Música, indústria e tendências.

Categoria — Música

Por oito objectivos

Eu sou o tipo mais céptico do mundo no que diz respeito a campanhas por causas sociais. Se forem marcas, então, é difícil convencerem-me de que a responsabilidade social corporativa desta ou daquela empresa não é mais do que um esforço de marketing. Há excepções, certamente, mas este prólogo serve mais para vos falar do meu cepticismo do que propriamente da boa ou má vontade de quem tenta fazer alguma coisa. E nem sei porque é que comecei a falar de empresas… Não é disso que trata este texto.

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04-08-2011   4 comentários

Bon Iver, Bon Iver

De tempos a tempos, surge por aí música que faz a diferença, que altera qualquer coisa. E às vezes parece que são os pormenores mais subtis que carregam a música às costas até outro patamar. Para mim, Bon Iver é isso.

O que Justin Vernon – o nome por trás do projecto – fez com For Emma, Forever Ago foi isto. Um álbum meio folk, meio baladeiro, que à partida não deixa encontrar nada de radicalmente novo… mas que conseguiu atingir um nível de popularidade muito pouco expectável para o que prometia. Além do falsete peculiar de Justin Vernon, o que podemos nós encontrar na música de Bon Iver que se assuma como um corte ou uma evolução visível relativamente ao que tem sido feito até hoje? Acho sinceramente que ainda não descobri.

Mas “Skinny Love” não é uma música qualquer. Nem “Blindsided”. Nem “Flume”. Nem a fantástica “Re: Stacks” (de que já falei aqui há algum tempo). E não sei o que as torna tecnicamente diferentes de tudo o resto mas sei que me sinto diferente quando as ouço. Sei que para vocês não é suficiente mas para mim chega. O ambiente quente e acolhedor de For Emma, Forever Ago faz-me desconfiar: afinal que tipo de magia negra é esta que torna a tristeza num lugar tão confortável e bonito? Enfim, não sei… mas For Emma, Forever Ago é um álbum muito especial.

Creio que não fui a única pessoa do mundo a sentir isto (ou, pelo menos, algo semelhante). É que a expectativa para o novo álbum de Bon Iver era enorme. Quando o álbum apareceu na Web com mais de um mês de antecedência, a expectativa transformou-se em algo mais barulhento.

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25-06-2011   3 comentários

Radiohead mostram “Staircase” no YouTube

Os Radiohead colocaram hoje uma nova música no YouTube. Primeira amostra da sessão da banda no programa From The Basement, que deverá ser exibido na BBC dentro de pouco tempo, “Staircase” conta com a participação de um segundo baterista, Clive Deamer.

21-06-2011   Sem comentários

Think you can wait

Não estava nada à espera mas o concerto de The National da semana passada estragou-me.

Um gajo está muito bem a ouvir o novo álbum do Bon Iver (havemos de lá chegar, daqui a uns dias ou umas semanas, que eu gosto de saborear as coisas) e pára, por momentos, para ir a um concerto no Campo Pequeno e, pronto, é isto que acontece. Agora não ouço outra coisa.

É estranho, não é? Ao quinto concerto, não é habitual. Está bem, este foi especialmente bom mas, ainda assim, não é habitual. De qualquer forma, lá fui eu ouvir os discos todos que tenho dos The National. Nem o primeiro álbum escapou!

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30-05-2011   3 comentários

O meu quinto concerto dos The National foi o que se esperava

Ontem vi os The National ao vivo pela quinta vez e, por este andar, não me vou cansar tão cedo. E o motivo é relativamente simples: gosto mesmo muito da música deles e eles são mesmo muito bons ao vivo. Se me perguntarem, digo-vos que em equipa que ganha não se mexe.

Agora, o espectáculo propriamente dito. Depois de uma primeira parte morna e relativamente desinteressante levada a cabo pelos Dark Dark Dark no Campo Pequeno, os The National abriram o concerto com a crescentemente tensa “Start a War”. Uma boa forma de começar… mas sobretudo uma forma representativa de o fazer. É que, na maioria das vezes, os The National são isso mesmo: tensão acumulada que raramente chega a libertar-se. “Anyone’s Ghost”, que se seguiu, também é um bom exemplo. Caraças, High Violet é todo ele um bom exemplo.

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25-05-2011   3 comentários

O novo Bon Iver está quase a chegar

Bon Iver, o segundo longa-duração de Bon Iver, tem lançamento marcado para 21 de Junho e promete muito. Mas enquanto não chega o solstício, podem ficar com “Calgary”, a primeira amostra do novo disco. E, se forem como eu, a canção vai convencer-vos à primeira audição.

17-05-2011   3 comentários

Isto não é uma crítica

Há obras sobre as quais não nos sentimos habilitados a falar. Não me refiro sequer às grandes obras, aquelas que dão origem a ensaios atrás de ensaios onde autores infatigavelmente curiosos exploram cada palavra dita, cada acorde tocado num determinado álbum. Às vezes é só mesmo porque não estamos para aí virados. Às vezes, nem explicação arranjamos.

É mais ou menos isso que sinto relativamente a Eingya, um álbum relativamente obscuro de Helios, projecto de um artista (também ele) relativamente obscuro chamado Keith Kenniff. Este músico norte-americano tem feito carreira mais pelos caminhos da electrónica ambiental do que por outro género qualquer… mas Eingya não é bem isso. E não é chill out, definitivamente. E não é bem pós-rock. Bem, a esta altura já devem ter percebido que não tenho realmente certeza do que é.

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11-05-2011   2 comentários

Da Eurovisão

O Festival Eurovisão da Canção é dos espectáculos mais divertidos da televisão.

Aquela música de dança manhosa, aquelas baladas à la Disney, aqueles hard rockers que tentam capitalizar na vitória dos Lordi há uns anos… é tudo demasiado bom.

Reparem na quantidade de pessoas desafinadas e no número de canções cuja letra é em Inglês. Se juntarmos a isto os grupinhos de países que votam sempre nos mesmos (grupinho 1 – ex-repúblicas soviéticas; grupinho 2 – ex-Jugoslávia; grupinho 3 – Escandinávia e afins; e por aí fora…). Escrevo este texto antes do anúncio dos resultados da votação e hoje até pode ser diferente… mas só se acontecer alguma coisa muito estranha.

Como disse, é tudo demasiado bom.

10-05-2011   2 comentários

Só mais uma coisinha

Desculpem mas ainda não é desta que me calo com os Radiohead. Mas está quase, acho.

A banda lançou, a propósito do Record Store Day 2011, um single com dois novos temas: “Supercollider” e “The Butcher”. E não posso dizer que tenha ficado triste. Apesar da minha opinião sobre The King of Limbs ser uma coisa assim meio agridoce, pelo menos “Supercollider” enche-me totalmente as medidas. “The Butcher”, para já, nem por isso. Mas não está nada mal, não.

São ambas marcadamente electrónicas. A primeira faz a voz de Thom Yorke assentar sobre repetitivos sintetizadores e batida. Mas a voz dá cabo de tudo. Yorke podia estar a gravar dizeres para uma central telefónica que a sua voz continuaria a dizer muito mais do que as palavras lhe saiem da boca. Aquela emoção, aquela urgência toda… Enfim, ouçam a canção.

25-04-2011   Sem comentários

The King of Limbs

Ora aqui está uma coisa difícil de escrever.

Os Radiohead são a minha banda favorita. Para mim, representam tudo o que há de bom na música. Tudo. Sou um fã de todas as fases dos Radiohead. Do rock pueril de Pablo Honey à abrangência sonora de Hail To The Thief. Da fusão abafada de Amnesiac à relativa simplicidade de In Rainbows. E The Bends, OK Computer e Kid A são os meus álbuns favoritos de sempre. Dito isto, leiam este artigo com uma dose de cinismo.

Aparentemente, The King of Limbs surgiu do nada. Bem, pelo menos, foi uma surpresa. Numa segunda-feira anunciaram o lançamento, na sexta-feira seguinte disponibilizaram a música. E desde então passaram mais de dois meses.

É o álbum mais curto que os Radiohead lançaram: tem apenas oito faixas e uma duração total de 37 minutos e meio. E é um álbum esquisito.

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21-04-2011   1 comentário