Categoria — Indústria discográfica
O peso da Fnac na distribuição
As lojas de música portuguesas são conservadoras. A Fnac (que é, na prática, a única loja de música digna desse nome) prefere manter margens de lucro mais elevadas e vender pouco do que ganhar menos por unidade e mais no total. Porquê? Certamente, pelo medo de não vender tanto assim. E também porque pode. Mas esta arrogância não lhe fica bem.
Neste momento, no entanto, e sobretudo com a Libra quase equivalente ao Euro, não consigo deixar de pensar que a Amazon.co.uk é cada vez mais a melhor solução para os que ainda gostam de comprar CDs. Claro que isto pouco importa à Fnac, já que o negócio deste retalhista não é a música (nem os livros ou o cinema): é a electrónica de consumo e a informática, que é o que lhes dá dinheiro. O resto é posicionamento. Tem alguma importância mas, quando chega a altura de contar os trocos… não é por aí.
Mas pronto, isto demonstra bem a situação actual do negócio tradicional da música gravada. Em Portugal, ninguém procura inovar nesta área, parece estar tudo à espera de uma salvação vinda, talvez, do estrangeiro. O iTunes tem contribuído com alguma coisa para as pobres das editoras… mas não é definitivamente o futuro. Pelo menos não nos moldes actuais.
Entretanto, mantemo-nos nas campanhas de mid-pricing e nas vantajosas (para todos menos para mim, o consumidor) sinergias entre estações de TV, produtoras de conteúdos, editoras, promotoras e mais uns quantos players. OK, lá vamos tendo um ou outro bom exemplo de como fazer as coisas… mas, mesmo para um mercado tão estagnado como o nosso, não chega.
Uma coisa é certa: a Fnac pesa que se farta na distribuição de música. E estes monopsónios não trazem nada de bom, até porque não existe competição entre as editoras e, no final, é sempre a Fnac que decide os preços a praticar (com um ou outro limite, claro).
05-01-2009 Sem comentários
O Remixtures agora é um negócio
O Remixtures vai abrir uma loja. Talvez não seja bem assim, pronto, mas é parecido:
Em termos concretos, a proposta freemium do Remixtures passa por disponibilizar uma série de serviços personalizados e complementares a uma vasta gama de entidades potencialmente interessadas como jornais, revistas, publicações online, escolas de formação profissional, bandas e músicos independentes, editoras discográficas, promotoras de concertos, universidades, associações industriais e profissionais, etc.
Portugal faz-me temer por esta iniciativa. Esta gente continua a preferir gastar dinheiro em publicidade e em coisas do género em vez de planear de facto os projectos. Preferem o habitual ao novo. Preferem perder dinheiro em vez de o investir de facto. Nem se trata de arriscar… porque, se estiverem minimamente atentos, sabem que não há o mais pequeno risco em consultar o Miguel Caetano a proposto destas coisas da música e dos seus novos modelos de negócio: se há alguém que pode dizer que sabe do que fala nesta área, é ele.
Portanto, pros, não sejam parvos. Dêem uma vista de olhos no post dele e nos serviços disponíveis, vá.
04-01-2009 2 comentários
Esta história da Warner Music tem que se lhe diga
Afinal, parece que as coisas não são bem o que pareciam ser. Diz o Techdirt que foi a Google que começou a retirar os vídeos do Warner Music Group do YouTube depois de estes terem pedido mais dinheiro. A Google marcou uma posição. O WMG pouco pode fazer, sinceramente. Mas vamos ver.
23-12-2008 Sem comentários
Vídeos no YouTube: Warner diz não, Universal diz sim
O Warner Music Group retirou todas as suas músicas do YouTube. Eles andavam em negociações e parece que não se entenderam. O WMG queria - espante-se - ganhar mais dinheiro com o maravilhoso mundo do vídeo online.
Como não chegaram a nada que agradasse às duas partes, ficámos nós sem vídeos de músicas editadas pela Warner Music e detidas pela Warner/Chappell Music. Isto quer dizer, supostamente, que vamos ficar sem poder recorrer a uns quantos vídeos da Madonna e dos Smiths… bem como ao inegavelmente famoso “Parabéns a você”.
Imaginem que acontece o mesmo com as restantes majors. Ficamos praticamente sem vídeos da maior parte dos artistas mais conhecidos. Na prática, voltar-se-á à semi-legalidade dos primeiros tempos do YouTube, claro, mas ainda assim, não deixará de ser um passo atrás.
Felizmente, a coisa até não está a correr mal para todos (provavelmente, também não estará a correr mal para o Warner Music Group, eles é que são garganeiros): a Universal Music garante estar a receber dezenas de milhões de dólares com esta brincadeira. Rio Caraeff, vice-presidente executivo da Universal, diz que isto do YouTube não é só promocional, como acontece com a rádio, mas um negócio por si próprio. Daqueles em que nada se paga ao artista, provavelmente.
As grandes editoras abandonaram definitivamente a promoção. Qualquer dia, os jornais têm de pagar as entrevistas que fazem e as rádios recebem facturas no final do mês pelos discos que recebem. Mas pronto, monetizem à vontade.
23-12-2008 4 comentários
Novos modelos de negócio, não velhos
Vai uma excelente discussão ali para os lados da caixa de comentários do Tecnopolis, blog do Público assinado pelo João Pedro Pereira.
O artigo desanca muito cordialmente no MAPiNET e nas suas iniciativas. E recorda uma coisa com a qual concordo totalmente:
O importante é perceber que muitos consumidores já não estão dispostos a pagar por tudo o que consomem - mas continuam dispostos a pagar alguma coisa, o que dá oportunidade a novos modelos de negócio.
Estou perfeitamente convencido de que a luta contra este fenómeno está condenada ao fracasso. Atentem e participem na discussão, que está muito interessante.
14-12-2008 Sem comentários
As pequenas editoras portuguesas podiam fazer bem melhor
As editoras independentes portuguesas fazem pouco marketing. A maioria, quando investe tempo e dinheiro, segue os passos das majors: fazem uns cartazes, põem uns dois ou três anúncios em meios especializados, promovem os artistas junto dos seus contactos na imprensa e pouco mais.
Quando não investem, as editoras limitam-se a enviar discos promocionais aos jornalistas, a enviar comunicados de imprensa e a tentar arranjar entrevistas. Parece razoável, dado que os custos envolvidos neste tipo de promoção são aplicados de forma muito eficaz. Mas há outras formas de optimizar a comunicação com o público-alvo que não pressupõem grandes investimentos. Não é preciso pensar muito para chegar à conclusão de que um site porreiro é uma óptima base.
As subsidiárias portuguesas das majors têm sites manhosos (quando têm site) mas são empresas que gastam muito dinheiro noutras coisas, coitadas. Pois bem, para as editoras mais pequenas, fazer um site simples é barato; fazer um site complexo é uma idiotice (mas acontece muito). Hoje em dia, as pessoas querem simplicidade e usabilidade. Paguem o domínio, o servidor e, se for preciso, paguem 50 euros por um tema para o Wordpress (ou encontrem um bom gratuito) e transformem uma plataforma de blogging numa espécie de portal. Um dos temas Revolution será certamente uma boa opção.
Depois é uma questão de alimentar o site com notícias, biografias, vídeos, músicas e outros conteúdos. A questão da alimentação também costuma ser um problema e não permite que as pessoas se aproximem da esfera da editora; sem actualização, não há interesse em manter um site.
Isto parece - e é, estou certo - elementar. Mas a qualidade dos sites de editoras que encontro por aí é francamente má, pelo menos na generalidade. Vejamos alguns exemplos frustrantes de editoras cheias de boa música:
- a Bor Land tem um site muito etéreo… que me ocupa 2/5 do ecrã com coisas muito vagas sobre três dos seus projectos - falta ali informação e, vá, dinamismo;
- a Rastilho fez um facelift ao site, mantendo o ar atabalhoado que a versão anterior já apresentava - conteúdo não lhes falta… mas acho que ainda precisam de trabalhar melhor na organização do mesmo;
- a Popstock, que, tanto quanto sei, não é uma editora mas uma distribuidora, mantém simplesmente um silêncio total desde 2006 - acho que não é preciso dizer muito mais.
Estão tão perto de passar a outro nível, ainda que seja simplesmente no que diz respeito a percepções. Mas não passam dali, mesmo que uma ou outra vá demonstrando muita vontade.
Gostava de ver uns quantos bons exemplos made in Portugal, se os tiverem. Gostava mesmo.
14-12-2008 3 comentários
Wilco ensinam a lidar com os downloads de música

Há umas linhas numa música dos Wilco que me fazem sempre pensar que a estratégia agressiva de combate à pirataria que a indústria discográfica adoptou desde o início é profundamente errada. A música é “What Light” - podem fazer o download, se quiserem - e está presente em Sky Blue Sky, o último longa-duração da banda. O momento de clarividência é o seguinte:
And if the whole world’s singing your songs
And all you’re paintings have been hung
Just remember what was yours is everyone’s from now onAnd that’s not wrong or right
But you can struggle with it all you like
You’ll only get uptight
Deixem-se disso. Nem que seja porque, para além de todas as questões éticas e de bom-senso, no final, you’ll only get uptight.
Vivam com isso. Evitem os problemas cardíacos.
02-12-2008 Sem comentários
MySpace Music faz sono
Depois da conversa toda em torno do lançamento do MySpace Music, não deixa de ser engraçado que um dos primeiros assuntos a surgir após o nascimento do serviço seja o processo de contratação do CEO. Percebe-se: é uma das maiores redes sociais da Web e faz parte da News Corp., um dos maiores grupos de media do mundo. Mas o que diz isso do serviço?
Nunca percebi o hype. Pelo que tenho lido por aí, o MySpace Music nada tem de inovador. A seu favor, tem uma comunidade gigante de artistas e o facto de vender MP3 sem DRM via Amazon. Contra? O sono. A falta de novidades faz com que se assemelhe a mais uma das quinhentas mil tentativas frustradas de uma ou outra major de criar algo que roube uma fatiazinha do que a Apple faz com o iTunes. Ah, tem o acordo das quatro majors e praticamente nada de música independente. Boa, pá!
É por isto que me caem as notícias da Billboard no e-mail a falar sobre o novo CEO e não consigo deixar de pensar que o MySpace está velho, gordo e careca. Já o CEO, esse, está só careca.
02-12-2008 Sem comentários
A reestrutruração da EMI
A reter: a EMI vai dividir o negócio da gravação de música em três unidades de negócio (new music, catalog e music services) e, segundo a Billboard, a estratégia do grupo passará por pôr o foco no consumidor, inovar, fortalecer a relação entre os artistas e os consumidores e apostar na área digital.
Depois de a EMI Music ter arrastado o grupo para a sarjeta, com perdas de mais de mil milhões de dólares, parece que o novo CEO, Leoni-Sceti, está apostado em reestruturar a empresa de forma a recuperar algum terreno. Não tenho visto grande actividade por parte da EMI mas continuo à espera. A estratégia não podia ser mais genérica: acho que só falta mesmo dizer que o público-alvo é o público em geral e que o objectivo é vender mais.
Gostava de ver um pouco mais de acção… mas parece que está difícil. Venham de lá mais planos de intenção, sendo assim.
08-11-2008 Sem comentários
Música e cauda longa
Encontrei esta apresentação há umas semanas no Balanced Scorecard. É da autoria de Alex Osterwalder e explica de forma simples e directa como a teoria da cauda longa se aplica ao negócio da música. Muito interessante.
11-10-2008 Sem comentários
