Thom Yorke tem nova banda com Flea dos Red Hot Chili Peppers

Thom Yorke anunciou no blog dos Radiohead que tem estado a ensaiar com uma nova banda para dois concertos em Los Angeles marcados para o início de Outubro. Nigel Godrich (produtor dos Radiohead), Flea (baixista dos Red Hot Chili Peppers), Joey Waronker (baterista habitual colaborador de Beck) e Mauro Refosco (percussionista que já tocou com Brian Eno e Bebel Gilberto) são as outras pessoas envolvidas no projecto.

A banda ainda não tem nome mas deverá tocar o material editado por Thom Yorke em nome próprio. Ainda não se sabe se há intenções de fazer disto um projecto mais sério e avançar para a edição discográfica mas cá estaremos para ver.

Numa nota mais pessoal, apesar de me interessar por estes desvios, tenho sempre medo que tirem espaço aos Radiohead (que, como se sabe, não vão lançar um novo álbum tão cedo). Temos o baterista Phil Selway com um álbum a solo, Ed O’Brien com as aventuras no mundo do lobbying, Jonny Greenwood no cinema e Thom Yorke a solo e agora com companhia. O que me vale é que Yorke e Greenwood não parecem ter vontade de trabalhar juntos porque são, de facto, uma dupla brilhante. Mas estas notícias assustam-me.

As músicas, os lugares e as coisas que fazemos

A primeira música que me fez pensar sobre isto foi “The People That We Love” dos Bush (má referência, eu sei). Na altura, fartava-me de jogar Need For Speed e a música era o tema do jogo. Tocava e tocava enquanto eu me concentrava em fugir à polícia ou simplesmente em não bater com o carro. Bons velhos tempos.

Não conheço a explicação mas parece-me natural que associemos músicas a lugares ou actividades. A música e o lugar são independentes, claro está, mas a repetição simultânea de ambos relaciona-os algures no nosso cérebro. É quase pavloviano.

Nos últimos dois anos, tem acontecido muito. Acontece-me porque tenho tido períodos em que ando muito de transportes públicos (curiosamente não é tão comum quando ando de carro), o que torna mais fácil criar relações deste género, acho eu. De repente, lembro-me de três casos.

O primeiro caso é o de In Rainbows. Na altura do lançamento, tinha começado a trabalhar em Paço de Arcos e apanhava sempre um autocarro da Vimeca que saía do Marquês de Pombal. E apanhava o mesmo autocarro para regressar a Lisboa. Calhou que tivesse ficado sem computador pela mesma altura e fiquei preso ao álbum dos Radiohead durante mais de um mês. Era a única música que ouvia. Passado algum tempo, apercebi-me, ao ouvir o disco noutros contextos, que músicas como “Faust Arp” ou “Reckoner” me levavam de volta àquele autocarro, à passagem por Queijas, aos minutos de auto-estrada, à difícil subida do Monsanto. Ainda hoje, passados quase dois anos, mantenho (ainda que mais levemente) esta associação, apesar de ter ouvido as músicas mais umas dezenas de vezes entretanto.

Os outros dois casos, também relacionados com transportes públicos, são relativamente parecidos. Passado algum tempo de ter começado a ir de carro para o trabalho, decidi começar a ir de comboio para poupar algum dinheiro e diminuir um pouco o stress provocado pela condução (sobretudo de manhã). Deve ter sido por essa altura que descobri Dear Science, dos TV On The Radio – como sabem, o meu disco favorito de 2008. Ouvi-o vezes sem conta, por cima de um livro ou simplesmente da agradável paisagem da linha de Cascais. Aconteceu o mesmo já este ano com os Land of Talk. Em ambos os casos, juro que quase consigo sentir aquele cheiro típico dos comboios (acho que tem alguma coisa a ver com as pastilhas dos travões… mas não garanto), o embalo dos 90 quilómetros por hora constantes entre Alcântara e Algés e entre Algés e Paço de Arcos. Literalmente, fazem-me lembrar a praia de Caxias, os prédios relativamente verdes mesmo antes de chegar a Paço de Arcos ou os calhaus todos ali ao pé do Dafundo.

Tanto quanto consigo dizer, estas coisas vão perdendo força com o tempo mas não deixa de ser curioso. E não consigo detectar muitas tendências. Por exemplo, tenho ideia que não crio habitualmente relação nenhuma entre uma canção específica e o tempo que passo em casa ou no carro. Porquê? Não posso dizer que saiba.

Há algum tempo que andava para escrever sobre isto. Estou certo de que não sou só eu que padeço desta condição. Uns quantos de vós, estou certo, terão exemplos mais curiosos que os meus. Sintam-se à vontade para os partilhar.

Dark Night Of The Soul já cá canta

Confesso que duvidei um pouco da honestidade do eCampus, um site norte-americano especializado em livros escolares e técnicos, sobretudo depois de enviar dois e-mails a perguntar pelo e-mail de confirmação da encomenda e não obter qualquer resposta. Mas já cá canta.

Não avisaram mas não faz mal. O mau serviço é amplamente compensado pelo facto de ainda ter conseguido comprar uma das 5 mil cópias – a minha é a número 4244 – da edição especial de Dark Night Of The Soul. Cerca de 80 dólares (55 euros, quer-me parecer) chegaram para ter uma cópia nova quando na Amazon do Reino Unido, por exemplo, já só se consegue uma cópia por 100 libras (pelo menos da última vez que lá fui ver). Acho que me safei bem, portanto.

O CD, como sabem, não tem música. O livro de fotografias de David Lynch é esquisito, como seria de esperar. Objectos, pessoas e cenários macabros nas páginas ímpares; versos dos diferentes temas do álbum nas pares.

Agora ainda estou a pensar se vou gravar a música no CD ou não. Mas é provável.

Tenho de comprar um gira-discos

Não tenho gira-discos mas tenho discos. Vou comprando uma ou outra coisa de colecção de vez em quando. Ainda não os ataco ferozmente porque sei que ainda não é preciso. Mas mais tarde ou mais cedo vou comprar um gira-discos e a coisa vai descambar.

Entretanto, os meus novos singles do Thom Yorke vão ter de esperar uns tempos até serem tocados. Recordo que o In Rainbows também aguarda uma oportunidade desde o final de 2007. Mas já esteve mais longe.

Duas coisas sobre o Feeling Pulled Apart By Horses, que ainda não ouvi (já fiz o download que acompanha a encomenda):

1. A encomenda chegou hoje a minha casa. Hoje, que é a data de lançamento do disco. Ora aqui está uma boa experiência de compra (foi na W.A.S.T.E., a loja dos Radiohead).

2. O artwork é simplesmente fantástico.

Acabou-se o Verão

Tragam cobertores, radiadores, canecas de chocolate quente e pantufas… porque o que restava do Verão acabou.

Ainda ando de volta das vossas recomendações e falo de mais uma do Miguel Caetano. Bem, não o faço muito profundamente porque ainda não ouvi o álbum com atenção. Mas falo à mesma, cheio de esperança e de uma primeira impressão quase perfeita.

Falo de Tiny Vipers. Ou de Jesy Fortino, que é o seu nome não artístico. Depois de ter ouvido algumas músicas de Life On Earth em segundo plano há umas semanas, hoje lembrei-me de fazer uma pesquisa no YouTube e apanhei isto. Chama-se “Dreamer” e não consigo deixar de pensar que devia estar frio. Agora apetece-me o Inverno.

O iTunes LP vai ser um flop

Imagino que já tenham ouvido falar ou lido qualquer coisa sobre o novo produto lançado pela Apple: o iTunes LP, uma espécie de formato digital de álbum com extras incorporados. Uma espécie de DVD sem disco, portanto.

Ou muito me engano ou ninguém se vai meter para esses lados. Pessoalmente, não vejo quaisquer vantagens. OK, há uma série de extras… mas que podiam facilmente ser disponibilizados de outra forma. E para aqui nem interessa se estamos a falar de extras gratuitos; a questão nem chega a esse ponto.

É simples: o iTunes LP responde a uma necessidade que não existe.

Compras

Comprei as três mais recentes reedições sugadoras de dinheiro que a EMI preparou dos Radiohead. Há material que não tenho, pelo que não é só comprar por comprar.

Comprei também dois discos de Eels: a edição especial de Hombre Lobo, que vem com um documentário, e a compilação de b-sides, temas raros e coisas nunca antes editadas chamada Useless Trinkets.

Eu não sou especialmente poupado mas valeu a pena comprar estas coisas na Amazon: só nos CDs de Eels poupei entre 5 e 10 euros. Estou a comparar com a Fnac, claro.

Porque é que ouço pouca música

Ninguém perguntou mas eu respondo.

Tenho a ideia de que ouço pouca música. Melhor, ouço muitas vezes o mesmo conjunto de artistas, de álbuns de música. Não sou o mais ecléctico dos fãs nem o mais escavador dos melómanos. Por exemplo, pouco mais de um quinto da minha relativamente pequena colecção de música é constituído por coisas dos Radiohead.

Com isto quero dizer que ouço pouca coisa porque vou fundo no que ouço. Se gosto, gosto a sério e ouço as coisas vezes e vezes sem conta. Ainda me lembro quando descobri um b-side de Radiohead chamado “How I Made My Millions” (uma excelente música de Thom Yorke ao piano gravada em casa, com má qualidade, sons ambientes e uma melodia fantástica) e o ouvi 53 vezes de uma só assentada. Mais tarde, ultrapassei este recorde com relativa facilidade mas já não me recordo bem do certamente maravilhoso objecto que motivou tal maluquice. Mas ficou a ideia de que é isto que faço. Ouço álbuns vezes sem conta, apaixono-me loucamente por muito poucos. Quando não me apaixono e a coisa fica ali no meio termo, dificilmente perco tempo.

Claro que esta atitude faz com que perca pérolas e muitas vezes fique agarrado a coisas antigas. Mas não faz mal… até porque é assim que funciono e não há nada a fazer.

Mas fica a resposta. Ouço pouca música porque gosto muito da música que ouço.

Provavelmente o melhor álbum de 2009

Continuo a explorar as dicas que os generosos leitores do Ouve-se me deram num post em que me queixei da qualidade da música em 2009. Uma das dicas do Miguel Caetano foi Dark Night Of The Soul, um projecto de Danger Mouse (Gnarls Barkley, Gorillaz), Sparklehorse (a banda que é quase um alter-ego de Mark Linkous) e o cineasta David Lynch.

Este projecto tem particularidades muito interessantes. A primeira delas é uma disputa legal entre Danger Mouse e a EMI que fez com que o lançamento do álbum fosse feito com um CD-R em branco (sim, a música que constitui o álbum não foi oficialmente lançada). A segunda é o facto de ter tido uma edição limitada (tanto quanto vejo, os preços a modos que dispararam no mercado da segunda mão) a 5000 mil cópias com um livro com mais de 100 páginas de fotografias de David Lynch. A terceira (e última neste pequeno preâmbulo) é o leque de vocalistas convidados. Wayne Coyne (The Flaming Lips), Iggy Pop, Black Francis (The Pixies), James Mercer (The Shins), Julian Casablancas (The Strokes), Jason Lytle (Grandaddy) e Nina Persson (The Cardigans), entre outros, emprestam as vozes a diferentes temas.

O resultado é simplesmente brilhante. Não conhecendo especialmente bem o trabalho dos Sparklehorse (o que terá, naturalmente, de ser corrigido em breve) e não sendo um fã incondicional de Danger Mouse (apesar de achar piada a alguns dos seus projectos, claro está), este Dark Night Of The Soul aproveita a minha ignorância para me arrasar. No mínimo, é de um bom gosto inatacável. No máximo, é o álbum do ano (mas vá, ainda faltam quase quatro meses).

O que fez com que Dark Night Of The Soul me conquistasse? A resposta curta é: a primeira música. O disco abre com “Revenge”, uma música de melodia doce e letra amarga e resignada em que um Wayne Coyne de voz perturbada por máquinas e efeitos faz aquilo que consigo apenas descrever como uma espécie de home run musical capaz de deixar qualquer um preso a uma cadeira. Sim, é uma das melhores.

Fica claro logo desde início que Dark Night Of The Soul tem um espírito, um tom. Isso percebe-se em quase todas as músicas, mesmo na quase-elegante “Just War” (com voz de Gruff Rhys, dos Super Furry Animals), que parece banda sonora de qualquer coisa boa e antiga. Ou em “Little Girl”, em que Julian Casablancas quase parece cantar uma música dos Strokes.

Mas antes disso ainda passa a fantástica “Jaykub”, em que o jogo entre a melodia simpática, a letra cínica, condescendente e maldosa, a voz cuidadosa de Jason Lytle e o sintetizador constante servem simplesmente para duas coisas: gozar com a cara do pobre Jaykub e fazer-nos felizes. Desde a forma como Lytle chama Jaykub (como se o quisesse acordar gentilmente de um sono profundo) até ao ridículo pódio… Ouçam e vão perceber.

Depois entra a secção pesada do álbum. “Angel’s Harp” (com Black Francis) faz lembrar as músicas barulhentas dos Dinosaur Jr., mais do que o trabalho dos Pixies; “Pain” faz de Iggy Pop um anjo da dor eterna ou algo do género, sempre a uma velocidade motoqueira.

“Star Eyes (I Can Catch It)”, de David Lynch, é esquisita. Alguém esperava outra coisa? A voz de James Mercer aparece torta e volta a aparecer, desta vez mais direita, em “Insane Lullaby”. A seguir – e já na fase final do álbum -, ouve-se a voz de Mark Linkous e de Nina Persson em “Daddy’s Gone”. Ela já tinha colaborado num álbum de Sparklehorse em 2001 e aqui percebe-se facilmente porquê: o dueto resulta muito, muito bem.

Nina Persson é, de resto, uma das estrelas deste Dark Night Of The Soul. Logo a seguir, dá a sua frágil voz à gigante “The Man Who Played God” e a coisa resulta tão bem que dá vontade de a ouvir e ouvir vezes sem conta. Se quiserem saber, é capaz de ser, juntamente com “Jaykub” e “Revenge”, uma das minhas favoritas.

A partir daqui, saímos definitivamente das vozes cândidas e das melodias fáceis e agradáveis. Vic Chesnutt canta as duas últimas e posso dizer-vos que é coisa para meter respeito. A melodia é sensivelmente a mesma em ambas as músicas. Na primeira, Chesnutt tem voz de homem; na segunda (mais uma de David Lynch), tem voz de robot. É um final fiel ao ambiente negro do álbum.

Falei pouco deles porque se escondem atrás de vozes fantásticas. Danger Mouse e Sparklehorse têm aqui um álbum de que se podem orgulhar seriamente. Um projecto que reúne esta gente toda podia certamente dar para o torto ou tornar-se numa espécie de peça avant-garde de valor duvidoso. Mas não aconteceu. O space-indie-alt-rock dos Sparklehorse está cá todo; a sensibilidade e bom-senso (ah ah) de Danger Mouse também. Gosto, já agora, de pensar que David Lynch foi, mais do que uma clara inspiração, um actor preponderante nesta obra. A escuridão e a esquisitice são dele por direito próprio.

Enfim, Dark Night Of The Soul é um forte candidato a álbum do ano.

Broken Social Scene em entrevista

Curiosamente, há apenas uns dias encomendei This Book Is Broken, o livro que retrata os primeiros anos da carreira dos Broken Social Scene. Ainda não chegou mas entretanto a Q TV publicou uma entrevista com Stuart Berman, o autor, e Justin Peroff, baterista da banda.

A entrevista está interessante – parece que o Kevin Drew se baldou mas não faz mal – e sempre deu para dar tempo de antena a outro membro da banda que não Drew e Brendan Canning.

Pequeno disclaimer: sou suspeito mas Justin Peroff é um dos melhores bateristas que já ouvi. Não digo isto no sentido da virtude com as baquetas; não é nenhum Joe Satriani da percussão (reparem: o único exemplo de baterista que me vem à memória é o dos Tool… pelo que optei pelo careca da guitarra). Digo-o tendo em conta o contexto musical da banda. E é o que acho. Ouçam as veias salientes e a tensão em “Superconnected” ou o espectáculo dado em “It’s All Gonna Break”, por exemplo. Talvez percebam o que quero dizer. É como se ele deixasse metade do trabalho feito. É, felizmente, um dos elementos do núcleo central da banda.

Mas fiquem com a entrevista. São 24 minutos de respostas sobre a cena de Toronto, sobre assuntos pessoais e sobre a banda. Vale a pena.