“The Present Tense”

Há dias, falei-vos da actuação de Thom Yorke no Latitude Festival. Na altura, esperava-se que a BBC Radio 6 transmitisse o concerto todo um ou dois dias depois. No entanto, acabou por passar apenas duas músicas… portanto não há, até agora, gravações do concerto completo com grande qualidade.

Mas há por aí muito boa gente… e esta gravação de “The Present Tense”, a música que Thom Yorke estreou ao vivo no festival, está muito, muito boa.

Ele bebe gasolina

Donovan Woods lançou o seu álbum de estreia há dois anos e pouco.

A música tem estado presente durante toda a sua vida: no nome, nas horas passadas na companhia do pai, no coro, na guitarra e no piano. Hoje em dia, é um dos mais promissores músicos folk do Canadá e o álbum explica facilmente porquê. The Hold Up é um dos discos folk mais imediatos que ouvi até hoje. É comparado a Ryan Adams mas, não sei bem porquê, soa-me mais a um John Mayer acústico. E soa bem.

O meu primeiro contacto com a música de Donovan Woods aconteceu há umas semanas. Dei um salto à página dele no MySpace e ouvi “He drinks gas”. O título é mais do que suficiente para me chamar a atenção mas fiquei mais do que convencido depois de a ouvir. Depois disto, veio o resto do álbum e… era bom.

As melodias são catchy; a guitarra, o piano e a voz soam muito bem. Não há muito mais que possa dizer, a sério. Vai continuar a rodar por aqui.

Billboard.com está diferente

A Billboard fez alterações ao seu site.

Pessoalmente, sempre o achei pouco amigável e um tanto ou quanto confuso pelo que, em teoria, a alteração seria bem-vinda. Ainda não o explorei convenientemente… mas, pá,  acho que não gosto do que fizeram.

Atenção, não é pelos conteúdos. Apesar de achar que há muita coisa ali que não me serve de nada, a Billboard é um recurso fundamental para quem quer estar informado sobre o que se anda a passar na cena pop dos Estados Unidos. Nem falo do Billboard.biz, que não foi abrangido pelas alterações, já que este site está vocacionado para notícias e artigos sobre negócios e a indústria discográfica, o que não é bem a mesma coisa. De qualquer forma, não é pelos conteúdos. É, antes, pela forma como estão distribuídos e escondidos no site.

Coisinhas deslizantes e afins não tornam um site obrigatoriamente bom e cool. Se permitissem brincar com aqueles gráficos (que agora apresentam mais facilmente) e fazer comparações, seleccionar espaços temporais e afins… aí se calhar até me esquecia da chatice que é navegar pelo site. Por outro lado, o acesso às notícias piorou: agora há menos, com fotografias maiores.

No geral, é isto. Há coisas mais pequenas (e mais sociais, como a integração com o Lala)… que não são propriamente revolucionárias. As grandes mudanças são o layout (não sei se para pior… mas definitivamente não foi para bom) e o acesso ao histórico do Billboard 200 e de outras tabelas de vendas (mas sempre numa perspectiva por artista… e sem números de vendas, o que é uma pena).

Bem, acho que vou continuar a seguir os feeds…

Thom Yorke nas notícias

Esta semana foi marcada pela gripe A, pelo acidente no Irão, pelo abanão na Nova Zelândia, pelo Twittergate e pela vitória do nosso Benfica no conceituado torneio do Guadiana. Mas não só (e, por favor, não liguem realmente à escolha de notícias). Foi também a semana em que Thom Yorke, vocalista dos Radiohead, reapareceu na grande superfície musical. Fê-lo por duas vezes.

A primeira foi a propósito de uma compilação de covers de Mark Mulcahy que vai sair em Setembro. Antes de falar da música propriamente dita, é importante explicar o motivo de uma compilação de músicas de um tipo relativamente desconhecido interpretadas por Thom Yorke, Michael Stipe, The National, Mercury Rev, Dinosaur Jr., Josh Rouse e mais uns quantos. O objectivo é simples: ajudar o músico para que continue a fazer música. Parece que, desde que a mulher morreu há cerca de um ano, criar as duas filhas gémeas (com 2 anos agora) tornou-se numa tarefa bem mais complicada.

Quanto à música interpretada por Thom Yorke, é a primeira a ser mostrada ao público. Foi uma boa escolha. Sem fugir para os antípodas da versão original, “All For The Best” está bem dentro no estilo electrónico de Yorke. É, sem dúvida alguma, uma óptima maneira de chamar a atenção para Ciao My Shining Star: The Songs of Mark Mulcahy. Podem ouvir a música aqui.

A segunda notícia diz respeito à actuação de Thom Yorke no Latitude Festival. Foi a solo, coisa pouco habitual. Foi a primeira vez que interpretou algumas canções de The Eraser ao vivo… mas não foi só isso que fez. Lá no meio, entre The Eraser, In Rainbows, e mais umas quantas canções soltas (entre as quais as raras “Follow Me Around” e “True Love Waits”), Yorke mostrou uma nova: “The Present Tense”. As gravações que até agora encontrei não são grande coisa… mas creio que a BBC Radio 6 vai passar o concerto completo hoje, o que deverá significar que hoje ou amanhã já teremos material de qualidade por aí. Esperemos, portanto.

Land of Talk

Descobri-os há uma semana nas recomendações do Last.fm, que indicavam parecenças com Broken Social Scene e mais umas quantas bandas que ouço com frequência. Estou viciado.

Os Land of Talk são um trio canadiano que conta com Elizabeth Powell como vocalista. É indie rock puro e duro – guitarra, baixo, bateria e pouco mais. Acho que não são tão bons… mas fazem-me lembrar, de certa forma, os Life Without Buildings (mas com voz bonita).

Editaram o primeiro álbum no ano passado. Some Are Lakes é um álbum bom e coeso mas deixou-me a pensar que espero um segundo álbum melhor, mais arrojado. Ou seja, agradou-me… mas agradou-me sobretudo a perspectiva de evolução.

Entretanto, andei por aí a fazer umas pesquisas e encontrei dois vídeos de versões gravadas ao vivo na QTV. Curiosamente – e até ver -, são as minhas duas músicas favoritas do álbum: “Some Are Lakes” e “It’s Okay”.

“Some Are Lakes”

“It’s Okay”

Músicos no Twitter

Há quanto tempo é que não falo do Twitter por aqui? Há tempo suficiente.

O Miguel Albano chamou-me a atenção para um artigo do Mashable sobre músicos no Twitter. A lista contém mais de cem nomes, entre os quais Dave Matthews, Coldplay, John Mayer, Muse, Pete Yorn, Imogen Heap, Sonic Youth, The Streets e Trent Reznor.

O artigo está engraçado e explica a forma como cada um destes artistas – ou respectivo mandatário – marca a sua presença no Twitter. Ainda assim, parece-me mais importante notar que, apesar das mil e uma formas encontradas para estar no Twitter, nenhuma é propriamente errada. Falar da última sessão de estúdio, de banalidades ou do sentido da vida… tudo vale. Os limites são os do razoável – o que é, em si, bastante razoável.

O sucesso do Twitter reside não só na (ilusão de) proximidade mas também – sobretudo, talvez – na sua moldabilidade. O Twitter pode ser confessional mas também pode ser uma eficaz ferramenta de marketing. Pode ser sobre links ou sobre dar os bons dias aos amigos. Daí que o termo microblogging faça sentido. Ora releiam lá as frases anteriores e digam-me se não poderia muito bem estar a falar de blogs.

A adolescência segundo os Broken Social Scene

Os Broken Social Scene deram no dia 11 de Julho um concerto que poderá muito bem ter sido inesquecível. Há muito tempo que não se juntavam em palco tantos membros da banda, com destaque para as três vozes femininas – Amy Millan, Emily Haines e Leslie Feist. Também lá estavam os obrigatórios Kevin Drew e Brendan Canning, como é óbvio, bem como Justin Peroff e Andrew Whiteman.

Gratuito, o concerto realizou-se em Toronto, a cidade natal da banda. Escusado será dizer que não posso falar muito do concerto, que tenho estado por Portugal. Posso, no entanto, chamar a atenção para um vídeo que me recordou a edição de 2006 do Festival Paredes de Coura. A música é “Anthems for a seventeen year old girl” e lembro-me de a ter “descoberto” naquele concerto – um dos melhores a que assisti até hoje.

Aqui, temos uma vantagem: a vocalista original, Emily Haines. Mas esta canção sempre foi mais do que um conjunto de bons atributos musicais. “Anthems for a seventeen year old girl” é autêntica, crua, insegura e, no fundo, adolescente. Sempre a interpretei como sendo cantada por uma miúda cuja melhor amiga se tornou popular. Daí o carro, o telefone e a distância. Os pedidos – “park that car, drop that phone, sleep on the floor, dream about me” – parecem desesperados mas são simplesmente honestos. A repetição constante das mesmas palavras – o que era antes, o que é agora – tira-nos daqui por uns minutos e faz-nos recordar tempos mais simples, mais estúpidos.

Ao vivo, como em estúdio, “Anthems for a seventeen year old girl” é lindíssima. Ao vivo, vemos os saltos quase infantis de Emily Haines e de Feist naquele final fantástico, a doçura de uns inocentes braços no ar e uma total ausência de cinismo que quase consegue tornar o ar mais puro. Não me levem a mal, que sou um cínico, mas este vídeo – amador, que há coisas impossíveis de fabricar – é, em si, um verdadeiro retrato do que são os Broken Social Scene.

Sonic Youth: a minha opinião tremida sobre The Eternal

Os Sonic Youth lançaram The Eternal e eu já o ouvi umas quantas vezes. Ainda assim, acho que não tenho uma opinião muito definida sobre o álbum.

Partam do princípio de que um álbum dos Sonic Youth é sempre bom… porque, em princípio, é assim mesmo. Pessoalmente, nunca gostei tanto dos discos deles como gostei do concerto que vi em Paredes de Coura há dois anos. Se querem ouvir aquelas guitarras em todo o seu esplendor, ao vivo is the way to go. Mas, lá está, os álbuns não são maus, longe disso.

O meu álbum favorito é o Daydream Nation. A minha música favorita é “Teen Age Riot”. Gosto do Goo, gosto do Rather Ripped. Os outros, conheço-os mal. Já me situaram na matriz Sonic Youth? Ainda bem.

A grande vantagem de The Eternal, identifico-a facilmente: é a capacidade de replicar, a espaços, a experiência de ouvir Sonic Youth ao vivo. As explosões de distorção com um volume considerável de “Antenna” e de “Massage the History” deixam um tipo a pensar que, com tanta porcaria que cá vem, os Sonic Youth bem podiam vir a Portugal mais frequentemente. E, claro, não faltam outras músicas boas, como “Thunderclap (For Bobby Pyn)”, “What We Know” e “Sacred Trickster”.

O que me confunde é o resto. The Eternal é, no geral, os Sonic Youth do costume. Aqueles que murmuram/gritam palavras enquanto as guitarras de Thurston Moore, Lee Ranaldo e, ocasionalmente, Kim Gordon produzem ruído mágico. Aqueles para quem o feedback é tudo. Aqueles para quem um estúdio não basta porque é preciso um palco com um P.A. gigante.

The Eternal é, quer-me parecer, apenas mais um longa-duração numa carreira cheia de coisas boas. O que quero dizer é que os Sonic Youth já não revolucionam. São gigantes, fantásticos e tudo o mais… mas já não revolucionam.

É uma pena mas…

Optei por não ir ver os Los Campesinos! a Algés.

O meu motivo é mais que razoável: 50 euros por um concerto (OK, gostava de ver Dave Matthews e não me importava de ver uma série de outros nomes… mas querer querer, queria mesmo era ver os campinos). Desta vez, venceu a razão.

Mas é uma pena. É que são os Los Campesinos!, não os vamos ver por cá tão cedo.

Pacman fala de downloads – em repeat, aparentemente

Pequena grande actualização: Parece que este artigo já tem algum tempo (O Miguel Caetano diz que isto já aí anda desde 2007). Parece que a Fnac costuma usá-lo. Bem, não podemos dizer que não se mantenha actual…

Carlos “Pacman” Nobre publicou um artigo sobre downloads legais e ilegais no site da Fnac a propósito da compilação Novos Talentos Fnac 2009. Um artigo onde chama gulosa à Fnac – não de forma absolutamente directa, claro, mas ainda assim tem a sua piada.

Embora me tenha parecido que dá ao artigo, aqui e ali, um tom paternalista – sobretudo quando refere, no final, a questão dos “meios para pagar” o download legal -, o vocalista dos Da Weasel diz algumas coisas relevantes:
- os artistas fazem dinheiro com os concertos, não com os discos;
- 80% da música que compra é no iTunes;
- desde que os downloads legais apareceram, deixou de fazer downloads ilegalmente;
- tem pena que as editoras “não tenham aberto a pestana mais cedo” para os downloads legais.

Não são grandes novidades. São, no entanto, importantes… porque são ditas por um membro de uma das mais bem sucedidas bandas portuguesas dos últimos anos, uma pessoa do sistema.