Posts de — Dezembro 2008
Novos modelos de negócio, não velhos
Vai uma excelente discussão ali para os lados da caixa de comentários do Tecnopolis, blog do Público assinado pelo João Pedro Pereira.
O artigo desanca muito cordialmente no MAPiNET e nas suas iniciativas. E recorda uma coisa com a qual concordo totalmente:
O importante é perceber que muitos consumidores já não estão dispostos a pagar por tudo o que consomem – mas continuam dispostos a pagar alguma coisa, o que dá oportunidade a novos modelos de negócio.
Estou perfeitamente convencido de que a luta contra este fenómeno está condenada ao fracasso. Atentem e participem na discussão, que está muito interessante.
14-12-2008 Sem comentários
As pequenas editoras portuguesas podiam fazer bem melhor
As editoras independentes portuguesas fazem pouco marketing. A maioria, quando investe tempo e dinheiro, segue os passos das majors: fazem uns cartazes, põem uns dois ou três anúncios em meios especializados, promovem os artistas junto dos seus contactos na imprensa e pouco mais.
Quando não investem, as editoras limitam-se a enviar discos promocionais aos jornalistas, a enviar comunicados de imprensa e a tentar arranjar entrevistas. Parece razoável, dado que os custos envolvidos neste tipo de promoção são aplicados de forma muito eficaz. Mas há outras formas de optimizar a comunicação com o público-alvo que não pressupõem grandes investimentos. Não é preciso pensar muito para chegar à conclusão de que um site porreiro é uma óptima base.
As subsidiárias portuguesas das majors têm sites manhosos (quando têm site) mas são empresas que gastam muito dinheiro noutras coisas, coitadas. Pois bem, para as editoras mais pequenas, fazer um site simples é barato; fazer um site complexo é uma idiotice (mas acontece muito). Hoje em dia, as pessoas querem simplicidade e usabilidade. Paguem o domínio, o servidor e, se for preciso, paguem 50 euros por um tema para o WordPress (ou encontrem um bom gratuito) e transformem uma plataforma de blogging numa espécie de portal. Um dos temas Revolution será certamente uma boa opção.
Depois é uma questão de alimentar o site com notícias, biografias, vídeos, músicas e outros conteúdos. A questão da alimentação também costuma ser um problema e não permite que as pessoas se aproximem da esfera da editora; sem actualização, não há interesse em manter um site.
Isto parece – e é, estou certo – elementar. Mas a qualidade dos sites de editoras que encontro por aí é francamente má, pelo menos na generalidade. Vejamos alguns exemplos frustrantes de editoras cheias de boa música:
- a Bor Land tem um site muito etéreo… que me ocupa 2/5 do ecrã com coisas muito vagas sobre três dos seus projectos – falta ali informação e, vá, dinamismo;
- a Rastilho fez um facelift ao site, mantendo o ar atabalhoado que a versão anterior já apresentava – conteúdo não lhes falta… mas acho que ainda precisam de trabalhar melhor na organização do mesmo;
- a Popstock, que, tanto quanto sei, não é uma editora mas uma distribuidora, mantém simplesmente um silêncio total desde 2006 – acho que não é preciso dizer muito mais.
Estão tão perto de passar a outro nível, ainda que seja simplesmente no que diz respeito a percepções. Mas não passam dali, mesmo que uma ou outra vá demonstrando muita vontade.
Gostava de ver uns quantos bons exemplos made in Portugal, se os tiverem. Gostava mesmo.
14-12-2008 4 comentários
Parece que agora é mesmo a valer
Os Blur vão juntar-se pelo menos por uma noite. Os quatro Blur, não os três de Think Tank. Graham Coxon tem estado a ensaiar com a sua banda de sempre para um concerto que vai decorrer a 3 de Julho no Hyde Park, em Londres.
Andava eu a dizer que era impossível mas, pelos vistos, não. O Damon Albarn deve andar mais calmo, depois de ter andado a espalhar o seu talento por uma série de projectos diferentes. A ver se eles não se chateiam antes do Verão…
14-12-2008 Sem comentários
Restos do ano passado

Estamos a chegar ao final do ano e ando a pensar nas malfadadas listas.
A que fiz no ano passado era porreira, com Radiohead, Kevin Drew, The National, LCD Soundsystem e Modest Mouse a ocuparem, por esta ordem e de forma inequívoca, as primeiras cinco posições. Sound of Silver, o álbum que pôs os LCD Soundsystem no meu top, tinha músicas tremendas. Uma delas teria arrecadado o prémio de melhor do ano se os Radiohead não tivessem chegado com “Last Flowers” no último momento. A dos LCD Soundsystem era “All My Friends”.
Calhou que os visse ao vivo também no ano passado e posso dizer-vos que foi um dos melhores concertos a que assisti na minha vida.
Por tudo isto e porque calhou chocar com uma referência do Pitchfork, fiquem com dois vídeos. Um é da magnífica “All My Friends”.
O outro vídeo é da desiludida mas brilhante “New York, I Love You But You’re Bringing Me Down”, com o sapo Cocas a fazer playback.
12-12-2008 Sem comentários
Como fazer uma mixtape 4 – duração

Este artigo faz parte da série Como fazer uma mixtape.
Ao mesmo tempo que seleccionamos o conjunto final de canções que constituirão a nossa mixtape, é importante termos em conta uma série de outros aspectos. Um deles – óbvio mas fundamental – é o que diz respeito à duração.
Tomemos como padrão o CD e a sua hora e quase 20 minutos de duração. Uma coisa é certa: salvo casos excepcionais, não vamos querer encher tudo com música. Pessoalmente, sou fã do meio termo: 50 minutos é a duração ideal. Mais ou menos 10 minutos não farão diferença mas, a partir daí, já não é coisa que recomende. Mas depende dos casos. Se prepararem uma mixtape centrada em rock progressivo (género musical com tendência para albergar músicas mais longas), é capaz de ser complicado não ultrapassar a hora. Se fizerem uma coisa punk (rápido, rápido, rápido!), é capaz de ser melhor não deixarem ultrapassar os 40 minutos.
Controlar a duração visa evitar que o ouvinte disperse a sua atenção e se canse do que está a ouvir. Sim, mesmo quando a música é irrepreensível.
Tudo isto está directamente associado ao destinatário, ao género musical e ao vosso próprio gosto, claro está. Ninguém quer tornar isto completamente impessoal.
A série Como fazer uma mixtape até agora:
Introdução
Destinatário
A selecção inicial
Critérios e regras de selecção
11-12-2008 Sem comentários
Falta qualquer coisa ao último dos My Morning Jacket
Os My Morning Jacket são esquisitos. A maior parte do tempo são uma banda indie (82% de rock, 13% de psicadelismo, 3% de country e 2% de funk), e das mais interessantes que anda ali pelos Estados Unidos. Mas às vezes dá-lhes a travadinha e seguem caminhos que não lembram a ninguém. De vez em quando, são tudo e mais alguma coisa num álbum só.
Evil Urges é parte travadinha, parte mais do mesmo. A travadinha vem logo no arranque, com “Evil Urges”, “Touch Me I’m Going to Scream” e “Highly Suspicious”. Aqui, destaca-se “Highly Suspicious”, uma música que parece simplesmente ser a gozar. A sério. Funky rock’n'roll altamente suspeito, devo mesmo dizer. “Evil Urges” até que é gira mas nem sequer parece uma música deles. “Touch Me I’m Going To Scream” é só aborrecida. As três juntas são um circo de aberrações.
Só depois é que a coisa começa a ficar mais parecida com um álbum dos My Morning Jacket, ainda que “I’m Amazed” não seja a melhor forma de introduzir a parte (mais ou menos) convencional do álbum. De resto, é muito provável que este seja o grande problema. Não há muitas músicas que pudessem introduzir como deve ser a parte em que eles começam a soar a algo relativamente parecido com o que fizeram anteriormente. Pessoalmente, gostava de ver “Aluminum Park” e “Remnants” mais bem acompanhadas mas não há hipótese: as restantes não chegam.
É impossível, tendo termo de comparação, não comparar Evil Urges com Z, que são os dois álbuns que conheço dos My Morning Jacket (e os dois últimos, já agora). E Z é mil vezes melhor do que Evil Urges. Àquilo que chamo de parte convencional, faltam coisas como “Lay Low” ou “Gideon”. E é uma pena.
09-12-2008 Sem comentários
Ela e ele lançaram um dos álbuns do ano

Já ouviram Volume One, de She & Him? Se não, façam-no o mais rapidamente possível. É que tanto ela – Zooey Deschanel – como ele – M. Ward – fizeram muito bem o seu trabalho e lançaram um álbum simplesmente excelente.
She & Him, o projecto cujo nome foi invertido para que não percebêssemos de onde roubaram a ideia, é indie pop/rock fresco e irremediavelmente bom. As músicas são espirituosas e divertidas. A maioria dos pormenores está perto da perfeição. A voz (e as outras vozes), o piano, a guitarra… está tudo no sítio certo, a soar à pop clássica dos anos 60 e 70.
Ainda não a tinha ouvido cantar mas Zooey Deschanel, que há muito me conquistou por motivos menos musicais e mais relacionados com o facto de eu ser rapaz, tem uma voz sem grandes esquemas que não um ou outro trejeito curioso. Já M. Ward é, como sempre, um tipo competentíssimo na guitarra e na produção. Ele, que também já trabalhou com Cat Power, My Morning Jacket e Beth Orton, tem um currículo que não deixa estranhar o óptimo resultado final desta parceria.
É bem provável que este seja um dos álbuns do ano (a Paste foi relativamente corajosa ao dar-lhe o primeiro lugar mas até se percebe). Ouçam-no, a sério. É que esta combinação explosiva de qualidade, talento, alegria e melodias pop reflecte-se em todas as músicas de Volume One. Posso pôr-me aqui a falar da mais que óbvia beleza de “Take It Back” ou das paisagens country de “Got Me” e “This Is Not A Test”, se quiserem, mas prefiro deixar-vos o vídeo do single “Why Do You Let Me Stay Here?”. A música é muito gira e o vídeo muito engraçado, quase gore. Há muito tempo que não me divertia tanto com um álbum.
07-12-2008 5 comentários
Os Coldplay estão bastante saudáveis
Os Coldplay são uma banda pop, disso ninguém duvida. Mas estaríamos conscientes de que eles são pop ao ponto de terem como lado B (ou algo do género) uma música como “Glass of Water”? Eu até acho alguma piada à música e ao seu refrão de estádio mas não consigo parar de pensar em como os tipos guardam estas coisas para um EP. Logo eles, que são uma banda pop.
Bem, confesso que até gosto do disco. Gosto de ouvir voz em “Life in Technicolor ii”, que é como a “Life in Technicolor” de Viva La Vida Or Death and All His Friends… mas com voz. Este tipo de ideia brilhante repete-se em “Lost+” (igual à original mas com o Jay Z a aparecer durante 30 segundos lá para o meio) e “Lovers in Japan (Osaka Sun Mix)”, que de diferente tem mesmo muito (muito!) pouco.
Claro que não podia dizer que gosto do disco baseado nos argumentos anteriores, ainda que goste das músicas. O meu argumento é “Prospekt’s March”, o tema que empresta o título ao álbum e que me faz duvidar da capacidade de julgamento de Chris Martin e companhia. Porque é que esta música não estava no álbum? Não percebo… mas acho que também não é suposto que perceba. A música é calmíssima mas é de um bom gosto formidável.
De resto, “Rainy Day” tem um refrão engraçado e não é muito Coldplay-ish, o que até é refrescante. “Now My Feet Won’t Touch The Ground” nem por isso, que me recorda “Till Kingdom Come”, a faixa escondida do infame X&Y. Falta falar de “Postcards From Far Away”, menos de um minuto de semi-showoff de piano sem grande história para contar.
Prospekt’s March é um bom EP, tal como Viva La Vida or Death and All His Friends é um bom álbum. Não é arrebatador, claro está, mas vale a pena perder uma meia hora com ele de vez em quando.
04-12-2008 5 comentários
Wilco ensinam a lidar com os downloads de música

Há umas linhas numa música dos Wilco que me fazem sempre pensar que a estratégia agressiva de combate à pirataria que a indústria discográfica adoptou desde o início é profundamente errada. A música é “What Light” – podem fazer o download, se quiserem – e está presente em Sky Blue Sky, o último longa-duração da banda. O momento de clarividência é o seguinte:
And if the whole world’s singing your songs
And all you’re paintings have been hung
Just remember what was yours is everyone’s from now onAnd that’s not wrong or right
But you can struggle with it all you like
You’ll only get uptight
Deixem-se disso. Nem que seja porque, para além de todas as questões éticas e de bom-senso, no final, you’ll only get uptight.
Vivam com isso. Evitem os problemas cardíacos.
02-12-2008 Sem comentários
MySpace Music faz sono
Depois da conversa toda em torno do lançamento do MySpace Music, não deixa de ser engraçado que um dos primeiros assuntos a surgir após o nascimento do serviço seja o processo de contratação do CEO. Percebe-se: é uma das maiores redes sociais da Web e faz parte da News Corp., um dos maiores grupos de media do mundo. Mas o que diz isso do serviço?
Nunca percebi o hype. Pelo que tenho lido por aí, o MySpace Music nada tem de inovador. A seu favor, tem uma comunidade gigante de artistas e o facto de vender MP3 sem DRM via Amazon. Contra? O sono. A falta de novidades faz com que se assemelhe a mais uma das quinhentas mil tentativas frustradas de uma ou outra major de criar algo que roube uma fatiazinha do que a Apple faz com o iTunes. Ah, tem o acordo das quatro majors e praticamente nada de música independente. Boa, pá!
É por isto que me caem as notícias da Billboard no e-mail a falar sobre o novo CEO e não consigo deixar de pensar que o MySpace está velho, gordo e careca. Já o CEO, esse, está só careca.
02-12-2008 Sem comentários
