Divulgar com o longo prazo em vista
Ao contrário do que seria de esperar, não acho que divulgar e promover música através dos meios de comunicação tradicionais seja uma má ideia. Enviar um CD ou um link para um jornalista ainda é uma forma barata de dar a conhecer música. Barata não só porque custa pouco mas porque também tem alguns resultados práticos. No entanto, não me parece que seja suficiente. Isto já para não falar da inutilidade dos passatempos.
O que quero dizer com isto é que a divulgação é uma variável que as editoras e os artistas precisam urgentemente de melhorar. Posso pôr-me aqui a falar do MySpace e do YouTube (sim, muitos ainda estão na fase em que estas são as novidades…) mas acho que nem é por aí. Em grande parte dos casos, o problema é conceptual. Quem promove, não pensa caso a caso, usa um método padrão (ainda por cima desactualizado) para todos os artistas. Quando toda a gente faz o mesmo, é difícil chamar a atenção.
Assim, enviar álbuns para jornalistas e bloggers, pôr músicas nas novelas, divulgar videoclips, tudo isso custa dinheiro. Criar e fomentar uma relação com os fãs também custa. No entanto, acho que arriscar pela segunda via (sem descurar a primeira, claro), através da Internet, dos concertos e das próprias edições… acaba por trazer mais resultados a longo prazo. Se só se pensa no álbum que vai sair amanhã e ainda por cima se vive num mundo onde o paradigma é o de há 10 anos atrás, a coisa não vai ao lugar.

2 comentários
Filipe, não estou muito por dentro do que se passa em Portugal mas quer-me parecer que as editoras que têm margem de manobra – isto é, que não são meros anexos das filiais em Espanha, como no caso de algumas majors – continuam a ter uma abordagem muito amadorística do negócio. As coisas são feitas a curto prazo porque o orçamento não dá para mais. Por outro lado, não interessa muito às majors investir em estratégias de marketing mais arriscadas em Portugal porque acreditam que isso não lhes irá trazer benefícios. Acredito que independentes como a Bor Land ou a FlorCaveira poderiam retirar grandes vantagens a longo prazo numa aposta na Web. A questão é quando é que elas se vão dar conta disso?
Tens toda a razão, Miguel. As majors em Portugal estão de mãos atadas, sobretudo com a fuga dos escritórios para fora do país (creio que a Sony mantém só o marketing cá; a Universal tem uma subsidiária um tanto ou quanto mais completa).
Quanto a arriscar, acho que poderiam optar por testar com artistas portugueses (seria, de resto, a única opção).
Também tens razão na questão do amadorismo, claro. Nas independentes, vê-se muito amor à causa e pouco profissionalismo. Claro que como são editoras de uma ou duas pessoas… a coisa é mais difícil. Não sabem, não dá para mais… e muito já fazem eles. O problema é que copiam as práticas das majors dentro dos possíveis. E como estamos em Portugal, não há cá estudos de mercado para avaliar o impacto de cartazes de publicidade nos taipais das obras (é um suporte com o qual embirro especialmente…); pura e simplesmente faz-se, mesmo com algumas pequenas (a Popstock, por exemplo, que também é tudo menos independente).
Creio que uma Bor Land, uma FlorCaveira, uma Rastilho, uma Monocromática (se o Pedro Leitão voltar a pegar nela) devem pensar seriamente em abordar o negócio de outra forma e deixar de ver o Ípsilon como o Santo Graal; devem começar a pensar um bocadinho como empresários.
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