Sony Music Portugal celebra acordo com Manuel Moura dos Santos
Parece que o Manuel Moura dos Santos é mesmo o Simon Cowell português. Já era o júri dos Ídolos mais “carismático” (muito entre aspas, muito entre aspas!) em Portugal. Agora – e tal como Simon Cowell – celebrou um acordo com a Sony Music para que esta major edite a música feita pelos artistas da MS Management e da 100% Booking, empresas de Manuel Moura dos Santos para as áreas de management e agenciamento.
O que ganha a Sony Music Portugal com isto? Uma parte das receitas das outras duas empresas em termos de espectáculos, exploração de imagem e merchandising.
Pessoalmente, fico com a ideia de que isto vai resultar tão bem como as outras mil coisas que andam a fazer, sobretudo quando vejo os artistas já abrangidos pela parceria (nomes como Filipe Gonçalves, Shout, Sofia Gaspar e Nuno Norte com projecto Lama). As editoras – especialmente em Portugal – continuam a lançar mais da mesma música e só muito raramente agarram em projectos realmente interessantes, com uma base construída na rua e não no gabinete de um qualquer Moura dos Santos. É pena.
Eles até têm feito algumas boas escolhas em Portugal (sendo os Buraka Som Sistema a mais óbvia) mas não me parece que o caminho seja este.

5 comentários
Boas noites
Se me permite gostaria de comentar a sua pequena crónica.
Evidentemente que gostos não se discutem.
Deixe-me opinar sobre o teor que aqui “denunciou”.
Não conheço o ramo, nem tão pouco as estratégias de merchandising. Contudo, faço uma pergunta. Será que o senhor Filipe Soares conhece minimamente os projectos dos artistas que referiu?
Não me pareceu de bom tom adjectivar os ditos projectos de pouco interessantes. Presumo que deverá estar a “falar apenas por falar”. E sabe por quê?
Apontou 4 projectos de natureza completamente diferente. Alguns deles ainda estão prestes a surgir no mercado. Confunde-me que apresente uma opinião desde já formada? E, formada, na minha humilde opinão, sem quaisquer fundamentos.
Penso que talvez fosse mais construtivo tentar apoiar os artistas portugueses, incentivar a música portuguesa, ajudar na divulgação da mesma, ao invés de criticar quem muito faz e muito arrisca nesta profissão, com tanto carinho, empenho e espírito combativo nesta sociedade que só gosta do que é estrangeiro.
Pense um pouco no que acabei de escrever e verá que talvez devesse estar mais atento e respeitasse o valioso trabalho de muitos artistas portugueses que tentam prosperar pelos seus próprios meios.
Fique bem.
Com os meus melhores cumprimentos
Maria da Luz Caracol – Estremoz
Olá Maria da Luz Caracol,
Vejo que ficou incomodada com o que escrevi. Vou tentar explicar o meu ponto de vista, avisando desde já que diverge bastante do seu.
Gostos não se discutem, de facto, mas foi exactamente o que fez, colocando em causa o meu gosto partindo do preconceito sobre a música estrangeira que, por acaso, até nem está longe da verdade (embora não seja verdade – já lhe explico porquê). Pois que os artistas referidos já me passaram minimamente pelos ouvidos (muito ao de leve, como deve imaginar), com excepção do projecto Lama. É, no entanto, um projecto do Nuno Norte, vencedor da primeira edição do programa Ídolos. Filipe Gonçalves veio da Operação Triunfo. Quanto aos outros, confesso que não são mesmo do meu agrado (vale o que vale… mas é certamente um motivo).
Eis o aspecto central da minha argumentação: mesmo que tenham todos vozes excepcionais ou algo do género, não são artistas que tenham crescido na rua, nos bares, nas garagens (apesar do Nuno Norte ter andado a tocar na rua, como toda a gente sabe) – são projectos saídos do gabinete de Moura dos Santos e outros que tais. E é isso que critico na Sony: apostar nas coisas do costume e ignorar quase toda a (boa) música portuguesa que se faz em Portugal nos dias que correm. Dê uma vista de olhos em http://a-trompa.net, que poderá encontrar muitos artistas portugueses com enorme potencial (e outros bastante dispensáveis… mas é sempre assim).
Agora, há um aspecto do seu comentário que me incomoda profundamente:
“Penso que talvez fosse mais construtivo tentar apoiar os artistas portugueses, incentivar a música portuguesa, ajudar na divulgação da mesma, ao invés de criticar quem muito faz e muito arrisca nesta profissão, com tanto carinho, empenho e espírito combativo nesta sociedade que só gosta do que é estrangeiro.”
Eu gosto de música. Não me interessa se é portuguesa, inglesa ou russa. Interessa-me que me diga alguma coisa, que me toque. Esse nacionalismo aplicado à música é das coisas que mais me irrita neste país. Tenho eu de gostar de música de que não gosto só porque é portuguesa? Que me interessa a mim que eles muito façam e muito arrisquem? Se eu não gosto… que me interessa isso? Há artistas portugueses cuja música me diz muito (velhos, novos… tanto faz), há artistas portugueses que nada me dizem. Tenho de lhes dar desconto (ou, como diz, apoiar, ser mais construtivo, etc.) porque são portugueses? Não me parece.
Espero que perceba o que quero dizer. Tanto me faz a Língua. Tanto me faz que nacionalidade tem no BI. Interessa-me que a música me diga alguma coisa.
Boas noites
Começo por dizer que concordo plenamente no que diz respeito à indiferença da nacionalidade do BI da música ou de quem a transmite.
Não me senti incomodada. Senti sim algum desconforto no sentido de me parecer restringir-se a artistas que passaram pela rua, pelas garagens, etc., e, que esses sim, é que têm talento. Foi a minha interpretação. Ao que sei, afinal de contas, os artistas acabam por viver dos concertos e não dos discos.
Quantos não haverá, que sem passarem por esses estadios, podem vir a ser conhecidos e, quem sabe, a ser famosos pelo valor do seu trabalho, independentemente das tendências musicais que apresentam? Terá sido nesse sentido que tentei fazer-me entender.
Atenção que o dito nacionalismo a que se refere não se enquadra no meu ponto de vista. Se ficou irritado, não seria suposto que tivesse ficado. Os artistas/projectos referenciados são portugueses e foi em relação a esses mesmo que escrevi. Há tanto artista português que não se enquadra no meu gosto musical!
Se esses artistas/projectos saem deste ou daquele gabinete não me diz respeito. O meu intuito não foi criticar essas ditas cadeiras em frente a uma secretária possivelmente com um belo tapete ou carpete debaixo dos pés.
Sinto carinho e dou valor aos artistas que demonstram saber o que pretendem e qual o caminho que querem seguir. É preciso ter coragem. Aí, o público auto-seleccionar-se-á. Parece-me que quem se pode apelidar de artista, primeiro fará aquilo que gosta, da forma que entende e finalmente é que pensa no público.
Outro aspecto que achei engraçado foi o facto de pensar que o meu ponto de vista divergisse muito do seu ou vice-versa. No fundo, no fundo, até nem será tanto assim.
Não me vou embora sem acrescentar o seguinte. Para mim estes aspectos da discografia são-me completamente alheios. Deparo-me actualmente com uma dimensão enorme de artistas, das mais variadas tendências, com os mais variados projectos. Podemos todos fazer as nossas escolhas. Confesso-lhe ainda que apesar de já ser crescidinha, gosto e faço questão de me manter minimamente informada e até nem me considero uma pessoa com mau gosto.
Se o perturbei não foi esse o meu objectivo. Felizmente vivemos numa sociedade livre. Conheci bem a realidade até 1974.
Desejo-lhe um bom trabalho.
Olá outra vez, Maria da Luz Caracol,
Percebe que é normal que eu interprete as referências à música portuguesa da forma que interpretei, certo? Porque isolou a música portuguesa. Percebo agora, pelo seu comentário, que a isolou porque era meramente esse o caso. Pois bem. Concordemos então.
De qualquer forma, compreendo o que quer dizer. E não discordamos. Apesar de achar que é uma péssima estratégia para a Sony continuar a fazer o mesmo tipo de apostas “empresariais”, se me sair uma banda espectacular de um gabinete com o tal belo tapete, não me incomoda nada.
E concordo totalmente com isto:
“Parece-me que quem se pode apelidar de artista, primeiro fará aquilo que gosta, da forma que entende e finalmente é que pensa no público.”
Sem dúvida.
Mas vou continuar a criticar este tipo de apostas. O meu comentário sobre os artistas em questão nada mais é que uma pequena nota adicional, de resto. Por aqui, só falo “mal” de coisas que me desiludem (um álbum sobre o qual tinha expectativas elevadas, etc.) e sobre os meus ódios de estimação (quem não os tem?). Depois há estas pequenas notas marginais.
Quanto à referência “1974″… Não posso dizer que a tenha conhecido senão pelos livros mas estou em crer que discordar, irritar-me e incomodar-me são bons sinais que acarinho o que temos agora. Aliás, se puder voltar a passar por cá para (desta vez sim!) discordar profundamente de algo que eu escreva, cá estarei para discutir tudo ponto a ponto.
Mais att: os Buraka Som Sistema foram apenas (e são) distribuídos pela Sony Music – integram o catálogo da Enchufada-
Comente