Posts de — Maio 2009
Hoje há Wilco no Coliseu
Se eu organizasse semanas temáticas por aqui, esta seria a dos Wilco. Depois de ter ouvido e gostado bastante do álbum, é oficial: hoje à noite vou estar ali pela segunda plateia do Coliseu de Lisboa para assistir ao segundo concerto da banda de Chicago em Portugal (o primeiro foi ontem em Braga).
Vamos ver como corre.
31-05-2009 Sem comentários
“The Runaway”, a nova dos The National
Parece que os The National andam a preparar um novo álbum. O sucessor de Boxer (2007) é aguardado com grande expectativa pelos fãs e certamente por todos os que odeiam a banda de morte e dizem que eles são uma espécie de imitação barata dos Tindersticks.
Pois bem, andava eu há uns dias nas minhas leituras e encontrei no BrainDance um vídeo daquelas sessões catitas da QTV. São os The National a mostrarem uma música nova cujo título provisório é “The Runaway”. É coisa para entrar ali para o grupo das mais calmas – para os lados de uma “About Today”, vá.
E nós cá vamos esperando.
30-05-2009 3 comentários
Um ano
Este blog faz um ano.
Não é um portento em termos de visitas (9 mil e qualquer coisa) ou de visualizações (15 mil e qualquer coisa) mas é um projecto de que tenho gostado muito até agora.
Há, claro, coisas que quero melhorar. Gostava de publicar textos com mais frequência (sendo que três por dia é um objectivo… mesmo que seja irrealista) e de os tornar mais interessantes. Acho que até tenho publicado algumas coisas giras de vez em quando… mas quero publicar mais.
Ah, e obrigado aos 40-50 que por aqui passam diariamente. E aos 20 e poucos que subscrevem o feed.
Os posts sobre música voltam amanhã, provavelmente. Hoje é dia de aniversário.
28-05-2009 12 comentários
Se eu mandasse numa editora de música

Já todos nos esquecemos do que são, em teoria, editoras de música. Porque nos vendem banha da cobra, porque perseguem tudo e todos, porque estão parados no tempo… mas sobretudo porque há muito tempo que deixaram de ser editoras de música.
Pensem nas editoras de livros, na relação íntima entre editor e autor e na forma como aquelas constroem um catálogo ao longo do tempo. Pensem numa conduta de respeito e apoio ao artista, pensem em pressão – o tipo bom de pressão. Pensem nas dificuldades e nos momentos em que tudo parece bater certo.
A verdade é que, em teoria, uma editora não é a empresa típica. Ainda que venha logo atrás, o lucro vem depois do amor à arte… mas geralmente até se tenta que ambos andem de mãos dadas.
Mas pronto, não é isto que se passa. Tenho dúvidas sobre se alguma vez terá sido assim em grandes editoras mas também tenho a certeza de que é isto que acontece numas quantas pequenas.
Se eu mandasse numa editora de música, a empresa lucraria pouco, o suficiente para pagar a toda a gente e continuar. Os artistas teriam liberdade artística mas também teriam alguém de fora com opinião sobre o trabalho deles. Os artistas teriam prazos (ainda que flexíveis). Os artistas teriam marketing adequado ao seu público-alvo e não teriam de fazer nada em termos de divulgação com que não se sentissem confortáveis. Os artistas teriam controlo sobre o seu catálogo, mesmo que a editora também tivesse alguma palavra a dizer.
Se eu mandasse numa editora de música, provavelmente tentaria fazer com que não se limitasse a editar música. Editaria livros e filmes relacionados com música. Promoveria eventos sobre música. Abria uma ou mais lojas de música. Provavelmente, se houvesse espaço, dinheiro e oportunidade, promoveria concertos e festivais. Convidaria artistas da editora a serem agenciados pela editora.
Se eu mandasse numa editora de música, ouviria o máximo de coisas que me enviassem e, se possível, daria resposta. Iria a concertos ouvir bandas novas e velhas. Marcaria reuniões a pedido porque nunca se sabe.
Se eu mandasse numa editora de música, não deixaria de ouvir música boa (e alguma má). Não me transformaria num homem de negócios nem ficaria mais cínico do que sou hoje.
Não me atrevo a pensar que conheço a indústria, as coisas que distraem os agentes e as dificuldades diárias por que todos passam. Não acho que conheça a forma como se faz negócio no mundo da música gravada, até porque nunca estive por dentro da coisa, mas creio que é possível fazer bem melhor do que o que é feito hoje em dia.
26-05-2009 13 comentários
Wilco (o álbum)
O novo álbum dos Wilco está a deixar-me ansioso pelo concerto do próximo domingo. Ainda nem sequer comprei bilhete – espero que ainda haja – mas estou a pensar fazê-lo brevemente. Já queria fazê-lo mas Wilco (The Album) fez-me querer mais.
O álbum só sai a 30 de Junho mas já aí anda, como é habitual. De resto, os Wilco lidaram bastante bem com a fuga. Puseram o álbum em stream no seu site e pediram aos fãs que fizeram download do álbum pelas vias do costume para doarem alguma coisa a uma instituição de solidariedade social de Chicago.
Musicalmente, Wilco (The Album) é aquilo a que a banda de Jeff Tweedy nos habitou: folk rock do melhor que se faz nos Estados Unidos, um equivalente moderno aos clássicos Bob Dylan e Neil Young. Eu até nem conheço muito bem a banda – por acaso calhou que gostasse muito de Sky Blue Sky, o álbum anterior – mas tenho vindo a descobrir cada álbum aos poucos e não há nada que possa apontar. Confesso que não me entusiasmam tanto como outras bandas… mas aí já é o género musical a falar. Neste género… os Wilco são os melhores da actualidade.
Sabemos que estamos a ouvir um álbum bom quando até as músicas que não acrescentam nada têm a sua piada. Ora ouçam lá “You Never Know”. Mas é injusto começar pelo que pouco acrescenta. Vão antes ouvir “You and I”, música suave que se alimenta das vozes de Jeff Tweedy e Leslie Feist, ou “Country Disappeared”, que nos dá uns Wilco mais lentos e intimistas. Claro que também há um lado mais barulhento: “Bull Black Nova” é uma besta de música, uma daquelas em que a guitarra é tudo. E a melhor do álbum, definitivamente.
Curiosamente, este álbum parece-me um tanto ou quanto mais lento do que o habitual. Talvez seja mais fácil de ouvir que qualquer um dos anteriores… mas continua a ser música de fim-de-semana, de estrada alentejana às quatro da tarde. E isso é bom, Wilco (The Album) é bom.
26-05-2009 Sem comentários
Música, TV e cinema: ideias soltas
Hoje em dia, é praticamente impossível cruzarmo-nos com uma série de televisão sem que salte uma canção pop num ou noutro momento-chave do episódio. No cinema, em termos gerais, o efeito é menor… mas também existe. É um mercado em que as editoras e os artistas americanos têm apostado nos últimos anos. É investimento em marketing.
Em Portugal, vai acontecendo com melhores ou piores resultados nas telenovelas portuguesas. Infelizmente, isto significa que o Paulo Gonzo ressuscitou e teve a lata de reeditar um álbum com mais de dez anos para ganhar dinheiro com a música associada à novela. Esta prática também nos trouxe “A Carta”, dos Toranja, que ainda penso ser um óptimo single - mas sim, cansou. Enfim, quero com isto dizer que também temos os nossos exemplos.
E sabem? Não sei o que pensar. Porque, como em tudo, há os que comprometem a arte por algo um tanto ou quanto mais palpável. Porque há quem faça música exclusivamente com este objectivo (e não me refiro à composição de bandas sonoras, claro). No entanto, também coloca um mais que justo holofote sobre canções que nunca ouviríamos na vida. E funciona como uma espécie de Last.fm… Gostam de ver o House a alucinar graças ao Vicodin? Então são capazes de gostar disto. A verdade é que não é assim tão raro a coisa bater certo.
Dois exemplos.
O Pete Yorn é um tipo norte-americano que faz um pop/rock de digestão fácil e que se mudou, no início da carreira, para Los Angeles… para fazer música para cinema e televisão. Se ouvirem, faz algum sentido… mas não deixa de levantar algumas questões relativamente aos motivos que o levaram a mudar de costa (não que alguém tenha realmente alguma coisa a ver com isso). Foi por causa dele que este atabalhoado texto saiu. Explico: todos os episódios de House fecham com uma música que se adapte ao momento em que aparece. O enterro de Kutner trouxe-nos “Lose You”, tema pop meio triste do primeiro álbum de Pete Yorn (já agora, musicforthemorningafter, o tal primeiro álbum dele, até não é mau de todo). Vejam o vídeo:
O outro exemplo também é relativamente recente. Mickey Rourke é amigo de Bruce Springsteen e pediu a Darren Aronofsky, o realizador, para convidar o boss a escrever o tema de The Wrestler. Springsteen fê-lo e com óptimos resultados, como seria de esperar. Sim, Working On A Dream não é um grande álbum mas “The Wrestler” é uma grande canção. E foi inspirada no filme, como seria de esperar. Aqui, não se trata de tentar convencer executivos a pôr uma música numa série. Aqui, voltamos ao domínio exclusivo da arte e não há motivos para pensar duas vezes: ou se gosta… ou não. E eu gosto.
A cultura pop, essa coisa que é tudo e nada, facilita sinergias e os resultados aparecem. Promover música em filmes e séries não tem nada de mal, acho eu, desde que não seja absolutamente comercial. Tantas vezes já ouvi The National, Bon Iver, Gomez e outras bandas que por aqui rodam habitualmente em séries de televisão… e a coisa não era totalmente descabida. Gastaram dinheiro para lá pôr as músicas? Acho que sim. Foi um mau investimento? Diria que não, tendo em conta o público que as segue. Aqui, acabo a misturar marketing e um lado mais emocional, o que é ideal para quem promove… e o contrário para mim.
É um mundo que não conheço, confesso, mas a ideia de me fazer a esse lugar privilegiado que é fazer chorar as pedras da calçada durante um episódio de Grey’s Anatomy com uma canção só porque sim não é tão atraente quanto isso. Claro que se isso acontecer, tanto melhor… desde que faça sentido. Mas não sei, a sério que não.
E vocês, têm alguma coisa a dizer sobre o assunto?
25-05-2009 3 comentários
Capital europeia da Cultura

Guimarães vai ser uma das duas capitais europeias da Cultura em 2012. A outra será Maribor, na Eslovénia.
A notícia já tem alguns dias mas queria deixar aqui um comentário. Baseando-me exclusivamente na actividade do Centro Cultural Vila Flor, onde vi o fantástico concerto dos The National há pouco menos de um ano, diria que é perfeitamente justo. Recebo a newsletter do CCVF e estes tipos primam pelo eclectismo, o que é um dos princípios básicos de uma instituição deste género.
Além disto, tem à frente pessoas dinâmicas – não as conheço, nem sequer sei nomes; é um elogio sentido – e isso nota-se no programa, no site e, em última instância, na força que Guimarães começa a ter no panorama cultural em Portugal. Guimarães e Braga têm estado com uma saúde cultural extraordinária. Ao contrário do Porto, de resto, o que não se percebe…
No limite, ser capital europeia da Cultura vale o que vale. De 1994, quando foi Lisboa a escolhida, lembro-me vagamente de um concerto do Pedro Abrunhosa na Praça do Comércio. E isso não é obrigatoriamente bom, reparem. Ainda assim, Guimarães, património da UNESCO e tudo o resto (acho que precisa de umas obras, mas pronto), está de parabéns.
21-05-2009 1 comentário
Um paradigma
Algo me diz que não devia fazer isto. Pelo menos, não quando ainda há muito pouco tempo coloquei aqui um vídeo da mesma banda. Mas a verdade é que gostar de música é uma coisa bastante orgânica e, por vezes, aborrecida para quem fica a ver gostar de música. Espero que não o seja completamente, de qualquer forma.
Serve o preâmbulo para justificar a escolha de mais um vídeo de Eels para colocar aqui. Claro que a verdadeira justificação é tão simplesmente a música ser fantástica… mas não me parece que isto sirva a vocês tão bem como me serve a mim. “It’s a Motherfucker” é piano, voz e letra. “It’s a Motherfucker” também é um paradigma das letras de Mark Oliver Everett. É simples e honesta, como tantas outras. E especialmente bonita.
19-05-2009 2 comentários
Radiohead em estúdio
Parece que os Radiohead estão em estúdio a preparar um novo álbum. O meu cinismo leva-me a pensar que daqui a quatro anos temos o sucessor de In Rainbows na rua… mas esperemos que não!
A banda está em gravações com o produtor do costume – Nigel Godrich – e pouco mais se sabe. O baixista Colin Greenwood não adiantou muito mais na entrevista que concedeu à BBC… mas isto é mais que suficiente para lançar a confusão.
De qualquer forma, são boas notícias.
18-05-2009 2 comentários
Eu e o marketing da música no ISCSP
Há quase dois meses, fui convidado pela Raquel Ribeiro, professora de Marketing do ISCSP e leitora assídua deste blog, para dar uma aula aos alunos do 2º ano da Licenciatura em Ciências da Comunicação. Aceitei com entusiasmo e a coisa acabou por acontecer na quinta-feira passada.
Foi uma aula com dois temas – e eu fiquei responsável por um deles: o marketing da música. O outro estava relacionado com agências de comunicação e também me é bastante familiar, claro. Acabou por se tornar bem mais interessante do que o tema que levei, pelo menos a julgar pelo número de perguntas que motivou.
Sentia isto quando andava na faculdade e senti-o novamente na semana passada. Uma parte significativa dos universitários querem saber quase exclusivamente como é que podem arranjar emprego. Isto ao mesmo tempo em que deviam estar a fazer pela vida e a ganhar currículo com o que quer que fosse (actividades extracurriculares como o blogging ou o envolvimento activo e responsável na vida académica, por exemplo). É um pós-modernismo interessante, um vou ficar aqui parado a pensar exactamente como é que devo mexer-me. Mas pronto, ainda vão a tempo, acho eu.
Entretanto, deixo-vos a apresentação que pintou a minha parte da aula. É uma coisa no estilo “101″, com enquadramento e informação básicos… mas acho que se adaptava à audiência. Apesar de ter sido feita para acompanhar um tipo semi-lunático a falar, espero que gostem. E que comentem!
18-05-2009 6 comentários
