É o que dá comprar discos sem conhecer a banda
Eu sou um tipo cheio de falhas no que à música diz respeito. Há tantas coisas que deveria conhecer e das quais apenas ouvi falar (sobretudo música mais antiga) que é quase embaraçoso. Uma das bandas de que já tinha ouvido falar mas cuja música me era quase completamente estranha eram os Eels.
Ontem fui dar uma volta à Carbono porque já lá não ia há muito tempo e porque tinha esperança de encontrar uma pérola qualquer por lá, acho eu. Acabei por sair sem comprar nada mas dei um salto à Fnac do Chiado para ver o que tinham na secção das promoções. Não havia nada que me apetecesse especialmente comprar portanto acabei por me aventurar e comprar Meet The Eels: Essential Eels – Vol. 1, 1996-2006, uma compilação (tipo de edição de que não sou grande fã, diga-se). Também comprei o Drums and Guns, dos Low, mas isso fica para outra altura.
Pois bem, os Eels são uma pessoa: Mark Oliver Everett (ou simplesmente E). Ele cria e depois rodeia-se de uma série de gente que toca aqui e ali com ele ao vivo e nas gravações. Uma das coisas que me levou a comprar o disco (que traz também um DVD com vídeos que ainda não tive oportunidade de ver) foi a vontade de ouvi-lo do zero, sem preconceitos nem expectativas, o que é difícil nos dias que correm. À medida que ouvia o disco, lia as notas de Everett sobre cada um dos 24 temas (número especialmente generoso para um único CD) e foi isto que aconteceu até ao fim.
Desde “Novocaine for the Soul” (ainda não tenho a certeza… mas é possível que já tivesse ouvido a música), o tema de abertura, o álbum é uma viagem de altos e baixos, momentos inequivocamente tristes seguidos de refrões semi-alegres e de constantes contradições. As letras carregadas de desilusão só muito raramente condizem com a música propriamente dita, que é uma espécie de pop/rock claramente americano (há para lá uns banjos e umas influências country bem como uma pitada de grunge). Uma das excepções será certamente “It’s a Motherfucker”, em que o piano e os arranjos de cordas são acompanhados por versos como “It’s a motherfucker / Getting through a Sunday / Talking to the walls just me again”. E é uma das excepções porque é toda ela triste e perfeita.
Mas as contradições vão e vêm tão rápido. Uma das músicas presentes nesta compilação – e, aparentemente, uma que os fãs pediam para ser editada há já algum tempo – é… “Get Ur Freak On”. Sim, uma cover de Missy Elliott. E é um espectáculo de guitarras eléctricas e energia.
É por isto que as contradições resultam. “I like birds” é boa, “Susan’s House” é boa, “That’s Not Really Funny” é boa e “I’m Going To Stop Pretending That I Didn’t Break Your Heart” é boa… mas são todas tão diferentes em tantos aspectos que a hipótese de isto resultar bem tudo junto era de uma num milhão. Pois aqui têm. Este é o “um num milhão”.

7 comentários
Então e que tal a “Beautiful Freak”, estava por lá? (eu ainda sou do tempo de ter os álbuns um a um)
Nope.
E eu também não costumo comprar bestofes… mas pareceu-me apropriado. É que chego com 12 anos de atraso.
[...] daquela compilação dos Eels de que falei aqui há pouco mais de uma semana? A minha opinião francamente positiva acerca do [...]
[...] do que disse há uns tempos sobre ser um tipo cheio de falhas relativamente à música? Ele é os Eels mais de dez anos depois, os Low quase completamente às escuras e agora… Tindersticks. O facto de estarem [...]
[...] continuo a recomendar Meet The Eels: Essential Eels – Vol. 1, 1996-2006 com toda a força do mundo. Foi a minha descoberta (mais que tardia) de [...]
[...] que foi realmente o meu disco do ano. E aqui não há dúvidas nem rankings: aquela coisa de comprar um CD completamente às escuras resultou numa descoberta [...]
[...] A primeira vez foi uma epifania. Aquele Meet The Eels: Essential Eels – Vol. 1, 1996-2006 mudou tudo. A ideia de tudo ter começado quase por acaso torna a minha relação com a música dos Eels bastante especial. E agora, passados mais de dois anos da primeira audição, posso dizer com toda a certeza que esta é, ali ao pé dos Broken Social Scene, dos The National e dos inigualáveis Radiohead, uma das minhas bandas favoritas. [...]
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