Música, indústria e tendências.

Posts de — Novembro 2008

Parece que continuo a gostar dos Sigur Rós

Sigur Rós no Campo Pequeno

Estou a ficar velho. O concerto de Sigur Rós foi muito bom e tudo o resto mas há coisas que, a partir de uma certa idade (os vinte e poucos, no meu caso), fazem confusão a um gajo. Ontem foi um cabeludo. Fez-me impressão porque estava à minha frente e me tapou o palco, porque cantou algumas músicas e porque estava muito emocionado com aquilo tudo. OK, já sei que tenho de respeitar as pessoas e os animais todos mas tanto me faz: o gadelhudo chateou-me.

Quanto ao concerto propriamente dito, foi parecido com os últimos dois que a banda deu por cá. Með suð í eyrum við spilum endalaust, o novo álbum, é bom mas não tão bom como Takk…, que é provavelmente o meu álbum favorito deles. Adoro o ( ) e gosto bastante do Ágætis Byrjun mas foi Takk… que me conquistou verdadeiramente. Do último álbum tocaram algumas das melhores, ficando de fora a impossível “Ára Bátur” (impossível porque mete coro e orquestra), o que é uma pena. Tocaram “Gobbledigook”, o primeiro single e a coisa mais alegre que aquele concerto produziu. Não é das minhas favoritas, confesso, mas aquela brincadeira toda com confetis e afins até não ficou mal de todo.

Mas pronto, o melhor estava mesmo reservado para o encore. Calhou que as duas últimas músicas fossem as minhas duas favoritas: “Glósóli” e “Popplagið”, autênticas obras-primas que a banda teima (e bem!) em colocar em destaque nos seus concertos. Se a primeira é mais pop e imediata, a segunda (curiosamente, tem como nome de código “canção pop”) é um dos melhores crescendos da História (exagero), começando belíssima, como quase sempre em Sigur Rós, e acabando no mais absoluto barulho.

Resumindo, valeu a pena e vai continuar a valer a pena durante mais algum tempo.

(A foto é do Vasco Pereira, do FestivaisPT, que foi simpático e me deixou usar uma das que tirou.)

13-11-2008   2 comentários

Los Campesinos!: eu é que não sou parvo

Los Campesinos - We are beautiful, we are doomedOs Los Campesinos! editaram o seu segundo álbum de originais. É igualmente o segundo álbum que lançam em 2008.

We are beautiful, we are doomed não é muito diferente de Hold On Now, Youngster…, isso posso garantir-vos. E isto é relativamente grave, já que mesmo as músicas do primeiro álbum são muito iguais umas às outras. Não posso, no entanto, esquecer-me de que o disco tem músicas como “You! Me! Dancing!” e “My Year in Lists”, pequenas obras de arte pop desinteressadas e indigentes.

O novo longa-duração dos Los Campesinos! mostra mais dos mesmos riffs, da mesma energia e do mesmo caos organizado. Sinto-me mesmo obrigado a dizer que esta banda britânica não seguiu definitivamente o caminho da reinvenção, da evolução ou de qualquer outra coisa que os pusesse a mais de um milímetro de distância do que lançaram no início do ano.

Gabo-lhes a coragem para fazer uma coisa destas. Fizeram o que bem lhes apeteceu… e isso, não sendo raro na música, não deixa de ser bom.

Lançaram um álbum igual… e, correndo o risco de parecer mal, eu até gosto. Não gosto do facto de lançarem um álbum igual ao anterior mas gosto do álbum. Parece um paradoxo mas só se pensarmos nisto antes de ouvirmos as três primeiras músicas : “Ways To Make It Through The Wall”, “Miserabilia” e a fantástica “We are beautiful, we are doomed”. Depois disto, há apenas duas hipóteses: ou estão conquistados ou é melhor partirem para outra.

Eu fui conquistado e continuo a lutar contra a minha má opinião sobre as semelhanças entre duas obras supostamente diferentes. Ao menos, pegaram neste álbum e tomaram uma iniciativa bem interessante. Vão editar um número limitado de cópias de uma edição especial e uma versão digital. Dizem eles que não haverá outra versão física nem reedições. Deve ser para não espalharem por aí que andam a fazer álbuns iguais.

Mas a mim convenceram-me. E nem foi preciso enganar-me. Sim, os riffs são sempre a mesma coisa, mas olhem, calhou eu gostar.

10-11-2008   1 comentário

Ajude este homem

Esta notícia publicada ontem no Pitchfork é divertidíssima.

Gostava de ver os Blur juntos outra vez mas se é para pedir coisas impossíveis acho que prefiro pedir para ver um concerto dos Pink Floyd, definitivamente.

08-11-2008   2 comentários

A provocação das 7 canções

Vou fazer uma coisa que não faço habitualmente, que é ceder a este tipo de provocações (há quem lhes chame memes… mas quando me metem ao barulho, transformam-se em provocações). O Gonçalo Trindade, cujo blog sigo há já algum tempo, desafiou-me a escolher as minhas sete canções favoritas de todos os tempos e a desafiar sete pessoas a fazer o mesmo (esta é a parte de que normalmente não gosto porque me recorda aquelas belas correntes…). Aceito, a modos que a custo… mas aceito.

É ao segundo parágrafo que entra o meu disclaimer: amanhã ou depois, este conjunto de sete seria diferente. Mas é música pop… so, who cares?

Vamos tentar fazer isto por ordem… e com uma regra apenas: uma música por banda.

1. “Fake Plastic Trees”, Radiohead

Sabem que mais? Ainda estou para ter a certeza relativamente a isto. Não sei se a “Fake Plastic Trees” é a minha música favorita dos Radiohead mas, se for, é a minha favorita de todas as que existem. A letra e a música são fantásticas e a história de a terem gravado depois de verem um concerto de Jeff Buckley, a ser verdade, é das melhores coisas de sempre. A banda, essa, já todos sabemos que é a melhor.

2. “Ibi Dreams of Pavement (A Better Day)”, Broken Social Scene

Bem sei que sou a única pessoa que adora de morte os Broken Social Scene… mas ei!, este post é sobre as minhas canções favoritas, por isso, está esta aqui, sem hipótese de discussão. Épica, gigante, foi amor à primeira vista.

3. “Apartment Story”, The National

Mais um caso pessoal óbvio. Não seria, em circunstâncias normais, uma das minhas músicas favoritas… mas o que raio são circunstâncias normais? Os The National cresceram rapidamente por estes lados e decidiram ficar. Ou decidi eu, provavelmente. “Apartment Story” é agridoce, mas sobretudo doce, e esta música faz-me bem.

4. “Last Goodbye”, Jeff Buckley

O segundo clássico da lista. Jeff Buckley foi um dos principais motivos para me agarrar ao lado bom da música. Esta música não foi decididamente um caso isolado mas foi, desde o início, a que mais se destacou em Grace, o brilhante Grace.

5. “The Bleeding Heart Show”, The New Pornographers

É uma das canções com melhor fase final de sempre. Não consigo dizer muita coisa sobre ela… mas já há muito que roda por aqui com frequência e não dá sinais de enfraquecer (o vídeo, esse, é oficioso e feito por fãs, do tempo em que ainda não havia concursos para isso). O resto das músicas também não são nada de se deitar fora.

6. “Good Woman”, Cat Power

Digam o que disserem, não há voz como esta. E esta canção (aqui em mais um vídeo nada oficial), que tem ali a ajuda do Eddie Vedder a determinada altura, é das coisas mais bonitas que saíram da mente brilhante de Chan Marshall. Já a pessoa que fez o vídeo (adivinharam: oficioso), não digo que merecesse morrer… mas penso isso mesmo.

7. “Dirty Girl (Live at Town Hall)”, Eels

À sétima música, a coisa fica definitivamente polémica. Esta música chegou-me só este ano. Nunca a tinha ouvido antes, nesta versão ao vivo ou na original de estúdio. Por isso, pode ser que ainda esteja a fazer este julgamento completamente toldado pelo momento (que já dura há uns meses valentes). Mas não interessa (se quiserem, releiam o disclaimer). Outra coisa engraçada é ser especificamente esta versão, que é muito diferente da original. A original é uma peça de rock’n'roll bem catita mas não é material para as melhores canções de sempre. A versão ao vivo, de que já falei aqui, é.

Comece a discussão. Gostava de ver – mas só porque sou, de certa forma, obrigado a não quebrar a corrente (argh!) – se esta, esta, esta, esta, esta, esta e esta pessoas têm alguma coisa a dizer sobre o assunto.

08-11-2008   7 comentários

A reestrutruração da EMI

A reter: a EMI vai dividir o negócio da gravação de música em três unidades de negócio (new music, catalog e music services) e, segundo a Billboard, a estratégia do grupo passará por pôr o foco no consumidor, inovar, fortalecer a relação entre os artistas e os consumidores e apostar na área digital.

Depois de a EMI Music ter arrastado o grupo para a sarjeta, com perdas de mais de mil milhões de dólares, parece que o novo CEO, Leoni-Sceti, está apostado em reestruturar a empresa de forma a recuperar algum terreno. Não tenho visto grande actividade por parte da EMI mas continuo à espera. A estratégia não podia ser mais genérica: acho que só falta mesmo dizer que o público-alvo é o público em geral e que o objectivo é vender mais.

Gostava de ver um pouco mais de acção… mas parece que está difícil. Venham de lá mais planos de intenção, sendo assim.

08-11-2008   Sem comentários

Eingya, um frio álbum de Outono

HeliosEsqueci-me de que Keith Kenniff não desapareceu. No final de 2006, recomendaram-me um álbum do projecto deste músico norte-americano que me caiu muito bem. E até hoje continuo sem ter ouvido mais nada dele, ou de Helios, que é o nome do projecto.

Pois bem, falo do que sei e espero que vos faça bem. Ouçam, se puderem.

Eingya é álbum para fazer nascer o dia. As melodias são coisas do outro mundo e, com uma produção cuidada, este disco é um quase pós-rock de poucas guitarras e nenhuma voz. Ouve-se tudo em Eingya; cada instrumento é uma camada diferente. Os sons vêm de sítios diferentes e soam diferentes a cada vez que os escutamos.

É um álbum muito bonito. E não é o enamoramento inicial que me leva a dizer isto porque já passou algum tempo desde que o ouvi pela primeira vez. Entretanto, este Keith Kenniff já lançou mais dois discos (um deles foi um mini-álbum, mas ainda assim…) e eu ainda não me cansei deste. Já lá vão dois anos… mas continua a ser um óptimo álbum de Outono. Ligeiramente frio, mas aquele frio bom.

05-11-2008   1 comentário