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Bob Dylan doesn’t care about Portuguese people

Bob Dylan no Alive via ecrãs gigantes

Ontem à noite vi o maior nome de sempre da música popular ao vivo. E se pensam que estou a falar dos Within Temptaion, então este blog não é para vocês.

Bob Dylan é o tipo mais seco e antipático em palco que já se viu. Pensava que o J. Mascis dos Dinosaur Jr. tinha levado para casa esse prémio (em Paredes de Coura, no ano passado, fez um adeus com a mão na altura de sair de palco e pouco mais) mas ainda estava para chegar a noite de ontem.

Ele não tocou quase nenhum grande êxito – mas fez-nos o favor de fechar com “Like a Rolling Stone” – e não falou entre músicas. Antes da última música, disse umas coisas praticamente ininteligíveis (vá, apresentou a banda) e foi isso. No final, o “agradecimento” foi ficar de pé com o resto da banda durante uns 20 ou 30 segundos. Não, não falta nenhuma descrição: foi aquilo (sem gestos, sorrisos ou qualquer coisa minimamente amigável).

Esta conversa toda serve para dizer que adorei o concerto. O tipo dá-se ao luxo de não tocar quase nada que a generalidade do público conheça (como já disse, tenho a última compilação dele – que tem 51 músicas – e tenho ideia de ter reconhecido duas ou três músicas… mas também pode ser problema meu), o que até é compreensível por uma questão de sanidade mental (dele). Ou acham que tocar as mesmas músicas durante quase 50 anos é bom para alguém? De qualquer forma, deixou-me rendido. O seu rock’n'roll de histórias e harmónica é das coisas mais irresistíveis que surgiram no século XX.

7 comentários

1 Alive and rocking — Ouve-se { 13-07-2008 às 16:29 }

[...] grande concerto, parte cordas da guitarra e dá tudo o que tem, incluindo os seus maiores êxitos; Bob Dylan é um velho antipático que faz do público gato-sapato e que decide ignorar quase 50 anos da melhor música que foi feita. [...]

2 Raquel Ribeiro { 14-07-2008 às 17:27 }

Thank God I wasn´t there!

3 details { 15-07-2008 às 0:01 }

E nao falas do excelente concerto que foi John Butler Trio? Grande empatia com o público, guitarra a resvalar entre o rockeiro, ska e acústico, sem falhas, excelente baterista, voz no tom certo e a transbordar de simpatia. Valeu bem a pena.

Concordo com o que dizes sobre o Bob. De tal maneira que o concerto me aborreceu de tal maneira que acabei a ouvir like a rolling stone sentada no chão.

4 Filipe Marques { 15-07-2008 às 10:11 }

Não. Porque não me interessou. Quando lá cheguei, ia a meio, na “Ocean” (procurei pela net porque gostei desta). O resto foi mais ou menos o que disseste… só que estarem músicos competentes em palco e ter um frontman simpático não faz um bom concerto. Tenho a certeza que terás uma experiência semelhante num concerto do Tony Carreira (pese embora o absurdo da comparação). Resumindo, não acho que tenha estado nem perto de ser um concerto excelente… porque a música não era, nem de perto nem de longe, suficientemente boa.

E concordas com o que digo do Dylan, embora tenhas a reacção completamente oposta. Estavas à procura de hits, de um Bob Dylan que não existe, simpático e afável. Daí a tua reacção, imagino eu. Eu cá estava à espera de grandes músicas… e foi o que tive. Expectativas.

5 details { 18-07-2008 às 16:27 }

Nao concordo com essa visao de John Butler. Acho as músicas boas e bem interpretadas, mas percebo que não gostes. É uma questão de estilo.

No que toca ao bob, tivemos esta discussão com interpol o ano passado no SBSR, em que disse que eram melancólicos. Num concerto espero que se crie alguma empatia, e nao apenas o debitar de música… por muito boa que seja!

6 Maria Rocha { 18-07-2008 às 22:08 }

Continuas com a mesma maneira particular de cativar o leitor.
De apontar a referência aos Within Temptation. Ahahaha. ;)

7 Filipe Marques { 20-07-2008 às 15:32 }

Obrigado, Maria.

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