Música, indústria e tendências.

Discos a 20 euros são uma aberração, mas há outras

Uma prateleira

Ainda não percebi porque é que a indústria não assume que tem produtos melhores, mais high-end, e outros piores. Não falo, atenção, na qualidade dos materiais utilizados, nos extras e em todas as coisas do género de que já falei por aqui. Falo, isso sim, de reconhecer que nem todos os músicos trabalham de forma a produzir um resultado final com qualidade semelhante. Além disto, as próprias editoras não investem tanto numas bandas como noutras.

Então que tipo de lógica é que existe aqui? A da manutenção de um preço elevado, pese embora as constantes campanhas de mid-pricing que têm vindo a ser feitas nos últimos anos. Vê-se um pouco de tudo na Fnac (a única cadeia que podemos utilizar como exemplo, já que mais nenhuma negoceia com todas as distribuidoras): há discos óptimos e bem conhecidos (sobretudo fundos de catálogo) a 7 euros e coisas manhosas e escondidas no meio de um qualquer “M” numa prateleira de baixo a 22 euros. Não faz sentido.

Se acham que um disco é bom (ou que vai dar bons frutos, que o negócio também conta) e que vale a pena apostar nele, então façam-no. Fizeram-no com uma série de bandas odiosas que por aí andam; também o fizeram com algumas interessantes. Mas se acham que tem mais qualidade, façam com que isso se reflicta no preço final.

Até percebo que sustentem o negócio da música através das cash cows de qualidade duvidosa que surgem de tempos em tempos. Não percebo é o contrário: andarem para aí a editar sem qualquer espécie de critério, espalharem dez ou 20 cópias de um álbum por três lojas distintas e vendê-las por 20 euros cada uma – com a margem da Fnac incluída, claro – para compensar a pequena escala e as apostas falhadas.

Se vão fazer produtos diferentes, mostrem que são diferentes. Se não querem apostar num disco, porque é que o colocam nas lojas? Querem ser exclusivamente editoras de cash cows de qualidade duvidosa? Força. Claro que vos considero pessoas da pior espécie e levarão muito pouco do meu dinheiro.

Já que não querem apostar na música gratuita, que teria certamente muita saída no que diz respeito a bandas em início de carreira (imaginem o impacto de uma coisa destas com a ajuda do marketing de uma major!), muito airplay e chegaria a ainda mais pessoas, ao menos sejam razoáveis: vendam produtos em que acreditam e deixem-se de vinte-eurices.

1 comentário

1 Raquel Ribeiro { 06-10-2008 às 17:56 }

Eis o Filipe transformado numa fera de (bom) marketing. Louvo-o.

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