Posts de — Abril 2010
Sonic Youth no Coliseu de Lisboa: haja guitarras
Os Sonic Youth tocaram ontem no Coliseu de Lisboa e provaram mais uma vez porque é que os anos passam e eles continuam a encher salas sem problemas.
Os anos passam e isso vê-se nas rugas de Kim Gordon ou na cor do cabelo de Lee Ranaldo – se bem que ele parece que já tem ali aqueles grisalhos desde sempre! Mas ficamos por aí. Porque continuam tão irreverentes e irritantemente bons como nos bons velhos tempos.
Estes bons novos tempos trouxeram a Lisboa uns Sonic Youth focados sobretudo no último álbum e ninguém parece queixar-se disso, apesar dos quase 30 anos de carreira da banda. O álbum é bom e é claro que faltaram milhões de canções clássicas, entre as quais “Teen Age Riot”, a minha favorita, mas quando uma banda nos dá um concerto deste nível, a tendência é para deixarmos estas coisas de lado.
Já os tinha visto em Paredes de Coura e tinha adorado. Vi-os ontem, novamente, como se da primeira vez se tratasse. Fiquei outra vez de boca aberta com a força daquelas guitarras, daquelas músicas. Ainda por cima, The Eternal, do qual só não tocaram dois temas um tema, consegue ter momentos ainda mais pesados do que Rather Ripped (que, tanto quanto consigo dizer, não teve direito a qualquer música no alinhamento).
Ninguém trata melhor as guitarras que os Sonic Youth. E quer-me parecer que eles devem ter feito uma daquelas coisas do “cavalinho branco até à morte” porque não consigo imaginar sequer outra banda a superá-los neste campo. E o feedback, meus amigos, o feedback!
Enfim, já perceberam que o concerto foi muito, muito bom. E os pontos mais altos foram, porque o público tem memória, as viagens ao passado: “Schizophrenia” (Sister), “’Cross the Breeze” (Daydream Nation) e “Death Valley’69” (Bad Moon Rising), que encerrou o concerto da segunda melhor forma possível (já falei da “Teen Age Riot”, certo?).
Concerto gigante. Concerto do ano, provavelmente. Mais guitarras!
23-04-2010 2 comentários
Broken Social Scene lançam EP: Lo-Fi For The Dividing Nights
Esta manhã o despertador tocou como habitualmente mas o que me acordou foi este mail enviado pelos Broken Social Scene ao clube de fãs:
I know that some bands write their songs, rehearse them and then record them. Not Broken Social Scene. In recording Forgiveness Rock Record we did it our usual way: swimming in chaos and making it up as we go along. We started by loosely sketching out 30 songs in my garage, driving to Chicago, recording 20 of those, and then writing 20 more. The point was to never stop working. Whenever we got exhausted or overwhelmed we would take a breath, pick up our instruments and jam purely ‘for spirit purposes’. It was musical-therapy of sorts. Part of what kept the ideas flowing was Soma’s smaller, second studio where we could test out new ideas and experiment with overdubs. While John worked in the main room, this B-Room quickly became our musical kitchen where we cooked up soups of sound without the pressures time and money.
One evening, as a kind of exercise in spontaneity, Kevin, Brendan and I each took turns writing and recording minute-long “songs” with minimal overdubs just to see what would happen. We kept saying to John “we’re making you an EP!” It was a sort of first-thought-best-thought approach to music making. Within a few hours we had six lovely little soundscapes, one of which ended up being the closing song on Forgiveness Rock Record, ‘Me & My Hand’, and the rest became the beginnings of Lo-Fi For The Dividing Nights.
As we continued to work on Forgiveness the B-room became more and more important as both a musical and social outlet – there are a lot of us in Broken Social Scene and it’s hard for us to sit on our hands – so naturally Ohad, Sam and Sebastian each recorded a song in the same spontaneous way. ‘Song For Dee’, the only traditional “song” on Lo-Fi For The Dividing Nights, Brendan, Kevin and I recorded when we found out that our good friend Wayne’s dog died and we wanted to cheer him up.
All of the songs on Lo-Fi For The Dividing Nights were recorded in Soma’s B-Room while Forgiveness Rock Record was being made. What these songs have in common is that they were all written in a spirit of playfulness and fearlessness where we could throw our discrimination to the wind and let the judges and critics take the night off. This tiny B-Room sanctuary fomented a very positive frame of mind, ultimately leading to one of the most enjoyable album-making experiences we’ve ever had. We hope you enjoy listening to these songs as much as we enjoyed recording them.
- Charles Spearin
Boas notícias, hã? Os que fizerem a pré-encomenda de Forgiveness Rock Record terão direito a receber o EP (ainda não percebi se é em formato digital ou se vem com a encomenda propriamente dita) a partir de dia 3 de Maio. Grátis, claro. Excelente manobra de marketing e boa forma de recompensar os fãs mais devotos.
20-04-2010 4 comentários
O meu rescaldo do Record Store Day
Foi uma tarde bem passada, a de ontem. Parece-me que o Record Store Day atraiu uma mão cheia de pessoas às lojas de discos indepedentes de Lisboa – a Flur, por exemplo, estava cheia e com muitas pessoas à porta.
Foi exactamente pela Flur que comecei a minha tarde de caça aos discos e saí de lá com Sometimes I Wish We Were An Eagle do Bill Callahan – um dos meus álbuns favoritos de 2009. O ambiente estava bastante bom e ainda apanhei o início da actuação de Magina, que a fila para pagar era longa e demorada.
Depois disto, a Carbono parecia suficientemente perto e foi lá que a coisa correu mesmo bem ao viciado que há em mim. Com packs de discos surpresa e t-shirts, DVDs e sacos de pano grátis, a Carbono não tinha grandes acções de interesse à partida. Dei uma volta no pop/rock e nos singles e só agarrei mesmo numa promo doSouljacker Part 1 de Eels (também havia uma promo do último álbum dos Phoenix a €2.50, o que me parece um óptimo preço). Voltei ao pop/rock e decidi olhar um pouco para cima, para as caixas e edições especiais que costumam lá ter… e não vi nada. Mas alguém viu por mim a edição especial (livro!) do Kid A dos Radiohead! Agarrei-me a ela e trouxe-a por 15 euros (usada mas em bom estado).
O dia já estava ganho mas ainda fui à Louie Louie – sem grandes expectativas porque, por um lado, o dia estava ganho e, por outro, a especialidade deles é vinil (vamos preocupar-nos com isto mais tarde). Mas ainda deu para comprar uma edição japonesa recente do OK Computer – finalmente poderei cantar “Karma Police” em Japonês! – e uma edição que ainda não tinha do single Pyramid Song.
E foi isto. O Record Store Day deixou-me substancialmente mais pobre mas valeu bem a pena. Para o ano há mais… mas parece-me razoável dizer que o Record Store Day é quando um homem quiser, não?
18-04-2010 Comentários Desligados
Record Store Day 2010

Preparo-me para sair de casa para dar um salto às lojas de música lisboetas que aderiram este ano ao Record Store Day.
Para quem não sabe, o Record Store Day é uma iniciativa anual que teve início em 2007 nos Estados Unidos com um grande objectivo: celebrar a música. DJ sets, concertos e descontos no preço dos discos são algumas das acções habituais das lojas de música independentes neste dia. São também vários os artistas que se juntam a esta celebração: este ano, destacam-se os Blur, que lançam hoje uma edição limitada a 1000 exemplares em vinil (só à venda em lojas indepedentes do Reino Unido) de um single novo… sete anos depois do último.
Em Portugal, que eu saiba, há cinco lojas a participar na iniciativa: Jo-Jo’s (Porto), Trem Azul (Lisboa), Carbono (Lisboa), Flur (Lisboa) e Louie Louie (Braga, Porto e Lisboa). A Flur e a Jo-Jo’s têm os programas mais interessantes mas todas as lojas têm iniciativas especiais neste dia.
Aproveitem o dia semi-nublado (ei, ontem estava a chover!) e vão até uma destas lojas comprar pelo menos um disco.
17-04-2010 2 comentários
Myway continua a acrescentar músicas ao catálogo
O Myway continua a engordar o catálogo. Depois do acordo com a The Orchard, o concorrente do Cotonete passa a dispor agora também do catálogo da Sony Music Entertainment. Contas feitas, parece que o Myway já tem à volta de 5 milhões de música.
Continua a ter um site fraquíssimo – ainda em beta, mas sobre isso podem ler o que escrevi na minha apreciação inicial – e ainda não há novidades sobre o serviço de subscrição ao estilo do Spotify mas estão a engordar que se fartam.
Não sei o que pensar. Por um lado, parece-me que estão, desde o início, a fazer tudo ao contrário – aposta exagerada em comunicar com os media e falta de investimento na qualidade da plataforma e na relação com os utilizadores. Por outro, até consigo perceber que queiram ter uma boa base em termos de catálogo e depois fazer os ajustes necessários. Mas continuo, independentemente disto tudo, sem perceber porque é que não pensaram em aproveitar as fragilidades do Spotify em vez das do Cotonete (presa fácil). Bastava lançar o site internacionalmente e não só em Portugal. Mas já me fartei de dizer isto. E assim vão perdendo créditos.
Fica apenas a ideia: para o Myway resultar, não basta ter 749 milhões de músicas; é preciso muito mais.
16-04-2010 2 comentários
Os artistas são animais de circo
Hoje dei por mim a pensar que, se uma banda ou um artista só fazem boa música quando estão mal, prefiro que não resolvam os seus problemas e continuem a entreter-me.
Todos sentimos isto de vez em quando: há aquelas bandas todas que fizeram álbuns espectaculares no meio de discussões, depressões e sabe-se lá mais o quê, há aqueles tipos que vivem fechados em casa com medo do mundo ou algo do género e há ainda os que transformam o sofrimento em canções brilhantes. Queremos que continuem a dar-nos o melhor, indepedentemente das condições em que o fazem. Na maior parte dos casos, não pensamos nestas condições. Numa mão cheia de vezes, no entanto, pensamos… e mantemos a nossa opinião sem pensar muito no assunto.
Faz parte da vida pública, acho. Ou então sou só eu a sacudir a água do capote. Porque muitas vezes não quero saber. Tudo vale a pena quando o resultado final é a melhor música do mundo. Não me interessa que para isso tenham de andar à porrada todos os dias durante umas semanas em estúdio.
Existe aquela noção de que a melhor arte é exactamente a que advém do sofrimento… mas é bem possível que não, que eu não sei de certeza. Nós, os ouvintes-consumidores-fãs, limitamo-nos a exigir. Entretém-me, animal!
No fundo, o que quero dizer é que não sei se me sinto bem com este meu (nosso!) lado insensível. Até porque, ceteris paribus, gosto que as pessoas sejam felizes.
Só não me mexam na música, pá.
14-04-2010 1 comentário
God, that was strange
Não tenho ouvido outra coisa nos últimos dias e, até ver, não me apetece mudar.
Os Stars são das bandas mais overlooked que conheço. Fazem boa indie pop, daquela singela e macia, mas vivem na sombra dos Broken Social Scene (Amy Millan e Torquil Campbell fazem parte da banda).
A primeira vez que ouvi falar sobre “Your Ex-Lover Is Dead” foi em 2006, quando os Broken Social Scene rebentaram nos meus ouvidos. Em “All My Friends”, um tema acústico presente no EP To Be You And Me, Kevin Drew diz a determinada altura “And all the songs you wrote instead / Your ex-lover is not dead” – uma clara menção à música dos Stars. Ficou a referência. Curiosamente, nunca prestei muita atenção a Set Yourself On Fire – o álbum – nem à música propriamente dita, até há uns meses.
No momento em que escrevo, “Your Ex-Lover Is Dead”, dos Stars, é quase perfeita. E eu estou viciado.
12-04-2010 Sem comentários
