados e surpreendidos constantemente. Pois bem, o novo dos Coldplay é confortável, como é hábito no pop/rock. Não é o melhor álbum do ano… mas ouve-se muito bem.

2 comentários
[...] isto, não percebo como é que é possível comprar-se, por exemplo, o álbum dos Coldplay no iTunes quando, ao lado, se encontra o mesmo álbum, por vezes com melhor qualidade, de graça. [...]
[...] voz em “Life in Technicolor ii”, que é como a “Life in Technicolor” de Viva La Vida Or Death and All His Friends… mas com voz. Este tipo de ideia brilhante repete-se em “Lost+” (igual à [...]
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