Música, indústria e tendências.

Categoria — Indústria discográfica

Contra a lei da cópia privada

O projecto de lei apresentado pelo Partido Socialista para a cópia privada esta semana na Assembleia da República é confrangedor e embaraçoso. E é apenas um dos muitos exemplos de que, em Portugal, se legisla como a Alexandra Solnado diz que escreve livros: com as ideias de outros. No caso da Alexandra Solnado, parece que é deus; no caso da legislação, quer parecer-me que são os grupos de interesse.

Uma coisa é o Estado criar impostos transversais que contribuem para o financiamento da Educação, da Justiça, da Saúde e mesmo da Cultura. Outra coisa, é decidir cobrar 2 cêntimos por cada gigabyte nos discos rígidos para dar à Sociedade Portuguesa de Autores e afins porque parece que os discos rígidos são muito usados para a tal da cópia privada. Mas que sentido é que isto faz?

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06-01-2012   Sem comentários

O inimigo único

Já passou muito tempo desde o Super Bock Super Rock. Pelo menos, tendo em conta a forma como lidamos com o tempo na Internet. Duas semanas e meia é muito tempo na Internet.

Parte da minha indisponibilidade para escrever sobre isto tem a ver com trabalho. A outra parte é culpa do Luís Montez. E sim, estou a aproveitar-me de uma das clássicas regras de comunicação política – o inimigo único – mas não me interessa. A culpa é do Luís Montez.

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03-08-2011   5 comentários

Music on Facebook

O Facebook relançou a sua página dedicada à música, que agora se chama Music on Facebook. Esta aposta surge numa altura em que a empresa é alvo de algumas críticas por parte da indústria, em termos genéricos, por não quererem saber da música para nada.

Em termos mais específicos, o Facebook tem sido acusado de estar pouco receptivo a trabalhar com empresas do sector. O CEO da RootMusic, empresa criadora da aplicação de música mais popular do Facebook, deu a entender que o Facebook não ouve as propostas e que não está disposto a trabalhar com os artistas.

A tendência da indústria da música (e isto aplica-se, aparentemente, às majors e às startups) para sacudir a água do capote e tentar pôr os outros a fazer o seu trabalho às vezes é enervante. O Facebook, com todos os seus defeitos, é uma plataforma que tem agradado às pessoas pelo que permite mas também pelo que dificulta (os contactos não solicitados de empresas são um dos melhores exemplos): há quem aceite trabalhar com isso… e há quem se queixe.

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09-05-2011   Sem comentários

O preço dos downloads

Num esforço para roubar quota de mercado ao iTunes, a Amazon baixou o preço de uma parte significativa dos singles do seu top 100 para mais ou menos 47 cêntimos – metade do preço praticado pela loja da Apple. A Amazon está a suportar os custos desta redução sozinha, já que continua a pagar o mesmo às editoras. O objectivo é mesmo atrair clientela.

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04-05-2011   Sem comentários

Um maravilhoso mundo novo para a música

Este artigo foi publicado originalmente no blog do Upload Lisboa.

Já todos sabemos o que aconteceu à indústria da música nos últimos 15 anos. A web deu-nos acesso a mais música, deu-nos a conhecer artistas que nunca chegariam aos nossos ouvidos de outra forma… mas também trouxe muitas dores de cabeça às editoras, sobretudo graças ao advento do P2P, já que, na altura, a indústria não estava especialmente atenta à Internet ou interessada em inovar.

Actualmente, são muito poucos os que ainda compram discos e a música é uma indústria em grande, grande mutação. A venda de música gravada cai a pique mas, ao mesmo tempo, ergue-se com grande genica a indústria dos concertos.

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27-01-2011   Sem comentários

Record Store Day 2011 já tem data marcada

Fiquei a saber há pouco através do Sound + Vision que já há data para o Record Store Day deste ano. A iniciativa realiza-se a 16 de Abril e promete ser mais um sucesso para as lojas portuguesas de discos.

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14-01-2011   Sem comentários

RTP Música

A RTP vai lançar um canal de música. O novo projecto da estação pública tem lançamento previsto para Março e, segundo Jaime Fernandes, director do canal, é “sobre os músicos portuguesas e de música portuguesa”.

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12-01-2011   2 comentários

Eu não me importo de pagar por música

A ideia de que as pessoas já não estão dispostas a pagar por música gravada está confortavelmente instalada no ethos. E isto vê-se nas quebras nas vendas e na crise por que passam algumas editoras discográficas (EMI anyone?).

Em Portugal, vê-se claramente no número de discos vendidos. Não sei como se comportam artistas como Tony Carreira em termos de vendas… mas sei que aquelas bandas pop internacionais que antes vendiam largas dezenas de milhares de discos por cá já não vendem assim tanto. Enfim, é o que temos. Foram anos e anos de discos com dois singles apelativos e oito músicas para encher, foram anos e anos (e continuam a ser, de certa forma) de desrespeito pelos fãs. Claro que agora se queixam do P2P e da pirataria mas a verdade é que não ignoraram por completo a explosão da Internet (vá, no sentido figurado) no final dos anos 90. Perderam o barco. Adeus.

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15-12-2010   6 comentários

OFFBEATZ no Musicbox

Confesso que só muito superficialmente tinha ouvido falar do OFFBEATZ até há pouco tempo. Entretanto, a Sílvia começou a trabalhar no projecto e eu fiquei a conhecê-lo um bocadinho melhor. Este parágrafo tem, portanto, uma utilidade dupla: é contexto e é disclaimer.

Então o que é o OFFBEATZ? A organização chama-lhe “um movimento urbano e criativo de apoio, divulgação e discussão de tudo o que de mais excitante e inovador se faz no panorama musical”. Eu duvido da parte final da descrição mas dou-lhes o benefício da dúvida. De qualquer forma, na prática e a partir de amanhã, o OFFBEATZ tem sessões semanais (todas as quartas-feiras, portanto) no Musicbox e um programa de televisão na SIC Radical. O enfoque disto tudo? Bandas e videoclips.

Gosto da ideia de darem um palco a novos talentos da música nacional e espero que façam um real trabalho de curadoria que nos traga boa música nova. No entanto, é possível que o facto de terem um programa de televisão lhes coloque alguma pressão (de editoras?) em cima… mas, pronto, estou a entrar valentemente num mundo de especulação.

Para já, interessa isto: amanhã há OFFBEATZ no Musicbox.

Adenda: As bandas que vão tocar são os Macacos do Chinês e os Pinto Ferreira. Serão exibidos ainda videoclips de Noiserv e Linda Martini.

19-10-2010   3 comentários

A Apple apresentou o Ping e eu acho que não quero saber

Pronto, agora é o Ping. Depois do relativo insucesso do Genius, uma ferramenta relativamente interessante que a Apple decidiu introduzir no iTunes há algum tempo, a Apple vira as agulhas para a vertente social da música. O objectivo? Vender mais música, claro está. E lançar as bases para os outros tipos de produtos (aplicações, filmes, séries, livros), fomentando igualmente as vendas.

Não tenho nada contra o desejo da Apple de ganhar mais dinheiro com a venda de música, vídeo, aplicações e livros online mas… para que raio serve o Ping?

Segundo a Apple, serve para seguirmos os nossos artistas favoritos e os nossos amigos para descobrir de que música estão a falar, o que estão a ouvir e (sobretudo, digo eu) o que estão a comprar no iTunes. Boring.

Agrada-me muito a integração de diversas funcionalidades num só programa. O Genius, por exemplo, apesar de não ser a minha principal ferramenta de descoberta de música, às vezes é útil e engraçado. Não é, no entanto, nenhum Last.fm. E o Ping também não.

A minha abordagem ao lançamento de novos produtos e serviços é muito simples: só preciso que as empresas acrescentem alguma coisa. Eu sei que nem tudo pode ser a penicilina mas porque é que continuam a perder tempo com este tipo de coisas? O Ping é uma funcionalidade gratuita e não acrescenta nada. Se não acrescenta nada, não vale a pena perder tempo.

A Apple quer o mesmo de sempre: dar tudo às pessoas a partir do iTunes para que elas não precisem de ir a outros sítios. Mas se isso foi apelativo na ligação entre o iTunes (a loja e o media player) e o iPod, agora não é. E não é porque não acrescenta absolutamente nada, não é especialmente conveniente… e conseguimos encontrar bem melhor noutros sítios. O Last.fm, o Facebook e o Twitter são apenas os casos óbvios. Ainda por cima, o Facebook é agora, a propósito do argumento da conveniência de ter tudo no mesmo programa, um concorrente de peso.

Como se isto não bastasse, a Apple está em modo control freak relativamente à inscrição de artistas no Ping, como fazem com as aplicações para iPhone e assim. Vamos ver se conseguem ir a algum lado com isto.

11-09-2010   Sem comentários