Música, indústria e tendências.

Posts de — Junho 2008

Os Radiohead ali à minha frente

Os Radiohead são a melhor banda do mundo. Dito isto, percebe-se que, para mim, era impossível não gostar do concerto que deram em Barcelona na passada quinta-feira.

A julgar pelos bootlegs e por testemunhos dos que já os tinham visto ao vivo, as músicas – que são fantásticas só por si – resultam muito bem ao vivo, o que faz com que cada concerto seja uma experiência memorável. A julgar por mim… confirma-se que “experiência memorável” é uma expressão insuficiente para descrever um concerto deles.

O concerto estava marcado para as 21h30 mas as portas abriam às 16h, já que se tratava de um festival. Cheguei cinco ou dez minutos antes da abertura das portas, esperei e fui até ao palco principal. A música começava às 17h no palco (secundário) Fly Music… mas, com muita pena (porque o cartaz era muito bom), eu não estava lá para isso. Fiquei-me pelo palco Movistar, onde iam actuar Liars (às 18h45), Bat For Lashes (às 20h) e Radiohead. Consegui um bom lugar, relativamente central e a um metro e meio da grade (pouco antes do concerto dos Radiohead começar, este metro e meio transformou-se em meio metro… e – sorte a minha – acabei por ter apenas uma pessoa baixinha à minha frente). Ora, quando se trata de os ver ao vivo, o local é importante. O resto foi espera. Duas horas e meia… à espera do primeiro concerto. Cinco horas e pouco para Radiohead.

Liars foi giro (com tudo o que tenha a ver com percussão em grande) mas gostei mais de Bat For Lashes. Já conhecia o álbum de estreia Fur and Gold… mas fiquei agradavelmente surpreendido relativamente ao resultado em concerto.

E agora, ao que interessa mesmo. Já conhecia o cenário, que tinha visto em vídeos e fotos desta digressão colocados por fãs na Internet. Luzes verticais e um ecrã ocupavam toda a largura do palco… e a banda encaixava-se lá no meio. Os efeitos de luzes e os vídeos reproduzidos em directo (havia diversas câmaras apontadas aos cinco membros da banda) no ecrã ao fundo que acompanharam o concerto deram um visual à música.

Radiohead ao vivo em Barcelona

O concerto propriamente dito começou com “15 Step”, o tema de abertura de In Rainbows. De resto, os Radiohead tocaram todas as músicas do seu último álbum, bem como “Bangers & Mash”, presente no segundo disco da discbox que a banda lançou em nome próprio em Dezembro. O facto de terem tocado tantas músicas novas parece ter deixado parte do público relativamente embaraçado mas foi muito interessante ver que músicas como “Jigsaw Falling Into Place”, “Arpeggi” e sobretudo “Bangers & Mash” resultam espectacularmente ao vivo. Se já se esperava isso de “Weird Fishes/Arpeggi”, “Bangers & Mash”, com duas baterias em palco (uma delas para Thom Yorke, a outra para o aprumadíssimo Phil Selway, o baterista propriamente dito) acabou por ser uma surpresa.

Vê-se que os Radiohead gostam muito do trabalho feito no último álbum. Descontraídos, pareceram divertir-se a tocar. Isto até nem é nada de especial… mas depois de ter estado cinco dias a ver concertos no Palco Mundo do Rock In Rio, com todo o profissionalismo, seriedade, posing e concentração na execução que todas aquelas bandas (exceptuando, está claro, Amy Winehouse) tinham, ver uma banda tão natural em palco é muito agradável.

Quanto às outras músicas… é complicado falar sobre elas. Eles têm um set relativamente grande. Em Barcelona, foram 24 (ou 25, se contarmos com “Hunting Bears” a finalizar “The National Anthem”) músicas em pouco mais de duas horas. Para mim, um set de quatro horas talvez fosse suficiente. A sério. Tocaram alguns dos grandes cartões-de-visita da banda, como “Paranoid Android”, “The Bends”, “The National Anthem”, “Everything In Its Right Place”, “Planet Telex”, “Lucky”, “Pyramid Song” e “Idioteque”. Também ofereceram alguns brindes, como “The Gloaming” e “Airbag” mas… e “Karma Police”, “Fake Plastic Trees”, “How to Disappear Completely”, “Just”, “No Surprises” e “Street Spirit (Fade Out)”? Já para não falar de algumas das minhas favoritas, como “Lift”, “Lurgee”, “Let Down”, “Subterranean Homesick Alien” ou “Talk Show Host”. É impossível não adorar um concerto dos Radiohead mas, da mesma forma, é impossível não ficar a desejar que dure mais umas horas.

Radiohead ao vivo em Barcelona

“The National Anthem” e “Optimistic”, duas músicas do nocturno Kid A, foram das mais fortes da noite. “Optimistic”, que em álbum é grande, ao vivo é gigante. É aqui que entra a parte em que agradeço aos deuses pelas mãos do Jonny Greenwood. Não há muito a dizer: o final barulhento da música é todo dele. Tal como “Paranoid Android” e umas quantas outras.

Não há muito mais que possa ser posto em palavras sobre o concerto dos Radiohead em Barcelona. O último dos dois encores trouxe “You And Whose Army?”, uma das melhores faixas de Amnesiac, e “Planet Telex”, o tema de abertura de The Bends. Duas horas depois de ter começado, o concerto terminava como se estivéssemos em 1995. Terminou bem… mas não devia ter terminado de todo (e sim, eu sei que é uma proposta um tanto ou quanto irrealista). É que nem sequer superou as minhas expectativas. Esperava poder dizer que foi o melhor concerto a que já assisti… e foi isso mesmo que aconteceu. Nem mais.

15-06-2008   5 comentários

Conta-me coisas, Feist

Feist

Os bilhetes estão esgotados há já algum tempo e percebe-se porquê. O bom gosto enche salas de espectáculo em todo o mundo. Porque é que a Aula Magna havia de ser diferente? Hoje, às 21 horas, Feist dá-nos motivos mais do que suficientes para ficarmos calados durante duas horas.

11-06-2008   Sem comentários

Uma agulha num palheiro

São músicas como esta que fazem valer a pena as horas e horas de música boazinha que ouço. Desta feita, não a encontrei; veio parar-me às mãos. “Untitled 2″, dos Broken Social Scene, não está presente em nenhum álbum da banda nem no único de Kevin Drew, lançado o ano passado. Mas foi apresentada ao vivo numa sessão de inéditos que a banda realizou na MTV.

09-06-2008   1 comentário

Barcelona tem mais encanto

Parc del Forum, BarcelonaParto na quinta-feira de manhã para Barcelona. São apenas três dias, sendo que só poderei aproveitar um deles para turismo. Mas tanto me faz. Quinta-feira, dia 12, vou ver, pela primeira vez, um concerto dos Radiohead.

Estou certo de que será o melhor a que alguma vez assisti. Tenho igualmente a certeza de que o momento em que eles subirem ao palco será um dos mais fascinantes da minha até agora relativamente amena vida. E não temam por mim: não há expectativas altas que possam fazer deste concerto um flop. O único flop possível é não haver concerto… ou haver e eu não estar lá. Não deverá ser necessário dizer que nenhuma destas hipóteses dava jeito.

Os Radiohead vão estar em Barcelona como cabeças de cartaz do Daydream Festival, evento altamente patrocinado pela operadora móvel Movistar que conta com uma série de bandas interessantes no alinhamento. Lamentavelmente, só vou poder ver duas bandas para além da óbvia, porque o palco principal terá apenas três actuações (o resto divide-se entre outros dois espaços). Assim, para além dos Radiohead vou poder ver Liars e Bat for Lashes, dois nomes muito acarinhados pela comunidade indie… e pelos Radiohead. No festival, não vou conseguir (ou querer, por motivos que vos ultrapassam) ver os Low (gostava muito), M83 e Clinic. Sei também que, depois de ver os Radiohead, não me vai apetecer ouvir Four Tet ou Modeselektor. E o DJ set de Cristian Vogel também terá de esperar a minha atenção numa outra altura. Ou seja, gastei 71 euros e qualquer coisa mais dois bilhetes de avião para ir ver três bandas (quer dizer, na prática foi para ver uma). Gostaria imenso que todas as que referi passassem pelo palco principal… mas não é grave.

A única loucura aqui é ter decidido isto na semana passada, quando há muito já devia ter comprado bilhetes e afins. Valha-me o facto de não ter de pagar estadia. Antes, durante e até muito depois do concerto… estarei tão contente que irritarei os que estão ao meu redor. Desculpem lá. É que estou em êxtase.

09-06-2008   Sem comentários

Até que não é mau, o novo dos Coldplay

Viva la Vida or Death and All His FriendsJá por aí anda Viva la Vida or Death and All His Friends, o mais recente dos Coldplay. Confesso que X&Y me agradou muito menos que os álbuns anteriores. Com excepção de uma ou duas músicas, era enfadonho, vulgar e desinteressante. Basta dizer que a medonha “Fix You” era, segundo a própria banda, o tema em torno do qual todos os outros giravam (de um ponto de vista conceptual, imagino eu). Infelizmente, quase nada em X&Y se aproximava da simplicidade indie de Parachutes ou do requinte pop de A Rush of Blood to the Head. “Speed of Sound” era um single gigante, é um facto, mas o resto era simplesmente medíocre. X&Y foi, no entanto, um enorme sucesso comercial: uns milhões de cópias vendidas transformaram-no no álbum mais popular de 2005.

Por este e outros motivos, Viva la Vida or Death and All His Friends não me aguçava especialmente a curiosidade. A capa e o título do álbum e “Violet Hill”, o primeiro single, acentuaram esta tendência. Quer dizer, o título sempre deu para fazer umas larachas com o Ricky Martin à mistura… mas pouco mais. Havia apenas dois pontos de interesse: ser o novo álbum dos novos U2 (que para os velhos já não tenho paciência) e ser produzido por Brian Eno.

Foi com este cepticismo que comecei a ouvir “Life in Technicolor” no meu iPod. A partir daí, mudou tudo. Não, não regressaram ao som mais simples dos primeiros dois álbuns; mas puseram, por oposição, as lacunas de X&Y ainda mais à vista. Viva la Vida or Death and All His Friends tem – espantemo-nos – bom gosto. Não consigo deixar de pensar que o responsável é Brian Eno (mas pode ser preconceito). Este álbum está tão bem produzido, tão cristalino, que até nos faz duvidar. É que, apesar de não fugir muito da linha de X&Y, o novo álbum dos Coldplay abandona os riffs manhosos e aquela tensão demasiado dramática de algumas das músicas do anterior… o que faz com que as melodias e a voz de Chris Martin saltem para a frente de todos os temas (e é aí que estão bem). “Life in Technicolor”, curiosamente, é apenas uma introdução instrumental, com alguns elementos de electrónica à mistura… mas é atípica, porque parece uma música completa (coisa rara em introduções).

E o resto, que ainda está fresco, ganha com esta introdução. “Lost” (que também tem uma excelente versão acústica como bónus), “42″, “Lovers in Japan”, a escondida (a meio do álbum) “Reign of Love” e a bem-disposta “Strawberry Swing” provam-no competentemente. Claro que também há “Cemeteries of London” e “Yes”, por exemplo… que pouco têm de especial.

Mas está giro, no geral. É engraçado poder voltar a gostar de um álbum dos Coldplay. Ainda não tomei atenção suficiente às letras para opinar… mas ainda não ouvi nada como “Swallowed in the Sea”, do último álbum, o que só pode ser bom. Viva la Vida or Death and All His Friends não é grandioso mas também não tenta ser (foi aí que X&Y falhou redondamente), o que faz com que seja mais de quem o ouve e menos de todo o mundo. “Death and All of His Friends” encerra o álbum de forma circular (a melodia de “Life in Technicolor” volta a fazer-se ouvir) e faz com que apeteça dar a volta também e escutá-lo novamente. Geralmente, isto é bom sinal.

Queremos ser desafiados e surpreendidos constantemente. Pois bem, o novo dos Coldplay é confortável, como é hábito no pop/rock. Não é o melhor álbum do ano… mas ouve-se muito bem.

09-06-2008   2 comentários

Um guia dos festivais de música rurais para 2008

Depois de ter falado um pouco sobre os festivais urbanos deste ano, eis que dou por mim a conseguir escrever somente sobre dois festivais rurais. À semelhança do que acontece com o Super Bock Super Rock, também tenho uma história recente de idas a um festival específico: Paredes de Coura. Tendo perdido a histórica edição em que passaram por lá os The Arcade Fire, que, segundo rezam as crónicas, abrilhantaram um cartaz já de si altamente luxuoso, não pude deixar de ir nos dois anos seguintes. Foi lá que vi pelo menos dois dos meus concertos preferidos de sempre: Broken Social Scene e Sonic Youth. Este ano, no entanto, falta alguma coisa aos dois festivais que interessam.

Sudoeste TMNSudoeste TMN (de 6 a 10 de Agosto) – O Sudoeste continua a incógnita que sempre foi para mim. Mistura bom e mau, folk, electrónica e pop pimba no mesmo palco com uma naturalidade que não se compreende. É o maior festival português… e ainda lá hei-de pôr os pés. Mas não este ano. Até agora, têm Björk, The Chemical Brothers e Franz Ferdinand a fazer barulho, nada mais. Insuficiente.

Paredes de CouraHeineken Paredes de Coura (de 31 de Julho a 3 de Agosto) – O sítio é fantástico: a vila, o recinto, o famoso anfiteatro natural onde o palco se situa, as pessoas… Até hoje, só consigo falar bem das minhas passagens por Paredes de Coura. Mas este ano, o festival perdeu fulgor. Tenho medo que seja por causa do acordo com a Everything Is New, que está a tratar da contratação dos artistas este ano. A Everything Is New, diga-se, tem feito um trabalho fantástico no que diz respeito a concertos de qualidade desde que nasceu do afastamento da Música no Coração. O Optimus Alive é um grande exemplo disso. Mas é exactamente devido ao Optimus Alive ter o cartaz que tem que sinto que Primal Scream, Sex Pistols, Caribou e The Mars Volta deixam um pouco a desejar. Quase parece que o que interessava ficou em Lisboa para o Alive.

Em jeito de conclusão (e serve também para o post anterior): a Música no Coração foi à vida; a Ritmos & Blues faz umas coisas aqui e ali (e nada de especial); a Everything Is New entrou para dominar o mercado da promoção de concertos. Concorrência e especialização seriam boas para o mercado, acho eu. Mas afastamo-nos cada vez mais disso. O desaparecimento de alguns festivais é, de resto, um dos sinais mais visíveis desta realidade.

04-06-2008   Sem comentários

Um guia dos festivais de música urbanos para 2008

Numa altura em que anda aí o Rock In Rio, que é claramente um evento à parte, estão a chegar os festivais de Verão. Hão-de passar por nós os pequenos, os gigantes, os do surf, os da terrinha ou do que quer que seja, ou então passamos nós por eles. No que diz respeito aos festivais urbanos, assim tem acontecido comigo nos últimos dois anos. Passei pelas duas últimas edições do Super Bock Super Rock, primeiro para ver exclusivamente Tool, depois para ver The Arcade Fire, LCD Soundsystem, Interpol e mais uma catraifada deles. Mas… e este ano?

MantaManta (17, 18 e 19 de Julho) – Guimarães está ao rubro. Liars e The National (Rinôçérôse não me aquece nem arrefece) estão ali à distância de 10 euros por concerto ou 25 euros para o conjunto dos três.

Marés VivasMarés Vivas (17, 18 e 19 de Julho) – Olhem que até tem um cartaz engraçadote: Peter Murphy, Shout Out Louds, The Prodigy, Tricky e James são atraentes e têm um mínimo de qualidade. O que também é atraente é o preço: 30 euros pelos três dias. No entanto, a ter de escolher entre este e o Manta, não penso duas vezes: faço mais uns quilómetros até Guimarães.

Festival Músicas do Mundo (de 17 a 26 de Julho) – Até dava um saltinho a Sines só para ver se descobria alguma coisa gira no Festival Músicas do Mundo. Falta, no entanto, um nome que me puxe até lá. Não é da mesma liga que os outros festivais… mas é uma alternativa interessantíssima se estiverem fartos de ouvir as mesmas coisas.

Delta TejoDelta Tejo (18, 19 e 20 de Julho) – O Delta Tejo é de outro campeonato… uma espécie de Rock In Rio manhoso. Não vale sequer o dinheiro que se paga pelo bilhete do 60 até à Ajuda, quanto mais o que se paga para entrar. Pu-lo aqui só para haver um comic relief.

Super Bock Super RockSuper Bock Super Rock (4, 5, 9 e 10 de Julho) – Este veio por aí abaixo. O maior trambolhão da História dos festivais é a edição de 2008 do SBSR. É o cartaz mais ridículo de sempre. Lamento imenso… mas não é o pobrezinho do Beck e uma meia dúzia de portugueses que me vão levantar a moral. Paolo Nutini? Morcheeba? Jamiroquai? Iron Maiden? Slayer? Mika? Duran Duran? Ide bugiar, senhores.

Optimus AliveOptimus Alive (de 10 a 12 de Julho) – Aqui está o único que me faz querer pagar o que pedem. Este ano, o Alive é o primeiro dia mais Bob Dylan e Neil Young mas… ainda assim. Vampire Weekend, MGMT, The National, Peaches, Cansei de Ser Sexy, Gogol Bordello, Rage Against The Machine e The Hives só num dia? Que festival alienígena é este!? Os 90 euros fazem alguma comichão mas acho que vou.

Resumindo, o Alive dá uma abada ao resto. Imagino que o público adira ao Delta Tejo e assim… mas não compreendo o motivo. Não estaria na altura de as promotoras começarem a pensar os festivais como eventos de enorme potencial de nicho? Seria mais vantajoso para o público, que teria mais escolha… e para as marcas que investem forte e feio neste tipo de eventos, que teriam muito mais facilidade em chegar aos públicos mais interessantes.

Amanhã publico a minha opinião sobre as edições deste ano dos mais importantes festivais rurais.

03-06-2008   1 comentário

O público é um triste espectáculo

Amy Winehouse

Não há muito a dizer sobre a passagem de Amy Winehouse pelo Rock In Rio. Para primeiro concerto depois da reabilitação, a cantora não estava nada mal servida de álcool e de sabe-se lá mais o quê. Até aqui, portanto, tudo “normal”. No entanto, houve dois pormenores (ao longo do dia e imediatamente antes do concerto começar) que me alertaram para uma realidade muito infeliz.

O primeiro: 90 mil pessoas compraram bilhetes para ir ao Rock In Rio. Porquê? Por causa dela. Por causa da música dela? Não. Parto do princípio de que grande parte dos que pisaram o Parque da Bela Vista na noite de sexta-feira fizeram-no por uma espécie de prazer mórbido, uma celebração da decadência (e uma decadência muito real) de uma artista cuja música deveria ser mais do que suficiente para encher dois Parques da Bela Vista. As pessoas queriam vê-la bêbeda, drogada ou de qualquer outra forma. Com um pouco de sorte, talvez morresse em palco. Tabloid hell indeed.

O segundo: antes do concerto começar (com mais de meia hora de atraso), as pessoas assobiavam e queixavam-se da espera. Acho que até é natural. Mas as manifestações soaram-me animalescas, como se de repente estivessem todos num coliseu romano à espera de um gladiador… só para verem um bocadinho de sangue e voltarem às suas vidinhas de seguida.

Isto foi o pré-concerto. Durante o concerto propriamente dito, foi o que se esperava. Ninguém conhecia nada e ninguém se importava minimamente com a música. Assistiram ao espectáculo e só tiveram pena de não ter havido mais uma queda, birra ou algo do género.

Eu gosto dela. Da música e da voz; do fenómeno, nem tanto.

02-06-2008   2 comentários