Música, indústria e tendências.

Categoria — Tendências

Panel

O Panel é um projecto norte-americano que tem como objectivo facilitar-nos a vida.

O que fazem os senhores? Recomendam música. Ou melhor, pedem a pessoas do mundo da música para recomendarem música. É recomendação humana, cheia de potencial de corrupção, falhas e contradições. Por outro lado, como não são da responsabilidade de críticos, as recomendações tendem a ser mais pessoais e interessantes. Mas isso só poderemos ver com o passar do tempo.

Cada membro do painel escolhe dois álbuns. E há um membro novo todas as semanas. Esta semana, por exemplo, as duas escolhas foram feitas por Jason Hughes, fundador de uma loja de música de Seattle chamada Sonic Boom Records e da editora Sonic Boom Recordings. Além da escolha de dois álbuns, o pacote semanal inclui também uma entrevista. Em Portugal, é difícil aproveitar o serviço ao máximo, já que a aplicação para o iPhone não está disponível na loja portuguesa… mas a isso já nos habituámos há muito. E há sempre o site deles, pronto.

O artigo que li sobre este projecto remetia para a ideia do tipo da loja de música (no estilo Alta Fidelidade) e até acho piada à referência. É um regresso ao tempo em que esse tipo era visto como uma autoridade. As coisas mudaram entretanto – pelo menos por cá.

O Panel acaba por ser uma tentativa de reequilibrar a competição entre as máquinas (Last.fm, iTunes Genius) e os humanos (eu e vocês). Cá para mim, gosto de manter várias hipóteses em aberto.

21-10-2009   2 comentários

As músicas, os lugares e as coisas que fazemos

A primeira música que me fez pensar sobre isto foi “The People That We Love” dos Bush (má referência, eu sei). Na altura, fartava-me de jogar Need For Speed e a música era o tema do jogo. Tocava e tocava enquanto eu me concentrava em fugir à polícia ou simplesmente em não bater com o carro. Bons velhos tempos.

Não conheço a explicação mas parece-me natural que associemos músicas a lugares ou actividades. A música e o lugar são independentes, claro está, mas a repetição simultânea de ambos relaciona-os algures no nosso cérebro. É quase pavloviano.

Nos últimos dois anos, tem acontecido muito. Acontece-me porque tenho tido períodos em que ando muito de transportes públicos (curiosamente não é tão comum quando ando de carro), o que torna mais fácil criar relações deste género, acho eu. De repente, lembro-me de três casos.

O primeiro caso é o de In Rainbows. Na altura do lançamento, tinha começado a trabalhar em Paço de Arcos e apanhava sempre um autocarro da Vimeca que saía do Marquês de Pombal. E apanhava o mesmo autocarro para regressar a Lisboa. Calhou que tivesse ficado sem computador pela mesma altura e fiquei preso ao álbum dos Radiohead durante mais de um mês. Era a única música que ouvia. Passado algum tempo, apercebi-me, ao ouvir o disco noutros contextos, que músicas como “Faust Arp” ou “Reckoner” me levavam de volta àquele autocarro, à passagem por Queijas, aos minutos de auto-estrada, à difícil subida do Monsanto. Ainda hoje, passados quase dois anos, mantenho (ainda que mais levemente) esta associação, apesar de ter ouvido as músicas mais umas dezenas de vezes entretanto.

Os outros dois casos, também relacionados com transportes públicos, são relativamente parecidos. Passado algum tempo de ter começado a ir de carro para o trabalho, decidi começar a ir de comboio para poupar algum dinheiro e diminuir um pouco o stress provocado pela condução (sobretudo de manhã). Deve ter sido por essa altura que descobri Dear Science, dos TV On The Radio – como sabem, o meu disco favorito de 2008. Ouvi-o vezes sem conta, por cima de um livro ou simplesmente da agradável paisagem da linha de Cascais. Aconteceu o mesmo já este ano com os Land of Talk. Em ambos os casos, juro que quase consigo sentir aquele cheiro típico dos comboios (acho que tem alguma coisa a ver com as pastilhas dos travões… mas não garanto), o embalo dos 90 quilómetros por hora constantes entre Alcântara e Algés e entre Algés e Paço de Arcos. Literalmente, fazem-me lembrar a praia de Caxias, os prédios relativamente verdes mesmo antes de chegar a Paço de Arcos ou os calhaus todos ali ao pé do Dafundo.

Tanto quanto consigo dizer, estas coisas vão perdendo força com o tempo mas não deixa de ser curioso. E não consigo detectar muitas tendências. Por exemplo, tenho ideia que não crio habitualmente relação nenhuma entre uma canção específica e o tempo que passo em casa ou no carro. Porquê? Não posso dizer que saiba.

Há algum tempo que andava para escrever sobre isto. Estou certo de que não sou só eu que padeço desta condição. Uns quantos de vós, estou certo, terão exemplos mais curiosos que os meus. Sintam-se à vontade para os partilhar.

28-09-2009   5 comentários

Tenho de comprar um gira-discos

Não tenho gira-discos mas tenho discos. Vou comprando uma ou outra coisa de colecção de vez em quando. Ainda não os ataco ferozmente porque sei que ainda não é preciso. Mas mais tarde ou mais cedo vou comprar um gira-discos e a coisa vai descambar.

Entretanto, os meus novos singles do Thom Yorke vão ter de esperar uns tempos até serem tocados. Recordo que o In Rainbows também aguarda uma oportunidade desde o final de 2007. Mas já esteve mais longe.

Duas coisas sobre o Feeling Pulled Apart By Horses, que ainda não ouvi (já fiz o download que acompanha a encomenda):

1. A encomenda chegou hoje a minha casa. Hoje, que é a data de lançamento do disco. Ora aqui está uma boa experiência de compra (foi na W.A.S.T.E., a loja dos Radiohead).

2. O artwork é simplesmente fantástico.

21-09-2009   Sem comentários

O iTunes LP vai ser um flop

Imagino que já tenham ouvido falar ou lido qualquer coisa sobre o novo produto lançado pela Apple: o iTunes LP, uma espécie de formato digital de álbum com extras incorporados. Uma espécie de DVD sem disco, portanto.

Ou muito me engano ou ninguém se vai meter para esses lados. Pessoalmente, não vejo quaisquer vantagens. OK, há uma série de extras… mas que podiam facilmente ser disponibilizados de outra forma. E para aqui nem interessa se estamos a falar de extras gratuitos; a questão nem chega a esse ponto.

É simples: o iTunes LP responde a uma necessidade que não existe.

14-09-2009   7 comentários

Eels dão mais um EP de borla

MySpace Transmissions, o novo EP dos Eels, já está disponível para download gratuito. Mark Oliver Everett, que tem neste momento a melhor barba de sempre, gravou umas músicas para o MySpace e tanto os vídeos como os MP3 estão disponíveis online.

Este EP vai ter também uma edição física em vinil, uma tendência cada vez mais visível na cena indie actual. É uma má notícia para quem ainda/já (riscar o que não interessa) não anda por esses lados… mas também pode ser uma boa desculpa, já que inclui um tema adicional.

Há coisa de um ano, a banda já tinha disponibilizado, a propósito do lançamento de uma edição especial limitada do fantástico Blinking Lights and other Revelations, um EP gravado ao vivo em Manchester em 2005.

Pessoalmente, gostava de o ver perder um pouco a cabeça e deixar de discriminar a vertente digital com edições incompletas, mas… está, pelo menos, no bom caminho.

Deixo-vos “That look you give that guy”, de Hombre Lobo, para que vos sirva de exemplo.

19-08-2009   3 comentários

É oficial

Os Radiohead são tipos perversos. Jonny Greenwood anunciou no Dead Air Space que já podem fazer o download gratuito de “These Are My Twisted Words” no site ou no Mininova.

17-08-2009   2 comentários

Sem contrato? A alternativa Twitter

Este post faz parte da série Sem contrato? As alternativas para uma boa auto-promoção.

O website e o Facebook são vertentes muito importantes mas não são as únicas formas de divulgar o trabalho de um artista ou de uma banda. Nesse sentido, o Twitter – que já entrou no mainstream – é importante para a criação de uma relação com os fãs (e com os potenciais fãs também, já agora).

falei aqui algumas vezes sobre o Twitter. Foi numa altura em que já estava na moda… mas ainda não tinha chegado a toda a gente. Hoje em dia, por outro lado, já há notícias nos jornais sobre o facto do Twitter ter parado algumas horas.

Para músicos, especificamente, há diversas formas de estar. No Twitter, há os que falam de como escreveram uma canção e do seu dia-a-dia, entre outras coisas; há também os que apostam muito no networking (ainda que o rei do networking continue a ser o aborrecido MySpace); há igualmente quem promova uma grande interacção com os fãs (sobretudo artistas de algum renome), com ofertas, passatempos e outras iniciativas.

Para artistas ou bandas que estão a tentar mostrar a sua música, a aposta no Twitter deverá ser feita em sintonia com a estratégia de comunicação nas outras redes sociais e no site. É que o Twitter ainda não demonstrou ser, por si só, uma forma fantástica de gerar negócio… porque é fugaz.

Assim, há algumas coisas que me parecem fundamentais quando se está no Twitter: a presença deve ser constante (ninguém vos pede que sejam o Paulo Querido, apenas que não fiquem 4 ou 5 dias sem dar notícias) e deve ter qualidade. Partilhem conhecimento, participem em discussões, acrescentem algo.

Como vêem, nenhum destes conselhos potencia especialmente uma carreira musical. Mas a partilha de conhecimento, a discussão e tudo o resto contribuem para fortalecer a reputação. À medida que forem incorporando o Twitter na vossa estratégia de divulgação, juntamente com o Facebook e um site actualizado e fácil de utilizar, é mais fácil chegar à vossa música – e, consequentemente, mais fácil que a vossa música chegue a algum lado.

11-08-2009   Sem comentários

Não é arte, é outra coisa

Até onde é que isto vai?

Depois de a Wired nos ter dado a saber há alguns meses num excelente artigo que as letras das Pussycat Dolls (e de outros) estão à venda, agora é a vez da Insland Def Jam disponibilizar o booklet do novo álbum da Mariah Carey a empresas interessadas (como já referi ontem, de resto, em poucas palavras).

A música de Mariah Carey e das Pussycat Dolls interessa-me muito pouco, como devem imaginar Ainda assim, vejo que há abertura a este tipo de idiotices na indústria da música e isso preocupa-me. Ninguém poderá negar que os responsáveis pelas maiores editoras do mundo têm feito um péssimo trabalho… mas isto está a chegar a um nível um tanto ou quanto ridículo.

Não tenho nada contra a chamada monetização. Se há coisas que podem ser postas a render, tudo bem. Em parte, é para isso que serve o merchandising e é exactamente por isso que existe o licenciamento para televisão, publicidade e cinema. Nada, nada contra. Mas este tipo de acções implica pegar na obra de arte e adaptá-la a quem oferecer mais. É uma subversão que, apesar de ser certamente recorrente (até ao nível das próprias pressões dos A&R das editoras), não deixa de ser interessante e… desconfortável. Não é arte, é outra coisa.

Quais serão os próximos passos? É que já só consigo imaginar os músicos a entrarem em palco vestidos à jogador de futebol com publicidade na parte da frente, nas costas, nos braços, nos calções, nas meias… Enfim.

04-08-2009   5 comentários

Mas que ideia mais estúpida

Parece que a Island Def Jam está a pensar em vender espaço publicitário nos booklets do próximo álbum de Mariah Carey.

Sim, a sério.

04-08-2009   Sem comentários

Músicos no Twitter

Há quanto tempo é que não falo do Twitter por aqui? Há tempo suficiente.

O Miguel Albano chamou-me a atenção para um artigo do Mashable sobre músicos no Twitter. A lista contém mais de cem nomes, entre os quais Dave Matthews, Coldplay, John Mayer, Muse, Pete Yorn, Imogen Heap, Sonic Youth, The Streets e Trent Reznor.

O artigo está engraçado e explica a forma como cada um destes artistas – ou respectivo mandatário – marca a sua presença no Twitter. Ainda assim, parece-me mais importante notar que, apesar das mil e uma formas encontradas para estar no Twitter, nenhuma é propriamente errada. Falar da última sessão de estúdio, de banalidades ou do sentido da vida… tudo vale. Os limites são os do razoável – o que é, em si, bastante razoável.

O sucesso do Twitter reside não só na (ilusão de) proximidade mas também – sobretudo, talvez – na sua moldabilidade. O Twitter pode ser confessional mas também pode ser uma eficaz ferramenta de marketing. Pode ser sobre links ou sobre dar os bons dias aos amigos. Daí que o termo microblogging faça sentido. Ora releiam lá as frases anteriores e digam-me se não poderia muito bem estar a falar de blogs.

15-07-2009   Sem comentários