Categoria — Tendências
Sobre o Myway

Com cerca de um mihão de músicas para ouvir online, este mês nasceu o Myway. E o que é o Myway? Segundo a Waymedia, promotora do projecto,
O Myway é um site (…) com conteúdos musicais em streaming no formato áudio e vídeo.
O utilizador tem acesso a 1.000.000 de músicas de forma gratuita e tem a possibilidade de ouvir músicas através de canais temáticos pré-definidos, construir as suas próprias playlists, classificar e partilhar músicas, ouvir rádios de artistas e ler informação sobre os mesmos, assim como ter acesso a um blog de críticas musicais e a uma agenda musical a nível nacional. Além de todas estas funcionalidades, vão ainda estar disponiveis video clips musicais oficiais, pequenos documentários produzidos pela equipa Waymedia sobre o dia-a-dia das bandas portuguesas, making-of de videoclips, entrevistas, cobertura de concertos, entre outros.
Acrescento apenas que, segundo consta, a partir de Março vão disponibilizar um serviço de subscrição pago. Por enquanto, sem serviço de subscrição e com algumas das funcionalidades referidas (como a criação de playlists ou a agenda) inactivas, o Myway é simplesmente uma rádio online que baseia as suas playlists automáticas nos artistas que escolhemos. That being said, é uma espécie de Pandora mas com menos músicas qualidade (ou um Cotonete com mais músicas). Ah, e também tem uma mão cheia de vídeos.
Soube do Myway através dos jornais e sites de notícias – estranho para um projecto que nasce directamente na web. Importa referir que, nos dias que correm, isto é raro. Normalmente, um projecto destes seria apresentado online. Depois viria o buzz (os projectos portugueses não precisam de grande justificação para ter direito a tempo de antena) e – aí sim! – apareceria nos jornais. Enfim, são estratégias… mas permitam-me desconfiar.
O site é uma real bosta. Acho que nunca vi uma versão beta tão má na vida. Cheia de erros, links que não funcionam e objectos deslizantes que, quando aparecem, fazem com que o fundo fique preto, esta versão de teste fechada não promete grande coisa. E o facto de ser uma versão beta não desculpa estes problemas, lamento. Além disto tudo, o site é feio. E tem publicidade – será que quem pagar subscrição também terá direito a este extra?
Mas ei, tem música! 1 milhão de canções não é muito quando comparado com as 8 milhões do Spotify mas não é nada mau. É pena que tenham optado por lançar o serviço só em Portugal – acho que, nestas coisas da Web, se não sai do rectângulo, o projecto não rende. Bem sei que lançaram isto a pensar na internacionalização daqui a algum tempo mas, nesta fase, com o Spotify fechado a literalmente meia dúzia de países europeus e o Pandora limitado aos Estados Unidos, está aberta uma janela de oportunidade que poderá fechar-se nos próximos meses (hopefully). Quando se lembrarem disso, poderá ser tarde demais.
Para já, aguardo pela possibilidade de criar playlists, que isto de não controlar o que vem a seguir não é para mim. É que não sou um grande fã de rádio online. Ainda por cima, os senhores da Waymedia decidiram que seria interessante colocar separadores entre cada cinco ou seis músicas (porque ninguém sabe que está a ouvir música no Myway, claro!), o que chateia quase tanto como apanhar aquela música dos U2 logo a seguir a Radiohead.
Apesar de tudo, uma coisa é certa: vou manter-me atento à evolução do Myway, sobretudo a partir do momento em que abram o serviço de subscrição. A ideia é boa – parece-me é muito mal explorada.
21-02-2010 6 comentários
Fnac vs. Amazon: uma ida às compras
Ontem à noite dei um salto à Amazon.co.uk e decidi fazer uma coisa que nunca tinha feito: explorar as pechinchas da secção de CDs. Não tivesse eu algum tino e a encomenda teria resultado em mais de 20 discos. Fiquei-me pelos oito. Com portes (e mais um livro no carrinho), paguei pouco menos de 70 euros.
E isto fez-me voltar a pensar numa coisa em que já pensei muitas vezes: abandonar definitivamente a Fnac. Ainda há uma semana lá deixei dinheiro por causa de uns cheques Fnac que tinha recebido no Natal. Por 39 euros, levei para casa dois CDs. Um deles foi a edição especial (com DVD) do último álbum dos Phoenix, que me custou pouco menos de 18 euros, creio. E aqui está a ponte perfeita entre estas duas realidades: na Amazon, a edição básica (julgo eu) do disco – que na Fnac custa 16 – está à venda por pouco mais de cinco euros.
Comprar música na Fnac não faz sentido. Custa demasiado dinheiro e a experiência não é especialmente gratificante. Para os que – como eu – gostam de passear por lojas de música, dêem um salto à Carbono, à Jo-Jo’s e à Flur, por exemplo.
Se as diferenças fossem de dois euros ou assim, ainda percebia. Os cinco ou seis dias de espera na Amazon incomodam um pouco – pelo menos quando comparados com o imediatismo da compra numa loja como a Fnac. Mas com diferenças que chegam aos 10 euros para coisa que custam menos de 20 não há argumento que resista.
Por exemplo: ontem comprei o From The City, Stories From The Sea, da PJ Harvey, por €3.40. No site da Fnac custa €13.90. Acho que nem é preciso dizer mais nada… mas vou fazê-lo!
Tomem lá uma tabela comparativa de preços (em euros):

* preço da edição normal
n/d – não disponível nos resultados da pesquisa
Além dos dados óbvios que aqui vêem, devo destacar que mais de metade dos discos eram apresentados no site da Fnac como não estando disponíveis no momento (apesar de apresentarem preço). Destaco igualmente que todos os preços da Amazon foram convertidos em euros por excesso e arredondados a valores a terminar em 0 e 5 cêntimos. Acrescento ainda que os portes têm um valor de €12.55, mais ou menos.
Analisando a tabela, ficamos a saber que se eu tivesse ido à Fnac comprar estes discos, saía com três álbuns a menos da Fnac e deixava lá €68.65. Isto significa que saía da Fnac com menos discos e menos dinheiro do que o que aconteceu ontem por ter feito compras na Amazon – mesmo contabilizando os portes. Ficava ela por ela se contarmos com o livro que também encomendei (e os livros davam outro capítulo nesta história… mas aí nada bate o Book Depository). Claro que, para estas contas, vou esquecer o dinheiro que gastaria em estacionamento no Colombo ou no Vasco da Gama, por exemplo, até porque poderia muito bem ir a pé até ao Chiado.
Já não tinha muitas dúvidas mas esta comparação dá-me exemplos concretos e auto-explicativos. Sim, isto foi uma espécie de epifania. Comprar música na Fnac não faz mesmo sentido.
06-01-2010 19 comentários
Mudança, ondas e outros pensamentos soltos
Não estou certo de perceber bem o que se passa com o negócio da música gravada. Quer dizer, sei que a coisa não anda famosa – apesar de ainda se baterem recordes com relativa facilidade – mas também sei que tenho visto muita informação contraditória nos últimos anos.
Foco-me por momentos nas majors. Porquê? Porque são potenciais agentes de mudança óbvios, já que têm dimensão e dinheiro para pôr as coisas a andar.
A dimensão e o dinheiro são, paradoxalmente, os principais motivos para a estagnação criativa da indústria. As coisas estavam boas como estavam antes (para elas) e o esforço financeiro das principais editoras tem ido directamente para a manutenção do status quo. Mas esta luta contra o mundo tem tido resultados desapontantes (para elas).
Claro que houve evoluções – o crescimento dos downloads pagos, mais campanhas de mid-price (pelo menos em Portugal notou-se um crescimento bastante acentuado) e afins, melhor oferta, etc. – mas as principais editoras foram na onda quando, pelo dinheiro e pela dimensão que têm, deveriam ser a onda.
E agora? Agora estamos num momento perigoso. Enquanto lêem este texto, há uns quantos lobbyistas profissionais a tentarem influenciar os legisladores europeus no sentido de pôr em prática leis mais apertadas de combate à partilha de música. Imposições aos ISPs, vigilância mais apertada… No fundo, caminhamos para uma Internet menos neutra do que o desejável, para um cenário mais próximo do de caóticos filmes futuristas de ficção-científica. Para mim, é surpreendente que não se ouça falar sobre isto senão nos sítios do costume – e que esta quase crítica sirva também para mim.
É que as coisas estão mesmo a andar.
12-12-2009 1 comentário
Cápsulas do tempo
Boa prosa, a do Rui Carmo no The Tao of Mac sobre aquilo que consigo descrever apenas como o peso dos discos. Recomendo.
23-11-2009 Sem comentários
Optimus Discos
A Optimus às vezes anda um tanto ou quanto aos papéis. Mas às vezes também acertam em cheio.
Depois daquelas coisas todas com os Xutos & Pontapés e da indecisão em torno dos concertos Optimus, avançaram para os Optimus Discos, uma iniciativa que merece ser destacada. Lançado em Março deste ano, este projecto já vai na terceira série de música portuguesa gratuita. Os EPs são disponibilizados no site para download mas a iniciativa não se fica por aqui: a Fnac vende-os a um bom preço, o que sempre dá para recuperar algum e satisfazer os fetichistas do CD.
(Entretanto, vão lá sacar o EP Intervalo, dos Linda Martini, que está bem porreiro.)
Para trás, parecem ter ficado os tempos em que a Optimus abdicava dos festivais de Verão por ter esse público-alvo bem agarrado (e a TMN agradeceu, estou certo) ou verdadeiros fracassos como o Optimus Open Air. A Optimus está em paz agora e encontrou finalmente uma forma coerente e integrada de apoiar a música. Nós agradecemos.
Continuem o bom trabalho.
13-11-2009 1 comentário
Panel
O Panel é um projecto norte-americano que tem como objectivo facilitar-nos a vida.
O que fazem os senhores? Recomendam música. Ou melhor, pedem a pessoas do mundo da música para recomendarem música. É recomendação humana, cheia de potencial de corrupção, falhas e contradições. Por outro lado, como não são da responsabilidade de críticos, as recomendações tendem a ser mais pessoais e interessantes. Mas isso só poderemos ver com o passar do tempo.
Cada membro do painel escolhe dois álbuns. E há um membro novo todas as semanas. Esta semana, por exemplo, as duas escolhas foram feitas por Jason Hughes, fundador de uma loja de música de Seattle chamada Sonic Boom Records e da editora Sonic Boom Recordings. Além da escolha de dois álbuns, o pacote semanal inclui também uma entrevista. Em Portugal, é difícil aproveitar o serviço ao máximo, já que a aplicação para o iPhone não está disponível na loja portuguesa… mas a isso já nos habituámos há muito. E há sempre o site deles, pronto.
O artigo que li sobre este projecto remetia para a ideia do tipo da loja de música (no estilo Alta Fidelidade) e até acho piada à referência. É um regresso ao tempo em que esse tipo era visto como uma autoridade. As coisas mudaram entretanto – pelo menos por cá.
O Panel acaba por ser uma tentativa de reequilibrar a competição entre as máquinas (Last.fm, iTunes Genius) e os humanos (eu e vocês). Cá para mim, gosto de manter várias hipóteses em aberto.
21-10-2009 2 comentários
As músicas, os lugares e as coisas que fazemos
A primeira música que me fez pensar sobre isto foi “The People That We Love” dos Bush (má referência, eu sei). Na altura, fartava-me de jogar Need For Speed e a música era o tema do jogo. Tocava e tocava enquanto eu me concentrava em fugir à polícia ou simplesmente em não bater com o carro. Bons velhos tempos.
Não conheço a explicação mas parece-me natural que associemos músicas a lugares ou actividades. A música e o lugar são independentes, claro está, mas a repetição simultânea de ambos relaciona-os algures no nosso cérebro. É quase pavloviano.
Nos últimos dois anos, tem acontecido muito. Acontece-me porque tenho tido períodos em que ando muito de transportes públicos (curiosamente não é tão comum quando ando de carro), o que torna mais fácil criar relações deste género, acho eu. De repente, lembro-me de três casos.
O primeiro caso é o de In Rainbows. Na altura do lançamento, tinha começado a trabalhar em Paço de Arcos e apanhava sempre um autocarro da Vimeca que saía do Marquês de Pombal. E apanhava o mesmo autocarro para regressar a Lisboa. Calhou que tivesse ficado sem computador pela mesma altura e fiquei preso ao álbum dos Radiohead durante mais de um mês. Era a única música que ouvia. Passado algum tempo, apercebi-me, ao ouvir o disco noutros contextos, que músicas como “Faust Arp” ou “Reckoner” me levavam de volta àquele autocarro, à passagem por Queijas, aos minutos de auto-estrada, à difícil subida do Monsanto. Ainda hoje, passados quase dois anos, mantenho (ainda que mais levemente) esta associação, apesar de ter ouvido as músicas mais umas dezenas de vezes entretanto.
Os outros dois casos, também relacionados com transportes públicos, são relativamente parecidos. Passado algum tempo de ter começado a ir de carro para o trabalho, decidi começar a ir de comboio para poupar algum dinheiro e diminuir um pouco o stress provocado pela condução (sobretudo de manhã). Deve ter sido por essa altura que descobri Dear Science, dos TV On The Radio – como sabem, o meu disco favorito de 2008. Ouvi-o vezes sem conta, por cima de um livro ou simplesmente da agradável paisagem da linha de Cascais. Aconteceu o mesmo já este ano com os Land of Talk. Em ambos os casos, juro que quase consigo sentir aquele cheiro típico dos comboios (acho que tem alguma coisa a ver com as pastilhas dos travões… mas não garanto), o embalo dos 90 quilómetros por hora constantes entre Alcântara e Algés e entre Algés e Paço de Arcos. Literalmente, fazem-me lembrar a praia de Caxias, os prédios relativamente verdes mesmo antes de chegar a Paço de Arcos ou os calhaus todos ali ao pé do Dafundo.
Tanto quanto consigo dizer, estas coisas vão perdendo força com o tempo mas não deixa de ser curioso. E não consigo detectar muitas tendências. Por exemplo, tenho ideia que não crio habitualmente relação nenhuma entre uma canção específica e o tempo que passo em casa ou no carro. Porquê? Não posso dizer que saiba.
Há algum tempo que andava para escrever sobre isto. Estou certo de que não sou só eu que padeço desta condição. Uns quantos de vós, estou certo, terão exemplos mais curiosos que os meus. Sintam-se à vontade para os partilhar.
28-09-2009 5 comentários
Tenho de comprar um gira-discos
Não tenho gira-discos mas tenho discos. Vou comprando uma ou outra coisa de colecção de vez em quando. Ainda não os ataco ferozmente porque sei que ainda não é preciso. Mas mais tarde ou mais cedo vou comprar um gira-discos e a coisa vai descambar.
Entretanto, os meus novos singles do Thom Yorke vão ter de esperar uns tempos até serem tocados. Recordo que o In Rainbows também aguarda uma oportunidade desde o final de 2007. Mas já esteve mais longe.
Duas coisas sobre o Feeling Pulled Apart By Horses, que ainda não ouvi (já fiz o download que acompanha a encomenda):
1. A encomenda chegou hoje a minha casa. Hoje, que é a data de lançamento do disco. Ora aqui está uma boa experiência de compra (foi na W.A.S.T.E., a loja dos Radiohead).
2. O artwork é simplesmente fantástico.
21-09-2009 Sem comentários
O iTunes LP vai ser um flop

Imagino que já tenham ouvido falar ou lido qualquer coisa sobre o novo produto lançado pela Apple: o iTunes LP, uma espécie de formato digital de álbum com extras incorporados. Uma espécie de DVD sem disco, portanto.
Ou muito me engano ou ninguém se vai meter para esses lados. Pessoalmente, não vejo quaisquer vantagens. OK, há uma série de extras… mas que podiam facilmente ser disponibilizados de outra forma. E para aqui nem interessa se estamos a falar de extras gratuitos; a questão nem chega a esse ponto.
É simples: o iTunes LP responde a uma necessidade que não existe.
14-09-2009 7 comentários
Eels dão mais um EP de borla
MySpace Transmissions, o novo EP dos Eels, já está disponível para download gratuito. Mark Oliver Everett, que tem neste momento a melhor barba de sempre, gravou umas músicas para o MySpace e tanto os vídeos como os MP3 estão disponíveis online.
Este EP vai ter também uma edição física em vinil, uma tendência cada vez mais visível na cena indie actual. É uma má notícia para quem ainda/já (riscar o que não interessa) não anda por esses lados… mas também pode ser uma boa desculpa, já que inclui um tema adicional.
Há coisa de um ano, a banda já tinha disponibilizado, a propósito do lançamento de uma edição especial limitada do fantástico Blinking Lights and other Revelations, um EP gravado ao vivo em Manchester em 2005.
Pessoalmente, gostava de o ver perder um pouco a cabeça e deixar de discriminar a vertente digital com edições incompletas, mas… está, pelo menos, no bom caminho.
Deixo-vos “That look you give that guy”, de Hombre Lobo, para que vos sirva de exemplo.
19-08-2009 3 comentários
