Música, indústria e tendências.

Posts de — Outubro 2009

Uma das melhores canções de sempre

Adoro quando isto acontece. Ouvi o Yoshimi Battles the Pink Robots bastantes vezes e sempre gostei da parte inicial. Hoje, no entanto, acordei para a vida. “Fight Test” é, muito provavelmente, uma das melhores canções de sempre. Reparem que é possível que nem seja a melhor deles – pessoalmente, divido-me entre esta e “Waitin’ for a Superman?”, do The Soft Bulletin – mas hoje não consigo pensar de outra forma.

Sete anos depois do lançamento do álbum – e numa altura em que deveria estar a deleitar-me com Embryonic, o novo álbum – é neste pé que me encontro. A verdade é que Embryonic me desiludiu profundamente. E eu até gostei de At War With The Mystics. Mas este traça um caminho mais negro, mais difícil e, infelizmente, menos interessante. Não encontrarão para lá nenhuma “Fight Test”, isso é certo. E eu que me pus a ouvir os outros álbuns deles como mero aquecimento para o novo… Enfim, ainda bem que o fiz.

À falta de melhor (leia-se: a versão do álbum), fiquem com o vídeo… que é capaz de dar uma ajuda. Mas eu, mesmo assim, ia ouvir o álbum.


28-10-2009   Sem comentários

Panel

O Panel é um projecto norte-americano que tem como objectivo facilitar-nos a vida.

O que fazem os senhores? Recomendam música. Ou melhor, pedem a pessoas do mundo da música para recomendarem música. É recomendação humana, cheia de potencial de corrupção, falhas e contradições. Por outro lado, como não são da responsabilidade de críticos, as recomendações tendem a ser mais pessoais e interessantes. Mas isso só poderemos ver com o passar do tempo.

Cada membro do painel escolhe dois álbuns. E há um membro novo todas as semanas. Esta semana, por exemplo, as duas escolhas foram feitas por Jason Hughes, fundador de uma loja de música de Seattle chamada Sonic Boom Records e da editora Sonic Boom Recordings. Além da escolha de dois álbuns, o pacote semanal inclui também uma entrevista. Em Portugal, é difícil aproveitar o serviço ao máximo, já que a aplicação para o iPhone não está disponível na loja portuguesa… mas a isso já nos habituámos há muito. E há sempre o site deles, pronto.

O artigo que li sobre este projecto remetia para a ideia do tipo da loja de música (no estilo Alta Fidelidade) e até acho piada à referência. É um regresso ao tempo em que esse tipo era visto como uma autoridade. As coisas mudaram entretanto – pelo menos por cá.

O Panel acaba por ser uma tentativa de reequilibrar a competição entre as máquinas (Last.fm, iTunes Genius) e os humanos (eu e vocês). Cá para mim, gosto de manter várias hipóteses em aberto.

21-10-2009   2 comentários

As canções populares de Yo La Tengo

Já lá vão umas semanas desde que os Yo La Tengo puseram na rua Popular Songs, o seu mais recente álbum. A carreira da banda é coerentemente irregular. Não conheço todos os álbuns deles mas, dos que conheço, nenhum é tão estável como Painful (e já lá vão uns 16 anos). É o meu favorito, de resto.

Bem, este Popular Songs começou por não me impressionar. Para mim, agora, é fácil perceber porquê. Apesar de não serem más, as cinco primeiras músicas não agarram. E é a partir da sexta que o título do álbum começa a fazer sentido. Eles continuam a passar de temas dominados por instrumentos de sopro para outros em que é o feedback da guitarra de Ira Kaplan a tratar dos assuntos. No entanto, há ligação entre as melodias – quase todas elas pop – e a coisa soa bem.

É engraçado que a estrutura do álbum se mantenha semelhante à de tantos outros mas que aqui funcione de facto como um álbum pop (e desculpem lá a pequena dose de senso comum). “If It’s True” e “And The Glitter Is Gone” só poderiam coexistir num álbum dos Yo La Tengo. Mas não coexistem só; dão-se bem. A última, então, é um daqueles temas épicos cheios de distorção e feedback que quase faz sorrir. São 15 minutos de toma lá, a ver se gostas em modo instrumental.

Há outros momentos que posso destacar, como “More Stars Than There Are In Heaven” (mais guitarras, 9 minutos) ou “I’m On My Way”, música de fim de tarde de fim-de-semana. Mais uma vez, registe-se que estão no mesmo álbum e não deviam (vá, entre aspas).

Os Yo La Tengo continuam a fazer da música mais interessante que se vê por aí. Sim, eles espalham-se por todos os lados e os álbums parecem desconexos. Popular Songs, até certo ponto, não é excepção. Mas a riqueza dos pormenores, o talento de um dos melhores guitarristas do mundo e o bom gosto dos arranjos e (sobretudo) das melodias fazem deste Popular Songs um álbum um tanto ou inevitável em 2009 e um bom marco na carreira dos Yo La Tengo.

18-10-2009   4 comentários

Um livro, para variar

Ando a ler um livro há já algum tempo (regra geral, leio nos transportes públicos; quando não ando, não leio – o que, diga-se, é bastante triste e terá de mudar brevemente). Foi-me oferecido no Natal e chama-se Musicofilia. É de Oliver Sacks, um autor bastante conhecido no seu meio. Já tinha lido O homem que confundiu a mulher com um chapéu e adorei (já agora, existe mesmo um homem que, a determinado momento, confundiu a sua mulher com um chapéu e tentou pô-la na cabeça).

Oliver Sacks escreve de forma muito descontraída e clara, mesmo quando fala dos termos médicos mais esquisitos e ficou conhecido sobretudo pelo seu trabalho com pacientes com encefalite letárgica que descreve em Despertares.

Este Musicofilia é, como o próprio nome parece indicar, um livro especialmente focado em casos musicais. Desde alucinações musicais até à musicoterapia, passando por pessoas com ouvido absoluto (que identificam imediata e facilmente qualquer nota musical sem necessidade de comparação mesmo que – e isto varia de caso para caso – se trate do som de uma pessoa a assoar o nariz, por exemplo), este livro fala de diferentes casos neurológicos cuja relação com a música é impossível de ignorar.

Ainda não acabei (faltam-me umas 50 páginas) mas posso dizer-vos que é, definitivamente, um livro para curiosos (tal como os outros que referi, de resto). Os casos são muito interessantes per si e/ou pelo contexto dos pacientes. Os nerds da música também vão adorar, sobretudo os que gostam de pensar um pouco sobre o efeito da música nas pessoas. Admito que a frase anterior é uma auto-descrição, pelo que sintam-se à vontade para partilhar experiências.

E leiam o livro, que é giro.

11-10-2009   1 comentário

O dia mundial da música é quando um homem quiser

Mas a maior parte das pessoas diz que é hoje. Pois então ouçam muita música e tenham um bom dia.

Como estou virado para a intemporalidade, fiquem com “All My Friends” a música que deu definitivamente aos LCD Soundsystem um lugar de destaque na História.

01-10-2009   1 comentário