Posts de — Julho 2010
Há dias assim
O Super Bock Super Rock no Meco tem problemas. É poeirento, tem maus acessos e problemas graves de estacionamento. Mas tem boa música.
Se calhar, começo pelo princípio. Palma’s Gang é o nome do supergrupo que junta Jorge Palma, Zé Pedro, Kalu, Flak e Alex. Não é habitual gostar de projectos portugueses deste género. Tenho sempre a impressão que eles se juntam mais pela diversão do que propriamente pela música. Ainda assim, gostei. As músicas e sobretudo as palavras de Jorge Palma soam quase sempre demasiado bem. Houve sequências com alguma monotonia mas o balanço final é positivo. Foi uma boa hora para o rock português.
Vi um bocadinho de The Morning Benders e, pronto, foi um bocadinho a dar para o aborrecido. Prometeram-me os Beach Boys. Saíram-me os Interpol.
Voltei ao palco principal para ver Stereophonics e, apesar do rock convencional semi-gritado, semi-barulhento, até lhes achei semi-piada. Não achei piada nenhuma foi ao facto de perder o concerto dos Spoon. Já os tinha visto em Paredes de Coura há uns anos mas queria revê-los para confirmar suspeitas. Não consegui. Mas ao menos jantei.
E depois vieram os The National. Foi por eles que lá fui. Prefiro mil vezes vê-los noutro tipo de ambiente mas, à falta de melhor, o Super Bock Super Rock tinha de servir. E serviu. O concerto durou pouco mais de uma hora. Eu queria que tivesse durado umas três… mas compreendo que fosse complicado. Dito isto, não sei se consigo descrever muito bem o que se passou. Houve ali más escolhas – “Anyone’s Ghost” e “Squalor Victoria” não são canções especialmente brilhantes ao vivo – mas, no geral, foi um óptimo alinhamento. Gostei de ouvir a “Secret Meeting” lá para o meio, por exemplo. Nem sequer é das minhas músicas favoritas deles mas soou bem. Aliás, soa sempre. De resto, até High Violet já produz grandes momentos ao vivo. Ou o que é que aconteceu em “Afraid of Everyone”? Além de tudo isto, o concerto terminou em grande. E quando digo “terminou”, refiro-me naturalmente às últimas – err – sete músicas. “Apartment Story”, “Abel”, “England”, “Fake Empire”, “Mr. November”, “Terrible Love” e a sempre desiludida, sempre triste “About Today” a fechar. A sério, que final.
Depois acabou tudo. Ainda fui ao palco secundário procurar “Ocean”, de John Butler Trio, e encontrei-a, felizmente. De seguida corri para o Prince, que andava a dar-lhe no funk como gente grande. Soltou-se o animal de palco e o brilhante guitarrista. Tivemos direito a Ana Moura, também, o que é sempre um ponto a favor de qualquer concerto. Pontos contra? Acabou por ser monótono, a espaços, e o segundo encore foi totalmente desnecessário. Se ele tivesse terminado com “Purple Rain” ninguém se queixava.
Por falar em queixas, volto ao tema de abertura: pó, acessos e estacionamento. Então não é que estive mais de uma hora só para sair do parque de estacionamento? Giro, não é? Se fossem uns miúdos a organizar, ainda percebia. Mas a Música no Coração já tem uns anos de experiência a organizar grandes festivais…
19-07-2010 6 comentários
Alive: LCD Soundsystem, Pearl Jam e os outros
Comprei bilhete para o Alive por causa dos LCD Soundsystem. No Super Bock Super Rock, há coisa de três anos, deram um dos melhores concertos a que já assisti. Tinha de repetir, sobretudo tendo em conta a indefinição que rodeia o futuro dos LCD Soundsystem.
Além disto, havia Pearl Jam, que nunca tinha visto ao vivo, Gomez, que é sempre bom rever, e mais algumas coisas curiosas nos outros palcos.
Posso dizer-vos muito pouco sobre os concertos dos palcos secundários, já que os dois projectos que queria ver, Miike Snow e The Big Pink, não me impressionaram especialmente. Giritos e tal… mas nada do outro mundo.
Antes disso já tinha visto os Gomez. Eles têm um espectáculo bastante competente e música mais que suficiente na bagagem para um set de qualidade… mas a dinâmica deles é estranha. Gostava de os ver numa sala, eventualmente, porque é o segundo festival onde os vejo… e onde eles não deslumbram. Mas lá está, foi bom revê-los.
Decidi trocar os Dropkick Murphys por uma refeição e não estou arrependido… portanto, passo estes à frente. Já os Gogol Bordello… pronto, foi a terceira vez que os vi e confirmo que é rigorosamente sempre a mesma coisa. Percebo que os convites para festivais continuem a chover… mas pronto, à terceira vez uma pessoa já não liga muito ao punk cigano deles.
Depois disto, restavam duas bandas – não estava numa de abandonar o palco principal para ver outras coisas, mesmo tendo alguma curiosidade. Com excepção de “Man of the Hour” – que surge nos créditos finais de Big Fish, filme de Tim Burton -, há uns bons dois anos que não ouvia Pearl Jam por vontade própria. Não sei se há um motivo especial. Eu gosto de Pearl Jam… mas não me apetecia, pronto.
Resumindo, que não me sinto particularmente inspirado hoje, o concerto dos Pearl Jam foi muito bom. Para os fãs, tenho a certeza de que foi extraordinário. Passaram pelos grandes êxitos e pelas melhores músicas, foram simpáticos e divertidos e convenceram as pessoas de que adoram Portugal. “Better man”, “Just Breathe”, “Daughter”, “Alive”, “Black”, “Even Flow”, “Once” e, claro, “Yellow Ledbetter” justificaram o mar de gente que se deslocou ao Passeio Marítimo de Algés para ver os Pearl Jam. Pessoalmente, tenho um soft spot pela “Black” e pela “Better Man”, portanto, nada a apontar.
Acabou o concerto dos Pearl Jam, começou a espera pelo concerto dos LCD Soundsystem. Sentado, para descansar um bocado. Mas a coisa lá seguiu o rumo normal e meia hora depois lá entrava James Murphy vestido de branco ao som de “Us vs. Them”. Confirma-se: os LCD Soundsystem ao vivo são das melhores coisas que há. O set foi muito curto e soube a pouco, posso dizer-vos isto, mas com “Daft Punk is Playing at My House”, a adoravelmente repetitiva “Yeah” ou a energética “Movement”, não há quem resista. Sim, poderíamos ter ficado ali todos durante duas horas… mas acabámos por ter um concentrado de grandes músicas, faltando umas quantas, como “New York, I Love You But You’re Bringing Me Down”. E claro, não podia faltar o invariável e altamente suspeito ponto alto da noite: “All My Friends”. É certamente uma das minhas músicas favoritas de sempre. E sim, é bem provável que seja a última vez que a ouço ao vivo. Mas espero que não.
Foi um bom dia de música. É engraçado que o Alive se possa dar ao luxo de falhar em inúmeros aspectos da organização (parece que as casas-de-banho estavam um mimo). Quando se tem um cartaz do tamanho do mundo, a arrogância é posta em perspectiva. Por isso é que digo que foi um bom dia de música. Se para o ano tiverem um cartaz tão interessante como este, lá estarei. Sou é capaz de fazer chichi em casa.
12-07-2010 6 comentários
O vício dos doces
A letra gira toda em torno de uma mera frase ou ideia, o que a torna relativamente vazia durante a maior parte do tempo. A música é simples e soa a coisa comum. Ainda assim, não conseguia deixar de ouvir “Harmony to my heartbeat”, de Sally Seltmann, nem que ameaçassem aumentar a temperatura mais 10 graus.
06-07-2010 2 comentários
