Música, indústria e tendências.

Posts de — Janeiro 2009

Do rock stars need social media? – parte 3

Pay What You Want

Precisam as estrelas de rock dos social media? Sim. Precisam de os usar e de falar directamente com os seus fãs e consumidores, também eles – é preciso não esquecer – middle men. As pessoas dão valor a esta brincadeira. 

Dou apenas mais um exemplo: o dos meus Radiohead. No último ano e pouco, têm sido das bandas rock mais referidas por essa Internet fora. Porquê? Em grande parte, por causa do modelo de negócio que popularizaram. Mas repararam com que acções é que eles complementaram o lançamento de In Rainbows? Com dois blogs, um concurso de videoclips, dois concursos de remisturas, uma rede social própria, dois webcasts, uma página no Facebook, estreia de vídeos online – um dos quais feito sem câmaras e estreado no Google -, um tema para o iGoogle… Ah, esperem, falta relembrar que o lançamento de In Rainbows foi, ele próprio, uma manobra de génio que só não chamaria a atenção de quem anda profundamente distraído. Claro que a maior parte destas acções pressupõe investimento. Como este texto é sobre estrelas de rock, creio que não descarrilei.

As estrelas de rock precisam de estar activamente na Web e nos social media e de explorar todas as coisas novas que por aí andam. Não sei se será a única mas é claramente uma das melhores maneiras de manterem o estatuto. Juntem a isso boa música e terão muitos anos de estrelato pela frente.

31-01-2009   Sem comentários

Do rock stars need social media? – parte 2

 Os Xutos & Pontapés, que também são estrelas

Esqueçam a publicidade online à moda antiga. Os banners foram à vida; ninguém quer saber deles, por mais intrusivos e giros que sejam. Sim, se os estão a pôr na janela do Windows Live Messenger, ninguém quer saber, por mais tempo que todos passem a olhar para os vossos anúncios contra a própria vontade. Por isso, se por presença na Web entendem publicidade online, estão – como hei-de dizer? – errados. A presença online é uma espécie de meet and greet constante – só que sem todo aquele desconforto (pelo menos passado algum tempo). É estar frente a frente, conversar, ser uma pessoa normal. Bem sei – por experiência própria, como é óbvio – que o estrelato nos afasta das nossas raízes… mas também pode ser a desculpa perfeita para nos fazer regressar.

Ainda não explorámos muito o assunto… mas vou partir imediatamente para um exemplo. Precisam os Xutos & Pontapés dos social media? Depende. Estão contentes com o estado das coisas? Então pronto, não precisam. Assim como assim, enquanto houver quem queira ir aos concertos deles, não precisam de vender muitos discos. E há sempre quem queira ir aos concertos deles, sobretudo os que já os ouvem há vinte ou trinta anos. Um dia destes, vi um senhor do marketing da Optimus a dizer que, segundo um estudo de mercado, os Xutos & Pontapés são os favoritos de uma quantidade absurda de jovens dos 11 aos 19 anos, à frente de nomes internacionais e assim. Claro que a palavra a reter aqui disto é “absurda”, se é que me percebem. Continuando, estivessem o Zé Pedro mais virado para os blogs, o Tim dedicado à partilha de fotografia ou o Kalu de câmara na mão constantemente para pôr vídeos no YouTube, chegavam um bocadinho mais longe do que chegam actualmente. Independentemente dos méritos musicais da banda, é o que acho.

Abandono aqui o primeiro exemplo e parto para os social media propriamente ditos. Quais são os mais importantes para o sector da música actualmente? YouTube, Facebook, MySpace, Last.fm, Twitter e a blogosfera. Há outros mas, se precisarem de escolher ao início, recomendo às estrelas rock que comecem por estes.

Nenhum dos serviços referidos substitui o site mas, porra, são estrelas de rock. Assume-se que têm um site… e que o site é fraquinho. Mas deixo esta conversa para um outro dia.

Agora, porquê aqueles quatro específicos mais o genérico? Bem, porque o YouTube é um dos sites mais conhecidos e visitados de toda a Internet. Porque o Facebook é a rede social mais interessante, mais completa, com mais perfis e com maior potencial. Porque o MySpace ainda é uma espécie de feira da ladra da música. Porque o Last.fm tem tudo a ver com música e nenhum músico faz real uso do serviço. Porque o Twitter é a nova vedeta da Web. E, finalmente, porque o blog é um dos formatos de publicação mais completos da História e a blogosfera um dos fenómenos sociais mais interessantes das últimas décadas. É bom que as estrelas de rock estejam envolvidas.

Nada disto faz sentido de forma isolada. Por mais intensa que seja a participação no Last.fm, não representa nada se não for acompanhada pelo resto. E mesmo aí, é bom que não venham com mensagens ensaiadas e afins… porque vai tudo corrido à virtual paulada.

 

29-01-2009   Sem comentários

Do rock stars need social media? – parte 1

Os U2 são estrelas de rock e por isso uma fotografia do Bono ajoelhado num palco com milhares de pessoas a assistir serve perfeitamente para ilustrar este artigo

Há coisa de ano e meio, o Chris Brogan publicou uma lista de tópicos que gostaria de ler em blogs. De entre assuntos relacionados com marketing, tecnologia, blogs e mais uma mão cheia deles, houve um específico que me chamou a atenção: do rock stars need social media?

De um artigo que se baseia numa pergunta espera-se uma resposta, esteja ela certa ou errada. Pois bem, a minha resposta à pergunta precisam as estrelas de rock dos social media? é sim. Mas porquê?

Apesar de todas as reportagens sobre pedofilia na Internet, terrorismo na Internet e sabe-se lá mais o quê de mau na Internet, a maioria das pessoas parece não ter percebido que a Internet ocupa cada vez mais tempo no dia-a-dia de todos. Pessoas que, claro, passam grande parte do seu dia na Internet. E – perdoem-me esta introdução cheia das mesmas palavras – o que é que as pessoas fazem na Internet? Recorrem à Wikipédia, vêem vídeos no YouTube, conversam em serviços de mensagens instantâneas, lêem notícias e artigos um pouco por todo o lado, fazem download de filmes, séries e música, passam tempo no Hi5 ou no Facebook, fazem pesquisas no Google. Quase todas estas actividades estão pejadas de interacção, de trocas.

As estrelas de rock precisam dos social media porque é impossível serem estrelas sem que alguém repare nelas. Os jovens passam cada vez mais tempo online e cada vez menos tempo em frente ao televisor. No meio disto tudo, nem sequer sei onde entram a rádio e os jornais. Com a Internet a ganhar espaço, a agregar todos os outros meios e a torná-los insignificantes, não desenvolver estratégias de presença na Web é o equivalente a não ter videoclip no tempo em que a MTV importava. É não existir.

Atenção: quando falo da Internet ou da Web, não me refiro ao site do Público, ao portal do Sapo e ao e-mail – mesmo que todos eles sejam bastante importantes. Não é a estas referências que damos mais atenção no nosso dia-a-dia online, mesmo que continuem a ser referências. Quero com isto dizer que não devem descurar o Público, o Sapo ou o e-mail… mas que uma estratégia de presença na Web deve ir além destas referências e ir ao encontro de onde nós, os fãs e os consumidores, estamos.

27-01-2009   Sem comentários

Coisas de fim-de-semana

Há músicas que só podem ser ouvidas ao fim-de-semana. “Naked As We Came”, de Iron and Wine, é definitivamente uma delas. Soa melhor no Verão mas – ei, que se lixe – não é coisa para se deitar fora num instável final de tarde de Inverno (desde que ao fim-de-semana, claro). Tentem no próximo e vejam se não tenho razão.

Entretanto, fica o vídeo que o próprio Sam Beam – para o caso de não saberem, é o ferro e o vinho em pessoa – realizou.

25-01-2009   Sem comentários

Divulgar com o longo prazo em vista

Ao contrário do que seria de esperar, não acho que divulgar e promover música através dos meios de comunicação tradicionais seja uma má ideia. Enviar um CD ou um link para um jornalista ainda é uma forma barata de dar a conhecer música. Barata não só porque custa pouco mas porque também tem alguns resultados práticos. No entanto, não me parece que seja suficiente. Isto já para não falar da inutilidade dos passatempos.

O que quero dizer com isto é que a divulgação é uma variável que as editoras e os artistas precisam urgentemente de melhorar. Posso pôr-me aqui a falar do MySpace e do YouTube (sim, muitos ainda estão na fase em que estas são as novidades…) mas acho que nem é por aí. Em grande parte dos casos, o problema é conceptual. Quem promove, não pensa caso a caso, usa um método padrão (ainda por cima desactualizado) para todos os artistas. Quando toda a gente faz o mesmo, é difícil chamar a atenção.

Assim, enviar álbuns para jornalistas e bloggers, pôr músicas nas novelas, divulgar videoclips, tudo isso custa dinheiro. Criar e fomentar uma relação com os fãs também custa. No entanto, acho que arriscar pela segunda via (sem descurar a primeira, claro), através da Internet, dos concertos e das próprias edições… acaba por trazer mais resultados a longo prazo. Se só se pensa no álbum que vai sair amanhã e ainda por cima se vive num mundo onde o paradigma é o de há 10 anos atrás, a coisa não vai ao lugar.

24-01-2009   2 comentários

Algumas notas

Eis alguns discos potencialmente interessantes de 2009 que já por aí andam: Get Guilty de A.C. Newman, Noble Beast de Andrew Bird e Hold Time de M. Ward.

Curiosamente, apesar de ter sido meio responsável por um dos meus álbuns favoritos de 2008, M. Ward é o que menos me entusiasma, não sei porquê. Outro pormenor curioso: ainda não tenho vozes femininas no meio dos álbuns de 2009… Venham depressa.

De qualquer forma, vou ouvir estes três e logo vemos se vale a pena falar deles aqui ou não. Na pior das hipóteses são corridos a críticas de uma linha à la Musebin (provavelmente, coloco-a é no Twitter…).

Se calhar, também é melhor não esperarem por grandes comentários aos novos de Franz Ferdinand, Morrissey e Animal Collective. Já sabem o que é que a casa gasta. Não é que deteste qualquer um deles… mas aborrece-me escrever sobre coisas que não despertam grande coisa em mim.

24-01-2009   3 comentários

Muita atenção a isto

Apesar de não ser um grande fã do formato colectânea, não posso deixar de chamar a atenção para esta que vai ser lançada em Fevereiro. Produzida por Aaron e Bryce Dessner – um dos pares de gémeos dos The National -, Dark Was The Night é uma iniciativa que pretende ajudar a Red Hot, uma organização de luta contra a Sida que faz da cultura pop arma de sensibilização. No BrainDance já se tinha falado disto em Dezembro… mas só agora me apercebi dos nomes envolvidos.

Estão preparados?

David Byrne, Feist, José González, Ben Gibbard, Grizzly Bear, Iron and Wine, Sufjan Stevens, The Decemberists, Spoon, The Arcade Fire, Beirut, My Morning Jacket, Yo La Tengo, Cat Power, The New Pornographers, Andrew Bird, Blonde Redhead, The National e Kevin Drew, entre mais uns quantos.

E não houve cá repescagem de temas: é tudo coisas exclusivas.

Já há umas músicas em stream na página do projecto, se quiserem ficar com água na boca (ou nos ouvidos, vá). Também é lá que poderão ver o alinhamento dos dois discos.

23-01-2009   2 comentários

“Lift”, a melhor música não editada de sempre

Acho que escrevo muito sobre os Radiohead. Não tanto quanto poderia escrever… mas definitivamente bem mais do que será considerado normal. Segue mais um para a contagem então.

É-me muito difícil escolher as minhas músicas preferidas da minha banda preferida. Uma grande parte das que eles editaram está perto da perfeição… e encontram-se espalhadas por todos os álbuns, EPs e singles que por aí andam.

Aquela de que falo, no entanto, não conseguirão encontrar à venda, pelo menos legalmente (ou eticamente, mesmo!). Trata-se oficialmente da melhor música de sempre não editada. Os Radoihead estrearam-na na digressão de 1996, altura em que intercalavam músicas de Pablo Honey e The Bends com uma ou outra novidade das sessões de OK Computer, e tocaram-na em concertos suficientes para que sobrassem algumas gravações aproveitáveis.

“Lift” é, mais do que a melhor música de sempre não editada, uma das melhores músicas dos Radiohead. Coisa para o top 5 – e lembrem-se que me é especialmente difícil decidir estas coisas.

Os membros da banda sempre acharam que lhe faltava qualquer coisa e guardaram-na no fundo do baú. Em 2002, na mini-digressão ibérica que iniciaram em Lisboa, mostraram todos os temas de Hail To The Thief, que viria a ser lançado em 2003. E sim, “Lift” voltou a aparecer. Por essa Internet fora encontramos, de resto, uma versão mais recente desta canção, a chamada versão de Lisboa. Adivinhem porquê. Não sendo tão imediata nem simples, é outro momento alto. Mas não há amor como o primeiro.

Quanto a mim, lembro-me perfeitamente da primeira vez que ouvi a música. Tinha começado a ouvir Radiohead há pouco tempo e enviaram-ma via MSN. Respondi, perguntando, algo como: mas porque é que nunca me mostraste isto antes!?

Ninguém saberá, certamente. Mas agora vejam e ouçam a melhor versão de “Lift” que encontram na Internet, a que os Radiohead tocaram a 27 de Maio de 1996 no Pinkpop Festival, na Holanda. Se não adorarem, não são boas pessoas.

19-01-2009   4 comentários

O Genius do iTunes serve para alguma coisa

Genius no iTunes 8Para quem não sabe, o Genius é uma ferramenta de recomendação de música incluída na versão 8 do iTunes que gerou alguma polémica quando foi lançada por questões de privacidade. Além disto, o facto de as músicas recomendadas terem uma natural ligação directa à loja do iTunes também não foi muito bem visto.

Na altura, experimentei o Genius e desliguei-o passado pouco tempo. Demasiado espaço visual ocupado para o boneco. Mas entretanto comprei um computador novo, instalei o iTunes e deixei-o estar.

Há uns dias, enquanto ouvia um dos meus álbuns de Broken Social Scene, calhou olhar para o lado direito da janela do iTunes e vi para lá um nome que despertou a minha atenção: The Most Serene Republic.

Bastou uma pequena pesquisa para perceber que esta banda é mais uma da família canadiana Arts&Crafts, editora dos Broken Social Scene, The Stills, Los Campesinos!, Stars e Constantines, entre outros nomes mais ou menos conhecidos. Os The Most Serene Republic foram, de resto, a primeira banda da editora sem nenhum membro dos Broken Social Scene (isto em 2005).

Nunca os tinha ouvido e são bons. Não têm o coração dos Broken Social Scene (que são muito mais viscerais) mas são um tanto ou quanto mais concisos e directos ao assunto. Têm um baterista absolutamente fantástico e bom gosto em tudo o resto.

O último álbum que lançaram – que foi o que ouvi – chama-se Population e é muito interessante. Editado em 2007, tem muito daquele caos que adoro: a mistura de guitarras, cordas e metais na mesma canção, tudo isto brilhantemente acompanhado por uma secção rítmica nervosa.

Apesar de o álbum ser bastante interessante como um todo, há uns destaques possíveis: “Sherry And Her Butterfly Net” é, muito provavelmente, a melhor do disco. À falta de melhor comparação, tem ali algo de Interpol durante um minuto; o resto não sei o que é… mas é fantástico (e acho que já falei da bateria). Muda de discurso e de tom aqui e ali e as vozes complementam os instrumentos muito bem. Obrigatória.

De resto, “The Men Who Live Upstairs” e “Present of Future End” são muito giras também, com a melodia a ganhar algum destaque na segunda. Ah, e “Solipsism Millionaires” também dá muito bom nome a este álbum.

Claro que há um ou outro momento mais aborrecido, sobretudo quando dão demasiadas voltas sem sair do mesmo sítio (pensem em cães fechados em varandas).

De qualquer forma, acreditem quando vos digo que vale a pena, sobretudo para quem dá valor a um bocadinho de caos de vez em quando mas não gosta quando, sem dar por isso, já está a ouvir aberrações noise.

Os The Most Serene Republic são bons. Agora vou poder explorar mais um bocadinho. O Last.fm já tinha feito das suas; agora foi o Genius. Não o vou desligar tão cedo.

18-01-2009   3 comentários

EMI parece a mãe do Jeff Buckley

Radiohead

A EMI, que está pela hora da desgraça, quer fazer render o peixe.

Depois de uma caixa com todos os álbuns dos Radiohead em digipack (não comprei) e em versão digital numa pen USB (também não) e de um best of mais ou menos saloio (comprei a edição normal, a especial e o DVD…), a EMI descobriu mais coisas.

Muito ao estilo das Legacy Editions da Columbia (que por sua vez é detida pela Sony Music), a EMI vai lançar edições especiais dos três primeiros álbuns dos Radiohead: Pablo Honey, The Bends e OK Computer. Segundo noticia a Billboard, o primeiro terá algumas pérolas interessantes (as músicas de Drill, o primeiro EP de Radiohead – um que ainda espero conseguir comprar no eBay quando tiver 300 euros para dar por um CD de quatro músicas mediano – e uns b-sides dos singles Creep e Anyone Can Play Guitar, esperemos).

Sim, vou comprar, é certo. Mas é um caso especial: colecciono discos de Radiohead, há que fazer pela vida (e isto dá uma bela racionalização…). De resto, sinto-me até um pouco sujo por participar neste jogo.

(Quanto à comparação do título, é que a mãe do Jeff Buckley faz render o peixe – leia-se “o filho” – até à última. Para ser sincero, acho que ainda vai chegar aí uma reedição espectacular com novas versões ao vivo nunca antes bla bla bla do Sketches for my sweetheart the drunk, o álbum póstumo. E depois começa tudo de novo.)

17-01-2009   2 comentários