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	<title>Ouve-se &#187; Música</title>
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	<description>Música, indústria e tendências.</description>
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		<title>Coragem</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 01:37:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<description><![CDATA[Não me presto especialmente a gostar de canções por motivos externos às canções propriamente ditas, embora seja certamente influenciável por diversos factores, como o facto de conhecer e gostar ou não do artista ou da banda, por exemplo. Dito isto, o contrário já é mais fácil de acontecer. Não gostar de canções simplesmente por motivos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não me presto especialmente a gostar de canções por motivos externos às canções propriamente ditas, embora seja certamente influenciável por diversos factores, como o facto de conhecer e gostar ou não do artista ou da banda, por exemplo. Dito isto, o contrário já é mais fácil de acontecer. Não gostar de canções simplesmente por motivos externos&#8230; é o pão nosso de cada dia. Mas pronto, <em>I&#8217;m only human</em>.</p>
<p>Normalmente, tanto me faz se uma banda arrisca muito ou pouco; interessa-me, isso sim, se gosto do que fazem ou não. Há, no entanto, excepções que confirmam a regra. Os Girls são uma destas excepções. &#8220;Vomit&#8221; é uma destas excepções. E vocês, conhecendo a música ou não, ainda não perceberam o meu raciocínio, estou certo. Mas já lá vamos.</p>
<p><span id="more-1439"></span></p>
<p>&#8220;Vomit&#8221; é uma grande, grande música. Guitarra tristonha, voz esquiva e letra carente são elementos que contribuem para que a canção se instale. Os urbano-depressivos saberão apreciar. O refrão de guitarra distorcida em punho embrulha tudo bem embrulhadinho e a coisa está bem mais que bem encaminhada. E depois vem a parte final, cheio de órgão à blues, voz feminina à soul, um coro de &#8220;ahs&#8221; e &#8220;uhs&#8221; e um solo de guitarra relativamente simples. E aqui começamos a desconfiar. Ou a adorar.</p>
<p>E é aqui que o meu argumento inicial vem dar. É que é preciso uma certa dose de coragem para fazer uma coisa destas a uma canção. Atenção que eu adoro a música&#8230; mas estou perfeitamente convencido que só gosto tanto dela por causa do final&#8230; e, em circunstâncias normais, uma banda desconhecida para mim seria corrida a pontapé depois das coisas que descrevi. E, ainda assim, acontece exactamente o contrário. Esta espécie de coragem para transformar a canção no que ela é (mais do que a inclusão da voz feminina, do órgão e do solo de guitarra propriamente dita) eleva &#8220;Vomit&#8221; a outro patamar, um patamar a que se chega com vontade de pôr a canção a tocar do início vezes e vezes sem conta&#8230; só para ouvir o final outra vez.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="560" height="315" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ze6rg4ixjOI?version=3&amp;hl=en_US" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/v/ze6rg4ixjOI?version=3&amp;hl=en_US" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Desertshore &#8211; é bom estar a par das novidades</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 01:24:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma das minhas formas favoritas de descobrir boa música é por editora. Primeiro, porque é fácil. Quando uma editora pequena lança meia dúzia de discos por ano e gostamos de uma ou duas bandas do catálogo, a probabilidade de gostarmos do resto é relativamente elevada. E é parvo ignorarmos isso e depois andarmos aí ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das minhas formas favoritas de descobrir boa música é por editora.</p>
<p>Primeiro, porque é fácil. Quando uma editora pequena lança meia dúzia de discos por ano e gostamos de uma ou duas bandas do catálogo, a probabilidade de gostarmos do resto é relativamente elevada. E é parvo ignorarmos isso e depois andarmos aí ao deus dará a ouvir sabe-se lá o quê.</p>
<p>Depois, porque vai ao encontro da <a title="Se eu mandasse numa editora de música" href="http://www.ouve-se.com/2009/05/se-eu-mandasse-numa-editora-de-musica/">minha ideia romântica de editora de música</a>.</p>
<p>Dito isto, apetece-me falar dos <a title="Desertshore" href="http://www.desertshoreband.com/">Desertshore</a>, um projecto Phil Carney (ex-Red House Painters) e Chris Connolly de que nunca tinha ouvido falar. Numa das minhas visitas ocasionais ao site da <a title="Caldo Verde Records" href="http://www.caldoverderecords.com/">Caldo Verde Records</a>, a editora de Mark Kozelek, encontrei-os e decidi ouvir uma das músicas disponíveis. E valeu a pena.</p>
<p><span id="more-1428"></span></p>
<p><em>Drawing of Threes</em> é o segundo álbum da banda &#8211; o primeiro é instrumental, segundo consta &#8211; e parece que as canções foram feitas de propósito para mim (creio que isto poderá aplicar-se a todos os fãs de Red House Painters e Sun Kil Moon). <a title="Desertshore - &quot;Diana&quot;" href="http://www.caldoverderecords.com/desertshore/index4.html">&#8220;Diana&#8221;</a> e &#8220;Randy Quaid&#8221;, por exemplo, assemelham-se muito a canções de Mark Kozelek e companhia (ele canta numas quantas canções do álbum, entre as quais estas duas) e isso é uma coisa a que não tenho qualquer intenção de resistir.</p>
<p>Moral da história: mantenham-se a par das novidades das editoras pequenas que vos fazem felizes.</p>
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		<title>O melhor de 2011 &#8211; álbuns</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Dec 2011 15:38:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Este é o terceiro de três posts sobre o melhor da música em 2011. Apresento-vos os meus dez álbuns favoritos de 2011. É uma lista conservadora e pouco ecléctica mas é o espelho dos meus padrões musicais no ano que agora termina. Dito isto, faço a minha tradicional ressalva: se publicasse este post daqui a uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Este é o terceiro de três posts sobre <a title="Top 2011" href="http://www.ouve-se.com/tag/top-2011">o melhor da música em 2011</a>.</em></p>
<p><img class="alignnone" title="Bon Iver" src="http://www.ouve-se.com/wp-content/themes/neoclassical/images/boniver.jpg" alt="" width="600" height="399" /></p>
<p>Apresento-vos os meus dez álbuns favoritos de 2011. É uma lista conservadora e pouco ecléctica mas é o espelho dos meus padrões musicais no ano que agora termina. Dito isto, faço a minha tradicional ressalva: se publicasse este post daqui a uma semana, o resultado seria certamente diferente (não muito&#8230; mas vocês percebem).</p>
<p><span id="more-1419"></span></p>
<p>Os meus dez álbuns favoritos deste ano:</p>
<p><strong>10 &#8211; Girls &#8211; <em>Father, Son, Holy Ghost</em></strong><br />
À partida, não haveria muitos motivos para que os Girls estivessem nesta lista. É que o indie rock perfeitinho desta banda de São Francisco não oferece, à primeira audição, traços que os diferenciem da multidão. Mas é aí que está o truque &#8211; ouçam o álbum uma segunda vez. Aí, já conseguirão ouvir &#8220;Alex&#8221; ou &#8220;Die&#8221; com outro espírito, um mais disponível para ouvir os fantásticos pormenores que <em>Father, Son, Holy Ghost</em> apresenta. E depois há a épica &#8220;Vomit&#8221;, o ponto alto do álbum&#8230; e uma espécie de exemplo condensado do que se pode esperar dos Girls.</p>
<p><strong>9 &#8211; Yuck &#8211; <em>Yuck</em></strong><br />
O álbum de estreia dos londrinos Yuck é um elogio ao rock cheio de distorção, feedback e pedais dos anos 90. Não me parece que sejam do grunge &#8211; diria que estão a meio caminho entre isso e bandas como Yo La Tengo e Sonic Youth (mas ainda têm de comer muita Cerelac para lá chegarem). Basicamente, os Yuck prometem muito&#8230; e temas como &#8220;Holing Out&#8221;, &#8220;Shook Down&#8221; ou a <a title="O melhor de 2011 - canções" href="http://www.ouve-se.com/2011/12/o-melhor-de-2011-cancoes/">já referida</a> &#8220;Rubber&#8221; parecem dar algumas garantias.</p>
<p><strong>8 &#8211; PJ Harvey &#8211; <em>Let England Shake</em></strong><br />
A minha relação com a PJ Harvey é praticamente ocasional. Bem sei que isto é a modos que um sacrilégio mas&#8230; que pode um homem fazer? Os últimos álbuns dela são um tanto ou quanto barrocos (<em>White Chalk</em>, pá!) e também tive alguma dificuldade com isso. Mas <em>Let England Shake</em> tem qualquer coisa que o coloca acima do resto. É um daqueles álbuns que devemos ouvir sem distracções. &#8220;The Words That Maketh Murder&#8221; e &#8220;Hanging In The Wire&#8221; são dois exemplos do que quero dizer.</p>
<p><strong>7 &#8211; Low &#8211; <em>C&#8217;mon</em></strong><br />
<em> C&#8217;mon</em> é um álbum fantástico. &#8220;Try To Sleep&#8221;, &#8220;Witches&#8221;, &#8220;Especially Me&#8221;, &#8220;Something&#8217;s Turning Over&#8221;&#8230; escolham vocês. É deprimente, assustador, um bocadinho estranho e muito, muito bom. O que seria de esperar dos Low, portanto. A consistência é uma característica muito pouco destacada por aí. Anda sempre tudo à procura da novidade, da próxima grande coisa. Nada contra. Mas nem pensar que vou ignorar as grandes coisas actuais. E os Low fazem grande música. Não peço muito mais deles.</p>
<p><strong>6 &#8211; M83 &#8211; <em>Hurry Up, We&#8217;re Dreaming</em></strong><br />
Apesar de eu não ser muito da electrónica, há coisas que não consigo ignorar. E era preciso estar em Marte para conseguir ignorar o gigante <em>Hurry Up, We&#8217;re Dreaming</em> dos M83. Grandioso do início ao fim e cheio de grandes canções &#8211; até a porra da &#8220;Intro&#8221; é épica! -, este álbum é quase cansativo. É um álbum duplo e isso nota-se, claro, mas creio que eles conseguiram safar-se com esta. Um álbum duplo é sempre arriscado (que é como quem diz &#8220;dura demasiado&#8221;), ainda mais se for uma autêntica epopeia áudio&#8230; mas eles conseguiram, definitivamente.</p>
<p><strong>5 &#8211; Kurt Vile -<em> Smoke Ring For My Halo</em></strong><br />
Se, como eu, associavam Kurt Vile a lo-fi&#8230; bem, esqueçam. Este músico norte-americano parece ter arrumado de vez o lo-fi a um canto e deixem-me dizer-vos que valeu a pena. <em>Smoke Ring For My Halo</em> parece mostrar-nos um Kurt Vile mais à vontade consigo mesmo, mais disposto a arriscar &#8211; o que, no caso dele, curiosamente, significa fazer música mais, à falta de melhor termo, pop. Claro que a folk continua a ser uma grande parte da música de Kurt Vile mas há um lado rock menos desgrenhado, mais arrumadinho. É como se a música de Kurt Vile tivesse tomado um banhinho e fosse conhecer o pai da namorada (OK, isto não faz sentido nenhum). Mas a qualidade continua intacta. &#8220;Society Is My Friend&#8221; e &#8220;In My Time&#8221; não me deixam mentir.</p>
<p><strong>4 &#8211; The Antlers &#8211; <em>Burst Apart</em></strong><br />
Devo ser a única pessoa no mundo que gosta mais de <em>Burst Apart</em> do que de <em>Hospice</em>. E atenção que <em>Hospice</em> é um grande álbum &#8211; mais experimental, menos pop&#8230; mas um grande álbum. Mas <em>Burst Apart</em> dá aquele corajoso passo extra em direcção à grandiosidade. Canções como &#8220;I Don&#8217;t Want Love&#8221;, &#8220;Hounds&#8221; ou a maravilhosa &#8220;No Widows&#8221; &#8211; isto já para não falar de <a title="O melhor de 2011 - canções" href="http://www.ouve-se.com/2011/12/o-melhor-de-2011-cancoes/">&#8220;Corsicana&#8221;, claro</a> &#8211; fazem deste álbum um dos melhores do ano e, até ver, o melhor que os The Antlers já fizeram.</p>
<p><strong>3 &#8211; Dan Mangan &#8211; <em>Oh Fortune</em></strong><br />
<em><a title="Um álbum crescido" href="http://www.ouve-se.com/2011/12/um-album-crescido/"> Oh Fortune</a></em> mostra-nos Dan Mangan num grande momento. É o álbum mais abrangente e completo deste músico canadiano. Temos rock, temos pop, temos folk, temos até uma espécie de valsa logo a abrir. Além disto, mantém-se o &#8220;Sold my soul to the devil for nice penmanship&#8221; que Dan Mangan referia em &#8220;Tina&#8217;s Glorious Comeback&#8221;, no <a title="Um grande álbum que fica fora do top 2010" href="http://www.ouve-se.com/2010/12/um-grande-album-que-fica-fora-do-top-2010/">álbum anterior</a>. Quero com isto dizer que ele continua a escrever letras simplesmente brilhantes, sem grandes merdas. E tem canções do tamanho do mundo: &#8220;Post-War Blues&#8221;, &#8220;Starts With Them, Ends With Us&#8221;, &#8220;Rows of Houses&#8221;&#8230; digam-me vocês. Ah, e uma das <a title="O melhor de 2011 - canções" href="http://www.ouve-se.com/2011/12/o-melhor-de-2011-cancoes/">canções do ano</a>: &#8220;If I am Dead&#8221;. Se não ouviram ou nem sequer conhecem, não sabem o que perdem.</p>
<p><strong>2 &#8211; Radiohead &#8211; <em>The King of Limbs</em></strong><br />
É engraçado ver um álbum de Radiohead fora dos destaques do ano. E penso honestamente que, apesar de estar seguramente uns furos abaixo de quase todos os álbuns da banda, <em><a title="The King of Limbs" href="http://www.ouve-se.com/2011/04/the-king-of-limbs/">The King of Limbs</a></em> é um dos melhores álbuns do ano. OK, já toda a gente sabe da minha <a title="A experiência Radiohead" href="http://www.ouve-se.com/2008/09/a-experiencia-radiohead/">obsessão com Radiohead</a> mas para mim é simples: regra geral, eles fazem música muito acima dos que estão acima da média. Assim, um dos piores álbuns deles é, à mesma, um dos melhores álbuns do ano. Foi difícil ouvir canções melhores que &#8220;Lotus Flower&#8221;, &#8220;Codex&#8221;, &#8220;Bloom&#8221; ou &#8220;Separator&#8221; por aí em 2011. Acho é que estamos todos mal habituados. O que <em>The King of Limbs</em> não consegue é estar ao nível a que os Radiohead nos habituaram. Mas esqueçam que são eles e aproveitem o álbum pelo que é. Um grande, grande disco.</p>
<p><strong>1 &#8211; Bon Iver &#8211; <em>Bon Iver, Bon Iver</em></strong><br />
Isto não é surpresa para ninguém. <em><a title="Bon Iver, Bon Iver" href="http://www.ouve-se.com/2011/06/bon-iver-bon-iver/">Bon Iver, Bon Iver</a></em> é o melhor álbum do ano e, para mim, um dos melhores álbuns de sempre, um 10/10. Vale a pena ouvi-lo vezes e vezes sem conta do início ao fim. Da monumental &#8220;Perth&#8221; à incompreendida &#8220;Beth/Rest&#8221;, passando por &#8220;Calgary&#8221;, &#8220;Holocene&#8221;, &#8220;Hinnom, TX&#8221; e &#8220;Minnesota, WI&#8221; como se nada mais houvesse para ouvir no mundo. Este ano, foi quase assim. Bon Iver e os outros. Um dos momentos mais altos da música.</p>
<p>Desde o momento em que me passou pelos ouvidos, <em>Bon Iver, Bon Iver</em> praticamente garantiu o primeiro lugar nesta lista. Justin Vernon mostrou mais uma vez, depois de <a title="O melhor de 2008 - álbuns" href="http://www.ouve-se.com/2008/12/o-melhor-de-2008-albuns/">um primeiro álbum</a> e um EP de grande qualidade, que o seu sucesso não é coincidência. E mostrou-o da melhor forma possível. Não havia outra hipótese senão reconhecê-lo.</p>
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		<title>O melhor de 2011 &#8211; canções</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Dec 2011 17:37:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Este é o segundo de três posts sobre o melhor da música em 2011. Foi estranhamente fácil fazer esta lista e creio que o motivo é simples. Apesar de não ter sido um ano mau &#8211; longe disso! -, também não foi dos mais espectaculares. Basta, aliás, olhar para as listas de final do ano [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Este é o segundo de três posts sobre <a title="Top 2011" href="http://www.ouve-se.com/tag/top-2011">o melhor da música em 2011</a>.</em></p>
<p><em><img class="alignnone" title="Bon Iver" src="http://www.ouve-se.com/wp-includes/images/boniver.jpg" alt="" width="590" height="320" /></em></p>
<p>Foi estranhamente fácil fazer esta lista e creio que o motivo é simples. Apesar de não ter sido um ano mau &#8211; longe disso! -, também não foi dos mais espectaculares. Basta, aliás, olhar para as listas de final do ano de todos os sites e publicações que as fazem. Há uns quantos indiscutíveis e depois, salvo raras excepções&#8230; epá, não. Para mim, no fim das contas, acabou por ser um ano de confrontos e confirmações.</p>
<p><span id="more-1414"></span></p>
<p>As minhas dez canções favoritas deste ano:</p>
<p><strong>10 &#8211; The Antlers &#8211; “Corsicana”</strong><br />
&#8220;Corsicana&#8221; é a canção mais simples e despida de <em>Burst Apart</em>. É possível que seja esse o truque para que apareça aqui na lista. A guitarra, os arranjos fantasmagóricos e a voz perfeita de Peter Silberman fazem de &#8220;Corsicana&#8221; uma das coisas mais belas ouvidas em 2011.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=SqdWPV9uFHo">YouTube</a></p>
<p><strong>9 &#8211; Low &#8211; “Try To Sleep”</strong><br />
Para o bem e para o mal, os Low são uma das bandas mais certinhas dos últimos 20 anos. Por um lado, não existe propriamente uma grande evolução no tipo de música nem nos arranjos que podemos ouvir nos álbuns. Por outro lado, não conseguem fazer música má. &#8220;Try To Sleep&#8221;, o tema de abertura de <em>C&#8217;mon</em>, mostra-nos isso mesmo, com a sua cadência lenta e a sua letra brilhante e assustadora (<em>You try to sleep / But then you never wake up</em>). Uma das melhores canções de embalar de sempre, provavelmente.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=wXgc0I0zsYs">YouTube</a></p>
<p><strong>8 &#8211; Lana Del Rey &#8211; &#8220;Video Games&#8221;</strong><br />
Toda a gente fala dela. É a melhor coisa dos últimos anos, é o melhor álbum do ano que vem, é a nova Tori Amos. Não sei se é bem assim mas a verdade é que &#8220;Video Games&#8221; é uma das melhores músicas do ano. Melodia doce a prometer coisas boas, produção de bom gosto e uma voz muito interessante fazem desta canção um ponto de paragem obrigatória na música de 2011.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=HO1OV5B_JDw">YouTube</a></p>
<p><strong>7 &#8211; Wilco &#8211; &#8220;Art of Almost&#8221;</strong><br />
&#8220;Art of Almost&#8221; é um daqueles momentos que nos dá esperança de que os Wilco voltem, um dia, a lançar um álbum tão bom como <em>Yankee Hotel Foxtrot</em>. Ainda não foi desta mas a canção é uma obra de arte. Esquisita e barulhenta q.b., &#8220;Art of Almost&#8221; vai da <em>quase</em> electrónica ao rock passado dos cornos em apenas uns minutos. É sem sombra de dúvida um dos pontos altos do ano.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=yWP4bI37mCE">YouTube</a></p>
<p><strong>6 &#8211; Yuck &#8211; “Rubber”</strong><br />
Os Yuck foram uma descoberta tardia, uma das excepções das listas de final de ano que referi no início do artigo. E &#8220;Rubber&#8221;, qual ode à distorção e ao feedback, é o expoente máximo da excepção. É como se os Yo La Tengo de 1993 tivessem viajado no tempo e, em vez de darem umas dicas a eles próprios (o que poderia tornar-se esquisito), tivessem dito aos Yuck como é que se faz. E eles fizeram.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=3pt2YuvrWYE">YouTube</a></p>
<p><strong>5 &#8211; M83 &#8211; “Midnight City”</strong><br />
Previsível, não é? Não me culpem a mim, que a única coisa que faço neste contexto é ouvir música. Os M83 têm vindo a trilhar um caminho muito interessante, evoluindo do pós-rock para uma feliz abordagem à electro-pop. Assim, &#8220;Midnight City&#8221; é um dos hinos do ano e definitivamente uma das melhores canções que os M83 já fizeram.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=dX3k_QDnzHE">YouTube</a></p>
<p><strong>4 &#8211; Dan Mangan &#8211; &#8220;If I am Dead&#8221;</strong><br />
Dan Mangan faz alguma da melhor música da actualidade mas ninguém lhe liga especialmente fora do Canadá. Mas algo me diz que isso vai mudar. Na primeira vez que ouvi <em>Oh Fortune</em>, pensei que seria &#8220;Post-War Blues&#8221; a estar aqui no final do ano. Mas as coisas evoluem e a letra de &#8220;If I am Dead&#8221; seria, só por si, suficiente para me fazer mudar de ideias. Mas a abordagem meio desiludida, meio esteticamente dramática que Dan Mangan faz à morte neste tema é brilhantemente complementada pela marcha lenta da guitarra, dos metais e da bateria. É deprimente, sim, mas também é uma das canções mais sublimes que ouvi em 2011.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=_vIgfOskHjQ">YouTube</a></p>
<p><strong>3 &#8211; The National &#8211; &#8220;Think You Can Wait&#8221;</strong><br />
Composta para a banda sonora de <em>Win Win</em>, o filme de Thomas McCarthy, &#8220;Think You Can Wait&#8221; chegou de mansinho e ficou sossegada a um cantinho. Até que um dia a pus a tocar a sério, sem distracções. E foi o suficiente para perceber que &#8220;Think You Can Wait&#8221; não é só mais uma música dos The National (o que já seria bom) nem apenas uma das melhores músicas do ano, mas sim uma das melhores que os The National já deitaram cá para fora. Se não a ouviram, façam-no. É perfeita.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=2psTO8EurH0">YouTube</a></p>
<p><strong>2 &#8211; Radiohead &#8211; &#8220;The Daily Mail&#8221;</strong><br />
Num ano em que os Radiohead editaram um álbum, é estranho recorrer a um tema extra para falar deles nesta lista. Se &#8220;The Daily Mail&#8221; não existisse, estaria aqui outra mas&#8230; caraças, ainda bem que existe. É que &#8220;The Daily Mail&#8221; não é apenas melhor que todas as canções de <em>The King of Limbs</em>; é uma das melhores canções que os Radiohead editaram nos últimos anos. &#8220;The Daily Mail&#8221; é uma mistura de <em>OK Computer</em> e <em>Amnesiac</em> (e não, o <em>Kid A</em> não se aplica!), um tema épico e barulhento que começa baixinho&#8230; mas que deixa antever algo mais. E esse &#8220;algo mais&#8221; acontece&#8230; e acontece em grande.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=McuHVXgR8dA">YouTube</a></p>
<p><strong>1 &#8211; Bon Iver &#8211; &#8220;Holocene&#8221;</strong><br />
Num ano marcado por um álbum dos Radiohead, é estranho escolher uma canção de outra banda para o número um desta lista. Mas nem os Radiohead nem os Bon Iver me deixaram muitas opções. &#8220;Holocene&#8221; tem tudo o que uma canção deve ter. É crescente, lindíssima, épica, gigante e perfeita. Parece estar rodeada de um ambiente frio mas confortável que só torna tudo ainda melhor. As duas baterias fazem maravilhas, os metais também. Não há ponto mais alto na música de 2011 que &#8220;Holocene&#8221;.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=TWcyIpul8OE">YouTube</a></p>
<p>Com os Radiohead em jogo, este ano não foi fácil. Entre as duas primeiras desta lista, a dúvida manteve-se até à última. E são ambas muito, muito boas. Mas confirmou-se a tendência que existe desde que este blog nasceu. Em 2008, <a title="O melhor de 2008 - canções" href="http://www.ouve-se.com/2008/12/o-melhor-de-2008-cancoes/">a melhor canção do ano foi &#8220;Re: Stacks&#8221;</a>. Em 2009, <a title="O melhor de 2009 - canções" href="http://www.ouve-se.com/2009/12/o-melhor-de-2009-cancoes/">&#8220;Blood Bank&#8221;</a>. Em <a title="O melhor de 2010 - canções" href="http://www.ouve-se.com/2009/12/o-melhor-de-2010-cancoes/">2010</a>, não houve canções novas de Bon Iver. Este ano, voltamos a Bon Iver. E com toda a justiça.</p>
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		<title>Just Like Christmas</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Dec 2011 16:39:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[low]]></category>
		<category><![CDATA[natal]]></category>
		<category><![CDATA[videos]]></category>

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		<description><![CDATA[Os Low não são só da depressão e dos horrores. Às vezes dá-lhes para isto. Entretanto, feliz Natal. Não abusem da comida.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os Low não são só da depressão e dos horrores. Às vezes dá-lhes para isto.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="420" height="315" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/IippcraBPKA?version=3&amp;hl=en_US" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/v/IippcraBPKA?version=3&amp;hl=en_US" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Entretanto, feliz Natal. Não abusem da comida.</p>
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		<title>O melhor de 2011 &#8211; concertos</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Dec 2011 12:19:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[arcade fire]]></category>
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		<category><![CDATA[the national]]></category>
		<category><![CDATA[top 2011]]></category>

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		<description><![CDATA[Este é o primeiro de três posts sobre o melhor da música em 2011. 2011 foi um ano estranho em termos musicais. Ainda fui a alguns concertos &#8211; embora tenha deixado os pequenos e relativamente pequenos de fora, o que é uma pena &#8211; mas não ouvi tanta música nova como deveria. Acho que os meus [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Este é o primeiro de três posts sobre <a title="Top 2010" href="http://www.ouve-se.com/tag/top-2011">o melhor da música em 2011</a>.</em></p>
<p><img class="alignnone" title="The National" src="http://www.ouve-se.com/wp-includes/images/thenational.jpg" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p>2011 foi um ano estranho em termos musicais. Ainda fui a alguns concertos &#8211; embora tenha deixado os pequenos e relativamente pequenos de fora, o que é uma pena &#8211; mas não ouvi tanta música nova como deveria. Acho que os meus concertos favoritos deste ano reflectem a minha estadia prolongado na minha zona de conforto. Mas a verdade é que se está muito confortável por aqui.</p>
<p><span id="more-1398"></span></p>
<p>Os cinco melhores concertos que vi em 2011:</p>
<p><strong>5 &#8211; The Decemberists no HMV Hammersmith Apollo, em Londres (16 de Março)</strong><br />
A grande surpresa deste ano. Fui vê-los porque fui a Londres (e não o contrário) mas, depois de os ter visto, bem que podia ter sido ao contrário. A mistura country/folk/rock/prog-coisas dos The Decemberists fintou-me e, em vez de me dar um concerto relativamente aborrecido com um ou outro presente agradável, pôs-me aos saltos com umas 5 mil pessoas graças a uma energia contagiante e a um set fantástico.<br />
<a href="http://www.ouve-se.com/2011/03/londres-e-a-surpresa-chamada-decemberists/">Ler reportagem</a>.</p>
<p><strong>4 &#8211; Portishead no Super Bock Super Rock, no Meco (15 de Julho)</strong><br />
Confesso que, por muita curiosidade que tivesse para ver os Portishead (que tinha), nunca esperava uma coisa assim. Foi a primeira vez que os vi ao vivo e só posso agradecer a amabilidade deles em tocarem para nós, seres humanos com menos ou nenhum talento especialmente apreciável. Foi um concerto lento, deprimente, demolidor. A voz de Beth Gibbons é perfeita e a guitarra de Adrian Utley está tão bem ensinada que só consegue fazer sons perfeitos. Como só os Portishead conseguiriam fazer.</p>
<p><strong>3 &#8211; Arcade Fire no Super Bock Super Rock, no Meco (15 de Julho)</strong><br />
Esta não surpreende ninguém. Os Arcade Fire são uma das melhores bandas para se ver ao vivo e nunca desiludem. Mentiria se dissesse que este concerto esteve ao nível do que deram há uns anos no Super Bock Super Rock, quando ainda era no Parque Tejo. E estou certo de que muitos testemunharão que o de Paredes de Coura foi ainda melhor, ainda que eu não possa comprová-lo. Mas este foi, ainda assim, um concerto gigante, com toda aquela celebração e energia em estado puro que só uma banda com a entrega e qualidade dos Arcade Fire pode dar.</p>
<p><strong>2 &#8211; Bon Iver no Pitchfork Music Festival, em Paris (29 de Outubro)</strong><br />
Este concerto estaria facilmente no primeiro lugar desta lista se não fosse a falta que &#8220;Re: Stacks&#8221; me fez. É que ainda por cima foi há menos tempo que o primeiro lugar, portanto&#8230; está mais fresco. E foi um grande concerto, cheio de grandes momentos e executado na perfeição. Com menos de 30 anos e apenas dois álbuns na bagagem, Justin Vernon parece estar aqui para ficar. Este brilhante concerto dos Bon Iver em Paris é apenas mais um exemplo disto.<br />
<a href="http://www.ouve-se.com/2011/12/bon-iver-em-paris-e-a-minha-inquietacao/">Ler reportagem</a>.</p>
<p><strong>1 &#8211; The National no Campo Pequeno, em Lisboa (24 de Maio)</strong><br />
Os The National são uma das melhores bandas da actualidade. O concerto que deram em Maio no Campo Pequeno foi o quinto deles a que assisti e mostrou-nos, mais uma vez, uma banda num grande momento. A verdade é que qualquer concerto com &#8220;Lucky You&#8221;, &#8220;England&#8221;, &#8220;Fake Empire&#8221;, &#8220;Terrible Love&#8221;, &#8220;About Today&#8221; e aquela versão unplugged de &#8220;Vanderlyle Crybaby Geeks&#8221; só pode acabar nesta lista. Venham mais cinco.<br />
<a href="http://www.ouve-se.com/2011/05/o-meu-quinto-concerto-dos-the-national-foi-o-que-se-esperava/">Ler reportagem</a>.</p>
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		<title>Bon Iver em Paris e a minha inquietação</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Dec 2011 23:18:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[bon iver]]></category>
		<category><![CDATA[concertos]]></category>
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		<category><![CDATA[pitchfork music festival]]></category>

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		<description><![CDATA[Percebi há uns dias que não disse nada aqui sobre o concerto de Bon Iver a que assisti em Paris, durante o Pitchfork Music Festival, no final de Outubro. Pois que agora é tarde para grandes prosas mas podem ter a certeza de que foi um concerto quase perfeito, como seria de esperar. O recinto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Percebi há uns dias que não disse nada aqui sobre o concerto de Bon Iver a que assisti em Paris, durante o Pitchfork Music Festival, no final de Outubro.</p>
<p>Pois que agora é tarde para grandes prosas mas podem ter a certeza de que foi um concerto quase perfeito, como seria de esperar. O recinto estava a abarrotar de casais beijoqueiros, gigantes escandinavos e italianos barulhentos para assistir ao concerto mais importante do festival por onde já tinham passado Aphex Twin, Cut Copy, Lykke Li e Jens Lekman, entre outros.</p>
<p>O início com &#8220;Perth&#8221;, &#8220;Minnesota, WI&#8221; e a perfeita &#8220;Holocene&#8221; dissipou eventuais dúvidas sobre a qualidade do espectáculo. Qualidade que já esperava, lá está, sobretudo porque <a title="Bon Iver, Bon Iver" href="http://www.ouve-se.com/2011/06/bon-iver-bon-iver/">o álbum é qualquer coisa do outro mundo</a>. E depois veio uma &#8220;Blood Bank&#8221; <em>on steroids</em>, cheia de força e distorção, e lá fui eu atrás.</p>
<p><span id="more-1392"></span></p>
<p>Problema: a seguir surgiu &#8220;Beach Baby&#8221;, uma canção acústica muito bonita que também pode ser ouvida no EP <em>Blood Bank</em>. O que significa isto? Bem, significa que, apesar de estar a assistir a um concerto quase perfeito, nunca consegui deixar de pensar num pequeno pormenor chamado &#8220;Re: Stacks&#8221;, a minha canção favorita de Bon Iver. Pouco mais de uma hora depois de &#8220;Beach Baby&#8221;, confirmou-se a terrível notícia de que não haveria &#8220;Re: Stacks&#8221; para ninguém. Acho que nunca saí tão chateado de um concerto. Um gajo vai a Paris e é isto que recebe em troca. &#8220;Beach Baby&#8221; não devia estar ali, garanto-vos.</p>
<p>Acho que foi um dos melhores concertos a que assisti na minha vida e, no entanto, nunca saí assim de nenhum concerto, por pior que fosse. Mas seria injusto ignorar todas as coisas boas que se passaram, desde as novas &#8220;Calgary&#8221; e &#8220;Beth/Rest&#8221; às mais entradotas &#8220;Creature Fear&#8221;, &#8220;The Wolves (Acts I and II)&#8221; e, claro, &#8220;Skinny Love&#8221;. O final com &#8220;For Emma&#8221; foi fofinho mas a minha amargura com a ausência de &#8220;Re: Stacks&#8221; dominou totalmente os encores&#8230; e o final foi apenas tempo desperdiçado a pedir ajuda aos santinhos para que &#8220;For Emma&#8221; não fosse realmente a última. É que &#8220;For Emma&#8221; não merecia ser a última &#8211; é que há coisas tão mais grandiosas na música de Bon Iver. E eu não merecia que o concerto terminasse sem a &#8220;Re: Stacks&#8221; ecoar pela Grande Halle de la Villette. Não merecia o quase a manchar o perfeito.</p>
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		<title>Um álbum crescido</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Dec 2011 23:39:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[dan mangan]]></category>
		<category><![CDATA[discos]]></category>

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		<description><![CDATA[Dan Mangan é um prazer recente. Há coisa de ano e meio, cruzei-me com uma canção dele &#8211; “Robots” &#8211; e fiquei interessado. Isto acontece-me de vez em quando: ouço uma música, acho interessante, e decido dar uma oportunidade a um álbum ou ao que quer que o artista tenha gravado. Foi o que fiz. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" style="float: right; margin: 5px;" title="Dan Mangan - Oh Fortune" src="http://www.ouve-se.com/wp-includes/images/danmangan-ohfortune.jpg" alt="" width="250" height="250" />Dan Mangan é um prazer recente. Há coisa de ano e meio, cruzei-me com uma canção dele &#8211; “Robots” &#8211; e fiquei interessado. Isto acontece-me de vez em quando: ouço uma música, acho interessante, e decido dar uma oportunidade a um álbum ou ao que quer que o artista tenha gravado. Foi o que fiz. Mas demorei uns meses valentes até ouvir <em>Nice, Nice, Very Nice </em>e, quando o fiz, roguei-me pragas por ter demorado tanto tempo. O álbum era, a todos os níveis, <a title="Um grande álbum que fica fora do top 2010" href="http://www.ouve-se.com/2010/12/um-grande-album-que-fica-fora-do-top-2010/">uma obra fantástica</a>. Tinha canções maravilhosas, como “Basket” ou “Fair Verona”, e conjugava uma folk desinibida com letras absolutamente perfeitas. Tudo isto regado a uma espécie de depressão suburbana de que só podia gostar.</p>
<p>Felizmente, não tive de esperar muito pelo terceiro álbum (claro que, entre um e o outro, ainda fui conhecer o primeiro). <em>Oh Fortune</em> chegou em Setembro passado, ali pelo início do Outono. E foi, <a title="Post-war Blues" href="http://www.ouve-se.com/2011/09/post-war-blues/">como já referi</a>, o disco mais caro que comprei (entre o preço da edição especial, os portes e a alfândega).</p>
<p>Agora, valeu a pena? Bem, se fosse hierarquizar do melhor álbum de sempre para o pior, claro que não. Mas valeu, porra. As minhas expectativas eram elevadas e tinha um certo receio de ficar desiludido&#8230; mas simplesmente não fiquei. Longe disso.</p>
<p><span id="more-1374"></span></p>
<p><em>Oh Fortune</em> é um álbum crescido. É uma daqueles trabalhos regados a bom gosto &#8211; nos arranjos, nas letras, no alinhamento&#8230; em tudo. Também me parece ser um bocadinho mais difícil que o anterior, no sentido em que há canções como “Leaves, Trees, Forest” ou “Daffodil”, ambas muito pouco imediatas mas que acabam por crescer dentro de nós com o tempo.</p>
<p>Mas não faltam momentos imediatos, fantásticos e dignos de destaque. O caso mais óbvio é o de “Post-war Blues”, que <a title="Post-war Blues" href="http://www.ouve-se.com/2011/09/post-war-blues/">já referi aqui</a>. O ritmo acelerado, a tarola a espaços tresloucada e o refrão fazem desta canção um clássico instantâneo na carreira de Dan Mangan. O facto da música tratar de um certo sentimento de vazio torna esta grandiosidade um tanto ou quanto estranha mas acho que a piada também está aí. E depois há aquele final épico.</p>
<p>Outro dos pontos altos de <em>Oh Fortune</em> chega logo a seguir no alinhamento. “If I Am Dead” tem uma letra simples e directa, bem ao estilo do músico canadiano, e é linda: “Burn my remains / My stuff, the same / Bury my name / It’s yours now, anyway” é definitivamente um dos grandes momentos deste álbum.</p>
<p>No canto mais barulhento de <em>Oh Fortune</em>, “Rows of Houses” é um dos melhores exemplos do que Dan Mangan consegue fazer com um bocadinho de electricidade mas é “Starts With Them, Ends With Us” que leva o prémio para casa, até porque quem me dá finais épicos, dá-me tudo. Começa baixo, baixinho, mas vai subindo até ao final apoteótico em que os metais dizem olá e ficam para jantar. Não estou certo de que compreendam mas ouçam o pequeno apontamento de fundo (trompete, talvez, mas percebo muito pouco do assunto) aos 3 minutos e 58 segundos e digam-me que não é das coisas mais sublimes que já ouviram.</p>
<p>O início em valsa com “About As Helpful As You Can Be Without Being Any Help At All” e o fim inquisidor com “Jeopardy” (em que todos os versos são perguntas) mostram aquilo que o resto do álbum confirma: um certo ecletismo&#8230; mas com a consistência que me leva a dizer que <em>Oh Fortune</em> é um álbum crescido. É, também, um dos melhores do ano.</p>
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		<title>Post-war Blues</title>
		<link>http://www.ouve-se.com/2011/09/post-war-blues/</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Sep 2011 22:32:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[dan mangan]]></category>
		<category><![CDATA[videos]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda está ouvido de fresco mas já é uma das músicas do ano para mim. O novo LP (e um saco e um poster e um booklet e uma t-shirt e, claro, o CD) de Dan Mangan &#8211; vocês sabem do que é que eu estou a falar &#8211; chegou-me hoje com o epíteto de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda está ouvido de fresco mas já é uma das músicas do ano para mim. O novo LP (e um saco e um poster e um booklet e uma t-shirt e, claro, o CD) de Dan Mangan &#8211; <a title="Um grande álbum que fica fora do top 2010" href="http://www.ouve-se.com/2010/12/um-grande-album-que-fica-fora-do-top-2010/">vocês sabem do que é que eu estou a falar</a> &#8211; chegou-me hoje com o epíteto de &#8220;disco mais caro que comprei&#8221; (porque veio do Canadá e porque a Alfândega trabalha bem) e ainda só o ouvi uma vez&#8230; mas hei-de escrever sobre ele brevemente.</p>
<p>A música a que me refiro especificamente é &#8220;Post-war Blues&#8221; e ainda não tenho muitas palavras para a qualificar. Sei que, quando as tiver, serão lisonjeiras para a música. Ou apenas justas, não sei. Para já, ouçam (e vejam) esta versão ao vivo, que vale muito, muito a pena.</p>
<p><object width="560" height="315"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/PtmvelyIZ9A?version=3&amp;hl=en_US&amp;rel=0&amp;hd=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/PtmvelyIZ9A?version=3&amp;hl=en_US&amp;rel=0&amp;hd=1" type="application/x-shockwave-flash" width="560" height="315" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Deserter&#8217;s Songs &#8211; ou como aos poucos hei-de lá chegar</title>
		<link>http://www.ouve-se.com/2011/09/deserters-songs-ou-como-aos-poucos-hei-de-la-chegar/</link>
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		<pubDate>Sun, 04 Sep 2011 22:48:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[mercury rev]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais trabalho, menos tempo para isto. You know the drill. Mas hoje estou mais virado para as palavras e faço um pequeno esforço para vos dizer que não podia deixar de admitir aqui mais uma grande falha minha. Assim como assim, é para isso &#8211; pelo menos em parte &#8211; que este blog serve. A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais trabalho, menos tempo para isto. <em>You know the drill.</em></p>
<p>Mas hoje estou mais virado para as palavras e faço um pequeno esforço para vos dizer que não podia deixar de admitir aqui mais uma grande falha minha. Assim como assim, é para isso &#8211; pelo menos em parte &#8211; que este blog serve. A falha chama-se Mercury Rev e foi corrigida há umas duas semanas com a compra <em>às cegas</em> de <em>Deserter&#8217;s Songs</em>. Alguns de vós perguntarão &#8220;mas como é possível comprar um álbum tão aclamado como <em>Deserter&#8217;s Songs</em> às cegas!?&#8221;, outros perguntarão &#8220;mas quem são os Mercury Rev!?&#8221;. Só vos peço que não se cruzem uns com os outros na rua. <em>Deserter&#8217;s Songs</em> é provavelmente o álbum mais conhecido dos Mercury Rev. Um daqueles álbuns que esteve nas listas todas de final de ano no ano em que foi lançado. 1998, já agora.</p>
<p><span id="more-1363"></span></p>
<p>De qualquer forma, posso dizer-vos que tem sido um verdadeiro prazer conhecer este álbum. É acolhedor e, a espaços, quase doce. E tem um ambiente que não me deixa tirar os The Flaming Lips da cabeça. E a comparação não é descabida: o vocalista dos Mercury Rev fez parte da banda durante algum tempo (e a voz dele é parecidíssima com a de Wayne Coyne!) e Dave Fridmann, o baixista, produziu todos os álbuns dos The Flaming Lips excepto <em>Transmissions from the Satellite Heart</em>. Portanto&#8230; até que faz sentido.</p>
<p>Além disto, tem canções simplesmente fantásticas. &#8220;Holes&#8221;, &#8220;Opus 40&#8243; e &#8220;Goddess on a Hiway&#8221; são <em>apenas</em> as obrigatórias mas o álbum é brilhante de uma ponta à outra. Se por acaso ainda não passaram por <em>Deserter&#8217;s Songs</em> num desses computadores, iPods ou aparelhagens que para aí há&#8230; despachem-se, que vai valer a pena.</p>
<p>Fiquem com &#8220;Goddess on a Hiway&#8221; e vejam lá se não tenho razão.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="420" height="345" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/1xJbEoc5sDw?version=3&amp;hl=en_US&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="420" height="345" src="http://www.youtube.com/v/1xJbEoc5sDw?version=3&amp;hl=en_US&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>O que me alegra nesta falha é que sei que há por aí mais maravilhas à espera de mim. Há por aí muitas bandas e artistas aclamados que fui ignorando por um ou outro motivo&#8230; e eu hei-de chegar a muitas delas. E há-de ser sempre assim, vou sempre ficar a perguntar &#8220;mas por que raio demorei tanto tempo?&#8221;. Bem, estes já cá cantam. Quem se segue?</p>
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