Música, indústria e tendências.

Posts de — Julho 2008

Dar valor ao álbum: divulgação

A forma como as bandas divulgam o seu trabalho tende a influenciar a forma como as pessoas o recebem. Como é óbvio, a principal diferença é entre divulgar e não divulgar, práticas que resultam de forma naturalmente diferente. No entanto, mesmo quando há divulgação, as disparidades são visíveis entre casos aparentemente semelhantes.

Música 2.0

Seja como for, uma coisa é certa: a divulgação tradicional já não é suficiente. Enviar uma cópia promocional ao crítico de música profissional e esperar por aqueles dois ou três parágrafos de adoração ou desprezo completo é um desperdício de tempo e de dinheiro. Numa altura em que os fãs de música obtêm cada vez mais informação via Web, é interessante que o investimento das editoras nesta área não seja aplicado proporcionalmente.

A nível internacional – que é como quase tudo acontece – há um pouco de tudo: a obsessão por serviços pagos de subscrição, a luta contra tudo e contra todos e a tentativa de trazer alguma frescura a uma indústria cansada (ou lá o que foi aquilo). A nível local, as editoras têm mais autonomia sobre um ou outro pormenor. A divulgação é um deles. Claro que nem tudo pode ser decidido a nível local. Querem pôr um álbum na Internet de graça? Provavelmente não podem. Mas há outras coisas, simples e baratas.

1. Perfis em redes sociais.

O MySpace já é um lugar comum; o Facebook, em Portugal, nem tanto. Pessoalmente, vejo muito mais potencial no último do que no primeiro. Os perfis têm bom aspecto (ao contrário dos caixotes do outro), as aplicações são úteis e/ou giras, consoante os casos, e possibilitam bastantes formas de interacção entre utilizadores e marcas ou empresas. O mesmo se aplica às editoras discográficas. No mínimo, funciona como montra para a discografia e biografia do artista. No campo oposto, se as coisas forem bem feitas, a interacção entre artistas, editoras e fãs pode levar à criação de movimentos muito positivos.

2. Blogosfera.

Se quero saber alguma coisa sobre nova música portuguesa, vou à Trompa. Se me interessam coisas sobre a minha banda favorita, acompanho as actualizações do blog oficial e do At Ease. Se me interessam mergulhos musicais mais profundos, subscrevo o podcast Revoluções por Minuto e ouço-o no iPod a caminho do trabalho. Se a minha cena é P2P, indústria discográfica, novas tendências da música na Web e cultura livre, então o Remixtures é o blog português a que vou. Repararam como não há aqui nenhum Público, Diário de Notícias, Blitz ou Disco Digital? É porque cada vez interessam menos. Nós, os fãs, estamos online e gostamos de dialogar mais do que escutar. Algumas bandas também. Mas ainda há um grande caminho a percorrer. Venham falar connosco, que temos todo o interesse.

3. Dêem-nos música.

Eu sei que é complicado e que há toda a questão dos direitos de autor (que a indústria soube trazer à conversa quando começou a interessar), do vosso negócio tradicional estar pela hora da morte e tudo o resto. Mas não há volta a dar: se eu gosto de música, dêem-me música. Vá, inicialmente, tentem fazê-lo nem que seja só para eu experimentar. E acreditem no vosso produto. Eu, que ainda não sou utilizador do Last.fm, pergunto-me porque é que não está lá a música toda do mundo. Haverá melhor coisa para um artista do que aparecer no top dos mais tocados daquele serviço? Haverá, certamente. No entanto, esta hipótese também não é nada má. Olhem o Jiwa.fm, o meu blog, o Bitaites e a Mini-saia. O primeiro está fora do vosso alcance; é a casa-mãe que decide essas coisas, bem sei. Mas que é um óptimo serviço, lá isso é. O meu blog, por exemplo, é sobre música: meto uns quantos vídeos, escrevo sobre álbuns, concertos e afins e falo um pouco sobre o marketing da indústria discográfica e temas próximos. O Bitaites, ex-informático de serviço, é um dos melhores blogs que por aí anda escrito em Português e, de quando em vez, lá fala do Frank Zappa, de blues e de Radiohead, entre muitas outras coisas. Para além disto, é definitivamente um influenciador (tal como o Paulo Querido ou uma série de gajos da política, por exemplo). A Mini-saia é um blog com dicas para mulheres sobre moda e beleza. Parece fugir um pouco ao tema, não é? Mas olhem que estou a olhar ali para um post sobre férias em que cabia perfeitamente, a acompanhar, uma música qualquer de uma banda qualquer que fosse a um festival de Verão.

Resumindo, não falo aqui a falar de investir a sério. Estas três sugestões tratam simplesmente de agir de forma natural. A palavra-chave é a mesma de sempre: adaptação.

28-07-2008   5 comentários

Mobília stalker e música confortável

Ouvi Comfort of Strangers muitas vezes em 2006. Até então, nunca tinha ouvido falar da Beth Orton senão pela newsletter da Astralwerks mas acabei por experimentar. Apesar de tentar espalhar a palavra, é certo que não cheguei a conhecer ninguém que gostasse tanto deste álbum como eu: é que, para mim, foi mesmo dos melhores de 2006.

Músicas como “Comfort of Strangers”, “Shadow of a Doubt”, “Heart of Soul” ou “Place Aside” passaram por aqui vezes e vezes sem conta. Mesmo quando acontecia não saber o que havia de ouvir na viagem entre casa e a faculdade, este álbum era uma das escolhas recorrentes. E faz sentido. Comfort of Strangers é um conjunto de canções simples, pequenas e bonitas. Por isso, é – e perdoem-me o jogo óbvio de palavras – um álbum muito confortável.

Um dos singles é “Shopping Trolley”. Se a minha prosa não chegar para que vejam o vídeo, fiquem a saber que envolve mobília carente.

26-07-2008   Sem comentários

Os Wilco vieram num fim-de-semana de Maio

Wilco - Sky Blue SkySky Blue Sky foi o único álbum dos Wilco que ouvi no momento certo. Não me recordo se foi a primeira vez que o ouvi mas sei que foi definitivamente a mais consciente de todas. Foi no ano passado, num sábado solarengo de Maio, creio que apenas uns dias depois de ter sido lançado.

Ouvi a primeira metade numa viagem calma de autocarro e a segunda nos minutos que se seguiram a andar a pé no Monsanto. Não fui passear; tinha um objectivo específico (poupem nas piadas, se quiserem; se não quiserem, não faz mal).

Andei, andei e andei. O álbum lá terminou comigo sentado numa paragem de autocarro algures entre os Montes Claros e o Pólo Universitário da Ajuda.

Ao contrário dos álbuns anteriores, Sky Blue Sky acertou em cheio. A temperatura, as cores da rua e até a invulgarmente calma viagem juntaram-se a músicas como “Either Way”, “Walken”, “On and On and On” e “What Light” especialmente para me agradar. É uma perspectiva um tanto ou quanto egocêntrica, se calhar.

E depois tinha “Side with the Seeds”, esses monumentos em forma de canção. Se o álbum fosse todo assim, bem poderia ser um domingo passado na fila de uma qualquer caixa do Continente do Colombo, uma hora antes de um jogo do Benfica no Estádio da Luz. Porque se é para ter guitarras assim, nem é preciso contexto.

Acredito sinceramente que há álbuns assim. Não é que precisem de auxílio para soar bem mas é um facto que resultam melhor em momentos e ambientes específicos. Já tinha pensado nisto relativamente a outros álbuns, geralmente mais experimentais ou difíceis de digerir, mas nunca um se tinha tornado tão facilmente identificável. Sky Blue Sky é um dos meus álbuns de fim-de-semana por excelência.

25-07-2008   3 comentários

Pessoas à porrada

Quem é que não gosta de vídeos com pessoas à porrada?

Em modo violência doméstica (e não só), os The Kills mostram em “Last Day of Magic” porque é que Midnight Boom foi um dos álbuns mais bem recebidos do ano até agora.

24-07-2008   3 comentários

Motivos que explicam o facto de não odiar as editoras

Universal MusicEu não odeio a indústria discográfica porque acho que foram responsáveis por me trazer a grande maioria da música que ouço.

As majors tendem a ser um pouco diabolizadas – e com alguma razão – por terem um historial de desrespeito por grande parte dos artistas que editam e pelos consumidores mas até não fizeram um trabalho assim tão mau nos últimos 50 ou 60 anos. O problema da mistura entre negócios e arte é que só muito dificilmente são compatíveis. É que uma empresa quer lucro; o artista pode querer uma série de outras coisas… mas, geralmente, deseja sobretudo produzir e divulgar o que fez. Claro que há os que querem sobretudo dinheiro e reconhecimento… mas esses raramente são artistas.

Sub PopGosto da ideia romântica da editora. Agrada-me a existência de um critério artístico, de uma sensibilidade que tem em conta o dinheiro, mas pouco. Sei que isto não existe. Nem nas quatro majors, nem nos pequenos grupos de editoras indie. Talvez aconteça numas quantas resistentes pequeníssimas e sem exposição nenhuma.

Com melhores ou piores opções, cresci a ouvir música popular. Nesse sentido, as editoras foram importantes para mim. Será que, se a EMI não existisse, alguma vez me teria deparado com os Radiohead? Sim, actualmente a EMI é detida por um tipo estranho com opções estranhas, mas ainda assim, será que os tinha encontrado? Esta questão, repetida para quase todos os artistas de que gosto (com muitos outros artistas menos conhecidos, cujas editoras têm outras condutas), torna-se importante.

Para todos os efeitos, a editora, como conceito, tem como função facilitar a divulgação de um artista. Juntando isto à questão dos critérios editoriais, quase sou levado a pensar que a ideia por trás de uma editora é a mesma que a que tento cumprir aqui: divulgar com qualidade.

SonyBMGNesse sentido, não odeio a indústria e muito menos as editoras individualmente. Creio que têm um grande caminho por percorrer e que deverão mudar de atitude muito rapidamente mas não consigo deixar de pensar nas editora como potenciais elementos facilitadores. E podem pensar no Beggars Group, que detém uma série de editoras supostamente independentes (será que, tendo em conta que fazem parte de um grupo, ainda são independentes? Creio que apenas são mais pequenas e que têm uma filosofia diferente), para não terem de pensar na Universal, na EMI, na SonyBMG ou na Warner Music. Pensem nas possibilidades.

Mas isto sou eu, que não gosto especialmente da selva que é o MySpace. Agulhas em palheiros, sim… mas há um limite para tudo.

23-07-2008   2 comentários

Dar valor ao álbum: embalagem

Dylan 07Nos últimos anos, as editoras discográficas têm apostado na criação de embalagens mais apelativas. O artwork e o material das caixas em que o disco é vendido são dois aspectos muito importantes na equação do produto final. Pessoalmente, gosto muito desta ideia. Como tendo a comprar muitos discos, prefiro as edições especiais. No entanto, este embelezamento do produto não tem grandes efeitos sobre a maioria das pessoas, que só quer ouvir a música. É por isso que acho, como já disse, que o CD tende a transformar-se cada vez mais num produto de nicho.

É estranho que esta forma de diferenciar os produtos só tenha chegado à indústria discográfica nos últimos anos. É que a diferenciação não é propriamente uma jovem nestas coisas do marketing. Poderão argumentar que a música só por si deveria funcionar como elemento diferenciador mas a verdade é que o mau comportamento da indústria nas décadas de 80 e 90 levou a que a maior parte das pessoas se esquecessem disso. A música popular (no sentido genérico) tem muito lixo… e muito desse lixo é semelhante. É por isso que o aspecto assumiu um papel importante – ainda que não determinante – na venda de discos.

Quando penso que há muitos artistas que lançam os produtos mais desengraçados deste planeta a queixarem-se de que ninguém compra os discos deles por causa da pirataria, não consigo ficar senão indiferente. Até percebo a revolta: estavam habituados a um sistema e agora as coisas mudaram. Se calhar, a forma como o mercado tende a evoluir não lhes permite ganhar tanto dinheiro fazendo exactamente o mesmo que faziam. Mas seria interessante vê-los mudar de atitude. Se não se adaptarem, desaparecem.

Não creio que a embalagem seja um factor determinante para o futuro da indústria discográfica. O CD vai tornar-se quase insignificante (o DVD musical, por exemplo, já o é desde que apareceu) e a embalagem será um factor diferenciador para uns quantos, mas não para muitos.

Os “muitos” passarão brevemente a estar completamente concentrados no produto digital, esse que é todo aparentemente imaterial. Em frente ao computador, vamos continuar a poder ouvir a mesma música e a ler muitas coisas sobre os artistas (seja em booklets digitais, seja em dezenas ou centenas de sites que estão disponíveis com informação). Perde-se o peso – que para alguns é já um inconveniente – e o espaço que ocupa. Perde-se também aquela coisa do tacto (as editoras de livros andam com o mesmo problema, aparentemente). Os “muitos”, que são quase todos, não querem saber. Os restantes talvez se mantenham fiéis… mas para isso é importante continuar a apostar neles. Não me parece de todo descabido ter diferentes pesos e diferentes medidas, consoante o tipo de consumidor. Não quero parecer preachy mas acho sinceramente que as editoras terão de perceber isto, mais cedo ou mais tarde.

22-07-2008   Sem comentários

A parte de cima do baú

No já longínquo ano de 2007, os Blonde Redhead lançaram um disco, 23, que foi recebido com simpatia pela maior parte da crítica e do público. Nunca com grande entusiasmo; apenas uma espécie de “isto é bonzinho, sim senhor”.

A música de abertura, também ela intitulado “23″, foi a que mais se destacou na altura. Passei há pouco por ela e pensei “porque não?”. Estejam à vontade.

21-07-2008   2 comentários

The National em Guimarães: lucky me

The National ao vivo no Manta, em Guimarães

Foi uma decisão de última hora mas fui a Guimarães na sexta-feira para ver os The National. Sim, já os tinha visto na Aula Magna com óptimos resultados e no Alive de forma menos espectacular mas quis aproveitar para os ver ao vivo mais uma vez, ao ar livre e à noite.

De forma muito clara, digo-vos que este foi o melhor concerto que vi dos últimos três que os The National deram em Portugal. O espaço – jardim do Centro Cultural Vila Flor – era perfeito para a ocasião: pequeno e muito bonito. Lua cheia, uma noite incrivelmente quente e um público muito interessado completavam o contexto. A banda, por outro lado, juntou à competência e energia habituais um alinhamento quase perfeito. Com surpresas como “Murder Me Rachel”, “The Geese of Beverly Road” e “Lucky You” a completar um set quase completamente baseado em Boxer e Alligator (”The Geese of Beverly Road” também faz parte deste álbum mas não é das mais tocadas ao vivo), a noite dificilmente poderia ter sido má.

De resto, as costumeiras “Mistaken For Strangers”, “Apartment Story”, “Secret Meeting”, “Fake Empire”, “Daughters of the Soho Riots” e “Mr. November” (sempre a encerrar, claro) completaram brilhantemente uma grande noite dos The National em Guimarães.

Aproveito para dar os parabéns à organização do Manta que, arrisco-me a dizer, criou um monstro. Se o cartaz não bastasse, a forma relativamente pacífica como tudo decorreu (com menos pessoas a assistir é mais fácil, claro), a simpatia e o ambiente geral deixaram-me uma óptima impressão. Até deu para uma série de fãs abordarem quase todos os membros da banda (faltou Matt Berninger, o vocalista) para autógrafos, fotos ou simplesmente conversa, enquanto Manuela Azevedo passava música para os que ficaram pelo jardim depois de acabar o concerto. Fico à espera de novidades relativamente ao próximo ano.

Quanto aos The National, continuam a mostrar que o hype nem sempre é desprovido de sentido. São uma das melhores bandas da actualidade e o concerto que deram em Guimarães serve facilmente de prova.

20-07-2008   6 comentários

É Topspin mas lê-se hype

TopspinSou um céptico e acho que isso me traz vantagens. Sobretudo se tivermos em conta que, profissionalmente, uma parte importante do que faço envolve estar atento aos novos projectos que vão aparecendo (numa base diária, diga-se) na área dos media sociais e da Web 2.0 (aquelas coisas todas com os nomes esquisitos e poucas vogais). O cepticismo não me deixa entrar em ondas por cada serviço novo que aparece por aí, o que me permite filtrar melhor as novidades, parece-me.

Isto para dizer que não consigo ver (e acreditem que já tentei!) o motivo da excitação toda que por aí anda com a Topspin. Para quem não sabe, a Topspin pretende ser uma alavanca na web para artistas independentes, não numa lógica de marketing mas de tecnologia pura e dura. Por exemplo, foi dos servidores da Topspin (via Remixtures, há umas semaninhas) que a maior parte das pessoas fez o download das últimas edições dos Nine Inch Nails. Sei pouco mais do que isto a nível prático, até porque a Topspin ainda está a operar somente com um grupo restrito de artistas, editoras e agentes (então não era suposto apoiarem o faça-você-mesmo?). O Josh Rouse, por exemplo, tem um sistema de subscrição pago no site mas, sem mais nada, isto é apenas uma solução de recurso, uma maneira de ganhar uns cobres. Falta definir um caminho. E a Topspin dá uma ajuda ao nível das ferramentas… mas tem um contributo estratégico muito marginal.

O Bob Lefsetz, que é um tipo com anos e anos de experiência na arte de dizer o que pensa da indústria da música, anda muito entusiasmado com o facto de, resumidamente, o pessoal da Topspin gostar de música e perceber de código (estamos a falar de desenvolvimento de software e afins).

É isto que não compreendo. Bem sei que é mais um sound bite do que outra coisa qualquer mas… o facto de alguém gostar muito de música e de saber codificar não a torna imediatamente sensível às questões que normalmente estão associadas ao marketing. E não falo das ferramentas não raras vezes obsoletas e pouco eficazes utilizadas pelos departamentos de marketing das principais editoras internacionais. Antes, refiro-me ao estudo do mercado, peça central no puzzle e agregador de quase todos os conceitos da disciplina. Sem este tipo de conhecimentos, o marketing é o fruto de conversa fiada e ferramentas de execução de sabe-se lá o quê.

Parece-me que o Bob Lefsetz demonstra demasiado entusiasmo para algo tão pouco interessante. É software, meu. É algo que, mal aproveitado, serve de muito pouco (quando não prejudica). Por isso é que, se se quer sucesso (seja a nível comercial ou de notoriedade), ter uma estratégia é fundamental. É uma regra básica: definem-se objectivos, depois estratégias para os atingir e depois acções específicas. Depois vêm as ferramentas. Fazem parte… mas não as sobrevalorizem.

De repente, começámos a falar de ferramentas de auto-promoção como se toda a indústria da música dependesse delas. As ferramentas por si só têm ciclos de vida muito curtos. Veja-se, de resto, algumas das que são actualmente utilizadas pela indústria. Por exemplo, quem é que ainda liga a cartazes colados em taipais de chapa? Fazem falta conceitos e caminhos novos. Deixemos as ferramentas para depois.

17-07-2008   1 comentário

Portugal é um país de contrastes – peixe : avião

peixe : aviãoDe tempos a tempos, há uma ou outra banda portuguesa que me cai no goto. Em 2003, foram os Blind Zero com o (se bem me recordo) perturbante A Way To Bleed Your Lover; em 2005, foram os Linda Martini com a sua promo digital e com “Amor Combate”. 2008 promete ser o ano dos peixe : avião (sim, assim com minúsculas).

Provenientes de Braga, editaram já um álbum em nome próprio no ano passado. Não tive oportunidade de o ouvir (ainda) mas, a julgar pelas amostras que por aí andam do segundo, não deve ser coisa má de todo. É que os dois singles saídos de 40.02, que tem lançamento marcado para 15 de Setembro, são muito fortes. “A Espera é um Arame” e “Camaleão” vão produzir a comparação do costume: Ornatos Violeta para aqui, Ornatos Violeta para ali. É que, em Portugal, quando alguém toma a decisão aberrante de cantar em Português, parece o Manel Cruz. Com sorte, talvez os comparem aos Toranja também. A nível internacional, aposto em Radiohead (fácil, até o Adolfo Luxúria Canibal o faz no comunicado oficial do lançamento) e Muse.

Seja como for, “A Espera é um Arame” é das melhores músicas portuguesas que ouvi nos últimos tempos (e esqueçam por momentos que não ouço muita música portuguesa). É rock alternativo sem parecer completamente underground na produção, feito com gosto e talento. Tem uma linha de baixo muito porreira e um final (os 42 segundos finais, para ser mais específico) em grande. Caso não tenham reparado, gosto de finais em grande. Fazem-me querer repetir.

“Camaleão”, que conta com a colaboração de Ana Deus (Três Tristes Tigres), não tem um efeito tão forte como a outra. Nem todas podem ter, diga-se. Mantêm-se, no entanto, o bom gosto, o bom som e a boa onda.

Setembro está quase aí. Até lá, “A Espera é um Arame” e “Camaleão” terão de servir. Passem pelo MySpace dos peixe : avião, que vale a pena. Nem que seja pelas músicas. Essas valem certamente a pena.

17-07-2008   11 comentários