Categoria — Música
Yo La Tengo não partiram guitarras mas foram excelentes

Confesso que não estava totalmente convencido de que assim seria mas o concerto dos Yo La Tengo na Aula Magna foi excelente. Esquizofrénicos q.b. – passam do pós-punk cheio de feedback à Sonic Youth para a mais leve pop do mundo sem grandes constrangimentos – e dotados de uma energia inesgotável, os Yo La Tengo demonstram porque é que, apesar de nunca terem sido um sucesso comercial, já andam nisto há mais de 25 anos e ninguém lhes pede que parem.
Insisto numa ideia: Ira Kaplan é um dos melhores guitarristas do mundo. Não sei se o é tecnicamente – não tem definitivamente um perfil de virtuoso – mas é-o certamente na utilização do feedback, no sentido de oportunidade e na relação da melodia com a electricidade. E em concerto não engana: é, justamente, o centro de todas as atenções. Está bem que parte desta atenção que lhe é dada tem a ver com o facto de ele estar sempre muito próximo de partir guitarras… mas ainda assim!
Surpreendeu-me o excelente desempenho vocal de Georgia Hubley, de quem esperava algumas falhas devido à aparentemente frágil voz que ostenta, e a boa onda do trio, que quase forçou o público a interagir.
No alinhamento, é difícil não haver falhas para quem conhece tão pouco deles como eu. Faltaram-me “From a Motel 6” e “I Heard You Looking”, de Painful, e ainda as mais calmas “I Feel Like Going Home” e “Broken Flowers” de I Am Not Afraid of You and I Will Beat Your Ass. Popular Songs foi naturalmente o álbum a que mais recorreram mas “The Story of Yo La Tango” (sim, é Tango) foi a que mais brilhou, sem dúvida. Fossem todas assim e o concerto teria sido perfeito, certamente.
Nota: a foto é da autoria do Gonçalo Sítima – podem ver mais umas quantas referentes ao concerto dos Yo La Tengo no FestivaisPT.
16-03-2010 1 comentário
She & Him de volta
Ela e ele estão de volta. A dupla maravilha constituída pela espectacularmente linda Zooey Deschanel e pelo – er – simpático M. Ward estão a preparar-se para lançar um novo álbum e se for tão bom como o primeiro estamos muito bem. Dêem uma vista de olhos no vídeo de “In The Sun”.
10-03-2010 Sem comentários
Mark Linkous R.I.P.
Sei que não acrescento muito mas Mark Linkous, o homem por trás dos Sparklehorse, suicidou-se e “Homecoming Queen” faz hoje mais sentido do que nunca.
08-03-2010 Sem comentários
Nova música dos Broken Social Scene disponível gratuitamente
Nova música dos Broken Social Scene já está disponível para download gratuito no site oficial. O álbum também já tem nome: Forgiveness Rock Record.
Uma curiosidade: na ID3 tag de “World Sick”, os Broken Social Scene optaram por inventar um novo género musical – forgiveness rock. Quer parecer-me que, em teoria, deveria ser pós-emo. Mas não, é indie rock confuso, barulhento, épico!
Bem-vindos aos primeiros 6 minutos e 48 segundos do novo álbum dos Broken Social Scene.
Desculpem lá continuar a falar dos Broken Social Scene… mas isto promete.
19-02-2010 Sem comentários
Por falar em Broken Social Scene…
Vem aí álbum novo. Não tem título mas já tem data – 4 de Maio. Vejam mais pormenores aqui.
E o ano começa cheio de boas notícias e bons discos: Eels, Los Campesinos!, The National, The New Pornographers, Broken Social Scene… já para não falar dos concertos de Sonic Youth, Grizzly Bear e Yo La Tengo.
Boa vida.
02-02-2010 Sem comentários
This Book is Broken
Li há poucos dias – em apenas duas sessões – um excelente livro sobre uma das minhas bandas favoritas: os Broken Social Scene. Estive para comprar This Book Is Broken: A Broken Social Scene Story, de Stuart Berman, durante muito tempo e já andava para o ler há alguns meses mas só no final da semana passada decidi pegar nele. Claro que, a partir do momento em que comecei, não consegui parar de o ler.
O livro tem uma estrutura muito interessante: cada capítulo tem uma introdução de uma ou duas páginas e o resto é preenchido por citações de membros dos Broken Social Scene e de outras pessoas próximas da banda. Depois, encaixam-se as citações nos sítios certos e a narrativa flui de forma agradável.
A primeira metade é praticamente toda dedicada à cena musical independente de Toronto desde os anos 90 até ao início da década passada. Do ponto de vista da indústria discográfica, é interessante a forma como Stuart Berman – amigo da banda – expõe o que se vivia no Canadá em meados dos anos 90: basicamente, as bandas indie canadianas que conseguiam chamar a atenção da indústria conseguiam ter algum sucesso no Canadá inicialmente e tornavam-se quase todas impossíveis de exportar para os mercados que interessavam realmente – Estados Unidos e Reino Unido -, o que acabou por desiludir algumas bandas em busca de algo mais. Por sua vez, esta situação contribuiu fortemente para que a cena indie de Toronto se fosse tornando um tanto ou quanto desinteressante.
No entanto, com o aparecimento de bandas como os Do Make Say Think, Constantines, Metric e Stars, entre outras, e sobretudo com a explosão dos Broken Social Scene nos Estados Unidos em 2003 (graças a esta crítica do Pitchfork), a coisa foi dando a volta. Hoje, Toronto tem uma das cenas musicais mais interessantes do mundo. Pessoalmente, é bem capaz de ser a minha favorita.
Sobre os Broken Social Scene, é engraçado ficar a conhecer os pormenores: a forma como cada um entrou no grupo, a influência de Kevin Drew enquanto elemento líder nato da banda e a de Brendan Canning enquanto músico mais experiente e talentoso, o trabalho de produção para muitos (inclusivamente alguns membros da banda) duvidoso de Dave Newfeld no último álbum e muitas outras coisas. Relativamente a este último ponto, já agora, posso dizer que, apesar de gostar muito do You Forgot It In People, é de Broken Social Scene – o duvidoso – que gosto mais, mesmo que esteja propositadamente enfraquecido. Se quiserem que me prolongue sobre isto, avisem, que escrevo um artigo exclusivamente dedicado ao assunto.
Enfim, a minha relação emocional com a música dos Broken Social Scene afecta certamente a minha opinião sobre o livro mas não quis deixar de partilhar. Se puderem, comprem – tem muitas fotos!
26-01-2010 Sem comentários
A lot of great art goes down the drain
Muita boa arte vai pelo cano abaixo por este ou aquele motivo. No caso específico de “The Needle And The Damage Done”, Neil Young fala-nos de droga.
13-01-2010 4 comentários
A velhice segundo Mark Oliver Everett
Depois de morte, cancro e hospitais no genial Electro-shock Blues, do suicídio em Blinking Lights and Other Revelations e do desejo desesperado em Hombre Lobo, agora é a vez da velhice. End Times é mais um álbum conceptual da banda de Mark Oliver Everet e, desta feita, a coisa saiu diferente.
As guitarras acústicas e o piano continuam lá mas a pop viciosa que se tornou imagem de marca dos Eels foi inteiramente substituída por rock e blues sujos – um processo que já tinha começado, de resto, em Hombre Lobo no ano passado.
Agora – e para abrir o ano em beleza – Everett fala-nos de uma idade em que poucos pensam antes de lá chegarem (por uma questão de sanidade mental, talvez, mas esse é um argumento fraco para este desgraçado), da tristeza, da solidão e da nostalgia de outros tempos. Ah, e o amor, sempre o amor. Nesse sentido, aquele tipo barbudo da capa parece mesmo aquilo que o título anuncia – alguém à espera do fim, como se aquela fosse já uma pós-vida, um momento em que tudo está feito e resta esperar.
Mais do que ouvir, pensar no tipo de coisas que este End Times nos traz é absolutamente deprimente. É para isto que caminhamos, caros amigos. Os mais sortudos, isto é. E a esta luz, o resto perde importância.
Mas ouvir End Times é um óptimo exercício musical: o contraste entre a crua “The Beginning” e uma “A Line In The Dirt” vestida de gala é demonstrativo do tipo de patifarias que podemos esperar deste álbum. E o final com a (só) aparentemente doce “Little Bird” e a levemente esperançosa “On My Feet” (com Everett, isto é esperança: “But you know I’m pretty sure / That I’ve been through worse / And I’m sure I can take the hit”) é possivelmente a melhor forma possível de fechar este álbum.
E a melhor forma de fechar este post, já agora.
11-01-2010 1 comentário
Fnac vs. Amazon: uma ida às compras
Ontem à noite dei um salto à Amazon.co.uk e decidi fazer uma coisa que nunca tinha feito: explorar as pechinchas da secção de CDs. Não tivesse eu algum tino e a encomenda teria resultado em mais de 20 discos. Fiquei-me pelos oito. Com portes (e mais um livro no carrinho), paguei pouco menos de 70 euros.
E isto fez-me voltar a pensar numa coisa em que já pensei muitas vezes: abandonar definitivamente a Fnac. Ainda há uma semana lá deixei dinheiro por causa de uns cheques Fnac que tinha recebido no Natal. Por 39 euros, levei para casa dois CDs. Um deles foi a edição especial (com DVD) do último álbum dos Phoenix, que me custou pouco menos de 18 euros, creio. E aqui está a ponte perfeita entre estas duas realidades: na Amazon, a edição básica (julgo eu) do disco – que na Fnac custa 16 – está à venda por pouco mais de cinco euros.
Comprar música na Fnac não faz sentido. Custa demasiado dinheiro e a experiência não é especialmente gratificante. Para os que – como eu – gostam de passear por lojas de música, dêem um salto à Carbono, à Jo-Jo’s e à Flur, por exemplo.
Se as diferenças fossem de dois euros ou assim, ainda percebia. Os cinco ou seis dias de espera na Amazon incomodam um pouco – pelo menos quando comparados com o imediatismo da compra numa loja como a Fnac. Mas com diferenças que chegam aos 10 euros para coisa que custam menos de 20 não há argumento que resista.
Por exemplo: ontem comprei o From The City, Stories From The Sea, da PJ Harvey, por €3.40. No site da Fnac custa €13.90. Acho que nem é preciso dizer mais nada… mas vou fazê-lo!
Tomem lá uma tabela comparativa de preços (em euros):

* preço da edição normal
n/d – não disponível nos resultados da pesquisa
Além dos dados óbvios que aqui vêem, devo destacar que mais de metade dos discos eram apresentados no site da Fnac como não estando disponíveis no momento (apesar de apresentarem preço). Destaco igualmente que todos os preços da Amazon foram convertidos em euros por excesso e arredondados a valores a terminar em 0 e 5 cêntimos. Acrescento ainda que os portes têm um valor de €12.55, mais ou menos.
Analisando a tabela, ficamos a saber que se eu tivesse ido à Fnac comprar estes discos, saía com três álbuns a menos da Fnac e deixava lá €68.65. Isto significa que saía da Fnac com menos discos e menos dinheiro do que o que aconteceu ontem por ter feito compras na Amazon – mesmo contabilizando os portes. Ficava ela por ela se contarmos com o livro que também encomendei (e os livros davam outro capítulo nesta história… mas aí nada bate o Book Depository). Claro que, para estas contas, vou esquecer o dinheiro que gastaria em estacionamento no Colombo ou no Vasco da Gama, por exemplo, até porque poderia muito bem ir a pé até ao Chiado.
Já não tinha muitas dúvidas mas esta comparação dá-me exemplos concretos e auto-explicativos. Sim, isto foi uma espécie de epifania. Comprar música na Fnac não faz mesmo sentido.
06-01-2010 19 comentários
Numa nota mais pessoal – a década
Numa altura em que, como acrescento à já habitual azáfama das listas dos melhores álbuns do ano, a Web e as revistas se enchem de tops da década, parece-me adequado falar sobre o assunto de forma diferente. Isto é sobre os últimos dez anos e a música vistos daqui.
Sou um tipo relativamente novo, como sabem, pelo que vamos todos ignorar 2000, 2001, 2002 e grande parte de 2003. Primeiro porque tinha mau gosto numa idade em que isso começa a ser inaceitável. Depois porque a minha relação com a música tornou-se bem mais interessante a partir do momento em que as minhas bandas sonoras começaram a mudar. Posto isto, é apenas normal que olhe para esta década como a da descoberta.
Começou com umas dicas de colegas de faculdade e acabou como se vê. Não me imagino sem os meus Radiohead nem sem todas as micro-fases de descoberta musica por que passei – Coldplay, Jeff Buckley, Tool, Mogwai, Sigur Rós, Broken Social Scene e por aí fora. É óbvio que só um bocadinho do que fui ouvindo era música do momento; as outras décadas deram uma ajuda.
O hiddentrack.net, um projecto que lancei com um amigo, ajudou à festa, bem como este e outros blogs que fui alimentando ao longo dos anos. Fui obrigado a procurar informação constantemente, o que só me aguçou o apetite. E ainda tenho um longo caminho a percorrer.
Há uns tempos, uma amiga descreveu-me como uma pessoa unidimensional. Às vezes receio, de modo grosseiro, que as coisas estejam realmente nesse ponto. Vejam, por exemplo, que quase todos os livros que recebi no meu aniversário e no Natal (não foram muitos, mas ainda assim…) são sobre música. Já para não falar dos discos.
Não consigo deixar de pensar que a culpa desta minha unidimensionalidade é, em parte, desta década. Mas não há muito que possa fazer.
29-12-2009 Sem comentários
