Música, indústria e tendências.

Posts de — Outubro 2008

O site da AFP é feio

Fiquei a saber através do Remixtures que a Associação Fonográfica Portuguesa já tem um site oficial.

Sim, é uma notícia estranha. Habitualmente, vemos coisas como “AFP tem novo site” mas neste caso é mesmo assim. E “novo” seria uma palavra muito pouco apropriada, já que o dito mais parece saído do final da década de 90. E é feio, já agora.

Se se conseguirem abstrair disto – que é uma avaliação fútil – e entrarem no site para dar uma vista de olhos, ficam a saber que é aquilo que seria de esperar: uma forma de fazer chegar a mensagem da AFP a mais pessoas. Encontrarão por lá documentação sobre direitos de autor, partilha de ficheiros na Web e música online em que o tom é marcadamente anti-pirataria e afins. Não deixa de ser interessante ficar a conhecer alguns dos argumentos que sustentam a posição da indústria relativamente a esta temática.

Mas os conteúdos do site não se limitam a isto e a secção das estatísticas dá-nos acesso a dados que não são habitualmente fáceis de encontrar relativamente ao mercado português. A nível internacional, têm uns quantos links para documentos e páginas da IFPI que também são interessantes, nomeadamente o que diz respeito ao mercado internacional da música digital.

Também têm os tops e as notícias (ou comunicados de imprensa) da praxe, bem como alguma informação sobre a associação e links para os sites dos associados.

Enfim, não é o mais completo dos sites mas tem algum conteúdo útil. Pessoalmente, gostaria que publicassem estudos mais aprofundados sobre o mercado português mas compreendo a dificuldade. Também era interessante encontrar maneiras de criar maior interactividade com os associados e os próprios visitantes do site mas, mais uma vez, compreendo. Vamos mas é ver com que frequência e como é que o site é actualizado.

09-10-2008   Sem comentários

Se vai bem com a canção, não há motivo para ir a outro lado

Ora aí está mais um vídeo dos Radiohead. Depois de “Jigsaw Falling Into Place”, “Nude” e “House of Cards”, agora é a vez de “Reckoner” ter direito a imagem a acompanhar a música.

Este vídeo foi criado por Clement Picon para uma competição online promovida pela banda em parceria com o Aniboom que tinha como objectivo eleger as melhores animações para músicas de In Rainbows. A competição terminou em Agosto e Clement Picon foi um dos quatro vencedores. Aparentemente, a banda gostou tanto do vídeo que decidiu oficializá-lo, depois de pedir autorização ao autor. O Pedro Rocha utiliza este exemplo para ilustrar o palavrão engagement. Agora que penso nisso, concordo perfeitamente.

“Reckoner” é um dos temas centrais de In Rainbows. Cá para mim, custou um pouco a entrar ao início mas cresceu muito, sobretudo nos últimos meses, ao ponto de se tornar numa das músicas dos Radiohead que mais ouço actualmente. E ao vivo é fantástica.

Mas fiquem com o vídeo, que é bem giro e, como disse o Thom Yorke no Dead Air Space, “vai bem com a canção”.

07-10-2008   2 comentários

Discos a 20 euros são uma aberração, mas há outras

Uma prateleira

Ainda não percebi porque é que a indústria não assume que tem produtos melhores, mais high-end, e outros piores. Não falo, atenção, na qualidade dos materiais utilizados, nos extras e em todas as coisas do género de que já falei por aqui. Falo, isso sim, de reconhecer que nem todos os músicos trabalham de forma a produzir um resultado final com qualidade semelhante. Além disto, as próprias editoras não investem tanto numas bandas como noutras.

Então que tipo de lógica é que existe aqui? A da manutenção de um preço elevado, pese embora as constantes campanhas de mid-pricing que têm vindo a ser feitas nos últimos anos. Vê-se um pouco de tudo na Fnac (a única cadeia que podemos utilizar como exemplo, já que mais nenhuma negoceia com todas as distribuidoras): há discos óptimos e bem conhecidos (sobretudo fundos de catálogo) a 7 euros e coisas manhosas e escondidas no meio de um qualquer “M” numa prateleira de baixo a 22 euros. Não faz sentido.

Se acham que um disco é bom (ou que vai dar bons frutos, que o negócio também conta) e que vale a pena apostar nele, então façam-no. Fizeram-no com uma série de bandas odiosas que por aí andam; também o fizeram com algumas interessantes. Mas se acham que tem mais qualidade, façam com que isso se reflicta no preço final.

Até percebo que sustentem o negócio da música através das cash cows de qualidade duvidosa que surgem de tempos em tempos. Não percebo é o contrário: andarem para aí a editar sem qualquer espécie de critério, espalharem dez ou 20 cópias de um álbum por três lojas distintas e vendê-las por 20 euros cada uma – com a margem da Fnac incluída, claro – para compensar a pequena escala e as apostas falhadas.

Se vão fazer produtos diferentes, mostrem que são diferentes. Se não querem apostar num disco, porque é que o colocam nas lojas? Querem ser exclusivamente editoras de cash cows de qualidade duvidosa? Força. Claro que vos considero pessoas da pior espécie e levarão muito pouco do meu dinheiro.

Já que não querem apostar na música gratuita, que teria certamente muita saída no que diz respeito a bandas em início de carreira (imaginem o impacto de uma coisa destas com a ajuda do marketing de uma major!), muito airplay e chegaria a ainda mais pessoas, ao menos sejam razoáveis: vendam produtos em que acreditam e deixem-se de vinte-eurices.

04-10-2008   1 comentário

Eles são só humanos

Três dos melhores álbuns dos últimos dez anos saíram das mentes dos Flaming Lips: o aclamado The Soft Bulletin, a sequela Yoshimi Battles the Pink Robots e o agressivo At War With the Mystics. Todos grandes álbuns com grandes canções. Claro que a carreira deles tem tantos anos de vida como eu… mas não ficam nada mal servidos se começarem pelo fim.

Deixo-vos três músicas, uma de cada álbum. Para verem como é verdade.

“Race For the Prize”

“Yoshimi Battles the Pink Robots”

“Yeah Yeah Yeah Song”

01-10-2008   3 comentários