Música, indústria e tendências.

Posts de — Junho 2009

Sobre a Sony e o eMusic

eMusicA loja de música digital eMusic e a Sony Music assinaram um acordo que permitirá que os clientes da primeira possam comprar músicas do catálogo da última. É a primeira major com presença no anteriormente inviolável reino indepedente do eMusic. Curiosamente, no comunicado em que refere o acordo, o eMusic não arranjou espaço para falar também da nova tabela de preços

Pois é, parece que ficou tudo mais caro. A vantagem para os clientes? Passam a ter a possibilidade de gastarem dinheiro com os Il Divo e com a Pink. Nice.

Não percebo o caminho que estão a tentar seguir. Vão alienar uma parte significativa dos clientes actuais – que não querem saber da Sony e de preços mais elevados por menos downloads – e não vão propriamente fazer concorrência ao iTunes. Pior, enquanto antes eram indie, agora são simplesmente coxos. Onde estão os catálogos das outras três majors, já agora? Será que os preços também vão aumentar a cada novo anúncio? Era giro.

O eMusic podia tornar-se no gourmet dos downloads de música (e perdoem a pobre comparação). Assim vai tornar-se na Worten.

04-06-2009   Sem comentários

Mais uma novidade em vídeo

Os Modest Mouse vão editar um EP em Agosto.

No One’s First and You’re Next promete, pelo menos a julgar pelo single “Satellite Skin”, cujo videoclip foi realizado por Kevin Willis, que também já fez uns quantos vídeos de Tool.

Por outro lado, se ouvirem o lado B deste single – “Guilty Cocker Spaniels” – a coisa ainda promete mais.

Se se perguntavam se o Johnny Marr (ex-Smiths) continua na banda, posso dizer-vos que sim. Resultou à primeira com o fantástico We Were Dead Before The Ship Even Sank (2007) pelo que não há motivo para mudanças. E ainda bem.

03-06-2009   Sem comentários

Wilco (o concerto)

Há muito que os Wilco nos deviam um concerto em Portugal. Anteontem estrearam-se em Braga, ontem estiveram no Coliseu. E eu também.

Com um novo álbum quase a sair e 15 anos destas andanças na bagagem, os Wilco fizeram o que se esperava deles e deram um espectáculo muito bom. Passaram por uma série de álbuns, entre os quais o obrigatório Yankee Hotel Foxtrot, fazendo deste concerto uma espécie de resumo da carreira da banda com o álbum que lhes trouxe reconhecimento generalizado como peça central.

Folk rock, alt country e solos de guitarra a roçar o psicadelismo dominaram a noite mas foram “Jesus, etc.”, “I am trying to break your heart” e “Hummingbird” as que mais impressionaram. O que também impressionou foi a execução irrepreensível de cada uma das músicas do set. E a duração do encore, já agora, que se estendeu por 40 minutos.

De resto, esperava ouvir mais algumas músicas de Wilco (The Album) – tocaram três, se não estou em erro, entre as quais “Wilco (The Song)” a abrir e a já referida “Bull Black Nova” – e menos de Sky Blue Sky, que ainda teve direito a umas quantas. Tinha esperanças que tocassem mais algumas das minhas favoritas – “Misunderstood”! – mas não.

Jeff Tweedy esteve espirituoso e mais ou menos condescendente no diálogo com o público, o que tornou a interacção engraçada. Ah, e para o caso de estarem interessados, disse que a banda volta para tocar as músicas que as pessoas iam pedindo aos gritos. Temos de acreditar.

Resumindo: foi um concerto à imagem da banda. Não alimento especialmente o culto mas gosto do trabalho dos Wilco. E gostei do concerto. Ao vivo são menos “música para road trip de fim-de-semana” e mais “rock on, baby!” mas, seja qual for o modo, a música é genuinamente boa. E assim vale a pena.

(A foto é da autoria do Vasco Pereira do FestivaisPT, que – mais uma vez – foi simpático e me deixou usá-la para ilustrar o artigo. Vejam a reportagem do concerto e as outras fotografias aqui.)

01-06-2009   Sem comentários