Posts de — Maio 2009
Broken Social Scene preparam novo álbum
Melhor notícia do ano, até agora. Os Broken Social Scene estão a gravar o seu quarto álbum de originais em Chicago com o produtor John McEntire e ainda não há novidades sobre convidados e afins. A novidade foi dada na primeira pessoa pelo Kevin Drew no site da banda. Drew aproveitou para falar do novo livro sobre a banda, de como não vai muito à bola com o Twitter e de outras coisas… mas o mais importante é definitivamente o álbum.
A única coisa que se sabe é que o Dave Newfeld, que produziu os brilhantes You Forgot It In People e Broken Social Scene, não terá, em princípio, nada a ver com o novo disco. Espera-se, portanto, uma ligeira mudança no som. Newfeld é maluco e as coisas soam sempre à balda. Com McEntire, nem por isso. De qualquer forma, viu-se pelos álbuns em nome próprio de Kevin Drew e Brendan Canning que o som da banda não está inteiramente dependente de quem produz.
E é isto. É uma óptima notícia. Resta esperar que se despachem, que o meu coração não aguenta.
17-05-2009 Sem comentários
Pequenas mudanças
Lembram-se de ter criticado um texto da Marketeer sobre a Central Musical?
A Marketeer de Julho traz um artigo onde é feito um ponto de situação sobre a indústria da música. O autor é Sérgio Gonçalves, CMO e sócio internacional da Central Musical. O texto, esse, é um perda de tempo.
E de, após umas semanas, o autor e responsável pelo marketing da Central Musical ter respondido?
A Central Musical tenta ser uma solução. Pode não acreditar que o merchandising e os concertos sejam saída para artistas. Que isso seja “inventar a roda” é que não se percebe. Giro é afirmar que vai a concertos e compra umas t-shits de bandas..
Gostava também de perceber o seu curriculum na industria musical. Pode ser que tenhamos muito a aprender com a sua experiência.
Pois bem, as coisas mudam. Embalagem, aspecto visual, fórmula, posicionamento, distribuição, promoções, divulgação, atitude.
Talvez o negrito não seja esclarecedor: destaco a atitude. No caso específico da Central Musical, a volta foi aquilo que o Jorge Cadete descreveria como uma volta de 360º. Mais uma vez esclareço: em linguagem de pessoa normal, não é esse o caso. Foi mesmo uma grande volta. Ali em torno dos 180º.
Os egos são lixados. O vosso, o meu, o do Sérgio Gonçalves… pregam-nos partidas. Pois tentemos esquecer isso por um bocado para falar da mudança de atitude da Central Musical. É que pode ser que isto seja sobretudo provocado por uma espécie de massagem involuntária ao ego. Mas tirem as vossas próprias conclusões.
Há uns dias, recebi um e-mail do Ilídio Nunes a apresentar-me a Central Musical. Sem grandes conversas, sem tretas do género “sigo o teu blog há muito tempo”, passou à parte que lhe interessava: promover a Central Musical. Colocou-me a hipótese de usar os vídeos da Central Musical para que todos saiam a ganhar: eu com conteúdos, os artistas com divulgação e, naturalmente, a Central Musical com visitas. Apesar de não achar o serviço especialmente revolucionário – já o referi anteriormente – gostei, lá está, da atitude, da honestidade.
Vão ver isto cheio de vídeos da Central Musical? Não. Porque o embed deles não é grande coisa – acho que estão a trabalhar nisso – e porque não têm a mesma versatilidade e amplitude de um YouTube, por exemplo. Então o que mudou? A minha boa vontade. Porquê? Por ego, talvez (ele deu-se ao trabalho de escrever um mail com umas 10 ou mais linhas a um blogger que chega a meia dúzia de pessoas… e nem sequer tinha conhecimento da “polémica” anterior), mas sobretudo porque foi transparente e honesto.
O que significa isto, então? Que, aos meus olhos, a Central Musical está de cara lavada. Que, se se justificar, não terei qualquer pudor em colocar aqui um vídeo retirado directamente do site deles. Para todos os efeitos, têm conteúdos gratuitos e exclusivos (pelo menos grande parte). Fui comprado com simpatia? Talvez. Mas já muitas empresas e marcas me afastaram exactamente pelo motivo contrário. Por exemplo, a Vobis está boicotada desde que me venderam umas colunas acabadas de vir da reparação como sendo novas. Assim, o que impede a atitude positiva de exercer influência? Nada. Que continue a ser assim.
Às vezes é tão simples como isto.
12-05-2009 Sem comentários
“Last Flowers” (ou as minhas pequenas obsessões)
Esta música tem rodado muito por aqui nas últimas duas semanas. Já tinha rodado intensamente entre o final de Dezembro de 2007 e Fevereiro de 2008. E um pouco antes disso, entre Abril e Junho de 2005, ouvi-a até não poder mais. Sempre em versões diferentes, curiosamente.
Em Abril 2005, Thom Yorke estreou “Last Flowers” numa vigília do Trade Justice Movement que se realizou na Abadia de Westminster, em Londres. Guitarra, voz e uma letra críptica funcionaram na perfeição. Na altura, mesmo com todo o ruído habitual de uma… vigília, a coisa soava bem. Sobretudo a parte final. Segundo os registos, a música não era nova – “Last Flowers Till The Hospital” era um dos títulos antigos; “Cogs” era outro. Só nunca tinha sido tocada ao vivo. E eu, que tive a sorte de encontrar uma versão do set – que também incluiu a estreia de “House of Cards”, a última vez que “Reckoner” foi tocada à moda antiga, a ressurreição de “Nude” e a sempre adequada “No Surprises” – com boa qualidade (obrigado bootleggers!), ouvi repetidamente a música – às vezes adiando o sono simplesmente porque sim.
A coisa perdeu intensidade, naturalmente, à medida que os Radiohead começaram a tocar ao vivo e a música não voltou a aparecer. Thom Yorke lançou um álbum a solo e a canção também lá não estava. Os Radiohead continuaram a dar concertos e a repetir diversos temas que hoje fazem parte de In Rainbows (tanto do corpo principal do álbum como do disco de bónus). “Olha, outra ‘Lift’!”, posso ter pensado eu (ou não, que a minha memória não é assim tão boa).
Algum tempo depois, a 30 de Setembro ou a 1 de Outubro de 2007, os Radiohead anunciaram o lançamento de In Rainbows para 10 de Outubro. Pague-o-que-quiser à parte, entre o entusiasmo todo com a saída do disco, a mim surpreendeu-me uma música que aparecia no segundo CD da discbox, como lhe chamaram. “Last Flowers” estava lá, entre uma tal de “MK2″ e “Up On The Ladder”, outra das abandonadas do século passado. Depois foi esperar pela chegada da discbox. Apesar de ter ouvido o álbum em formato digital na maior listening party de sempre, deixei-me ficar à espera do tal bónus que vinha na discbox. Nem sequer o fui buscar a sites de torrents e afins. Foi uma experiência relativamente dolorosa, sobretudo com uma ou outra pessoa a fazer-me sofrer. Ainda fiquei para aí um mês à espera da discbox.
Chegou uma encomenda a minha casa no sábado, dia 22 de Dezembro, se não estou em erro. Sei que foi um sábado e sei que foi muito perto do Natal… portanto parece-me bastante provável. Abri, ouvi o primeiro CD de uma ponta à outra, apesar de já o ter ouvido de uma ponta à outra vezes sem conta nos dois meses e meio prévios. Fiz o mesmo com o segundo CD e lá estava ela, ligeiramente diferente, mas bastante na mesma. A guitarra foi substituída no leme pelo piano mas ganhou outras tarefas. A qualidade da gravação era ligeiramente diferente da do bootleg de 2005. Para melhor, para o caso de não perceberem. A música continuava fantástica. E o final mantinha-se gigante, que era o que mais importava.
Ouvi-a bem mais de uma centena de vezes nas primeiras semanas. Ouvi-a tanto que quando saiu o single Jigsaw Falling Into Place, quase não ouvi o b-side “Last Flowers (Live From The Basement)”. Estava demasiado concentrado na outra. Isto foi em Janeiro de 2008.
As coisas acalmaram entretanto. Curiosamente, os Radiohead nunca a tocaram ao vivo, mesmo depois do lançamento em disco. É pena. Dado que é uma música tocada a duas ou quatro mãos, seria coisa para colocar no início de um encore, talvez. Seria uma espécie de “True Love Waits” há uns anos atrás.
Fica registada – nem que seja pelo facto de saber a história toda – a minha pequena obsessão com a música. Houve outras, muitas delas com canções dos Radiohead, como seria de esperar. Esta, no entanto, foi vivida enquanto as coisas iam acontecendo, o que a torna diferente.
Como dizia ao início, tenho-a ouvido muito nas últimas duas semanas. Não houve evolução nenhuma, que eu saiba (e não acho que vá haver). Hoje, por acaso, calhou encontrar no YouTube a tal versão gravada ao vivo no From The Basement, o programa de televisão criado por Nigel Godrich, produtor dos Radiohead e de mais uns quantos, por onde já passaram The White Stripes, The Shins e Andrew Bird, entre outros. Eis o motivo do testamento…
10-05-2009 2 comentários
Morrissey com atraso
O último álbum do Morrissey não me caiu no goto à primeira. Ou melhor, caiu-me como o “mais do mesmo” que é. O problema aqui é que eu nem sou um grande fã dele. Deixei passar uns dias e ouvi-o novamente. Soou melhor. E isto foi há um ou dois meses.
Agora digo com segurança que gosto do disco. Years of Refusal não é assim tão diferente dos últimos álbuns dele. Bons singles, pouco desperdício de tempo, boas canções, boas letras, os temas do costume e por aí fora. E isto não é revolucionário mas também não é mau. É um bom álbum, daqueles que não envergonham – e estou certo de que Morrissey tem uns quantos.
As primeiras cinco canções, por exemplo, poderão servir para lembrar a todos os miúdos que por aí andam a tentar fazer música pop que há por aí uns quantos tipos da velha escola que a fazem com uma perna às costas. E imagino a força de temas como “Something is squeezing my skull” ou “All you need is me” ao vivo…
05-05-2009 1 comentário
Coldplay oferecem álbum nos concertos e no site

Os Coldplay anunciaram através da sua newsletter que vão oferecer nos próximos concertos um álbum gravado ao vivo em várias cidades durante a Viva La Vida Tour. Também será possível fazer download do produto final através do site da banda a partir de dia 15 deste mês.
Parece-me uma iniciativa porreira. Na newsletter pode ler-se que a banda agradece assim o apoio dos fãs e tudo o resto (e mais a crise). São people pleasers, estes gajos. Mas nada contra! Venha de lá mais música.
O alinhamento e o artwork de LeftRightLeftRightLeft (três “lefts”, dois “rights” e um título estúpido) podem ser vistos aqui.
De qualquer forma, parece-me que interessa mais sublinhar um outro aspecto desta notícia. Este presente é apenas mais um contributo para a teoria (facilmente comprovável) de que, cada vez mais, os músicos fazem dinheiro com os concertos, não com os discos. E atenção: chegámos às bandas pop que, apesar de serem quem está mais à vontade financeiramente para fazer brincadeiras destas, ainda são quem mais tem a perder (ou não ganhar, vá) em termos de vendas.
Mas a venda de discos no presente não vale mais do que o futuro e a reputação dos Coldplay. E para os que, como eu, ainda compram discos, estou certo de que eles ainda vão editar muita coisa em que possamos estourar dinheiro.
03-05-2009 3 comentários
