Posts de — Agosto 2009
Projecto multimédia dos irmãos Dessner
Já há algum tempo que ando para vos falar disto. Os irmãos Aaron e Bryce Dessner (dos The National) e o artista visual Matthew Ritchie estão a preparar um projecto multimédia intitulado The Long Road, que vai ser apresentado na Brooklyn Academy of Music nos dias 28, 30 e 31 de Outubro.
Este projecto conta com uma série de colaboradores conhecidos, como Matt Berninger (The National), Shara Worden (My Brightest Diamond) e Kim e Kelley Deal (The Breeders), que emprestam as vozes a diversas peças de The Long Road.
Pouco mais se sabe sobre este ambicioso projecto. Para já, podem fazer o download de “We Were Born” em MP3. Olhem que vale a pena.
29-08-2009 Sem comentários
Excelente iniciativa do Pitchfork
O Pitchfork tem vindo a publicar uma série de artigos sobre a música na década que agora acaba, tendo já publicado a lista das 500 melhores canções dos últimos 10 anos. Há ainda uma série de outras listas e artigos na forja, entre os quais a obrigatória lista dos melhores álbuns.
É uma excelente iniciativa. Em termos de opinião, já se sabe, a coisa nem sempre bate certo com o que achamos mas é preciso reconhecer mérito ao exercício. Entretanto, publicaram também o primeiro de uma série de artigos sobre a primeira década completa do MP3.
Ainda vão publicar muita coisa até ao final do ano. Vale a pena ficar de olho no site.
25-08-2009 Sem comentários
Bill Callahan, ou como estragar a média
Aqui há dias queixei-me da qualidade da música em 2009. Equacionei diversas hipóteses, inclusivamente a de estar errado. A resposta dos que por aqui passam habitualmente foi avassaladora, pelo menos tendo em conta aquilo a que me habituaram. Deram-me música para mais de um mês de audições, pelo que não me posso queixar. Como houve umas quantas referências, decidi começar esta série de audições por Sometimes I Wish We Were An Eagle, o novo de Bill Callahan.
E comecei bem. Este álbum é um dos melhores que ouvi até agora este ano e é certo que figurará numa série de listas lá mais para o final do ano.
Começa bem, com “Jim Cain” a definir o tom do álbum. A voz grave de Bill Callahan faz com que quase todas as músicas surjam envoltas numa espécie de fumo inebriante. Parece que nos quer adormecer só para que, instantes depois, nos possa acordar com uma tarola barulhenta. E logo volta ao mesmo.
Este Sometimes I Wish We Were An Eagle é folk, quer-me parecer, mas soa como se tivesse soul nas veias e imenso jazz para dar. Reparem em “Rococo Zephyr” e digam-me que não tenho razão. E a voz…
O álbum caminha lentamente para o final mas deixa-nos provar um travo de urgência em “All Thoughts Are Prey To Some Beast” e outro de experimentalismo em “Invocation of Ratiocination”. O final traz-nos de volta aos terrenos já familiares do resto do álbum (de tão lento que é, habituamo-nos bem antes de chegarmos ao final) quando chega à maravilhosa “Faith/Void”, cujos quase dez minutos conseguem deixar-nos a pensar que mais um bocadinho não fazia mal nenhum.
Um excelente álbum de fim-de-semana, de final de tarde, de noite, do que quiserem. É um excelente álbum.
Curiosamente, é a primeira vez que ouço Bill Callahan enquanto Bill Callahan. Como Smog, já por aqui passou. Mas Sometimes I Wish We Were An Eagle, apesar de lento, calmo e agradavelmente intoxicante, parece-me distante do lo-fi da música que Bill Callahan faz enquanto Smog. É como se fossem dois tipos diferentes… o que até faz sentido.
Olhem, valeu a pena queixar-me da música. Bill Callahan estragou a média dos álbuns de 2009. É que este é realmente bom.
22-08-2009 4 comentários
MySpace compra iLike

As primeiras notícias que indicavam que o MySpace se preparava para adquirir o iLike surgiram no início da semana. A confirmação chegou anteontem.
Vou pôr preço e outros pormenores de lado e concentrar-me naquilo que parece ser mais importante: a tentativa de regresso do MySpace ao mundo dos vivos. Com a aquisição do iLike, um serviço que tem na música a sua actividade principal, o MySpace consegue obter de uma vez só uma equipa muito competente, software e serviços de qualidade numa área que lhe é estratégica e a entrada num mercado novo, como o das aplicações para iPhone.
O MySpace está a tentar modernizar-se e talvez consiga alguns resultados. A equipa de desenvolvimento do iLike é boa e pode dar uma ajuda valente àquela gente (se ajudassem nos caixotes já era fantástico… mas estou com baixas expectativas).
O negócio aparentemente bom também pode ser aparentemente mau. O iLike não dá dinheiro, é uma espécie de centro de custos. Valerá a pena investir assim?
Pessoalmente, acho que, apesar do aparente bom negócio, a News Corp., a dona do MySpace, não saberá o que fazer com o iLike. Dar nozes a quem não tem dentes e tudo o resto.
21-08-2009 4 comentários
Eels dão mais um EP de borla
MySpace Transmissions, o novo EP dos Eels, já está disponível para download gratuito. Mark Oliver Everett, que tem neste momento a melhor barba de sempre, gravou umas músicas para o MySpace e tanto os vídeos como os MP3 estão disponíveis online.
Este EP vai ter também uma edição física em vinil, uma tendência cada vez mais visível na cena indie actual. É uma má notícia para quem ainda/já (riscar o que não interessa) não anda por esses lados… mas também pode ser uma boa desculpa, já que inclui um tema adicional.
Há coisa de um ano, a banda já tinha disponibilizado, a propósito do lançamento de uma edição especial limitada do fantástico Blinking Lights and other Revelations, um EP gravado ao vivo em Manchester em 2005.
Pessoalmente, gostava de o ver perder um pouco a cabeça e deixar de discriminar a vertente digital com edições incompletas, mas… está, pelo menos, no bom caminho.
Deixo-vos “That look you give that guy”, de Hombre Lobo, para que vos sirva de exemplo.
19-08-2009 3 comentários
A qualidade da música
É provável que esteja a procurar nos sítios errados ou algo do género mas estou muito pouco entusiasmado com o que ouvi até agora em 2009.
Está bem, já ouvimos Eels, Metric, Sonic Youth e mais uns quantos… mas tem faltado aquele disco arrebatador.
Se não for azelhice minha, é mau sinal. Quer dizer que, sobretudo no infinito mundo do indie rock, ou se está a trabalhar mal, ou as coisas não estão a chegar convenientemente aos meus ouvidos. Claro que isto vale o que vale…
Também pode ser coincidência. 2008, por exemplo, foi bem forte. E 2007, com Radiohead, The National, Kevin Drew e LCD Soundsystem, foi arrasador. Em 2009, muitos estão a descansar, em digressão, em estúdio ou algo do género. Se calhar, é por isto.
Digam lá de vossa justiça… e, se por acaso souberem de música boa que por aí anda à espera de chocar comigo, não hesitem em sugerir.
19-08-2009 22 comentários
A propósito de Kind of Blue

Kind of Blue foi editado a 17 de Agosto de 1959. Foi, portanto, há exactamente 50 anos que Miles Davis deu a conhecer ao mundo um dos álbuns mais importantes da História da música moderna. Este texto foi escrito por Marco Santos, cujos textos são, regra geral, excelentes. Este não é excepção.
Durante muitos anos disse aos meus amigos que o jazz não prestava. Ouvia Pink Floyd, Zappa, Laurie Anderson, Tom Waits, Philip Glass e música clássica (Mahler, Mozart e Wagner, mas só as partes orquestrais, não tinha pachorra para as óperas).
Quanto ao jazz, via-o como um bando de saxofonistas constipados a espirrar notas para os meus ouvidos e encarava esses amigos como sofrendo de uma bizarra forma de contágio musical.
Os amigos mais chegados já conheciam a minha casmurrice e deixaram-me sossegadinho entre os muros do Roger Waters.
Digo casmurrice porque a primeira vez que ouvi Frank Zappa – um disco muito jazzístico de 1969, Hot Rats – dei por mim a desejar desprender-me do sofá e sair à rua só para apanhar ar livre e sentir-me liberto pelo silêncio. Silêncio? Até os berros histéricos da minha vizinha histérica a chamar os filhos histéricos para um jantar provavelmente histérico, pareciam-me mais doces e musicais do que qualquer composição de Zappa.
Tinha 12 anos, estão a ver, as minhas tripes musicais consistiam em pôr a tocar um vinil dos Queen ao vivo, cobrir o candeeiro do quarto com um pano para dar ambiente de concerto, pegar numa raquete de ténis, abanar o capacete como se tivesse um trampolim invisível diante da testa e impressionar uma plateia de raparigas imaginárias fazendo de conta que era o Brian May a solar no crepúsculo. A propósito, as raquetes foram inventadas para jogar ténis, mas também dão excelentes guitarras.
Só não pude deixar crescer a guedelha porque, para a minha mãe, já era um enorme sacrifício aturar as guitarradas do Brian May, quanto mais tê-lo a jantar todos os dias em casa com o cabelo caindo sobre o prato como as orelhas de um cocker spaniel.
Isto tudo para dizer que no longo processo de reeducação das nossas orelhas é difícil saltar etapas. Conhecemos músicos demasiado cedo e desprezamo-los; conhecemo-los demasiado tarde e então já não nos impressionamos. No primeiro caso, temos a vantagem de usufruir de mais umas quantas oportunidades para rever o que rejeitámos. No segundo, temos a vantagem de não sermos enganados facilmente pela suposta originalidade de certas bandas – estou a pensar nos sobrevalorizados Coldplay, chatos, cansativos e monótonos como o metropolitano de Lisboa numa tarde de Verão.
Seja como for, é preciso passar por experiências intermédias que acabam por nos conduzir às músicas certas para nós, experiências que por vezes nada têm a ver com música. Por exemplo, o meu amor pelo disco The Wall não seria tão visceralmente profundo se não adorasse já o cinema, pois o The Wall é uma banda sonora para um filme que esteve dentro da cabeça do Roger Waters. Não teria gostado tanto de Bela Bartók e de outros compositores clássicos contemporâneos se não tivesse venerado o Shining, do mestre Stanley Kubrick, pois foi nesse filme que os ouvi pela primeira vez.
Tão cedo teria conhecido Laurie Anderson e Philip Glass se não tivesse assistido a um espectáculo de dança em Cascais no qual as suas músicas foram usadas. Só descansei quando arranjei os discos.
Não teria adorado Radiohead se a canção Paranoid Android, a primeira que ouvi da banda, não me tivesse feito reviver a mesma emoção que ainda sinto com o tema Comfortably Numb dos Pink Floyd.
E não teria decidido redescobrir o Zappa rejeitado aos 12 se, seis anos depois, diante da MTV, aborrecido com tanta trampa, me tivesse escapado o precioso momento em que um VJ caridoso (e cheio de visão) decidiu passar o excerto de um concerto de Zappa.
Subitamente encantado com aqueles arranjos doidos e o humor e excelência dos músicos, quase dei um salto do sofá: “Porra, mas quem é este Zappa, quem são estes músicos, são espectaculares, tenho de conhecer mais”.
Existem discos que rompem esta lógica das etapas e circunstâncias fortuitas, e podem ser ouvidos por qualquer pessoa, independentemente do género musical que preferem. Não posso adivinhar o que teria acontecido se para me apresentar ao jazz tivessem escolhido o disco Kind of Blue, de Miles Davis, mas posso garantir-vos que se têm mais de 12 anos e curiosidade em perceber por que razão tanta gente se deixa fascinar pelo jazz, este disco contém todas as respostas.
Quantas vezes ouviram um disco de jazz e não conseguiram identificar as qualidades que os fãs deste género de música tanto lhe atribuíam? Kind of Blue é o disco do clique. Se não gostarem, esqueçam o jazz porque dificilmente encontrarão outro disco capaz de fazer uma apresentação tão bela, melódica e espontânea.
Kind of Blue marcou o início da minha pancada pelo jazz. Foi a partir deste disco que descobri os outros – primeiro, mais obras do próprio Miles; depois, os discos a solo dos elementos da banda, principalmente John Coltrane, Bill Evans e Cannonball Adderley; finalmente, tudo o que consegui comprar ou sacar. Mas por mais que a partir daqui tenha conhecido músicos extraordinários, a minha história do jazz começa e termina com Kind of Blue. Dele parti, a ele regresso sempre.
17-08-2009 1 comentário
É oficial
Os Radiohead são tipos perversos. Jonny Greenwood anunciou no Dead Air Space que já podem fazer o download gratuito de “These Are My Twisted Words” no site ou no Mininova.
17-08-2009 2 comentários
Nova música dos Radiohead? Sim, outra.
Adoro estas coisas. Isto agora é todas as semanas…
Surgiu uma música na Internet que é certamente cantada pelo Thom Yorke pelo que, desconfia-se, deverá ser dos Radiohead. “These Are My Twisted Words” pode nem ser dos Radiohead – uma colaboração do Thom Yorke com uma banda qualquer justificaria facilmente a coisa… ainda que, neste caso, não me pareça – mas a confusão está lançada.
Acho que é deles… mas parece antiga, parece “restos”. É In Rainbows meets “Permanent Daylight” (se que não souberem do que estou a falar, investiguem). E aquele início confuso… Se foi a banda a mandar isto para a rua, são tipos muito perversos (o que é uma possibilidade).
É negra, cheia de fumo e poluição. Vejam lá se não acham o mesmo…
13-08-2009 1 comentário
Sem contrato? A alternativa Twitter

Este post faz parte da série Sem contrato? As alternativas para uma boa auto-promoção.
O website e o Facebook são vertentes muito importantes mas não são as únicas formas de divulgar o trabalho de um artista ou de uma banda. Nesse sentido, o Twitter – que já entrou no mainstream – é importante para a criação de uma relação com os fãs (e com os potenciais fãs também, já agora).
Já falei aqui algumas vezes sobre o Twitter. Foi numa altura em que já estava na moda… mas ainda não tinha chegado a toda a gente. Hoje em dia, por outro lado, já há notícias nos jornais sobre o facto do Twitter ter parado algumas horas.
Para músicos, especificamente, há diversas formas de estar. No Twitter, há os que falam de como escreveram uma canção e do seu dia-a-dia, entre outras coisas; há também os que apostam muito no networking (ainda que o rei do networking continue a ser o aborrecido MySpace); há igualmente quem promova uma grande interacção com os fãs (sobretudo artistas de algum renome), com ofertas, passatempos e outras iniciativas.
Para artistas ou bandas que estão a tentar mostrar a sua música, a aposta no Twitter deverá ser feita em sintonia com a estratégia de comunicação nas outras redes sociais e no site. É que o Twitter ainda não demonstrou ser, por si só, uma forma fantástica de gerar negócio… porque é fugaz.
Assim, há algumas coisas que me parecem fundamentais quando se está no Twitter: a presença deve ser constante (ninguém vos pede que sejam o Paulo Querido, apenas que não fiquem 4 ou 5 dias sem dar notícias) e deve ter qualidade. Partilhem conhecimento, participem em discussões, acrescentem algo.
Como vêem, nenhum destes conselhos potencia especialmente uma carreira musical. Mas a partilha de conhecimento, a discussão e tudo o resto contribuem para fortalecer a reputação. À medida que forem incorporando o Twitter na vossa estratégia de divulgação, juntamente com o Facebook e um site actualizado e fácil de utilizar, é mais fácil chegar à vossa música – e, consequentemente, mais fácil que a vossa música chegue a algum lado.
11-08-2009 Sem comentários
