Música, indústria e tendências.

Posts de — Novembro 2008

Lados B

Adoro lados B. Quer dizer, não independentemente das músicas que lhes dão corpo. Mas adoro a ideia consubstanciada no lado B: o facto de haver algo mais, que se esconde por trás do single, que é fruto das mesmas sessões de gravação e que foi deixado mais ou menos de lado. No fundo, adoro descobri-los e revoltar-me com as bandas que os editaram por não os terem posto nos álbuns.

Comecei a prestar-lhes atenção com Radiohead, que têm um mundo de canções meio escondidas em várias dezenas de discos. Depois comecei a reparar nos outros e nunca mais parei.

Quase tudo o que digo aqui interessa a muito pouca gente mas gosto de acreditar que os que lêem o que escrevo, ouvem as músicas e vêem vídeos que por aqui reúno se interessam realmente. Confio que procuram benefícios quando aqui vêm e espero que os encontrem de vez em quando. E é esta lógica que gosto de ver aplicada na música.

O podcast é um bom exemplo mas há outros, sobretudo os que permitem um contacto directo entre músicos e fãs. Mas há mais, e os lados B são definitivamente outro bom exemplo. Se virmos a coisa pelo lado do marketing, não é que a edição de lados B contribua fortemente para que o artista venda mais; antes, é uma bela forma de dar mais aos fãs mais dedicados (ou aos melhores consumidores, se preferirem). Não é gratuito (pelo menos por regra) mas ajuda a fortalecer a base de fãs e o culto.

Pessoalmente, quando gosto muito de determinada banda ou artista, adoro a hipótese de conhecer sempre mais. Os lados B são isso, uma extensão. Muitas vezes, consigo perceber o motivo pelo qual determinada música não chegou ao alinhamento do álbum. Mas é a rara ocasião em que a música me arrasa que me faz ficar contente por me dar ao trabalho de ouvir o outro lado do single.

30-11-2008   1 comentário

As listas

Um top 10 intemporalJá começaram a aparecer as primeiras listas dos melhores do ano. Sim, ainda temos mais de um mês até 2008 dar lugar a 2009 mas é sempre assim. Acho que os músicos já nem lançam coisas em Dezembro para garantir que têm a sua hipótese de figurar nestas listas.

Cá para mim, são uma forma óptima de me actualizar. É que há coisas que vão escapando ao longo do ano e pronto, chega a esta altura, e lá estão elas no tops todos. Foi assim que arranjei um álbum para o meu top 10 do ano passado: Marry Me, de St. Vincent. Também foi assim que descobri os irritantemente adoráveis (ou adoravelmente irritantes, não sei bem) Life Without Buildings.

Pois bem, este ano não estou à espera de grandes novidades… mas nunca se sabe. Para já, as listas da Mojo, da Blender, da Blitz e de uma outra de que não me recordo agora terão de ser suficientes (e já me obrigaram a dar uma oportunidade a She & Him e a recordar-me dos My Morning Jacket). Mas vão chegar mais. E pronto, carneiro indie que sou (em boa verdade, não sou, mas pronto), tenho de olhar para o top da Pitchfork com toda a atenção do mundo. O que não significa que vá ouvir aquela tralha toda, claro.

29-11-2008   4 comentários

Ladrillos seguros

Kevin Drew faz um lenhador canadiano parecer cool. E isto não é um insulto. Não conheço muitos lenhadores canadianos… mas estou certo de que o estilo não é muito diferente. E, para fechar o círculo, Kevin Drew é relativamente cool.

Gosto deste vídeo. É relativamente raro gostar muito de um vídeo (os vídeos vêm mais por contágio da música do que outra coisa) mas este tem pormenores muito engraçados. Reparem que até é coisa para nos aquecer o coração numa noite fria como a de hoje. Pensem nisto como um aquecedor cultural (sim, “de que raio está ele para aqui a falar!?”).

Fiquem com o vídeo que Katina Medina Mora realizou para “Safety Bricks”, de Kevin Drew.

28-11-2008   Sem comentários

Boring

Não quero fazer concorrência ao meu Twitter nem nada mas ouvi o novo álbum dos Snow Patrol e é aborrecido. That’s about it.

25-11-2008   1 comentário

Sketches demasiado escandinavos de Ane Brun

Ane BrunEscrevi há algum tempo sobre Changing of the Seasons, um dos álbuns que mais me entusiasmou este ano. O entusiasmo não esmoreceu; de tempos a tempos, regresso ao maravilhoso som da demasiado escandinava Ane Brun e deixo-me ficar por lá.

Chatice das chatices: agora, Ane Brun lançou Sketches, um álbum de versões acústicas das músicas de Changing of the Seasons. O novo disco tem duas músicas extra mas o resto é tudo igual, alinhamento incluído.

O acústico Sketches não é muito diferente de Changing of the Seasons, que dificilmente é outra coisa que não acústico também. Em Sketches, as músicas estão mais despidas mas nem por isso desaparecem as vozes de fundo e os arranjos de cordas, que lá se fazem ouvir de espaços a espaços.

O resultado final não é especialmente diferente. As melhores músicas de um continuam a ser as melhores do outro. E as novas não acrescentam grande coisa. Não ofendem… mas consegue perceber-se porque foram deixadas de fora.

“Gillian”, “Changing of the Seasons”, “Ten Seconds”, “Linger With Pleasure” e “The Treehouse Song” continuam a ser brilhantes mas a vantagem de um álbum de versões é que se encontram sempre outras coisas que mudaram o suficiente para merecerem destaque: no caso de Sketches, é “Don’t Leave” que ganha outra graça. Gostaria de a ter visto ainda mais seca (uma voz, uma guitarra)… mas já ganhou muito. Culpo a guitarra. Agora quero ouvi-la vezes sem conta. Que posso eu fazer?

24-11-2008   3 comentários

Jiwa.fm, ou como é simples ouvir música

Já que falamos de serviços online que têm tudo a ver com música, gosto muito do Jiwa.fm e tento recomendá-lo tanto tanto possível ao maior número de pessoas.

Ainda não consegui perceber o motivo pelo qual o Jiwa.fm não é mais conhecido (mas quase desconfio que é por ser francês). Tem música até dizer chega (pesquisem pelos vossos artistas favoritos e vão ver que tenho alguma razão), MP3 de qualidade e um serviço muito simples, sem muita publicidade.

O Jiwa.fm permite que criem as vossas playlists e as guardem para mais tarde. Tem também uma rádio ao estilo da infame Pandora e algumas funcionalidades elementares de rede social. Uma das que gosto muito é a possibilidade de enviar um link de uma música para quem quiser. E nem é necessário estar registado para grande parte destas coisas. Claro que não é o meu iTunes… mas é óptimo para descobrir umas coisas ou explorar melhor artistas dos quais só conhecemos uma ou outra música.

23-11-2008   3 comentários

Último tipo do planeta no Last.fm

Last.fm

Sou eu.

A partir de hoje, mais coisa, menos coisa, poderão dar um salto até à minha página no Last.fm. Recordo-me de há uns tempos ter falado com o Pedro Rocha sobre esta possibilidade e a ter posto relativamente de parte nem sei bem porquê. Pois bem, não que tenha grandes motivos para me inscrever (o Last.fm não é carne nem peixe para mim mas, para todos os efeitos, tem tudo a ver com música)… mas agora já lá estou.

Não estou, para já, a pensar em colocar nenhum widget aqui no blog. Por enquanto, a ligação directa para minha página do Last.fm fica escondida nesta página.

22-11-2008   1 comentário

Pequenos pontos altos

Os Yo La Tengo são, para o bem e para o mal, uma banda indie. Não querem saber de grandes negócios e fazem o que lhes dá na real gana mas parecem ser naturalmente moderados, pelo que não são propriamente gente rebelde. Isto era para o bem. Para o mal: ninguém lhes liga grande coisa.

Eclécticos (ou esquizofrénicos, não sei bem), lançam álbuns cheios de altos e baixos, pós-punk à Sonic Youth e pop à Belle & Sebastian, feedback aqui, trompete ali. Confesso que não conheço muitos álbuns deles mas garanto-vos que há um deles que não é assim: Painful, do qual já falei aqui (ainda que muito por alto e a propósito de uma música específica).

I Am Not Afraid Of You And I Will Beat Your Ass, o último álbum propriamente dito dos Yo La Tengo foi lançado o ano passado e cumpre definitivamente a regra dos altos e baixos. Mas eu gosto de realçar os altos… e esta actuação ao vivo no programa de rádio mais referido neste blog (desta feita sem barrete vermelho) é definitivamente um ponto alto. “I Feel Like Going Home” é um momento simples. Mas é claro que nem toda a simplicidade do mundo conseguiria cobrir o talento de Ira Kaplan, o guitarrista mais underrated dos últimos, vá, 30 anos.

20-11-2008   1 comentário

Como fazer uma mixtape 3 – critérios e regras de selecção

Como fazer uma mixtape 3 - critérios e regras de selecção

Este artigo faz parte da série Como fazer uma mixtape.

Já têm uma lista gigante de músicas elegíveis para figurarem no alinhamento final da vossa mixtape. Agora, falta dar o passo decisivo, o da escolha propriamente dita. O processo pode ser fácil ou difícil, curto ou longo… vocês percebem.

No limite, na altura de seleccionar as músicas, imperará o bom senso. No meu caso, há certas coisas que gosto de ter sempre em conta.

O efeito montanha-russa

Não gosto de discos que saltam entre opostos a cada música. Na grande maioria dos casos, as músicas não ligam de forma nenhuma (e a ligação temática só por vezes funciona bem) e o disco acaba por se tornar desconfortável a quem o ouve. “Hooker With a Penis”, dos Tool, seguida de “Song for a Blue Guitar”, dos Red House Painters? Não me parece.

Má qualidade sonora e músicas gravadas ao vivo

A qualidade sonora da faixa é importante, daí que só muito dificilmente considere bootlegs e versões gravadas ao vivo como opções válidas. Os bootlegs só muito raramente conseguem ter uma qualidade aceitável e, mesmo assim, não chegam ao nível de uma edição oficial. O som é demasiado baixo e pessoas a falar e palmas abafam muitas vezes o que interessa. E isto não interessa a quem ouve o disco. Os discos “oficiais” gravados ao vivo também não são muito boas opções. No meu caso, terá sempre de passar por um editor áudio para colocar gradações de volume no início e no fim da música, para que ninguém comece a ouvir pessoas aos berros logo no início de uma faixa. Mas nem sempre é possível fazer isto sem prejudicar a música… por isso, vejam lá se se aplica.

O início

Para mim, o tema de abertura é fundamental. Posso dizer-vos que alguns dos meus álbuns favoritos conquistaram-me aí. Há várias formas de abordar a coisa: podemos querer uma daquelas faixas “intro”, uma mais crescente ou uma imediata. Só nunca queremos é uma que seja esquecível, aborrecida, dispensável. Assim à primeira vista, “Auto Rock”, dos Mogwai, é um bom exemplo de música que funciona em crescendo e “2 x 2″, dos Get Him Eat Him, de uma música imediata. Escusado será dizer que há mais.

O clímax

Mesmo que não tenham noção disso, há um ponto alto na vossa mixtape, aquela música. Construam o disco em torno dela, seja pelo tema, pela música propriamente dita ou pelo que for, mas façam-no. Respeitem o que disse no primeiro ponto mas não ponham músicas iguais antes e depois desta… porque vai misturar-se. E não queremos que se misture, queremos que se distinga. A partir do clímax… deixem o disco cair sustentadamente até ao final.

O final

Gosto de bons fechos. Gosto da forma como “Motion Picture Soundtrack”, dos Radiohead, arruma o Kid A e de como “Stable Song”, dos Death Cab For Cutie, deixa Plans respirar por fim. Gosto de ter vontade de ouvir o álbum outra vez. Para isso, é fundamental terminar bem. Queremos apoteótico? Pode ser, desde que não mate o clímax anterior. Queremos calmo? Também dá, claro, desde que não estrague o resto do disco. É como disse: quero ter vontade de ouvir o álbum outra vez.

São algumas ideias. Pessoalmente, nunca esqueço as questões que coloquei na selecção inicial e tenho-as em conta quando pego nas músicas que acabam por fazer parte da versão final. De resto, continua sem haver grande ciência nisto.

A série Como fazer uma mixtape até agora:
Introdução
Destinatário
A selecção inicial

18-11-2008   1 comentário

Eu e os Mogwai vamos à Aula Magna

Os Mogwai vêm a Portugal em Fevereiro (no dia 5, para ser mais específico) e quero ver se garanto o meu lugar na Aula Magna o mais rapidamente possível.

Está bem, não gosto muito do novo álbum deles. No entanto, como não os vi da última vez que cá vieram, tenho de os ver ao vivo agora. É que aquela coisa de eu adorar o primeiro álbum deles é mesmo a sério. E eles não são tipos para renegarem Young Team assim por dá cá aquela palha. Portanto é bem capaz de valer a pena.

Se tudo correr bem, no dia 5 de Fevereiro por esta hora estarei pela Aula Magna.

14-11-2008   11 comentários