Música, indústria e tendências.

Categoria — Marketing

Depeche Mode: iTunes Pass e um vídeo gigante

Os Depeche Mode vão lançar um novo álbum em Abril. Sounds of the Universe deverá ser mais da mesma fusão pop/rock/electrónica alimentada a religião, amor e sabe-se lá mais o quê típica do trio britânico.

As notícias sobre o novo disco não param de sair: datas, capa, alinhamento e mais a tralha habitual. Há, no entanto, uma notícia um tanto ou quanto diferente, já que envolve uma nova brincadeira com o iTunes e dinheiro a sair dos bolsos dos interessados.

Long story short, a Apple faz agora com os Depeche Mode o mesmo que já fazia com uma série de programas de televisão: vende um passe que dá aos fãs da banda acesso a músicas e vídeos exclusivos, remisturas, o novo álbum… e tudo a cair automaticamente na biblioteca do iTunes. Enfim, serão 15 semanas de expectativa para os fãs… e 19 euros de confiança depositada na Apple e na banda. Negócio interessante mas a modos que manhoso.

De resto, até me interessa mais a música e o vídeo de “Wrong”, o primeiro single do novo longa-duração. A canção parece-me usar alguns dos melhores argumentos de Songs of Faith and Devotion misturados com a sujidade de alguns dos melhores temas de Ultra. Ou seja, “Wrong” é motivo mais do que suficiente para ficarmos todos na expectativa de um grande álbum.

Como se isto não bastasse, o vídeo realizado por Patrick Daughters é absolutamente fantástico. Mesmo. Ora vejam lá.

25-02-2009   Sem comentários

A Universal no Twitter: cool!

RonaldinhoA modernidade chegou a Benfica, mais especificamente a uma espécie de loja ali no 12D da Rua Reinaldo dos Santos, perto do Fonte Nova. A Universal Music Portugal está no Twitter a fazer o que se esperaria – despeja links numa tentativa de desenvolver o seu próprio PR Newswire ou de ser cool e modernaça (ali como o Ronaldinho). E é, como seria de esperar, uma tentativa frustrada. Porquê?

1. Não me seguem mas seguem a Apple. Está-se bem a ver as prioridades.

2. Há ali um ser humano muito pouco importante (ou então tem muita importância mas ainda não descobriram o Twitterfeed).

Vejam o exemplo da RTP, que é o melhor exemplo que se vê aí de perfil de empresa no Twitter. Um ser humano (uau) a escrever como tal, a errar como tal e a pôr consumidores a consumir o seu produto (telespectadores a ver televisão, portanto).

Entretanto, ficamos muito contentes por saber que:

A voz de Adriana chega devagar.Passa primeiro num jogo de sedução discreto,mas sabe que não temos por onde escapar http://tinyurl.com/dh2tzt

Que pobreza, pá.

20-02-2009   Sem comentários

Entrevista com Pedro Vindeirinho da Rastilho – parte 2

RastilhoAnteontem publiquei aqui a primeira parte da entrevista que o Pedro Vindeirinho da Rastilho me concedeu. Aqui fica a segunda.

Que te apraz dizer sobre o P2P, a pirataria e os downloads ilegais?
É o resultado de (quase) duas décadas de desleixo por parte dos principais agentes relacionados com a indústria discográfica. Aliás, ninguém tratou pior a música e faltou mais ao respeito aos fãs e consumidores do que as editoras nos anos 80 e princípios de 90, onde todo o monopólio das majors e preços exorbitantes eram uma afronta. A vingança veio anos mais tarde com as maravilhas da tecnologia. A mim não me choca que se façam downloads ilegais. Preocupante é veres miúdos com 16 anos que nunca compraram um disco na vida e, mais grave ainda, afirmarem com orgulho que têm dezenas de GB em música pirateada. Isso não é nada gratificante para quem despende meses na preparação de um disco, sejam músicos, editores ou produtores. Vejo toda esta questão como irreversível e, no caso das novas bandas, pode significar à priori a morte de muitas bandas. Volto a dizer: aceito que me digam que fazem dowloads ilegais de discos. O que não suporto é o riso jocoso de algumas pessoas que o afirmam (incluindo músicos) como se fosse a coisa mais natural do mundo. Não é e nunca será! Ninguém pensa em ir a um cinema sem pagar, em visitar uma galeria de arte com o intuito de comprar um quadro sem o pagar…. porque razão há-de ser natural piratear música?

Tens sentido na pele os efeitos?
Não te posso quantificar, mas sim todos sentimos.

E, já agora, sobre os downloads legais, parece-te que a “salvação” é por aí?
Os últimos discos da Rastilho estão todos disponíveis no Itunes e nas principais lojas online de venda digital. Mas as vendas são ainda baixas e não compensam a quebra nas vendas de discos. Está à distância de um clique a opção para ti (enquanto consumidor) de pagar ou não pelo trabalho de uma banda… é, acima de tudo, uma questão de consciência, aliada a factores económicos.

Já agora, o que está a Rastilho a preparar para este ano?
Em Fevereiro, temos as edições de One Hundred Steps, Human Clouds, e Switchtense, Confrontation Of Souls. Em Março as reedições dos 2 álbuns (esgotados) dos Linda Martini: Olhos de Mongol e Marsupial.  Em Abril, os novos álbuns de Old Jerusalem e Legendary Tiger Man; a reedição do primeiro álbum dos peixe:avião em vinil e o Empire dos The Allstar Project, ainda sem data para lançamento. Mas teremos mais algumas surpresas em termos de vinil este ano… A seu tempo serão reveladas!

11-02-2009   2 comentários

Entrevista com Pedro Vindeirinho da Rastilho – parte 1

RastilhoHá já alguns meses que andava a pensar nisto… porque nos falta, muitas vezes, a perspectiva de quem vive o negócio da música de forma mais próxima. O Pedro Vindeirinho criou a Rastilho em 1996 e acrescentou-lhe a edição de discos em 1999. A Rastilho Records é uma editora independente de Leiria que já lançou discos de Dapunksportif, Linda Martini, peixe : avião e If Lucy Fell, entre muitos outros. O Pedro aceitou responder a umas quantas perguntas por e-mail. Publico esta entrevista em duas partes: a primeira hoje, a segunda na quarta-feira.

Como promove a Rastilho os álbuns que edita?
Depende do lançamento em questão e do orçamento para marketing disponível. Mas, de forma genérica, a promoção é feita nas rádios nacionais (e regionais) com o envio de singles antes das saídas dos álbuns numa primeira fase; mais tarde, segue-se o envio dos álbuns físicos para a imprensa escrita. Paralelamente, existe toda a promoção feita via Internet (com as mais diversas ferramentas) e, pontualmente (conforme o export profile de cada banda), promoção na Europa em parceria com os nossos distribuidores locais.

Sei que fazes uso do MySpace e do YouTube com alguns resultados mas, dado que muitas das outras novas ferramentas de comunicação são gratuitas (Twitter, Last.fm, FriendFeed, Facebook, RSS, etc.), porque não vemos a Rastilho a apostar mais nelas?
É uma boa questão… A questão do Last.fm será resolvida em breve… Quanto ao resto, não te sei honestamente responder. Mas a maioria das nossas bandas faz uso dessas ferramentas e acaba por haver interacção com os seus fãs dessa forma. Preferimos centrar (enquanto editora) as novidades no nosso site, no MySpace e YouTube.

Achas que a forma como dás a conhecer a música que editas influencia de forma determinante o sucesso comercial dos discos?
Não é possível quantificar a relação promoção-vendas de forma directa. Esquecendo lançamentos com forte promoção em televisão direccionados para público mais juvenil, muitas das vezes um single passar numa rádio nacional não significa mais vendas e sucesso. Posso referir-te que, em 2008, com os peixe:avião, dois famosos órgãos de imprensa nacional decidiram ignorar o álbum 40.02. Noutra situação, poderia significar a morte anunciada do disco, mas constatei que a base fiel de fãs e as dezenas que sites e blogs que deram a devida atenção a este disco, acabaram por fazer com que este fosse o nosso disco mais bem sucedido de sempre em termos de vendas (até à data). Sinto que existe um divórcio entre quem escreve sobre música em Portugal de forma profissional (que a maioria das vezes o faz para alimentar o seu ego, como se se tratasse de uma catarse) e o público em geral. Felizmente, o público vai identificando essas divergências e opta por outras fontes credíveis antes de comprar um disco.

Como avalias o trabalho feito pelas editoras independentes portuguesas nos últimos tempos?
É crucial e cada vez mais importante para as novas bandas nacionais. Mas o cenário não é nada animador, também as editoras independentes passam por grandes dificuldades, porque a compra de discos é cada vez menor. No caso da Rastilho, será complicado manter este ritmo editorial se a situação persistir este ano. Identifico-me com a Raging Planet em termos editoriais. De resto, sou um grande crítico das novas editoras que surgiram o ano passado com inspiração divina, que têm tido a bajulação irritante dos principais media nacionais. A meu ver, algo corre mal quando os editores e os A&Rs se tornam mais importantes que as suas bandas. Quem trabalha com seriedade não procura protagonismo mesquinho, alimentando falsas profecias. Mas talvez o problema seja estarmos deslocados de Lisboa, onde tudo se passa e tudo acontece. Aceitamos esta realidade e convivemos bem com ela.

E o das majors (cá e lá)?
Só posso referir dois casos com os quais temos ligações mais directas: a NorteSul Valentim de Carvalho e a Universal. Ambas trabalham bem e fazem o que podem tendo em conta a crise geral.

09-02-2009   4 comentários

Do rock stars need social media? – parte 3

Pay What You Want

Precisam as estrelas de rock dos social media? Sim. Precisam de os usar e de falar directamente com os seus fãs e consumidores, também eles – é preciso não esquecer – middle men. As pessoas dão valor a esta brincadeira. 

Dou apenas mais um exemplo: o dos meus Radiohead. No último ano e pouco, têm sido das bandas rock mais referidas por essa Internet fora. Porquê? Em grande parte, por causa do modelo de negócio que popularizaram. Mas repararam com que acções é que eles complementaram o lançamento de In Rainbows? Com dois blogs, um concurso de videoclips, dois concursos de remisturas, uma rede social própria, dois webcasts, uma página no Facebook, estreia de vídeos online – um dos quais feito sem câmaras e estreado no Google -, um tema para o iGoogle… Ah, esperem, falta relembrar que o lançamento de In Rainbows foi, ele próprio, uma manobra de génio que só não chamaria a atenção de quem anda profundamente distraído. Claro que a maior parte destas acções pressupõe investimento. Como este texto é sobre estrelas de rock, creio que não descarrilei.

As estrelas de rock precisam de estar activamente na Web e nos social media e de explorar todas as coisas novas que por aí andam. Não sei se será a única mas é claramente uma das melhores maneiras de manterem o estatuto. Juntem a isso boa música e terão muitos anos de estrelato pela frente.

31-01-2009   Sem comentários

Do rock stars need social media? – parte 2

 Os Xutos & Pontapés, que também são estrelas

Esqueçam a publicidade online à moda antiga. Os banners foram à vida; ninguém quer saber deles, por mais intrusivos e giros que sejam. Sim, se os estão a pôr na janela do Windows Live Messenger, ninguém quer saber, por mais tempo que todos passem a olhar para os vossos anúncios contra a própria vontade. Por isso, se por presença na Web entendem publicidade online, estão – como hei-de dizer? – errados. A presença online é uma espécie de meet and greet constante – só que sem todo aquele desconforto (pelo menos passado algum tempo). É estar frente a frente, conversar, ser uma pessoa normal. Bem sei – por experiência própria, como é óbvio – que o estrelato nos afasta das nossas raízes… mas também pode ser a desculpa perfeita para nos fazer regressar.

Ainda não explorámos muito o assunto… mas vou partir imediatamente para um exemplo. Precisam os Xutos & Pontapés dos social media? Depende. Estão contentes com o estado das coisas? Então pronto, não precisam. Assim como assim, enquanto houver quem queira ir aos concertos deles, não precisam de vender muitos discos. E há sempre quem queira ir aos concertos deles, sobretudo os que já os ouvem há vinte ou trinta anos. Um dia destes, vi um senhor do marketing da Optimus a dizer que, segundo um estudo de mercado, os Xutos & Pontapés são os favoritos de uma quantidade absurda de jovens dos 11 aos 19 anos, à frente de nomes internacionais e assim. Claro que a palavra a reter aqui disto é “absurda”, se é que me percebem. Continuando, estivessem o Zé Pedro mais virado para os blogs, o Tim dedicado à partilha de fotografia ou o Kalu de câmara na mão constantemente para pôr vídeos no YouTube, chegavam um bocadinho mais longe do que chegam actualmente. Independentemente dos méritos musicais da banda, é o que acho.

Abandono aqui o primeiro exemplo e parto para os social media propriamente ditos. Quais são os mais importantes para o sector da música actualmente? YouTube, Facebook, MySpace, Last.fm, Twitter e a blogosfera. Há outros mas, se precisarem de escolher ao início, recomendo às estrelas rock que comecem por estes.

Nenhum dos serviços referidos substitui o site mas, porra, são estrelas de rock. Assume-se que têm um site… e que o site é fraquinho. Mas deixo esta conversa para um outro dia.

Agora, porquê aqueles quatro específicos mais o genérico? Bem, porque o YouTube é um dos sites mais conhecidos e visitados de toda a Internet. Porque o Facebook é a rede social mais interessante, mais completa, com mais perfis e com maior potencial. Porque o MySpace ainda é uma espécie de feira da ladra da música. Porque o Last.fm tem tudo a ver com música e nenhum músico faz real uso do serviço. Porque o Twitter é a nova vedeta da Web. E, finalmente, porque o blog é um dos formatos de publicação mais completos da História e a blogosfera um dos fenómenos sociais mais interessantes das últimas décadas. É bom que as estrelas de rock estejam envolvidas.

Nada disto faz sentido de forma isolada. Por mais intensa que seja a participação no Last.fm, não representa nada se não for acompanhada pelo resto. E mesmo aí, é bom que não venham com mensagens ensaiadas e afins… porque vai tudo corrido à virtual paulada.

 

29-01-2009   Sem comentários

Do rock stars need social media? – parte 1

Os U2 são estrelas de rock e por isso uma fotografia do Bono ajoelhado num palco com milhares de pessoas a assistir serve perfeitamente para ilustrar este artigo

Há coisa de ano e meio, o Chris Brogan publicou uma lista de tópicos que gostaria de ler em blogs. De entre assuntos relacionados com marketing, tecnologia, blogs e mais uma mão cheia deles, houve um específico que me chamou a atenção: do rock stars need social media?

De um artigo que se baseia numa pergunta espera-se uma resposta, esteja ela certa ou errada. Pois bem, a minha resposta à pergunta precisam as estrelas de rock dos social media? é sim. Mas porquê?

Apesar de todas as reportagens sobre pedofilia na Internet, terrorismo na Internet e sabe-se lá mais o quê de mau na Internet, a maioria das pessoas parece não ter percebido que a Internet ocupa cada vez mais tempo no dia-a-dia de todos. Pessoas que, claro, passam grande parte do seu dia na Internet. E – perdoem-me esta introdução cheia das mesmas palavras – o que é que as pessoas fazem na Internet? Recorrem à Wikipédia, vêem vídeos no YouTube, conversam em serviços de mensagens instantâneas, lêem notícias e artigos um pouco por todo o lado, fazem download de filmes, séries e música, passam tempo no Hi5 ou no Facebook, fazem pesquisas no Google. Quase todas estas actividades estão pejadas de interacção, de trocas.

As estrelas de rock precisam dos social media porque é impossível serem estrelas sem que alguém repare nelas. Os jovens passam cada vez mais tempo online e cada vez menos tempo em frente ao televisor. No meio disto tudo, nem sequer sei onde entram a rádio e os jornais. Com a Internet a ganhar espaço, a agregar todos os outros meios e a torná-los insignificantes, não desenvolver estratégias de presença na Web é o equivalente a não ter videoclip no tempo em que a MTV importava. É não existir.

Atenção: quando falo da Internet ou da Web, não me refiro ao site do Público, ao portal do Sapo e ao e-mail – mesmo que todos eles sejam bastante importantes. Não é a estas referências que damos mais atenção no nosso dia-a-dia online, mesmo que continuem a ser referências. Quero com isto dizer que não devem descurar o Público, o Sapo ou o e-mail… mas que uma estratégia de presença na Web deve ir além destas referências e ir ao encontro de onde nós, os fãs e os consumidores, estamos.

27-01-2009   Sem comentários

Divulgar com o longo prazo em vista

Ao contrário do que seria de esperar, não acho que divulgar e promover música através dos meios de comunicação tradicionais seja uma má ideia. Enviar um CD ou um link para um jornalista ainda é uma forma barata de dar a conhecer música. Barata não só porque custa pouco mas porque também tem alguns resultados práticos. No entanto, não me parece que seja suficiente. Isto já para não falar da inutilidade dos passatempos.

O que quero dizer com isto é que a divulgação é uma variável que as editoras e os artistas precisam urgentemente de melhorar. Posso pôr-me aqui a falar do MySpace e do YouTube (sim, muitos ainda estão na fase em que estas são as novidades…) mas acho que nem é por aí. Em grande parte dos casos, o problema é conceptual. Quem promove, não pensa caso a caso, usa um método padrão (ainda por cima desactualizado) para todos os artistas. Quando toda a gente faz o mesmo, é difícil chamar a atenção.

Assim, enviar álbuns para jornalistas e bloggers, pôr músicas nas novelas, divulgar videoclips, tudo isso custa dinheiro. Criar e fomentar uma relação com os fãs também custa. No entanto, acho que arriscar pela segunda via (sem descurar a primeira, claro), através da Internet, dos concertos e das próprias edições… acaba por trazer mais resultados a longo prazo. Se só se pensa no álbum que vai sair amanhã e ainda por cima se vive num mundo onde o paradigma é o de há 10 anos atrás, a coisa não vai ao lugar.

24-01-2009   2 comentários

EMI parece a mãe do Jeff Buckley

Radiohead

A EMI, que está pela hora da desgraça, quer fazer render o peixe.

Depois de uma caixa com todos os álbuns dos Radiohead em digipack (não comprei) e em versão digital numa pen USB (também não) e de um best of mais ou menos saloio (comprei a edição normal, a especial e o DVD…), a EMI descobriu mais coisas.

Muito ao estilo das Legacy Editions da Columbia (que por sua vez é detida pela Sony Music), a EMI vai lançar edições especiais dos três primeiros álbuns dos Radiohead: Pablo Honey, The Bends e OK Computer. Segundo noticia a Billboard, o primeiro terá algumas pérolas interessantes (as músicas de Drill, o primeiro EP de Radiohead – um que ainda espero conseguir comprar no eBay quando tiver 300 euros para dar por um CD de quatro músicas mediano – e uns b-sides dos singles Creep e Anyone Can Play Guitar, esperemos).

Sim, vou comprar, é certo. Mas é um caso especial: colecciono discos de Radiohead, há que fazer pela vida (e isto dá uma bela racionalização…). De resto, sinto-me até um pouco sujo por participar neste jogo.

(Quanto à comparação do título, é que a mãe do Jeff Buckley faz render o peixe – leia-se “o filho” – até à última. Para ser sincero, acho que ainda vai chegar aí uma reedição espectacular com novas versões ao vivo nunca antes bla bla bla do Sketches for my sweetheart the drunk, o álbum póstumo. E depois começa tudo de novo.)

17-01-2009   2 comentários

O peso da Fnac na distribuição

FnacAs lojas de música portuguesas são conservadoras. A Fnac (que é, na prática, a única loja de música digna desse nome) prefere manter margens de lucro mais elevadas e vender pouco do que ganhar menos por unidade e mais no total. Porquê? Certamente, pelo medo de não vender tanto assim. E também porque pode. Mas esta arrogância não lhe fica bem.

Neste momento, no entanto, e sobretudo com a Libra quase equivalente ao Euro, não consigo deixar de pensar que a Amazon.co.uk é cada vez mais a melhor solução para os que ainda gostam de comprar CDs. Claro que isto pouco importa à Fnac, já que o negócio deste retalhista não é a música (nem os livros ou o cinema): é a electrónica de consumo e a informática, que é o que lhes dá dinheiro. O resto é posicionamento. Tem alguma importância mas, quando chega a altura de contar os trocos… não é por aí.

Mas pronto, isto demonstra bem a situação actual do negócio tradicional da música gravada. Em Portugal, ninguém procura inovar nesta área, parece estar tudo à espera de uma salvação vinda, talvez, do estrangeiro. O iTunes tem contribuído com alguma coisa para as pobres das editoras… mas não é definitivamente o futuro. Pelo menos não nos moldes actuais.

Entretanto, mantemo-nos nas campanhas de mid-pricing e nas vantajosas (para todos menos para mim, o consumidor) sinergias entre estações de TV, produtoras de conteúdos, editoras, promotoras e mais uns quantos players. OK, lá vamos tendo um ou outro bom exemplo de como fazer as coisas… mas, mesmo para um mercado tão estagnado como o nosso, não chega.

Uma coisa é certa: a Fnac pesa que se farta na distribuição de música. E estes monopsónios não trazem nada de bom, até porque não existe competição entre as editoras e, no final, é sempre a Fnac que decide os preços a praticar (com um ou outro limite, claro).

05-01-2009   3 comentários