Posts de — Dezembro 2008
Numa nota mais pessoal
Depois dos tops oficiais, o oficioso.
Em boa verdade, era impossível terminar o ano sem fazer referência àquele que foi realmente o meu disco do ano. E aqui não há dúvidas nem rankings: aquela coisa de comprar um CD completamente às escuras resultou numa descoberta fantástica.
Meet The Eels: Essential Eels – Vol. 1, 1996-2006 foi o disco que mais me marcou este ano. Foi certamente o que mais vezes fui buscar à prateleira, ao iTunes e ao iPod para ouvir.
Está bem, é uma colectânea. Mas para mim foi mais do que isso – foi uma descoberta. Fiquei a conhecer, em termos gerais, um músico interessantíssimo, incongruente e estranho, um tipo que parece que está a fazer música igual à, sei lá, dos Vertical Horizon, mas que acaba a fazer algo completamente diferente.
Pela descoberta (muito fora de tempo), Mark Oliver Everett e os seus Eels foram a minha banda de 2008.

31-12-2008 3 comentários
O melhor de 2008 – álbuns
Este é o terceiro de três posts sobre o melhor da música em 2008.

Os álbuns – quer estejam ou não a dar as últimas como formato-padrão para a música – continuam a ser a atracção principal de todas as listas de final de ano que por aí andam. E aqui não encontrarão a excepção.
Foi um bom ano. Em comparação com 2007, faltaram Radiohead, Kevin Drew, The National, Modest Mouse, The Arcade Fire e LCD Soundsystem. Sim, no topo, 2008 não foi melhor que o ano anterior. No entanto, na generalidade, a música feita este ano foi melhor: muitos álbuns bons, poucas desilusões.
“Eu sou eu e a minha circunstância” é uma frase famosa do filósofo José Ortega y Gasset. De igual forma, a minha escolha dos melhores discos de 2008 é influenciada por muitas coisas. Assim, hoje, estes são os meus dez álbuns do ano:
10 – Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust, Sigur Rós
Não está ao nível dos três álbuns anteriores da banda mas está acima da média para o comum dos mortais. Continuam a ser uma das melhores bandas do mundo.
9 – April, Sun Kil Moon
Chegou-me tarde e a más horas via Last.fm. Um tipo que ouve tanto Red House Painters e não conhece Sun Kil Moon anda demasiado distraído. E o álbum é como seria um dos Red House Painters se Mark Kozelek ainda editasse sob esse nome: muito bom.
8 – Oracular Spectacular, MGMT
A mistura entre pop/rock e electrónica é coisa que nem sempre me cai bem mas os MGMT são uma excepção. É que são quase sempre pop da boa e isso começa a ser raro. Os singles são gigantes. O resto do álbum não desilude.
7 – Microcastle, Deerhunter
Aqui está mais um com que só choquei no final do ano. Chegou a tempo de entrar para o grupo dos melhores álbuns do ano… portanto não há problema. É indie rock que vai desde a abordagem pop ao pós-rock em segundos. Nada de novo. Bom, de qualquer forma.
6 – Midnight Boom, The Kills
Irreverência e riffs agressivos q.b. fazem deste álbum um dos melhores do ano. Encontrarão algumas das melhores músicas pop do ano. Quero com isto dizer que, se não o ouviram, deviam fazê-lo rapidamente (mas pode ser em 2009, não se preocupem).
5 – Kensington Heights, Constantines
Acho que surpreendo com estes aqui. Continuo a querer vê-los ao vivo. Continuo a achar que este álbum é das melhores obras rock lançadas em 2008. Daí que aqui esteja.
4 – Changing of the Seasons, Ane Brun
Disse há uns tempos que este era um dos melhores álbuns do ano e continuo a achá-lo. Isto é folk delicada e doce, coisa de menina. E um dos discos mais bonitos de 2008.
3 – For Emma, Forever Ago, Bon Iver
Bon Iver tinha de estar no pódio. O álbum é um hino ao bom gosto e uma estreia muito especial. Músicas como “Skinny Love”, “Flume” ou “Re: Stacks” são excelentes motivos para recordar 2008. A belíssima folk de guitarra e voz ao centro de For Emma, Forever Ago é algo a que já me habituei. É um álbum reconfortante, quente, excelente.
2 – Volume One, She & Him
Zooey Deschanel é uma das revelações do ano. M. Ward nem por isso, que já por aí anda a fazer boa música há muito tempo. Os dois juntos fizeram um dos álbuns do ano. Pop/rock simples e sem segredos, Volume One é um disco coeso, muito bem produzido e divertidíssimo.
1 – Dear Science, TV On The Radio
Quando Dear Science saiu, não esperava considerá-lo o meu álbum favorito de 2008. É que, apesar de gostar do aclamado Return to the Cookie Mountain, não caí propriamente naquela adoração disparatada e generalizada que se gerou na altura. Mas Dear Science é diferente: é mais pop, mais imediato, mais bem produzido e, no geral, melhor. A mistura entre pop, rock, funk, electrónica e sabe-se lá mais o quê podia ser demasiado complexa… mas não: é simples, é fantástica. Dear Science é, desde o início prometedor de “Halfway Home” ao final cheio de festa e sexo de “Lover’s Day”, um monstro musical.
Há certamente demasiados álbuns editados este ano que deixei de ouvir por este ou aquele motivo. Agora, no entanto, são estes dez que aqui estão. E ninguém quer conhecer o meu top de 2008 em meados de 2010.
29-12-2008 3 comentários
O melhor de 2008 – canções
Este é o segundo de três posts sobre o melhor da música em 2008.

Mais do que os álbuns, são as músicas que dão cabo de mim. É nelas que encontro aqueles pormenores específicos que me fazem querer ouvi-las vezes e vezes sem conta.
Este ano houve umas quantas:
10 – Constantines – “Our Age”
Sei que os Constantines não foram propriamente a banda mais falada do ano mas não sei bem porquê. Se mais não houvesse, “Our Age” teria sido motivo mais do que suficiente. Download.
9 – Sigur Rós – “Ára Bátur”
O último álbum do quarteto islandês não é tão bom como os anteriores, é certo. Mas não é propriamente fraco – longe disso. A épica “Ára Bátur” dá-nos Sigur Rós em modo orquestra. Stream.
8 – Ane Brun – “Gillian”
Foi uma das minhas descobertas de 2008 mas já anda nisto há algum tempo. “Gillian” é coisa para ser ouvida com toda a atenção. Os pequenos detalhes das cordas, das vozes e dos centrais piano e guitarra são irresistíveis. Stream.
7 – TV On The Radio – “Halfway Home”
A faixa de abertura de Dear Science é um excelente início de viagem. Foi das músicas que mais me acompanhou nos últimos meses. Download.
6 – MGMT – “Kids”
“Kids” é definitivamente uma das canções pop do ano. Não acredito que tenham passado ao lado desta música (a não ser que tenham estado reféns numa gruta do Afeganistão – mas ei, nesse caso, têm outros assuntos em mente, estou certo)… mas às vezes esquecemo-nos do óbvio. Não foi o meu caso, felizmente. Download.
5 – The Kills – “Last Day Of Magic”
Não haja dúvidas: esta música é coisa de namoro acabado, de pessoas à porrada. Está tão cheia de energia negativa que é impossível não adorar. Download.
4 – Deerhunter – “Nothing Ever Happened”
Confesso que só me atirei ao último álbum dos Deerhunter no final do ano mas acho que não cheguei tão tarde assim. E deu para descobrir esta pérola. Download.
3 – Portishead – “The Rip”
Esta música é lindíssima. Arpégios, arpégios, arpégios. Download.
2 – Los Campesinos! – “We Are Beautiful, We Are Doomed”
Se os Los Campesinos! fossem um pouco mais contidos talvez fossem já uma das minhas bandas favoritas. Mas não consigo deixar de pensar que, se fossem um pouco mais contidos, não editariam coisas como esta música fantástica. Download.
1 – Bon Iver – “Re: Stacks”
Este ano, “Re: Stacks” foi a que melhor encaixou. Bela, fria e melódica, esta música fala brilhantemente sobre passado e presente. “Re: Stacks” é bagagem e memórias. E é a melhor música do ano. Download.
“Re: Stacks” facilitou imenso esta coisa de ordenar as músicas de 2008. Este ano, não conseguiria escolher outra canção para o primeiro lugar.
29-12-2008 7 comentários
O melhor de 2008 – concertos
Este é o primeiro de três posts sobre o melhor da música em 2008.

Vi bastantes concertos este ano, ainda que a maior parte esteja concentrada em meia dúzia de dias: os dias do Rock In Rio e do Alive. Se dos primeiros não há muito que fique na memória – excepção feita a um especialmente triste espectáculo -, dos últimos muito pode ser dito. Mas nem só de festivais vive o homem. 2008 foi um ano regado a Aula Magna, Coliseu e Campo Pequeno… e a uma ou outra aventura de longa distância.
Os cinco melhores concertos a que assisti em 2008:
5 – Sigur Rós no Campo Pequeno, Lisboa (11 de Novembro)
Vi os Sigur Rós ao vivo pela terceira vez e não posso dizer que me arrependa. Fecharam o concerto com as duas melhores músicas e continuam fantásticos em palco.
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4 – Vampire Weekend no Alive, Passeio Marítimo de Algés, Oeiras (10 de Julho)
São um dos maiores hypes de 2008 e merecem completamente a atenção. Sim, o vocalista parece um nerd saído dos anos 80 e, sim, a música está sempre a fazer lembrar Peter Gabriel. Posso dizer, no entanto, que ao vivo são gigantes.
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3 – Cat Power no Coliseu dos Recreios, Lisboa (26 de Maio)
Um concerto fantástico de uma mulher cheia de imperfeições. Chan Marshall faz o que quer com a música que interpreta e isso reflecte-se ainda mais ao vivo. Nunca será um animal de palco, pelo menos não no sentido mais habitual da expressão. O concerto foi inesquecível – o triunfo da incoerência e da displicência.
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2 – The National no Manta, Centro Cultural Vila Flor, Guimarães (18 de Julho)
Ia perdendo este concerto por um triz. E teria sido uma pena. Foi quase perfeito: o ambiente, o local, a setlist, o desempenho da banda e aquela descompressão pós-concerto…
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1 – Radiohead no Daydream Festival, Parc del Forum, Barcelona (12 de Junho)
2008 fica marcado por uma noite de Santo António muito especial. Em vez de ficar por casa, dei um salto a Barcelona e fui ver os Radiohead ao vivo pela primeira vez. Foi o melhor concerto da minha vida e algo me diz que é bem provável que também tenha sido o melhor do ano.
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2008 foi o ano em que vi os Radiohead ao vivo pela primeira vez. Era impossível haver outro concerto em primeiro nesta lista.
27-12-2008 11 comentários
A decoração natalícia possível
Porque um Natal sem uma série de artistas conhecidos a cantar em coro em cima de uma espécie de palco dificilmente o é.
25-12-2008 2 comentários
Esta história da Warner Music tem que se lhe diga
Afinal, parece que as coisas não são bem o que pareciam ser. Diz o Techdirt que foi a Google que começou a retirar os vídeos do Warner Music Group do YouTube depois de estes terem pedido mais dinheiro. A Google marcou uma posição. O WMG pouco pode fazer, sinceramente. Mas vamos ver.
23-12-2008 Sem comentários
Vídeos no YouTube: Warner diz não, Universal diz sim
O Warner Music Group retirou todas as suas músicas do YouTube. Eles andavam em negociações e parece que não se entenderam. O WMG queria – espante-se – ganhar mais dinheiro com o maravilhoso mundo do vídeo online.
Como não chegaram a nada que agradasse às duas partes, ficámos nós sem vídeos de músicas editadas pela Warner Music e detidas pela Warner/Chappell Music. Isto quer dizer, supostamente, que vamos ficar sem poder recorrer a uns quantos vídeos da Madonna e dos Smiths… bem como ao inegavelmente famoso “Parabéns a você”.
Imaginem que acontece o mesmo com as restantes majors. Ficamos praticamente sem vídeos da maior parte dos artistas mais conhecidos. Na prática, voltar-se-á à semi-legalidade dos primeiros tempos do YouTube, claro, mas ainda assim, não deixará de ser um passo atrás.
Felizmente, a coisa até não está a correr mal para todos (provavelmente, também não estará a correr mal para o Warner Music Group, eles é que são garganeiros): a Universal Music garante estar a receber dezenas de milhões de dólares com esta brincadeira. Rio Caraeff, vice-presidente executivo da Universal, diz que isto do YouTube não é só promocional, como acontece com a rádio, mas um negócio por si próprio. Daqueles em que nada se paga ao artista, provavelmente.
As grandes editoras abandonaram definitivamente a promoção. Qualquer dia, os jornais têm de pagar as entrevistas que fazem e as rádios recebem facturas no final do mês pelos discos que recebem. Mas pronto, monetizem à vontade.
23-12-2008 5 comentários
Como fazer uma mixtape 5 – finalizar

Este artigo faz parte da série Como fazer uma mixtape.
All good things must come to an end. Está na hora. Entre Agosto e Dezembro, escolhemos um destinatário e uma série de músicas elegíveis para a nossa mixtape, escolhemo-las com base numa série de critérios (e talvez uma ou outra por feeling) e não descurámos a duração, que não queremos pôr ninguém com a cabeça às rodas ou a dormir. Agora já falta pouco.
A fase final da preparação de uma mixtape não tem muito que se lhe diga. O mais difícil já está feito. No fundo, agora é mais uma questão de controlo de qualidade do que revoluções.
O essencial aqui é ouvir o trabalho final e, se se justificar, ajustar um ou outro pormenor. A passagem da sexta para a sétima faixa está bem ou há qualquer coisa ali que não bate bem? Que diferença de volume é aquela? Vocês percebem a ideia.
Se quiserem dar largas à vossa veia artística, também é agora. O artwork não é coisa que me pareça essencial numa mixtape mas há quem goste de lhe dar esse toque final. Eu prefiro que centrem as atenções na música propriamente dita. Idealmente, até deixo a comunicação do alinhamento para uma segunda fase. Mas isso já depende do suporte – em MP3, por exemplo, é uma chatice fazê-lo.
Façam o que fizerem, o que interessa mesmo é a música, a que escolheram. A mixtape está pronta.
A série Como fazer uma mixtape até agora:
Introdução
Destinatário
A selecção inicial
Critérios e regras de selecção
Duração
20-12-2008 Sem comentários
É Natal, as bandas portuguesas dão música de borla
Os peixe : avião e a Rastilho estão a mostrar trabalho. Depois de um EP promissor em 2007 e do bom álbum de estreia na segunda metade de 2008, este quinteto bracarense parece querer fechar o ano em grande com o Camaleão EP.
Ainda não ouvi mas já fiz download. É gratuito até 15 de Janeiro. A partir daí, estará à venda no iTunes, pelo que é recomendável que aproveitem a pechincha. E se gostarem, dêem-lhes uma oportunidade ao vivo, que eles são bastante competentes. Não quero ter de pôr aqui o vídeo da melhor música deles outra vez, portanto toca a andar.
E claro, não posso deixar de destacar a iniciativa, que continua sem ser muito habitual para estas bandas. Mas não são definitivamente os únicos: os Feromona também nos deixam fazer o download do seu álbum Uma vida a direito. O rock português está bem de saúde. Acho que é Natal.
18-12-2008 3 comentários
Tinha mesmo de ser
A Daytrotter Session de Bon Iver é de audição obrigatória, nem que seja porque uma das quatro músicas que o músico gravou é “Re: Stacks” (podem fazer o download à vontade), tão boa aqui como na versão original.
16-12-2008 Sem comentários
