Posts de — Julho 2008
É o que dá comprar discos sem conhecer a banda
Eu sou um tipo cheio de falhas no que à música diz respeito. Há tantas coisas que deveria conhecer e das quais apenas ouvi falar (sobretudo música mais antiga) que é quase embaraçoso. Uma das bandas de que já tinha ouvido falar mas cuja música me era quase completamente estranha eram os Eels.
Ontem fui dar uma volta à Carbono porque já lá não ia há muito tempo e porque tinha esperança de encontrar uma pérola qualquer por lá, acho eu. Acabei por sair sem comprar nada mas dei um salto à Fnac do Chiado para ver o que tinham na secção das promoções. Não havia nada que me apetecesse especialmente comprar portanto acabei por me aventurar e comprar Meet The Eels: Essential Eels – Vol. 1, 1996-2006, uma compilação (tipo de edição de que não sou grande fã, diga-se). Também comprei o Drums and Guns, dos Low, mas isso fica para outra altura.
Pois bem, os Eels são uma pessoa: Mark Oliver Everett (ou simplesmente E). Ele cria e depois rodeia-se de uma série de gente que toca aqui e ali com ele ao vivo e nas gravações. Uma das coisas que me levou a comprar o disco (que traz também um DVD com vídeos que ainda não tive oportunidade de ver) foi a vontade de ouvi-lo do zero, sem preconceitos nem expectativas, o que é difícil nos dias que correm. À medida que ouvia o disco, lia as notas de Everett sobre cada um dos 24 temas (número especialmente generoso para um único CD) e foi isto que aconteceu até ao fim.
Desde “Novocaine for the Soul” (ainda não tenho a certeza… mas é possível que já tivesse ouvido a música), o tema de abertura, o álbum é uma viagem de altos e baixos, momentos inequivocamente tristes seguidos de refrões semi-alegres e de constantes contradições. As letras carregadas de desilusão só muito raramente condizem com a música propriamente dita, que é uma espécie de pop/rock claramente americano (há para lá uns banjos e umas influências country bem como uma pitada de grunge). Uma das excepções será certamente “It’s a Motherfucker”, em que o piano e os arranjos de cordas são acompanhados por versos como “It’s a motherfucker / Getting through a Sunday / Talking to the walls just me again”. E é uma das excepções porque é toda ela triste e perfeita.
Mas as contradições vão e vêm tão rápido. Uma das músicas presentes nesta compilação – e, aparentemente, uma que os fãs pediam para ser editada há já algum tempo – é… “Get Ur Freak On”. Sim, uma cover de Missy Elliott. E é um espectáculo de guitarras eléctricas e energia.
É por isto que as contradições resultam. “I like birds” é boa, “Susan’s House” é boa, “That’s Not Really Funny” é boa e “I’m Going To Stop Pretending That I Didn’t Break Your Heart” é boa… mas são todas tão diferentes em tantos aspectos que a hipótese de isto resultar bem tudo junto era de uma num milhão. Pois aqui têm. Este é o “um num milhão”.
06-07-2008 7 comentários
Micah P. Hinson é um tipo deprimente
O novo álbum de Micah P. Hinson é muito triste. O músico e a sua Red Empire Orchestra pegaram na pouca country mais animada que andava pelos álbuns anteriores e deitaram-na fora. A ele, parecem ter tirado toda a alegria de viver. “When We Embraced”, o single, ainda parece lembrar tempos felizes mas, se a ouvirem, perceberão que nem é assim tão upbeat quanto isso. Mas a música de Micah P. Hinson nunca foi alegre, diga-se. Basta ouvir “The Day Texas Sank to the Bottom of the Sea”, a canção mais triste de sempre.
O resto das músicas de Micah P. Hinson and the Red Empire Orchestra é um conjunto de momentos melancólicos, arrasados mas lindíssimos. Desde a lindíssima “Tell Me It Ain’t So”, passando pela quente “Throw the Stone” até à dolorosa “Dyin’ Alone” (uma música muito sugestiva que encerra o álbum), Micah P. Hinson atira-nos letras tão tristes que quase provocam um nó na garganta. O ambiente só é quebrado por “You Will Find Me”, um tema muito eléctrico que destoa exclusivamente pela electricidade. A depressão continua por lá mas o barulho a modos que aviva o espírito.
Micah P. Hinson continua arrebatador. Com uma voz mais velha que ele e mais experiências e mais drama do que alguns terão durante uma vida inteira, este tipo dá-nos razões mais do que suficientes para ficarmos de coração completamente partido ao som da sua música.
05-07-2008 2 comentários
Serviço público
A todos os desatentos: o Pitchfork publicou um guia dos lançamentos previstos para o Verão e respectivas datas. Se ainda não percebem o motivo da referência, visitem a página e vejam porquê. É que tem grande parte dos álbuns interessantes que vão ser lançados nos próximos meses, que é como quem diz “a papinha toda feita”.
Falhas imperdoáveis como não saber que Calexico ou Brian Wilson, por exemplo, vão lançar novos álbuns em Setembro ficam assim colmatadas por uma leitura diagonal desta extensa lista. De resto, é curioso que esta lista apareça uma semana depois de saber que o Micah P. Hinson, um tipo que faz country da boa, tinha um álbum aí quase a sair (ou cá fora mesmo, se contarmos ilegalidades)… demasiado em cima da hora, o que até não é habitual. De qualquer forma, se este tipo de coisas continuar a acontecer, tenho sempre o guia que eles hão-de lançar no início do Outono.
Durante os próximos dias, a ver se dou uma vista de olhos mais profunda, que vou encontrar por ali muita coisa boa de certeza.
04-07-2008 5 comentários
