Música, indústria e tendências.

Posts de — Agosto 2009

Uma ideia que quero partilhar

Há já muito tempo que procuro um site onde se possa fazer o que se faz no Collectorz.com Music Collector mas online e com funcionalidades de partilha. Há demasiado tempo, talvez.

Vejo tantos projectos por essa Internet fora e ainda não encontrei um com estas características. O mais próximo que encontrei foi o Racks and Tags… mas falha em demasiados aspectos que são fundamentais para mim – nem que seja porque não permite a introdução manual da informação.

Queria algo que me deixasse catalogar e organizar a minha colecção de música online, exibi-la, partilhar reviews com os restantes membros; algo que criasse gráficos e tabelas com base nas colecções dos utilizadores; algo que me deixe ter uma colecção de CDs, vinis e – porque não? – cassetes, não só de MP3.

Amigos, fica a ideia (não é a mais original de sempre, mas é uma ideia!) e o desafio. Se já conhecerem algo deste género… avisem-me, por favor. Se não e se acharem que podem avançar com isto, força! Se quiserem fazer isto em conjunto, o meu e-mail está à vossa disposição. Espero que se consiga fazer alguma coisa.

10-08-2009   2 comentários

Radiohead disponibilizam nova música para download

Está aí a melhor notícia do mês. Thom Yorke anunciou no blog dos Radiohead que há uma nova música disponível para download no site da banda. Chama-se “Harry Patch (In Memory Of)” e foi gravada numa abadia.

Com voz de Thom Yorke e arranjos de Jonny Greenwood, o novo tema – composto apenas por voz e instrumentos de cordas – é dedicado a Harry Patch, o último britânico veterano da 1ª Guerra Mundial, que morreu há pouco tempo com 111 anos. A letra da música é inspirada numa entrevista que Patch deu à Radio 4; Thom Yorke, um pessimista, fez o resto.

A canção é triste e pesada, que o tema não ajuda, mas também é lindíssima. O feio-bonito do costume.

“Harry Patch (In Memory Of)” pode ser comprada no site dos Radiohead por pouco mais de um euro. Todas as receitas revertem a favor da British Legion.

05-08-2009   1 comentário

Não é arte, é outra coisa

Até onde é que isto vai?

Depois de a Wired nos ter dado a saber há alguns meses num excelente artigo que as letras das Pussycat Dolls (e de outros) estão à venda, agora é a vez da Insland Def Jam disponibilizar o booklet do novo álbum da Mariah Carey a empresas interessadas (como já referi ontem, de resto, em poucas palavras).

A música de Mariah Carey e das Pussycat Dolls interessa-me muito pouco, como devem imaginar Ainda assim, vejo que há abertura a este tipo de idiotices na indústria da música e isso preocupa-me. Ninguém poderá negar que os responsáveis pelas maiores editoras do mundo têm feito um péssimo trabalho… mas isto está a chegar a um nível um tanto ou quanto ridículo.

Não tenho nada contra a chamada monetização. Se há coisas que podem ser postas a render, tudo bem. Em parte, é para isso que serve o merchandising e é exactamente por isso que existe o licenciamento para televisão, publicidade e cinema. Nada, nada contra. Mas este tipo de acções implica pegar na obra de arte e adaptá-la a quem oferecer mais. É uma subversão que, apesar de ser certamente recorrente (até ao nível das próprias pressões dos A&R das editoras), não deixa de ser interessante e… desconfortável. Não é arte, é outra coisa.

Quais serão os próximos passos? É que já só consigo imaginar os músicos a entrarem em palco vestidos à jogador de futebol com publicidade na parte da frente, nas costas, nos braços, nos calções, nas meias… Enfim.

04-08-2009   5 comentários

Mas que ideia mais estúpida

Parece que a Island Def Jam está a pensar em vender espaço publicitário nos booklets do próximo álbum de Mariah Carey.

Sim, a sério.

04-08-2009   Sem comentários

Metric em pop sustenido

Não sei se já tiveram a oportunidade de ouvir o novo álbum dos Metric mas aconselho vivamente. Foi uma banda que acompanhei sempre muito pouco – apesar de a vocalista ser a espectacular Emily Haines e de tudo o que ouvi deles me ter agradado bastante – mas acho que isso vai mudar.

Fantasies foi editado há quase quatro meses e marcou uma ligeira mudança no caminho que a banda fez até agora. Os álbuns anteriores eram bem mais agressivos e crus do que o último. Eram feitos de guitarras provocadoras e meio barulhentas e, ainda que não deixassem de ser pop, não eram esta pop.

Os Metric estão bem mais polidos. O uso intensivo do sintetizador e das guitarras (tudo na mesma equipa) dão ainda mais espaço a Emily Haines para brilhar. Canta em diferentes registos, usa umas quantas moletas e repete as mesmas coisas vezes sem conta. Ao contrário do que fez no álbum a solo – um trabalho bem mais introspectivo -, Emily Haines simplifica o trabalho de quem se dá ao trabalho de analisar letras. Este Fantasies é mais sobre música do que qualquer outra coisa.

E que músicas me conquistaram imediatamente? Fácil: “Sick Muse”, “Gimme Sympathy” e “Blindness”. A primeira é capaz de ser a mais tradicional do álbum (ainda que tenha um refrão digno de estádios), a segunda a mais pop. Quanto à última, não sei o que é… mas tem qualquer coisa. Acho que é uma mistura entre o ritmo alegre da metade final e as palavras de protesto daquilo que parece ser uma adolescente (e vão duas) revoltada. Faz sentido?

No todo, Fantasies é um álbum forte, coeso e que se ouve bem de uma ponta à outra. Não, não é coisa para ir parar ao 1001 álbuns para ouvir antes de morrer… mas é bom quanto baste para que, na prática, o tenha ouvido já várias vezes. E ainda não morri.

02-08-2009   6 comentários