Música, indústria e tendências.

Categoria — Tendências

Contra a lei da cópia privada

O projecto de lei apresentado pelo Partido Socialista para a cópia privada esta semana na Assembleia da República é confrangedor e embaraçoso. E é apenas um dos muitos exemplos de que, em Portugal, se legisla como a Alexandra Solnado diz que escreve livros: com as ideias de outros. No caso da Alexandra Solnado, parece que é deus; no caso da legislação, quer parecer-me que são os grupos de interesse.

Uma coisa é o Estado criar impostos transversais que contribuem para o financiamento da Educação, da Justiça, da Saúde e mesmo da Cultura. Outra coisa, é decidir cobrar 2 cêntimos por cada gigabyte nos discos rígidos para dar à Sociedade Portuguesa de Autores e afins porque parece que os discos rígidos são muito usados para a tal da cópia privada. Mas que sentido é que isto faz?

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06-01-2012   Sem comentários

Evolver.fm

Isto talvez seja uma nova rubrica de destaques, talvez não.

Neste momento, faz sentido que destaque este excelente blog de Eliot Van Buskirk. Este ex-jornalista da CNET e da Wired escreve sobre música e tecnologia, com um enfoque muito especial nas aplicações.

Os artigos publicados no Evolver.fm estão uns furos bem acima da média e tratam com profundidade um assunto que outros apenas afloram. O blog é publicado pela The Echo Nest, empresa por trás de uma plataforma em que se apoiam algumas apps de música, tanto Web como móveis.

Enfim, não me vou alongar muito. Se se interessam por este novo caminho do negócio da música, aconselho-vos a dar uma vista de olhos no blog.

20-06-2011   Sem comentários

O preço dos downloads

Num esforço para roubar quota de mercado ao iTunes, a Amazon baixou o preço de uma parte significativa dos singles do seu top 100 para mais ou menos 47 cêntimos – metade do preço praticado pela loja da Apple. A Amazon está a suportar os custos desta redução sozinha, já que continua a pagar o mesmo às editoras. O objectivo é mesmo atrair clientela.

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04-05-2011   Sem comentários

@Discographies

A Web está cheia de críticos de música. Da caixa de comentários do site da Blitz ao Metacritic, do Pitchfork a este cantinho aqui, há um pouco de tudo: pseudo-intelectuais, labregos, tipos com mais cultura musical na unha do mindinho esquerdo que eu e vocês todos juntos, jornalistas, amadores, músicos, pessoas com demasiado tempo livre… e por aí fora.

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13-02-2011   1 comentário

Um maravilhoso mundo novo para a música

Este artigo foi publicado originalmente no blog do Upload Lisboa.

Já todos sabemos o que aconteceu à indústria da música nos últimos 15 anos. A web deu-nos acesso a mais música, deu-nos a conhecer artistas que nunca chegariam aos nossos ouvidos de outra forma… mas também trouxe muitas dores de cabeça às editoras, sobretudo graças ao advento do P2P, já que, na altura, a indústria não estava especialmente atenta à Internet ou interessada em inovar.

Actualmente, são muito poucos os que ainda compram discos e a música é uma indústria em grande, grande mutação. A venda de música gravada cai a pique mas, ao mesmo tempo, ergue-se com grande genica a indústria dos concertos.

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27-01-2011   Sem comentários

Record Store Day 2011 já tem data marcada

Fiquei a saber há pouco através do Sound + Vision que já há data para o Record Store Day deste ano. A iniciativa realiza-se a 16 de Abril e promete ser mais um sucesso para as lojas portuguesas de discos.

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14-01-2011   Sem comentários

RTP Música

A RTP vai lançar um canal de música. O novo projecto da estação pública tem lançamento previsto para Março e, segundo Jaime Fernandes, director do canal, é “sobre os músicos portuguesas e de música portuguesa”.

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12-01-2011   2 comentários

URL: um formato universal para a música?

Jonathan Forster, do Spotify, diz em entrevista ao Guardian que prevê que o URL se transforme no formato universal para a música. A lógica é simples: em vez de termos os MP3 no computador e organizados numa biblioteca como a do iTunes, por exemplo, temos todas as músicas acessíveis através de links.

Querem que o vosso amigo ouça aquela música nova de não sei quem? Esqueçam o YouTube. Enviam o link da canção e, quando ele clica no URL, a canção começa a tocar. Simples, não?

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04-01-2011   1 comentário

A Apple apresentou o Ping e eu acho que não quero saber

Pronto, agora é o Ping. Depois do relativo insucesso do Genius, uma ferramenta relativamente interessante que a Apple decidiu introduzir no iTunes há algum tempo, a Apple vira as agulhas para a vertente social da música. O objectivo? Vender mais música, claro está. E lançar as bases para os outros tipos de produtos (aplicações, filmes, séries, livros), fomentando igualmente as vendas.

Não tenho nada contra o desejo da Apple de ganhar mais dinheiro com a venda de música, vídeo, aplicações e livros online mas… para que raio serve o Ping?

Segundo a Apple, serve para seguirmos os nossos artistas favoritos e os nossos amigos para descobrir de que música estão a falar, o que estão a ouvir e (sobretudo, digo eu) o que estão a comprar no iTunes. Boring.

Agrada-me muito a integração de diversas funcionalidades num só programa. O Genius, por exemplo, apesar de não ser a minha principal ferramenta de descoberta de música, às vezes é útil e engraçado. Não é, no entanto, nenhum Last.fm. E o Ping também não.

A minha abordagem ao lançamento de novos produtos e serviços é muito simples: só preciso que as empresas acrescentem alguma coisa. Eu sei que nem tudo pode ser a penicilina mas porque é que continuam a perder tempo com este tipo de coisas? O Ping é uma funcionalidade gratuita e não acrescenta nada. Se não acrescenta nada, não vale a pena perder tempo.

A Apple quer o mesmo de sempre: dar tudo às pessoas a partir do iTunes para que elas não precisem de ir a outros sítios. Mas se isso foi apelativo na ligação entre o iTunes (a loja e o media player) e o iPod, agora não é. E não é porque não acrescenta absolutamente nada, não é especialmente conveniente… e conseguimos encontrar bem melhor noutros sítios. O Last.fm, o Facebook e o Twitter são apenas os casos óbvios. Ainda por cima, o Facebook é agora, a propósito do argumento da conveniência de ter tudo no mesmo programa, um concorrente de peso.

Como se isto não bastasse, a Apple está em modo control freak relativamente à inscrição de artistas no Ping, como fazem com as aplicações para iPhone e assim. Vamos ver se conseguem ir a algum lado com isto.

11-09-2010   Sem comentários

O que é feito de Paredes de Coura?

Não fui a muitas edições mas tenho uma relação especial com o Festival Paredes de Coura. Provavelmente, o sentimento nem sequer é recíproco mas cheguei lá e foi amor à primeira vista. Mas o que é feito do festival que nos entusiasmou nos últimos anos com artistas como os The Arcade Fire, Queens Of The Stone Age, Sonic Youth, The National, Morrissey, Broken Social Scene, Electrelane, Pixies, Bauhaus, Foo Fighters e Nine Inch Nails, entre outros?

Confesso que já no ano passado achei o cartaz relativamente desinteressante, apesar de ter dois ou três nomes sonantes. E confesso que também pensei que a culpa era da Everything Is New – que passou a tratar da contratação artística do festival em 2008. Ainda têm de me convencer melhor de que não tem nada a ver com a Everything Is New… mas o mais provável é que o fraco cartaz deste ano tenha a ver mais com um problema que afectou o festival no ano passado: a falta de um patrocinador principal. A Heineken deixou Paredes de Coura e a Ritmos, promotora do festival, decidiu não baixar (pelo menos substancialmente) o preço do patrocínio. Este ano, a história repete-se e o cartaz reflecte a falta de dinheiro.

Entretanto, a Ritmos queixa-se das direcções de marketing das empresas em Portugal: parece que só querem investir em Lisboa. É, de facto, lamentável… mas a Ritmos parece esquecer-se de que não é suposto as empresas fazerem caridade com os seus orçamentos de marketing (vá, há a responsabilidade social… mas deixamos isso para outra altura). Ou acreditam num projecto e nas vantagens que este traz em termos de negócio, ou não investem. É simples.

Por muito que me custe como adepto do festival, das paisagens e das gentes de Paredes de Coura, tenho a certeza de que o caminho a seguir não pode ser o das queixinhas. Tenho a certeza também de que fizeram e fazem o máximo para manter Paredes de Coura ao melhor nível… mas este ano a coisa não correu bem. Se calhar, foi da crise; se calhar, não se souberam adaptar às circunstâncias; se calhar, passou-se alguma coisa que um outsider não pode sequer imaginar; se calhar, a culpa é da Everything is New! Mas não correu bem, não. E isto vai reflectir-se na bilheteira. E se um festival não ganha muito dinheiro com patrocínios nem com bilheteira, a qualidade tende a diminuir. Depois entra num círculo vicioso e já sabem onde é que isto vai parar, certo?

Se fosse outro festival qualquer, talvez fosse menos compreensivo. Mas é Paredes de Coura e é realmente uma pena. Espero que dêem uma abada aos outros no próximo ano e me obriguem a tirar férias em Agosto.

27-06-2010   1 comentário