Um guia dos festivais de música rurais para 2008
Depois de ter falado um pouco sobre os festivais urbanos deste ano, eis que dou por mim a conseguir escrever somente sobre dois festivais rurais. À semelhança do que acontece com o Super Bock Super Rock, também tenho uma história recente de idas a um festival específico: Paredes de Coura. Tendo perdido a histórica edição em que passaram por lá os The Arcade Fire, que, segundo rezam as crónicas, abrilhantaram um cartaz já de si altamente luxuoso, não pude deixar de ir nos dois anos seguintes. Foi lá que vi pelo menos dois dos meus concertos preferidos de sempre: Broken Social Scene e Sonic Youth. Este ano, no entanto, falta alguma coisa aos dois festivais que interessam.
Sudoeste TMN (de 6 a 10 de Agosto) – O Sudoeste continua a incógnita que sempre foi para mim. Mistura bom e mau, folk, electrónica e pop pimba no mesmo palco com uma naturalidade que não se compreende. É o maior festival português… e ainda lá hei-de pôr os pés. Mas não este ano. Até agora, têm Björk, The Chemical Brothers e Franz Ferdinand a fazer barulho, nada mais. Insuficiente.
Heineken Paredes de Coura (de 31 de Julho a 3 de Agosto) – O sítio é fantástico: a vila, o recinto, o famoso anfiteatro natural onde o palco se situa, as pessoas… Até hoje, só consigo falar bem das minhas passagens por Paredes de Coura. Mas este ano, o festival perdeu fulgor. Tenho medo que seja por causa do acordo com a Everything Is New, que está a tratar da contratação dos artistas este ano. A Everything Is New, diga-se, tem feito um trabalho fantástico no que diz respeito a concertos de qualidade desde que nasceu do afastamento da Música no Coração. O Optimus Alive é um grande exemplo disso. Mas é exactamente devido ao Optimus Alive ter o cartaz que tem que sinto que Primal Scream, Sex Pistols, Caribou e The Mars Volta deixam um pouco a desejar. Quase parece que o que interessava ficou em Lisboa para o Alive.
Em jeito de conclusão (e serve também para o post anterior): a Música no Coração foi à vida; a Ritmos & Blues faz umas coisas aqui e ali (e nada de especial); a Everything Is New entrou para dominar o mercado da promoção de concertos. Concorrência e especialização seriam boas para o mercado, acho eu. Mas afastamo-nos cada vez mais disso. O desaparecimento de alguns festivais é, de resto, um dos sinais mais visíveis desta realidade.

0 comentários
Preencha o formulário abaixo.
Comente