Posts de — Setembro 2008
Os peixe : avião, agora ao vivo
Estive há pouco no MusicBox a ver o concerto dos peixe : avião e, deixem-me que vos diga, os tipos são bons ao vivo. Claro que há ali arestas por limar – tal como há nas músicas, de resto – mas têm tudo para se tornarem em animais de palco (não num estilo Madonna, claro), já que energia e música boa já têm em quantidade considerável.
Tocaram 40.02 de uma ponta à outra e ainda houve direito a encore com músicas do EP. O público, que compôs a casa, não pareceu especialmente entusiasmado mas – ei – parece que começa a ser um hábito para os lados da capital.
Fica, mais uma vez, a recomendação: tentem ouvir o álbum e/ou dêem um salto a um concerto deles, que vale bem a pena.
28-09-2008 Sem comentários
TV On The Radio, Dear Science e outras histórias
Os TV On The Radio só me chegaram aos ouvidos com Return To The Cookie Moutain, o seu segundo álbum. A culpa, naturalmente, foi de “Wolf Like Me”, um dos melhores singles da casta de 2006. Reparem que o resto do álbum também era bom, o que ajudou à fidelização.
Só depois ouvi Desperate Youth, Blood Thirsty Babes, o álbum de estreia. Era diferente, um tanto ou quanto mais sombrio e esquisito; acho que também não era tão bom.
Ao terceiro álbum, esta banda de Brooklyn decidiu conquistar-me definitivamente. Dear Science é um álbum tão imediato quanto possível mas raramente é previsível ou aborrecido. Tem pop, tem rock, tem funk… e bate tudo certo.
Dificilmente encontro falhas em Dear Science: é um álbum completo, com boas melodias, letras interessantes e uma execução extraordinária. Além disto, está produzido com muito bom gosto (o que é, definitivamente, um passo em frente relativamente ao Return To The “Vozes Demasiado Altas, Porra” Cookie Moutain).
As radiofónicas “Crying”, “Dancing Choose” e “DLZ” podiam ter sido escolhidas como single mas a banda preferiu seguir a funky way de “Golden Age”. Ainda assim, com a quase perfeita “Halfway Home”, o estranho contraste da para todos os efeitos bonita “Family Tree” e o hino “Lover’s Day” a finalizar, é difícil destacar realmente uma música do álbum. Quer dizer, gosto da ligeira esquizofrenia e das guitarras de “Shout Me Out” mas será que posso afirmar seguramente que prefiro esta música a “Red Dress”? É que, mesmo não sendo a melhor, esta é definitivamente a mais cool.
Fiquem com a minha indecisão. Uma coisa é certa: gosto muito de Dear Science. Acho até que é o melhor álbum dos TV On The Radio. E, tanto quanto posso dizer, continuará a rodar por aqui durante muito tempo.
26-09-2008 1 comentário
Springsteen fora de época
O último álbum de Bruce Springsteen acabou por passar relativamente despercebido a muito boa gente. É uma pena. Com momentos como esta “Girls in their Summer clothes”, ligeiramente fora de época, não se percebe muito bem porquê. É música para ouvir na estrada, no Verão, de calções… mas para ouvir, definitivamente.
24-09-2008 2 comentários
O álbum de estreia dos peixe : avião é bom
O álbum de estreia dos peixe : avião já por aí anda.
Como sabem, fiquei muitíssimo curioso depois de a banda ter disponibilizado “A espera é um arame” para audição no MySpace. Entretanto, este single tem passado na rádio com alguma frequência, o que também é bom sinal.
A banda disponibilizou o álbum completo para audição na sua página do MySpace e foi lá que o ouvi pela primeira vez. Nas últimas semanas, ouvi-o umas quantas vezes e já sei o que penso dele: é bom.
Abrem com “A espera é um arame”, a melhor música do álbum, e quase me quer parecer que leram o Escrítica Pop, de Miguel Esteves Cardoso. Mas com isto posso eu bem. O que me aborrece mesmo é o par de músicas seguinte. “Barro e lama em mão alheia” e (sobretudo) “Frio bafio” não são boas sequelas. Não é que sejam más; são apenas vulgares, o que não é, de todo, uma característica deste álbum.
Diga-se em abono da verdade que “Camaleão” traz o álbum de volta com grande competência e que “Nortada” acaba com quaisquer dúvidas, já que é um dos momentos mais altos de 40.02. A fusão entre rock simples, samples de voz e mais umas brincadeiras desta música faz-me aguardar com grande expectativa um segundo álbum da banda (por falar em pôr a carroça à frente dos bois, será que já tem data de lançamento prevista?). É também em “Nortada” que confirmo que gosto do falsete limpo e afinado do vocalista Ronaldo Fonseca.
A partir daí – e se esquecermos o interlúdio à la Vozes da Rádio “Barbitúrica luz” – o nível já se mantém elevado até ao fim. “Atiro ao alvo” e “Sabujo”, duas músicas retiradas do EP Finjo a fazer de conta feito peixe : avião (que ouvi entretanto e que me agradou bastante), mostram uma banda confortavelmente instalada no rock alternativo à portuguesa. “Estátua de espanto”, essa, é uma óptima forma de encerrar: começa com rock mas este acaba antes do fim do álbum e os quase três minutos que sobram são preenchidos por uma mistura etérea de vozes e sintetizadores.
Em Portugal, tendemos um pouco para a crítica mais veemente ao que nasce por cá. Contra mim falo, que raramente tenho paciência para a maior parte dos projectos de música portugueses, sobretudo quando soam portugueses como os peixe : avião. Mas creio que o problema é sobretudo de escala: somos pequeninos e é mais difícil haver tanta música boa como a que nos chega de países estrangeiros.
Outra coisa: este álbum faz-me acreditar nuns peixe : avião mesmo muito bons ao vivo. As músicas pedem. E eu também. Assim sendo, sábado, dia 27, tentarei estar pelos lados do MusicBox, em Lisboa, para confirmar expectativas.
Quanto a 40.02, é um álbum de estreia bom. Não é brilhante nem revolucionário mas é uma óptima forma de dizer “olá”. Olá right back at you.
21-09-2008 3 comentários
Twitter, música e tudo o resto

O Twitter está na moda. Há cada vez mais bloggers, serviços web, profissionais de comunicação e empresas a utilizar esta ferramenta de microblogging. A música não é excepção.
Os blogs de música já estão em peso no Twitter, tanto em Portugal como no resto do mundo. Há os que optam só por direccionar as pessoas para o próprio blog e os que vão colocando links para outras páginas numa lógica de social bookmarking. Depois há os que utilizam o serviço como querem e bem lhes apetece, com maior ou menor intensidade. Estes são os casos mais interessantes, sobretudo os que o fazem mais frequentemente. Vê-se micro-opinião de actualidade, recomendações, micro-críticas a álbuns e músicas e, acima de tudo, troca de ideias entre várias pessoas sobre os mais diversos assuntos. Também ando por lá, se estiverem interessados. Coloco links para os meus posts quando acho que vale a pena… mas o que faço por lá não responde propriamente a muitas regras.
Uma das tendências actuais mais interessantes é a do aparecimento de novos serviços específicos do Twitter. A nova vedeta é o serviço de recomendação Recom.me que, em troca de uma mensagem com o nome de determinado artista, apresenta automaticamente artistas semelhantes. Mas há outros muito ligados à música: TinySong, TwittyTunes e por aí fora.
Claro que ainda há algum desconhecimento por parte dos músicos e das editoras… mas isso promete mudar. Já há um ou outro músico a utilizar o Twitter de forma intensiva, como Imogen Heap, Catherine A. D. e Lisa Loeb, por exemplo. As editoras ainda estão escondidas mas parece-me que o Twitter é uma boa oportunidade de estar mais perto dos consumidores. À partida, não vejo grande futuro para o desenvolvimento de negócio no Twitter mas parece-me que, ao nível da gestão da reputação, é uma boa ideia.
20-09-2008 Sem comentários
Power trio
São um trio… mas o power não está tão associado aos riffs e aos decibéis como à densidade da música em si. É isso: os Low são densos. Nesta versão de “Murderer” muito fiel à original gravada num programa de rádio americano, eles dão um ar da sua graça.
Aproveito para referir que quase sou levado e pensar que o barrete vermelho é coisa daquele programa de rádio. Ou então faz muito frio para aquela zona. É que, se bem se lembram, o Bon Iver tinha uma indumentária semelhante. E foi no mesmo programa.
16-09-2008 Sem comentários
Como fazer uma mixtape 2 – a selecção inicial

Este artigo faz parte da série Como fazer uma mixtape.
Já sabem porque é que estão a perder tempo com uma mixtape. Também já sabem a quem vão entregar o maravilhoso produto final. Então está na hora de meter mãos à obra e desmistificar a coisa.
Acho que faz sentido escolher um número indefinido de músicas para começar, um grupo de trabalho. Esta primeira escolha depende de diversos factores, de entre os quais destaco:
- o gosto - o mais importante é escolherem algo de que gostam, parece-me;
- o destinatário - este aspecto vai exercer influência sobre uma série de outros, como a necessidade de impressionar e outras coisas que a Psicologia explicará muito mais eloquente e correctamente do que eu;
- o contexto - o amor por aquela música que andam a ouvir muito neste momento vai desaparecer;
- o tema - se optarem por uma mixtape temática, tenham em conta que há uma série de limitações óbvias (se o tema é “80s”, os Grizzly Bear não ficam lá muito bem na fotografia; se o tema é “Lisboa”, os Pólo Norte poderão parecer uma boa opção… mas não são por questões de qualidade, aspecto a ter naturalmente em atenção);
- o género musical - este é um caso muito aberto a excepções mas, ainda assim, convém terem noção de que é muito arriscado fazer uma coisa que combine disco, rock, rap, folk, jazz, drum’n'bass e música clássica.
Como podem ver, para mim, nesta fase não há grande ciência. Escolham à vontade.
A série Como fazer uma mixtape até agora:
Introdução
Destinatário
12-09-2008 4 comentários
Podcast: uma boa ideia para músicos e editoras
Os artistas e as editoras andam – ou deveriam andar – à procura de novas formas de promover o seu trabalho, a sua música. É neste sentido que me surpreende que o podcast ainda não seja utilizado como instrumento de divulgação.
Para os poucos que não sabem, um podcast funciona sensivelmente da mesma forma que um blog, mas em formato áudio (pelo menos, o tipo de podcast mais comum). Cada post, episódio ou que lhe quiserem chamar equivale a um ficheiro áudio; ao subscrevermos o podcast em serviços ou aplicações apropriadas para o efeito, recebemos automaticamente os novos episódios. O iTunes é o programa mais utilizado para subscrever e gerir podcasts e é o que eu uso.
Mas afinal porque deveriam os artistas e as editoras perder tempo com podcasts?
1 - Basta olhar para o core business. No caso dos artistas e das editoras é óbvio que é a música. Nesse sentido, o podcast é um formato natural. Áudio, meus amigos.
2 - O podcast é uma boa forma de chegar directamente aos consumidores mais fiéis. Aqui a lógica é semelhante à de uma newsletter: quem subscreve, fá-lo livremente porque quer saber mais sobre o artista e receber conteúdos. Esta escolha tem um valor inestimável.
3 - O conteúdo é completamente controlado pelo artista e pela editora. É como um programa de rádio em que tudo está sob controlo. Não há pressões nem cedências… e é perfeitamente natural que não haja.
4 - É de graça. Basta ter ideias, um microfone e umas horas por mês para gravar, editar e montar cada episódio.
5 - Gera algum ambiente positivo em torno dos artistas, pelo menos se não andarem a utilizar o podcast para divulgar ideais xenófobos ou outra parvoíce do género. Imaginem um podcast com uma versão ao vivo de uma música da vossa banda favorita. Imaginem que esta banda estreia uma música do novo álbum com uns comentários acerca do processo de gravação. Sim, não é interessante para toda a gente… mas aí podemos sempre voltar ao segundo ponto.
Só mais duas ou três ideias
Claro que há diferenças entre um podcast de uma editora e o de um artista: o primeiro terá de se assemelhar mais a um típico programa de rádio (mas esqueçam os jingles, por favor!) e o segundo será bem mais interessante se for mais pessoal, mais genuíno, mais DIY. De resto, a música é essencial em ambos os casos.
Sejamos sinceros: a popularidade do podcast não evoluiu como se esperava. No entanto, parece-me que os mais jovens já convivem naturalmente com este tipo de coisas; é apenas uma questão de tempo até que o podcast se torne vulgar. Mesmo que não seja utilizado em massa, há-de tornar-se comum.
Nem sequer falo dos podcasts de vídeo. Aí a coisa entra noutro nível completamente diferente… mas também envolve um pouco mais de investimento (têm uma câmara?).
É uma ferramenta como tantas outras. Não é a suprema salvação do negócio mas é certamente um apoio ao desenvolvimento de relações com os consumidores mais atentos. É deste grupo que saem os evangelizadores, os que passam a palavra. E em conjunto com outras acções, pequenas coisas como um podcast acabam por fazer diferença.
11-09-2008 12 comentários
Elbow vencem Mercury Prize
Não é uma notícia que supreenda. OK, havia Radiohead, Burial e British Sea Power na lista dos nomeados… mas a escolha não me surpreende. Os Elbow fizeram um óptimo trabalho com The Seldom Seen Kid. Aliás, têm-no feito ao longo de toda a carreira. Curioso é que muito pouca gente pareça reparar nisso fora do Reino Unido.
Como devem imaginar, eu dava o prémio aos Radiohead que, diga-se, nunca o ganharam (OK Computer foi preterido por New Forms, de Roni Size & Reprazent, e Kid A por um álbum de Badly Drown Boy…). British Sea Power estava fora de questão. Quanto a Burial… eu e o dubstep não nos damos muito bem.
É um prémio justo para os Elbow. Eles deverão continuar a fazer a sua cena, muitos continuarão a não ligar nenhuma. O momento, no entanto, já ninguém lhes tira. Por cá, ficamos à espera de mais coisas como esta “One Day Like This”.
10-09-2008 1 comentário
Bon Iver, o pescador que é fruto do acaso
Bon Iver é fruto do acaso. Naturalmente, não me refiro ao processo de concepção (tenho, de resto, a certeza de que foi um filho planeado e tudo o resto), mas antes à forma como o encontrei.
Ora reparem nas frases seguintes. O início do concerto dos The National na Aula Magna foi marcado pela reprodução de uma música criada e interpretada por outro artista ou banda. A banda entrou em palco e eu esqueci o assunto. Alguém me disse quem era o intérprete uns dias depois mas ficou-se por aí. A música voltou a tocar antes de um concerto da banda no Alive. Era gira. Em Guimarães, foi outra (não tão gira). End of story, supostamente.
Um amigo que também esteve na Aula Magna começou há pouco a dizer alarvidades (positivas) sobre este Bon Iver enquanto pensava cá para mim “conheço este nome de qualquer lado”. Pois bem, lá ouvi a voz dele e reconheci-o das outras andanças. Entretanto, consegui encontrar a tal música de introdução ao concerto dos The National… e, confirma-se, é gira. O vídeo, aparentemente gravado depois de Bon Iver ter regressado do alto mar, apresenta uma versão um pouco mais despida de “Flume” (é assim que se chama).
10-09-2008 3 comentários
