Música, indústria e tendências.

Categoria — Marketing

Uma nota pertinente

Os Recoil têm uma caixa super-especial para fãs extremamente dedicados que estejam dispostos a gastar mais de 100 euros num bonito objecto musical de colecção. Nada de novo até agora, certo? Em teoria, esta é daquelas situações em que todos ganham: ganham os Recoil e a editora, que ficam com os bolsos um pouco mais cheios, e ganham os fãs, que ficam com mais um item para satisfazer o seu fetiche do coleccionismo de música.

Mas um amigo que decidiu fazer a pré-encomenda da caixa tem sido vítima dos sucessivos atrasos, desculpas e promessas da loja e comentou comigo o seguinte:

É sempre bom pensar numa caixa para deixar os fãs felizes e depois irritá-los no processo!

E, de facto, é interessante. O efeito perverso que um mau serviço pode ter acaba por arruinar a experiência. Não totalmente, claro, que quando a caixa chegar a casa do meu amigo, esta chatice passa para segundo plano.

Segundo ele, na página de Facebook do projecto decidiram pedir feedback sobre a caixa. O resultado? Das 36 respostas que obtiveram nas primeiras horas, apenas uma pessoa tinha recebido. Entretanto, as queixas subiram de tom e já muitos se queixam do serviço de encomendas da editora e dizem que não pretendem voltar a comprar lá nada.

Nestas coisas, alienar fãs é muito pouco recomendável. Bem sei que na música as coisas não funcionam como com os sabonetes e uma má experiência com o processo de compra não chega para que as pessoas deixem de querer apoiar o artista. No entanto, convém prestar atenção a todos os aspectos, por mais insignificantes que pareçam. E quando as pessoas pagam 40 libras de portes de envio, tendem a ficar um pouco exigentes.

21-06-2010   1 comentário

Broken Social Scene lançam EP: Lo-Fi For The Dividing Nights

Esta manhã o despertador tocou como habitualmente mas o que me acordou foi este mail enviado pelos Broken Social Scene ao clube de fãs:

I know that some bands write their songs, rehearse them and then record them. Not Broken Social Scene. In recording Forgiveness Rock Record we did it our usual way: swimming in chaos and making it up as we go along. We started by loosely sketching out 30 songs in my garage, driving to Chicago, recording 20 of those, and then writing 20 more. The point was to never stop working. Whenever we got exhausted or overwhelmed we would take a breath, pick up our instruments and jam purely ‘for spirit purposes’. It was musical-therapy of sorts. Part of what kept the ideas flowing was Soma’s smaller, second studio where we could test out new ideas and experiment with overdubs. While John worked in the main room, this B-Room quickly became our musical kitchen where we cooked up soups of sound without the pressures time and money.

One evening, as a kind of exercise in spontaneity, Kevin, Brendan and I each took turns writing and recording minute-long “songs” with minimal overdubs just to see what would happen. We kept saying to John “we’re making you an EP!” It was a sort of first-thought-best-thought approach to music making. Within a few hours we had six lovely little soundscapes, one of which ended up being the closing song on Forgiveness Rock Record, ‘Me & My Hand’, and the rest became the beginnings of Lo-Fi For The Dividing Nights.

As we continued to work on Forgiveness the B-room became more and more important as both a musical and social outlet – there are a lot of us in Broken Social Scene and it’s hard for us to sit on our hands – so naturally Ohad, Sam and Sebastian each recorded a song in the same spontaneous way. ‘Song For Dee’, the only traditional “song” on Lo-Fi For The Dividing Nights, Brendan, Kevin and I recorded when we found out that our good friend Wayne’s dog died and we wanted to cheer him up.

All of the songs on Lo-Fi For The Dividing Nights were recorded in Soma’s B-Room while Forgiveness Rock Record was being made. What these songs have in common is that they were all written in a spirit of playfulness and fearlessness where we could throw our discrimination to the wind and let the judges and critics take the night off. This tiny B-Room sanctuary fomented a very positive frame of mind, ultimately leading to one of the most enjoyable album-making experiences we’ve ever had. We hope you enjoy listening to these songs as much as we enjoyed recording them.

- Charles Spearin

Boas notícias, hã? Os que fizerem a pré-encomenda de Forgiveness Rock Record terão direito a receber o EP (ainda não percebi se é em formato digital ou se vem com a encomenda propriamente dita) a partir de dia 3 de Maio. Grátis, claro. Excelente manobra de marketing e boa forma de recompensar os fãs mais devotos.

20-04-2010   4 comentários

Fnac vs. Amazon: uma ida às compras

Ontem à noite dei um salto à Amazon.co.uk e decidi fazer uma coisa que nunca tinha feito: explorar as pechinchas da secção de CDs. Não tivesse eu algum tino e a encomenda teria resultado em mais de 20 discos. Fiquei-me pelos oito. Com portes (e mais um livro no carrinho), paguei pouco menos de 70 euros.

E isto fez-me voltar a pensar numa coisa em que já pensei muitas vezes: abandonar definitivamente a Fnac. Ainda há uma semana lá deixei dinheiro por causa de uns cheques Fnac que tinha recebido no Natal. Por 39 euros, levei para casa dois CDs. Um deles foi a edição especial (com DVD) do último álbum dos Phoenix, que me custou pouco menos de 18 euros, creio. E aqui está a ponte perfeita entre estas duas realidades: na Amazon, a edição básica (julgo eu) do disco – que na Fnac custa 16 – está à venda por pouco mais de cinco euros.

Comprar música na Fnac não faz sentido. Custa demasiado dinheiro e a experiência não é especialmente gratificante. Para os que – como eu – gostam de passear por lojas de música, dêem um salto à Carbono, à Jo-Jo’s e à Flur, por exemplo.

Se as diferenças fossem de dois euros ou assim, ainda percebia. Os cinco ou seis dias de espera na Amazon incomodam um pouco – pelo menos quando comparados com o imediatismo da compra numa loja como a Fnac. Mas com diferenças que chegam aos 10 euros para coisa que custam menos de 20 não há argumento que resista.

Por exemplo: ontem comprei o From The City, Stories From The Sea, da PJ Harvey, por €3.40. No site da Fnac custa €13.90. Acho que nem é preciso dizer mais nada… mas vou fazê-lo!

Tomem lá uma tabela comparativa de preços (em euros):


* preço da edição normal
n/d – não disponível nos resultados da pesquisa

Além dos dados óbvios que aqui vêem, devo destacar que mais de metade dos discos eram apresentados no site da Fnac como não estando disponíveis no momento (apesar de apresentarem preço). Destaco igualmente que todos os preços da Amazon foram convertidos em euros por excesso e arredondados a valores a terminar em 0 e 5 cêntimos. Acrescento ainda que os portes têm um valor de €12.55, mais ou menos.

Analisando a tabela, ficamos a saber que se eu tivesse ido à Fnac comprar estes discos, saía com três álbuns a menos da Fnac e deixava lá €68.65. Isto significa que saía da Fnac com menos discos e menos dinheiro do que o que aconteceu ontem por ter feito compras na Amazon – mesmo contabilizando os portes. Ficava ela por ela se contarmos com o livro que também encomendei (e os livros davam outro capítulo nesta história… mas aí nada bate o Book Depository). Claro que, para estas contas, vou esquecer o dinheiro que gastaria em estacionamento no Colombo ou no Vasco da Gama, por exemplo, até porque poderia muito bem ir a pé até ao Chiado.

Já não tinha muitas dúvidas mas esta comparação dá-me exemplos concretos e auto-explicativos. Sim, isto foi uma espécie de epifania. Comprar música na Fnac não faz mesmo sentido.

06-01-2010   19 comentários

Optimus Discos

A Optimus às vezes anda um tanto ou quanto aos papéis. Mas às vezes também acertam em cheio.

Depois daquelas coisas todas com os Xutos & Pontapés e da indecisão em torno dos concertos Optimus, avançaram para os Optimus Discos, uma iniciativa que merece ser destacada. Lançado em Março deste ano, este projecto já vai na terceira série de música portuguesa gratuita. Os EPs são disponibilizados no site para download mas a iniciativa não se fica por aqui: a Fnac vende-os a um bom preço, o que sempre dá para recuperar algum e satisfazer os fetichistas do CD.

(Entretanto, vão lá sacar o EP Intervalo, dos Linda Martini, que está bem porreiro.)

Para trás, parecem ter ficado os tempos em que a Optimus abdicava dos festivais de Verão por ter esse público-alvo bem agarrado (e a TMN agradeceu, estou certo) ou verdadeiros fracassos como o Optimus Open Air. A Optimus está em paz agora e encontrou finalmente uma forma coerente e integrada de apoiar a música. Nós agradecemos.

Continuem o bom trabalho.

13-11-2009   1 comentário

Não é arte, é outra coisa

Até onde é que isto vai?

Depois de a Wired nos ter dado a saber há alguns meses num excelente artigo que as letras das Pussycat Dolls (e de outros) estão à venda, agora é a vez da Insland Def Jam disponibilizar o booklet do novo álbum da Mariah Carey a empresas interessadas (como já referi ontem, de resto, em poucas palavras).

A música de Mariah Carey e das Pussycat Dolls interessa-me muito pouco, como devem imaginar Ainda assim, vejo que há abertura a este tipo de idiotices na indústria da música e isso preocupa-me. Ninguém poderá negar que os responsáveis pelas maiores editoras do mundo têm feito um péssimo trabalho… mas isto está a chegar a um nível um tanto ou quanto ridículo.

Não tenho nada contra a chamada monetização. Se há coisas que podem ser postas a render, tudo bem. Em parte, é para isso que serve o merchandising e é exactamente por isso que existe o licenciamento para televisão, publicidade e cinema. Nada, nada contra. Mas este tipo de acções implica pegar na obra de arte e adaptá-la a quem oferecer mais. É uma subversão que, apesar de ser certamente recorrente (até ao nível das próprias pressões dos A&R das editoras), não deixa de ser interessante e… desconfortável. Não é arte, é outra coisa.

Quais serão os próximos passos? É que já só consigo imaginar os músicos a entrarem em palco vestidos à jogador de futebol com publicidade na parte da frente, nas costas, nos braços, nos calções, nas meias… Enfim.

04-08-2009   5 comentários

Mas que ideia mais estúpida

Parece que a Island Def Jam está a pensar em vender espaço publicitário nos booklets do próximo álbum de Mariah Carey.

Sim, a sério.

04-08-2009   Sem comentários

Músicos no Twitter

Há quanto tempo é que não falo do Twitter por aqui? Há tempo suficiente.

O Miguel Albano chamou-me a atenção para um artigo do Mashable sobre músicos no Twitter. A lista contém mais de cem nomes, entre os quais Dave Matthews, Coldplay, John Mayer, Muse, Pete Yorn, Imogen Heap, Sonic Youth, The Streets e Trent Reznor.

O artigo está engraçado e explica a forma como cada um destes artistas – ou respectivo mandatário – marca a sua presença no Twitter. Ainda assim, parece-me mais importante notar que, apesar das mil e uma formas encontradas para estar no Twitter, nenhuma é propriamente errada. Falar da última sessão de estúdio, de banalidades ou do sentido da vida… tudo vale. Os limites são os do razoável – o que é, em si, bastante razoável.

O sucesso do Twitter reside não só na (ilusão de) proximidade mas também – sobretudo, talvez – na sua moldabilidade. O Twitter pode ser confessional mas também pode ser uma eficaz ferramenta de marketing. Pode ser sobre links ou sobre dar os bons dias aos amigos. Daí que o termo microblogging faça sentido. Ora releiam lá as frases anteriores e digam-me se não poderia muito bem estar a falar de blogs.

15-07-2009   Sem comentários

Bloggers e jornalistas de música

Bloggers e jornalistas de música têm pelo menos uma coisa em comum: pessoas lêem o que eles escrevem. São agentes praticamente incontornáveis para quem faz música e quer promovê-la. Com egos maiores ou mais pequenos, com gostos mais ou menos abrangentes, todos eles ajudam a formar as opiniões de quem gosta de os ler.

Nos últimos anos, com o aumento das alternativas, os críticos de música perderam importância. Os bloggers – ou alguns deles, pelo menos – ganharam dimensão graças a uma ideia que se generalizou facilmente: a de que são livres de pressões e da agenda mediática que faz com que todos os críticos falem das mesmas coisas ao mesmo tempo e, muitas vezes, da mesma forma. Não sei se concordo com esta ideia… mas percebo a lógica. É que, com uma audiência maior, vêm normalmente pressões e responsabilidades.

Se do lado dos consumidores de música a relação com a crítica mudou bastante nos últimos tempos, do lado da indústria… mantém-se bastante semelhante. 

Por exemplo, dou por mim a ter de justificar a minha eventual credibilidade com uma série de coisas insignificantes que consegui durante o meu percurso sempre que quero pedir informações ou o que quer que seja a grande parte dos artistas, editoras e promotoras. Seria muito mais fácil se estes agentes conseguissem visitar um blog e perceber tudo através dos últimos artigos, do tempo de vida e da página de informação sobre o autor. Mas pronto, é o que temos.

Por outro lado, estive há uns dias na RTP em trabalho e fiquei sentado durante meia hora junto a uma sala da Antena 3 e reparei numa série de sacos de plástico da EMI e da Universal que ocupavam um bocadinho de chão. Tendo em conta que a rádio é um meio cada vez menos interessante e desde sempre naturalmente fugaz, acho que a gigante diferença de tratamento não se justifica.

De qualquer forma, cultivar uma relação próxima mas honesta com bloggers e jornalistas continua a fazer todo o sentido no cenário actual. Não confundam uma relação próxima com “amiguismo”. De certa forma, foi isso que trouxe descrédito aos críticos profissionais portugueses. É que Portugal é muito pequeno, sabem?

Acho realmente que dar informação e música a jornalistas e bloggers é muito importante. Primeiro porque poderão, se se interessarem e/ou gostarem do que ouvem, ajudar-vos a chegar a um público que quer saber de música (ao contrário do de uma telenovela, por exemplo). Depois, porque todos fazem parte de redes sociais (reais ou virtuais) que incluem certamente mais uns quantos elementos similares, o que poderá ter um efeito multiplicador benéfico.

Enfim, vocês sabem que há apenas 40 ou 50 pessoas por dia a aparecer aqui no blog. Ainda assim, estou certo, são 40 ou 50 pessoas que gostam do que lêem e/ou do autor (obrigado). No limite, são pessoas que ligam minimamente ao que digo. E isso tem de representar alguma coisa. Acontece o mesmo com jornalistas especializados. A diferença? Maior audiência, certamente; menor capacidade de influenciar cada um. Além disto, as limitações de espaço, de tempo, de tudo… são prejudiciais. E aí está algo que não me afecta substancialmente.

Reforço: os jornalistas e os bloggers especializados são importantes para os que querem que a sua música chegue às pessoas. Pessoalmente, se gostar do que fazem, terei todo o gosto.

07-06-2009   2 comentários

Música, TV e cinema: ideias soltas

Hoje em dia, é praticamente impossível cruzarmo-nos com uma série de televisão sem que salte uma canção pop num ou noutro momento-chave do episódio. No cinema, em termos gerais, o efeito é menor… mas também existe. É um mercado em que as editoras e os artistas americanos têm apostado nos últimos anos. É investimento em marketing.

Em Portugal, vai acontecendo com melhores ou piores resultados nas telenovelas portuguesas. Infelizmente, isto significa que o Paulo Gonzo ressuscitou e teve a lata de reeditar um álbum com mais de dez anos para ganhar dinheiro com a música associada à novela. Esta prática também nos trouxe “A Carta”, dos Toranja, que ainda penso ser um óptimo single  - mas sim, cansou. Enfim, quero com isto dizer que também temos os nossos exemplos.

E sabem? Não sei o que pensar. Porque, como em tudo, há os que comprometem a arte por algo um tanto ou quanto mais palpável. Porque há quem faça música exclusivamente com este objectivo (e não me refiro à composição de bandas sonoras, claro). No entanto, também coloca um mais que justo holofote sobre canções que nunca ouviríamos na vida. E funciona como uma espécie de Last.fm… Gostam de ver o House a alucinar graças ao Vicodin? Então são capazes de gostar disto. A verdade é que não é assim tão raro a coisa bater certo.

Dois exemplos.

O Pete Yorn é um tipo norte-americano que faz um pop/rock de digestão fácil e que se mudou, no início da carreira, para Los Angeles… para fazer música para cinema e televisão. Se ouvirem, faz algum sentido… mas não deixa de levantar algumas questões relativamente aos motivos que o levaram a mudar de costa (não que alguém tenha realmente alguma coisa a ver com isso). Foi por causa dele que este atabalhoado texto saiu. Explico: todos os episódios de House fecham com uma música que se adapte ao momento em que aparece. O enterro de Kutner trouxe-nos “Lose You”, tema pop meio triste do primeiro álbum de Pete Yorn (já agora, musicforthemorningafter, o tal primeiro álbum dele, até não é mau de todo). Vejam o vídeo:

O outro exemplo também é relativamente recente. Mickey Rourke é amigo de Bruce Springsteen e pediu a Darren Aronofsky, o realizador, para convidar o boss a escrever o tema de The Wrestler. Springsteen fê-lo e com óptimos resultados, como seria de esperar. Sim, Working On A Dream não é um grande álbum mas “The Wrestler” é uma grande canção. E foi inspirada no filme, como seria de esperar. Aqui, não se trata de tentar convencer executivos a pôr uma música numa série. Aqui, voltamos ao domínio exclusivo da arte e não há motivos para pensar duas vezes: ou se gosta… ou não. E eu gosto.

A cultura pop, essa coisa que é tudo e nada, facilita sinergias e os resultados aparecem. Promover música em filmes e séries não tem nada de mal, acho eu, desde que não seja absolutamente comercial. Tantas vezes já ouvi The National, Bon Iver, Gomez e outras bandas que por aqui rodam habitualmente em séries de televisão… e a coisa não era totalmente descabida. Gastaram dinheiro para lá pôr as músicas? Acho que sim. Foi um mau investimento? Diria que não, tendo em conta o público que as segue. Aqui, acabo a misturar marketing e um lado mais emocional, o que é ideal para quem promove… e o contrário para mim.

É um mundo que não conheço, confesso, mas a ideia de me fazer a esse lugar privilegiado que é fazer chorar as pedras da calçada durante um episódio de Grey’s Anatomy com uma canção só porque sim não é tão atraente quanto isso. Claro que se isso acontecer, tanto melhor… desde que faça sentido. Mas não sei, a sério que não.

E vocês, têm alguma coisa a dizer sobre o assunto?

25-05-2009   3 comentários

Eu e o marketing da música no ISCSP

Há quase dois meses, fui convidado pela Raquel Ribeiro, professora de Marketing do ISCSP e leitora assídua deste blog, para dar uma aula aos alunos do 2º ano da Licenciatura em Ciências da Comunicação. Aceitei com entusiasmo e a coisa acabou por acontecer na quinta-feira passada.

Foi uma aula com dois temas – e eu fiquei responsável por um deles: o marketing da música. O outro estava relacionado com agências de comunicação e também me é bastante familiar, claro. Acabou por se tornar bem mais interessante do que o tema que levei, pelo menos a julgar pelo número de perguntas que motivou.

Sentia isto quando andava na faculdade e senti-o novamente na semana passada. Uma parte significativa dos universitários querem saber quase exclusivamente como é que podem arranjar emprego. Isto ao mesmo tempo em que deviam estar a fazer pela vida e a ganhar currículo com o que quer que fosse (actividades extracurriculares como o blogging ou o envolvimento activo e responsável na vida académica, por exemplo). É um pós-modernismo interessante, um vou ficar aqui parado a pensar exactamente como é que devo mexer-me. Mas pronto, ainda vão a tempo, acho eu.

Entretanto, deixo-vos a apresentação que pintou a minha parte da aula. É uma coisa no estilo “101″, com enquadramento e informação básicos… mas acho que se adaptava à audiência. Apesar de ter sido feita para acompanhar um tipo semi-lunático a falar, espero que gostem. E que comentem!

18-05-2009   6 comentários