Música, indústria e tendências.

Posts de — Outubro 2008

Os Mogwai lançaram um álbum… mas eu não gosto

Mogwai - The Hawk Is HowlingNão gosto do novo dos Mogwai. E reparem que até gosto da banda, o que faz com que não possa desculpar-me com o facto de ser pós-rock igual ao de tantas outras bandas que por aí andam a fazer música.

A verdade é que acho o álbum aborrecido. Ao contrário de outros discos da banda, não tem voz em nenhuma música. Também não há propriamente muitos altos e baixos. As faixas mais pesadas (como “Batcat”) têm o barulho todo do costume… mas falta-lhe a intensidade visceral da obra-prima “Like Herod” para ser alguma coisa de jeito. Em The Hawk is Howling não encontro resquícios das maravilhosas “Yes! I Am A Long Way From Home” e “Stanley Kubrick”, da épica “Mogwai Fear Satan” ou sequer de “Hunted by a Freak” e “2 Rights Make One Wrong”. Encontro, isso sim, mais Mr. Beast… o que simplesmente não satisfaz.

A banda sonora de Zidane: A 21st Century Portrait fez-me esperar por um grande álbum. Esse álbum não chegou e é pena.

27-10-2008   6 comentários

Eels dão EP de borla

Eels - Manchester 2005Os Eels disponibilizaram no seu site oficial um EP com quatro músicas gravadas ao vivo. E é de graça.

O objectivo é promover o lançamento de uma edição especial limitada e numerada em vinil de Blinking Lights and Revelations, álbum de 2005. As quatro músicas estarão presentes em Manchester 2005, um conjunto de 17 músicas gravadas ao vivo disponível com esta edição. É uma boa borla, acho eu.

Até 28 de Outubro, basta darem um e-mail e deverão receber o link para o download. Depois disso, parece que nada feito.

Entretanto, continuo a recomendar Meet The Eels: Essential Eels – Vol. 1, 1996-2006 com toda a força do mundo. Foi a minha descoberta (mais que tardia) de 2008.

21-10-2008   Sem comentários

LCD Soundsystem com projecto “classic rock”

Hoje estou numa febre noticiosa mas a verdade é que não há como fugir a esta notícia:

Murphy, alongside his LCD Soundsystem/Special Disco Version partner Pat Mahoney and ex-Hockey Night members Scott Wells and Paul Spranglers, is apparently working up a “classic rock record” which he expects will make its way to a record shelf near you in the first half of 2009. Murphy, who will both produce and play bass on the disc, also claims it will feature assistance from members of Hercules and Love Affair. While it’s not entirely clear if Murphy will be a permanent fixture in the band, this is still exciting stuff.

A não ser que isto seja “classic rock” como em Led Zeppelin, é uma óptima notícia. Dêem-me uma data que eu começo já a contagem decrescente.

20-10-2008   3 comentários

Uma má notícia

Feist

A Feist vai parar durante uns tempos para descansar, que a digressão foi dura. Isto quer dizer que não teremos música dela nos próximos tempos.

Como se isto não bastasse, ficamos a saber também que não está nos seus planos voltar a tocar com os Broken Social Scene porque “já não é tão interessante como foi”.

E isto é definitivamente uma má notícia – muito mais do que a natural paragem para descanso – porque os Broken Social Scene foram melhores com ela. Não sei se teve um grande papel criativo no último álbum deles… masfoi definitivamente uma presença agradável. É uma pena.

20-10-2008   2 comentários

Do contra

De um modo geral, o hype aborrece-me. Claro que há excepções: tenho todo o prazer em contribuir para o elogio público a bandas do momento, desde que goste (um pressuposto justo, parece-me). No entanto, as mais das vezes, o hype aborrece-me.

Falo disto agora porque é um momento especial: nos últimos meses, têm-se multiplicado referências extremamente elogiosas a três projectos portugueses.

Folgo em ver que se anda a fazer música gira por cá… mas preciso urgentemente que imponham um limite aos elogios. É que, apesar da Deolinda ser um projecto muito engraçado (boas letras, bom espírito), o hype já chateia. E os Pontos Negros, que têm um rock que até se ouve uma vez, não são os The Strokes portugueses, raios partam o hype. Ah, espero não precisar de dizer nada sobre a “energia” dos Soulbizness, uns posers cheios de hype patrocinados pela Mega FM.

Nada me move contra as bandas especificamente, pelo menos contra as duas primeiras. Posso dizer apenas que, com tanta coisa, quase não me apetece dar-lhes oportunidades… mas what do they care? Faz sentido. Eles não têm culpa de que toda a gente goste deles (quer dizer, até têm, mas isso é bom, em princípio) mas eu é que não tenho paciência para tanto exagero.

Poderei estar a contribuir para o hype daqui a duas semanas (é a maravilha da música pop) mas, enquanto não o faço, fico-me pelo contra.

20-10-2008   11 comentários

Os Constantines também têm direito a follow-up

Depois de os Pavement roubarem vergonhosamente um post sobre os Constantines e ainda terem direito ao post seguinte, vamos lá tentar restabelecer a justiça.

“Our Age” é uma espécie de hino sem entusiasmo. Eles continuam muito americanos. Eu continuo a esperar poder vê-los ao vivo um dia (ano?) destes.

17-10-2008   2 comentários

Já que falamos dos Pavement

Qualquer desculpa é boa para matar saudades de Crooked Rain, Crooked Rain, o melhor álbum dos Pavement. Com músicas como “Silence Kit”, “Stop Breathing”, “Gold Soundz”, “Cut Your Hair”, “Unfair” ou “Fillmore Jive”… não podia ser de outra forma. Sim, o Slanted and Enchanted (com a terminal “Here”) e o Wowee Zowee (”We Dance” foi a música que me puxou definitivamente para o mundo dos Pavement) também são muito bons… mas não tão bons como o outro.

Ora, ali em cima faltam umas quantas músicas do Crooked Rain, Crooked Rain que não são para pôr de parte. “Range Life”, que neste vídeo só é estragada pelo “pi” que cobre a parte final do verso em que Stephen Malkmus diz qualquer coisa como “And I could really give a fuck”, é um óptimo exemplo.

17-10-2008   1 comentário

Constantines, Pavement e o fim

Já aqui falei dos Constantines e de Kensington Heights, o excelente álbum que lançaram há uns meses.

Não lhe tenho dedicado tanto tempo como a outros álbuns saídos este ano, admito. Mas há uma coisa em que penso muitas vezes quando passo os olhos pelo nome da banda quando o encontro: um vídeo publicado no YouTube que, por mais que tente, teimo em não encontrar (daí não pôr aqui um link). O vídeo é uma coisa de menos de um minuto em que o vocalista Bryan Webb fala de “Time Can Be Overcome”, uma das minhas músicas favoritas da banda. Aparentemente, Webb considera que esta é a música com que a banda deveria fechar o último concerto da sua carreira.

Pavement

É um exercício interessante, sobretudo tendo em conta o maravilhoso exemplo que utiliza: o dos Pavement, que deram o seu último concerto a 20 de Novembro de 1999 na Brixton Academy em Londres. A música com que Stephen Malkmus e companhia encerraram este concerto foi “Here”, pedaço de rock triste e desiludido que tem no verso “Everything’s ending here” o seu ponto mais alto. É um final de partir o coração.

A comparação acaba por ser bastante elogiosa para os Constantines mas a ideia por trás da comparação é muito boa. E, tendo pensado nisso já algumas vezes, “Time Can Be Overcome” é, de facto, uma bela maneira de terminar.

Para mim, esta história toda é curiosa porque, desde então, cada vez que penso em Constantines… acabo a ouvir Pavement. Deve ser por isso que não tenho ouvido Kensington Heights muitas vezes. Mas podia dar-me para pior.

16-10-2008   2 comentários

Cover com 10 anos (e ainda é melhor que a original)

Já lá vão dez anos desde que Fiona Apple pegou em “Across the Universe”, dos Beatles, e a transformou numa obra de arte. Claro que isto é apenas um pormenor numa carreira quase brilhante mas, ainda assim, não é possível gostar da miúda e ficar indiferente a este momento maravilhoso.

Começo é a sentir falta de um álbum novo… mas isso são contas de outro rosário.

14-10-2008   Sem comentários

Música e cauda longa

Encontrei esta apresentação há umas semanas no Balanced Scorecard. É da autoria de Alex Osterwalder e explica de forma simples e directa como a teoria da cauda longa se aplica ao negócio da música. Muito interessante.

Long Tail Business Models

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11-10-2008   Sem comentários