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Alive and rocking

Neil Young

Neil Young é uma lenda e não é qualquer um que atinge esse estatuto. No caso dele, 40 anos de música de referência na mistura muito americana entre rock, country e folk (e isto é só a parte grande do bolo) e uma capacidade para se manter em grande forma são apenas dois dos motivos.

Ontem, no Alive, Neil Young foi excelente. Imagino que seja assim em todos os seus outros concertos, o que só contribui para o seu estatuto. Para mim, que conheço muito pouco da obra dele, não podia haver melhor showcase.

Encheu aquele palco com a guitarra, os solos intermináveis, os refrões cheios de força e um alinhamento excelente. Acho que acabei de dizer quase tudo sobre o concerto na frase anterior. Claro que também houve espaço para respirar com a melancolia de “Oh Lonesome Me” (que não é de Young mas é como se fosse) e a solenidade de “Mother Earth (Natural Anthem)”… mas a maior parte das duas horas de concerto foi preenchida com muito barulho de guitarra.

O final, esse, foi gigante, com direito a cover dos Beatles e tudo: “A Day In The Life” encerrou o concerto da melhor forma. Um concerto digno de uma lenda.

E isto de ver duas lendas em dois dias seguidos dá para fazer alguma análise: Neil Young sua para dar um grande concerto, parte cordas da guitarra e dá tudo o que tem, incluindo os seus maiores êxitos; Bob Dylan é um velho antipático que faz do público gato-sapato e que decide ignorar quase 50 anos da melhor música que foi feita. Ambos os métodos fazem parte das respectivas lendas, o que torna tudo muito mais interessante.

O público tende a gostar mais do esforço que da antipatia e até se percebe porquê. Mas isso não interessa nada. A música é boa e vale por si em ambos os casos; o resto é bónus. Bob Dylan dá-nos mau-feitio. Ontem, Neil Young deu-nos um termo de comparação.

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