Posts de — Agosto 2008
Revisitar
Há coisas em que não devemos ser excepção. Gostar de Liars é definitivamente uma delas. Seja pelo som mais directo de They Threw Us All in a Trench and Stuck a Monument on Top, o álbum de estreia, ou pelo experimentalismo de Drum’s Not Dead, ser do contra neste caso específico é muito pouco recomendável.
Eu tenho andado um pouco alheado deles nos últimos tempos, pelo menos desde que os encontrei em Barcelona. Quero ver se os revisito nos próximos dias.
E não há – acreditem – melhor música para reentrar no barco dos Liars do que “The Other Side of Mt. Heart Attack”, aqui numa versão ligeiramente mais consumível que a do álbum.
17-08-2008 Sem comentários
3 coisas em que as editoras não devem gastar dinheiro
As editoras têm vindo a perder receitas ao longo da última década. Uma das muitas razões para que isto aconteça é tão simplesmente o que fazem ao dinheiro. A adaptação das editoras ao mercado tem sido muito difícil mas parece que as coisas começam a estabilizar (que é como quem diz “estão a perder menos dinheiro”). No entanto, ainda há muito dinheiro mal gasto.
1 – DRM
Apostar em tecnologias de gestão ou restrição de direitos digitais para evitar a pirataria é praticamente o mesmo que tentar apagar toda a pornografia da Internet (a um ritmo de uma foto de cada vez). É uma inutilidade por dois motivos: primeiro, porque ainda está para ser inventado a forma de DRM que resulte realmente; depois, porque a partilha de ficheiros é uma oportunidade fantástica para todos os agentes da música e tem sido simplesmente diabolizada e mal aproveitada pelas editoras. Por exemplo, teria a Universal vendido cinco mil cópias em Portugal do Neon Bible dos The Arcade Fire nas primeiras semanas se não fosse a partilha de ficheiros? Não.
2 – Micro-sites
Este é um dos meus favoritos. De tempos a tempos, lá surge a ideia de se fazer um micro-site para uma banda por altura de um lançamento específico. Parvoíce. Sites pequenos, vazios e sem grande interesse; a única utilidade que têm, se alguém se lembrar disso, é possibilitar o registo para receber uma newsletter ou mais informações sobre a banda. Os micro-sites só muito dificilmente fazem sentido. Tem de ser divulgado pelos canais tradicionais para que as pessoas lá cheguem, porque ninguém associa o micro-site à banda, inclusivamente o Google (isto é, se pesquisarem pela banda, não vão, as mais das vezes, parar ao micro-site). Acima de tudo, um micro-site não tem mais-valia nenhuma. Nenhuma mesmo. E custa dinheiro.
3 – Publicidade
A publicidade custa muito dinheiro para aquilo que vale. Não é tão inútil como o micro-site, claro, mas é cara. Quantos de vocês já compraram um álbum de uma banda nova por causa de cartazes em taipais das obras? Nem falo das outras, que ainda menos dependem desta forma de divulgação porque já têm história. O que é que me faz comprar um álbum de uma banda nova? O single, as críticas, o download e a informação relativa ao lançamento. Mais nada. O que me faz comprar um álbum de uma banda que já por aqui anda há algum tempo? O single, as críticas, os álbuns anteriores, o download e a informação relativa ao lançamento. O que é que não influencia absolutamente nada a minha escolha? Anúncios em jornais, revistas, rádio, televisão, Internet e outdoor. Invistam antes em relações com os media, que conseguem muito mais por muito menos. A Web tapa os buracos (e reparem no contra-senso).
Depois de promover investimentos pouco habituais para as editoras, isto sou eu a tentar compensar. Os três exemplos referidos são destinos mais ou menos habituais do dinheiro das quatro principais editoras. Para mim, estão na mesma liga do acto de deitar dinheiro à rua.
16-08-2008 2 comentários
A experiência [inserir nome da banda]
Há poucas editoras e artistas a pensar na experiência.
Reparem no seguinte cenário:
Na compra de uma edição limitada do último álbum da banda X e de uma t-shirt na loja oficial da banda, o comprador garante, após registo no site, o acesso a um evento restrito em que os elementos da banda falarão do novo álbum, responderão a perguntas da audiência e darão alguns autógrafos.
É uma ideia muito simples de um evento relativamente informal que envolve a banda, a editora, a criação de alguns mecanismos que possibilitem o bom funcionamento da iniciativa e, possivelmente, uma empresa de organização de eventos e uma produtora audiovisual (porque o site, a newsletter, o YouTube e as estações de TV também ajudam a difundir algumas coisas). Existem certamente outras hipóteses que envolvem mais entidades, maior originalidade e melhores resultados para todos, mas esta é só uma espécie de meet and greet com mais conteúdo, maior duração e interesse. A imaginação é o limite.
Para um fã, é quase impossível sair insatisfeito de uma iniciativa destas. Aliás, até me parece difícil que isto não afecte positivamente um consumidor casual. Para os felizardos que conseguirem garantir o acesso, este evento passa imediatamente a fazer parte da experiência [inserir nome da banda].
O que pode esta iniciativa significar para a editora e para a banda?
- Mais discos vendidos
- Um boost enorme na venda de merchandising
- Cliente satisfeito
- Feedback dos fãs
- Cobertura mediática
- Fidelização
Creio que o exemplo que dei teria resultados relativamente interessantes, dependendo da popularidade e do público-alvo da banda. No caso de bandas mais bem sucedidas, é possível que o evento fosse demasiado pequeno e que isso não se reflectisse num aumento da venda de discos numa fase inicial. No entanto, haveria sempre benefícios: a cobertura mediática de uma iniciativa relativamente original, um volume de vendas muito grande de t-shirts em pouco tempo e o feedback, a satisfação e a fidelização de consumidores e fãs. E são estes que, ao final do dia, passam palavra.
Enquanto não desenvolvo um pouco mais esta história da experiência com exemplos meus, fico à espera de algumas contribuições vossas sobre este assunto. Como é a vossa experência [inserir nome da banda]?
15-08-2008 2 comentários
Modernices
Mesmo que a música não fosse boa – e olhem que é -, creio que um único verso desta música dos Los Campesinos! bastaria para me conquistar:
I’ll be ctrl-alt-deleting your face with no reservation
Fiquem com o vídeo de “Death to Los Campesinos!”.
14-08-2008 Sem comentários
Como fazer uma mixtape 1 – destinatário

Este artigo faz parte da série Como fazer uma mixtape.
Há pelo menos um aspecto que antecede o momento em que decidem fazer uma mixtape: o destinatário. A este nível, há sobretudo duas hipóteses: estão a fazê-la para vocês ou para outra pessoa. Eu sei que há sempre a possibilidade de o estarem a fazer para uma viagem de amigos ou algo do género… mas vamos considerar colocar todas as coisas deste género na segunda hipótese, está bem?
Pois bem, se estiverem a preparar uma mixtape para vocês próprios (narcisistas!), é muito menos problemático do que se o estiverem a fazer para outros. Não há tanta pressão para agradar (é preciso explicar?), ensinar ou convencer. Vocês estão convencidos, rendidos ao vosso próprio bom gosto. Os únicos problemas que encontram são a escolha e a ordenação das músicas. O resto é conversa.
No caso de não serem destinatários do vosso próprio exercício de edição, então é preciso, antes de tudo, saber quem é a pessoa. E não me refiro a investigá-la e assim; falo do nome e do tipo de relação que têm com ela. Pode fazer-se uma mixtape para o pai? Sim. Para um amigo? Sim. Para a namorada? Sim. Podem ser iguais? O resultado final até pode… mas, dado que os objectivos são diferentes, é muito mais provável que não. É que o destinatário influencia todos os outros pormenores da mixtape.
Tendo isto em conta, tomem atenção a pelo menos alguns dos seguintes pontos no que ao destinatário diz respeito:
- artistas e géneros musicais favoritos
- artistas e géneros musicais indesejáveis
- idade, sexo, profissão e coisas do género
- interesses
- inside jokes
…
Há muitos mais pontos que não estão presentes nesta lista. De qualquer forma, creio que algumas das características acabam por entrar automaticamente na forma como preparam a mixtape… por isso, não se preocupem.
O vosso cunho pessoal estará sempre presente e é certamente influenciado pela relação que têm com o destinatário… portanto não o exagerem só para impressionar. É que, se nos descuidamos, acabamos a fazer uma mixtape para dentro, cheia de personalidade mas nem sempre de interesse.
E vocês? Que características da pessoa a quem se destina a mixtape é que têm em conta?
A série Como fazer uma mixtape até agora:
Introdução
13-08-2008 3 comentários
Já vem tarde
Ane Brun já não é propriamente uma miúda. Não que seja muito velha – e não é, já que tem apenas 32 anos – mas porque já anda nestas coisas da música há uns anos valentes. Segundo a Wikipédia, só aprendeu a tocar guitarra aos 21 anos (começou tarde para o que é habitual) mas uns dois ou três anos depois já andava por Espanha a actuar na rua (tendo em conta que ela é norueguesa, é um facto relevante). Entretanto, lançou uns quantos álbuns, singles e EPs que me passaram completamente ao lado – não como em “não gostei” mas como em “não olhei para eles e dificilmente ouvi falar dela”.
Agora choquei de frente com Changing of the Seasons, o quarto álbum de originais de Ane Brun, e não há como fugir. Fui completamente desarmado de todos os preconceitos que tenho contra descrições hiperbolizadas – e há muitas! – de cantautoras escandinavas. É que Changing of the Seasons funciona de todas as formas e feitios: é coisa para ouvir em regime de exclusividade durante quarenta minutos mas também deixa que um livro lhe passe à frente sem mau perder; funciona como um todo mas também nos dá alguns momentos que podemos repetir muito rapidamente quando não temos tempo para tudo (ou quando estamos demasiado viciados numa mão cheia de canções).
“The Treehouse Song”, a primeira canção, abre caminho com alguma facilidade e, a partir deste momento, já não há nada a fazer. “Ten Seconds” e “Changing of the Seasons” ficam simplesmente gravadas na memória, “Raise my Head” tem uma presença muito forte… e depois há “Gillian”, provavelmente a melhor do álbum. Quase tudo funciona com base na guitarra acústica, no piano e nas vozes (a da frente e as dos coros); depois há arranjos de cordas sublimes que fazem com que Changing of the Seasons não possa passar despercebido a quem se aproxima dele.
É, até agora, um dos álbuns do ano. E um dos mais bonitos, de certeza.
Esta versão de rua de “Changing of the Seasons”, que descobri entretanto no site oficial de Ane Brun, é a introdução perfeita.
13-08-2008 4 comentários
Como fazer uma mixtape – introdução

Desde miúdo que acho piada ao conceito de mixtape, à ideia de escolher um determinado número de canções e gravá-las com uma determinada ordem numa cassete (versão early 90’s), em CD (entretanto) ou simplesmente numa playlist (muito pós-2002). Obviamente, a cassete trouxe o termo “mixtape” e nós adoptámo-lo. Actualmente, divido-me entre o CD (quando a mixtape tem um destinatário) e a playlist (quando me apetece estar entretido com qualquer coisa). Em miúdo, tinha mau gosto… portanto vamos esquecer essa parte.
A mixtape tornou-se num fenómeno de popularidade para mim por causa de um livro (e filme) que, estou certo, afectou milhares e milhares de outras pessoas da mesma forma: Alta Fidelidade, de Nick Hornby. Lá para o meio, Rob Gordon (no filme, é interpretado pelo John Cusack), a personagem principal, discorre sobre algumas das suas regras para as mixtapes. De resto, tanto o livro como o filme são muito bons (isto é uma recomendação).
Mas o que quero fazer não é bem imitar o Rob Gordon. Vou partilhar alguns dos aspectos que tenho em conta quando me aventuro no maravilhoso mundo da edição discográfica caseira: o destinatário do produto final, o grupo inicial de músicas, alguns critérios e regras de selecção, a duração e a finalização.
Ao longo desta série de artigos, ficarão a par do método marquesiano para a criação de uma mixtape. É um pouco geek, bem sei, mas é o que se pode arranjar. Amanhã começa a sério, está bem?
12-08-2008 6 comentários
Rock fresquinho
Ouço falar dos The Stills há bastante tempo mas nunca ouvi um álbum deles. “Being Here” é o primeiro single de Oceans Will Rise, terceiro álbum da banda que está aí quase a sair, e não me incomoda muito. Agrada-me, até. Reparem que estou a arriscar… porque estou a sugerir-vos uma música que pode muito bem ser a única minimamente boa de toda uma carreira estéril e sem graça. Ainda assim, o rock para levar com vento na cara dos The Stills quase pede comparações perigosas a grandes monstros do pop/rock actual (U2? Coldplay? Ai Jesus!). É como digo: estou a arriscar. Só não estou a colocar a cabeça toda no cepo porque este disco vem com o selo da Arts & Crafts.
Mas arrisquem vocês também, que a música está disponível para download aqui. Quando ouvir o álbum, logo digo de minha justiça.
11-08-2008 1 comentário
Eu ali ao lado
A convite do Pedro Rocha, escrevi um pequeno artigo no Will It Brand? sobre a marca Radiohead. Numa altura em que se fala muito do In Rainbows, optei por pegar no exemplo do Kid A, um álbum muito pouco promovido pelas vias normais que acabou por ser um grande sucesso comercial. Se estiverem interessados, leiam. Já agora, passem os olhos pelo resto do blog, que é muito bom.
11-08-2008 Sem comentários
Efeitos retroactivos
Estou a preparar uma visita ao catálogo completo de uma das minhas bandas favoritas do momento: The New Pornographers. Estou há mais de um ano a absorver (muito lentamente) a música deles. Não que tenham um som minimamente difícil. Foi porque não pegaram de estaca mas foram ficando por cá. Comecei por Challengers, o mais recente (de 2007), e tenho vindo a prestar mais atenção ao resto gradualmente.
Neste momento, ando pelo Electric Version e o vídeo que se segue diz respeito a “All For Swinging You Around”, uma das músicas que não deixa de passar no meu iPod pelos dias que correm. De qualquer forma, fica prometido para breve um longo e aborrecido texto sobre esta banda.
10-08-2008 1 comentário
