Categoria — Web
Fuck you
Eu não sou muito de embarcar nestas coisas mas desta vez não consigo fugir. Cee Lo Green tem feito muita coisa gira, nomeadamente com Danger Mouse nos Gnarls Barkley, mas isto agora é outra coisa.
Esta música tem uma característica bastante especial: chama-se “Fuck You”. Este single antecipa The Lady Killer, que tem lançamento marcado apenas para Dezembro, e tem feito furor na Web. E eu consigo dizer apenas que percebo porquê.
Tudo nesta música é divertido. A melodia, o funk e, claro, a letra (que podem acompanhar no vídeo). Acho que era a isto que o Rei Ghob se referia quando gritava “Energia!”. “Fuck you” é um desabafo, é aquilo que todos pensaríamos naquelas circunstâncias. Agora já se pode dizer, desde que a música tenha tanta pinta como esta.
Vejam o vídeo.
Para estes lados, será certamente uma das músicas do ano.
25-08-2010 2 comentários
Dois anos
Este blog faz hoje dois anos e eu sou um tipo de efemérides.
Se tivesse de comparar, diria que o primeiro ano deste blog foi bastante mais interessante que o segundo. Estou menos orientado para os que me lêem e mais para mim. Escrevo sobre o facto de eu ser da pop. No primeiro ano, dava dicas de como fazer uma mixtape. Era mais útil.
Agora sinto menos pressão, até porque vou partilhando muitas coisas no Twitter e no Facebook. Aqui gosto de reflectir um bocadinho e manter o espaço limpo. Hoje tenho ambições moderadas para este blog.
Uma coisa é certa: o Ouve-se é cada vez mais meu. Isto sou eu. Tento escrever como falo, com uma ou outra coisa entre vírgulas, e tento escrever sobre o que gosto. Passamos a vida a fazer coisas de que não gostamos, num ou noutro momento. Ora, aqui tenho uma coisa que está quase totalmente dependente da minha vontade. Isto sou eu.
Obrigado pela visita, pelos comentários e pela simpatia. Continuem a vir, que isto não fica por aqui.
28-05-2010 9 comentários
Apple fecha Lala. E agora?
O Lala vai fechar. Esta loja, que contava com um serviço de partilha de playlists feitas pelos utilizadores, tinha sido comprada pela Apple em Dezembro. Agora, menos de 6 meses depois, sabe-se que o Lala permanecerá activo apenas até 31 de Maio.
Apesar de nunca ter visto grande utilidade no serviço – para mim, está claro -, esta decisão da Apple provoca-me alguma comichão. Assim de repente, há duas hipóteses, uma mais preocupante que a outra.
A primeira prende-se com a eventual criação de um iTunes com acesso via web/cloud/whatever e é a que faz mais sentido. A Apple compra o serviço, fica com o know-how e desfaz-se da marca Lala. Passados uns meses, lança novas funcionalidades no iTunes, um iTunes.com e mais uma série de coisas que foi buscar ao Lala. E pronto, isto faz sentido e é uma forte hipótese.
A segunda é menos provável mas mais assustadora: a Apple compra o Lala para acabar com ele, por motivos concorrenciais. Seria isto. Esperemos que não se concretize. Seria muito mau sinal.
01-05-2010 Sem comentários
Myway continua a acrescentar músicas ao catálogo
O Myway continua a engordar o catálogo. Depois do acordo com a The Orchard, o concorrente do Cotonete passa a dispor agora também do catálogo da Sony Music Entertainment. Contas feitas, parece que o Myway já tem à volta de 5 milhões de música.
Continua a ter um site fraquíssimo – ainda em beta, mas sobre isso podem ler o que escrevi na minha apreciação inicial – e ainda não há novidades sobre o serviço de subscrição ao estilo do Spotify mas estão a engordar que se fartam.
Não sei o que pensar. Por um lado, parece-me que estão, desde o início, a fazer tudo ao contrário – aposta exagerada em comunicar com os media e falta de investimento na qualidade da plataforma e na relação com os utilizadores. Por outro, até consigo perceber que queiram ter uma boa base em termos de catálogo e depois fazer os ajustes necessários. Mas continuo, independentemente disto tudo, sem perceber porque é que não pensaram em aproveitar as fragilidades do Spotify em vez das do Cotonete (presa fácil). Bastava lançar o site internacionalmente e não só em Portugal. Mas já me fartei de dizer isto. E assim vão perdendo créditos.
Fica apenas a ideia: para o Myway resultar, não basta ter 749 milhões de músicas; é preciso muito mais.
16-04-2010 2 comentários
Myway com 2,5 milhões de músicas
Parece que o Myway celebrou um acordo com a The Orchard no sentido de disponibilizar mais 1,5 milhões de músicas, o que, se as contas não me falham, significa que o site mais que duplica assim a sua oferta. Muito bem.
Apenas uma coisa a apontar (e desculpem lá a insistência neste ponto): se o Myway tivesse sido lançado com o mercado internacional em vista, por esta altura já teriam algo de substancial a apresentar (e muitas mais dores de cabeça para celebrar este tipo de acordos, bem sei), ainda que não estejam ao nível – longe disso – de um Spotify. Mas não. Preferiram concentrar-se em arrumar o Cotonete. São opções.
Entretanto, o site continua uma porcaria. E ainda não há sinais do serviço de subscrição…
28-03-2010 1 comentário
Sobre o Myway

Com cerca de um mihão de músicas para ouvir online, este mês nasceu o Myway. E o que é o Myway? Segundo a Waymedia, promotora do projecto,
O Myway é um site (…) com conteúdos musicais em streaming no formato áudio e vídeo.
O utilizador tem acesso a 1.000.000 de músicas de forma gratuita e tem a possibilidade de ouvir músicas através de canais temáticos pré-definidos, construir as suas próprias playlists, classificar e partilhar músicas, ouvir rádios de artistas e ler informação sobre os mesmos, assim como ter acesso a um blog de críticas musicais e a uma agenda musical a nível nacional. Além de todas estas funcionalidades, vão ainda estar disponiveis video clips musicais oficiais, pequenos documentários produzidos pela equipa Waymedia sobre o dia-a-dia das bandas portuguesas, making-of de videoclips, entrevistas, cobertura de concertos, entre outros.
Acrescento apenas que, segundo consta, a partir de Março vão disponibilizar um serviço de subscrição pago. Por enquanto, sem serviço de subscrição e com algumas das funcionalidades referidas (como a criação de playlists ou a agenda) inactivas, o Myway é simplesmente uma rádio online que baseia as suas playlists automáticas nos artistas que escolhemos. That being said, é uma espécie de Pandora mas com menos músicas qualidade (ou um Cotonete com mais músicas). Ah, e também tem uma mão cheia de vídeos.
Soube do Myway através dos jornais e sites de notícias – estranho para um projecto que nasce directamente na web. Importa referir que, nos dias que correm, isto é raro. Normalmente, um projecto destes seria apresentado online. Depois viria o buzz (os projectos portugueses não precisam de grande justificação para ter direito a tempo de antena) e – aí sim! – apareceria nos jornais. Enfim, são estratégias… mas permitam-me desconfiar.
O site é uma real bosta. Acho que nunca vi uma versão beta tão má na vida. Cheia de erros, links que não funcionam e objectos deslizantes que, quando aparecem, fazem com que o fundo fique preto, esta versão de teste fechada não promete grande coisa. E o facto de ser uma versão beta não desculpa estes problemas, lamento. Além disto tudo, o site é feio. E tem publicidade – será que quem pagar subscrição também terá direito a este extra?
Mas ei, tem música! 1 milhão de canções não é muito quando comparado com as 8 milhões do Spotify mas não é nada mau. É pena que tenham optado por lançar o serviço só em Portugal – acho que, nestas coisas da Web, se não sai do rectângulo, o projecto não rende. Bem sei que lançaram isto a pensar na internacionalização daqui a algum tempo mas, nesta fase, com o Spotify fechado a literalmente meia dúzia de países europeus e o Pandora limitado aos Estados Unidos, está aberta uma janela de oportunidade que poderá fechar-se nos próximos meses (hopefully). Quando se lembrarem disso, poderá ser tarde demais.
Para já, aguardo pela possibilidade de criar playlists, que isto de não controlar o que vem a seguir não é para mim. É que não sou um grande fã de rádio online. Ainda por cima, os senhores da Waymedia decidiram que seria interessante colocar separadores entre cada cinco ou seis músicas (porque ninguém sabe que está a ouvir música no Myway, claro!), o que chateia quase tanto como apanhar aquela música dos U2 logo a seguir a Radiohead.
Apesar de tudo, uma coisa é certa: vou manter-me atento à evolução do Myway, sobretudo a partir do momento em que abram o serviço de subscrição. A ideia é boa – parece-me é muito mal explorada.
21-02-2010 9 comentários
Fnac vs. Amazon: uma ida às compras
Ontem à noite dei um salto à Amazon.co.uk e decidi fazer uma coisa que nunca tinha feito: explorar as pechinchas da secção de CDs. Não tivesse eu algum tino e a encomenda teria resultado em mais de 20 discos. Fiquei-me pelos oito. Com portes (e mais um livro no carrinho), paguei pouco menos de 70 euros.
E isto fez-me voltar a pensar numa coisa em que já pensei muitas vezes: abandonar definitivamente a Fnac. Ainda há uma semana lá deixei dinheiro por causa de uns cheques Fnac que tinha recebido no Natal. Por 39 euros, levei para casa dois CDs. Um deles foi a edição especial (com DVD) do último álbum dos Phoenix, que me custou pouco menos de 18 euros, creio. E aqui está a ponte perfeita entre estas duas realidades: na Amazon, a edição básica (julgo eu) do disco – que na Fnac custa 16 – está à venda por pouco mais de cinco euros.
Comprar música na Fnac não faz sentido. Custa demasiado dinheiro e a experiência não é especialmente gratificante. Para os que – como eu – gostam de passear por lojas de música, dêem um salto à Carbono, à Jo-Jo’s e à Flur, por exemplo.
Se as diferenças fossem de dois euros ou assim, ainda percebia. Os cinco ou seis dias de espera na Amazon incomodam um pouco – pelo menos quando comparados com o imediatismo da compra numa loja como a Fnac. Mas com diferenças que chegam aos 10 euros para coisa que custam menos de 20 não há argumento que resista.
Por exemplo: ontem comprei o From The City, Stories From The Sea, da PJ Harvey, por €3.40. No site da Fnac custa €13.90. Acho que nem é preciso dizer mais nada… mas vou fazê-lo!
Tomem lá uma tabela comparativa de preços (em euros):

* preço da edição normal
n/d – não disponível nos resultados da pesquisa
Além dos dados óbvios que aqui vêem, devo destacar que mais de metade dos discos eram apresentados no site da Fnac como não estando disponíveis no momento (apesar de apresentarem preço). Destaco igualmente que todos os preços da Amazon foram convertidos em euros por excesso e arredondados a valores a terminar em 0 e 5 cêntimos. Acrescento ainda que os portes têm um valor de €12.55, mais ou menos.
Analisando a tabela, ficamos a saber que se eu tivesse ido à Fnac comprar estes discos, saía com três álbuns a menos da Fnac e deixava lá €68.65. Isto significa que saía da Fnac com menos discos e menos dinheiro do que o que aconteceu ontem por ter feito compras na Amazon – mesmo contabilizando os portes. Ficava ela por ela se contarmos com o livro que também encomendei (e os livros davam outro capítulo nesta história… mas aí nada bate o Book Depository). Claro que, para estas contas, vou esquecer o dinheiro que gastaria em estacionamento no Colombo ou no Vasco da Gama, por exemplo, até porque poderia muito bem ir a pé até ao Chiado.
Já não tinha muitas dúvidas mas esta comparação dá-me exemplos concretos e auto-explicativos. Sim, isto foi uma espécie de epifania. Comprar música na Fnac não faz mesmo sentido.
06-01-2010 19 comentários
O MySpace anda às compras
Isto está a tornar-se ridículo.
Não sei muito bem o que é que eles andam a fazer. Depois do iLike, agora é a vez do imeem. Ainda não está confirmado mas tudo indica que o MySpace vai comprar o serviço gratuito de streaming de música imeem.
Eles andam às compras mas ainda ninguém conseguiu perceber muito bem o que é que eles querem fazer. Só muito dificilmente o iLike e o imeem são exemplos de projectos lucrativos… portanto não é por isso. É possível que eles tenham alguma ideia do caminho a seguir – e de como é que a tecnologia e os serviços do imeem e do iLike estão envolvidas nisto tudo – mas até agora parece tudo muito colado com cuspo. E isto já dura há uns dois anos…
O MySpace estava perfeitamente ligado à comunidade de músicos e agentes da indústria musical mas dava ares de querer impedir que o Facebook dominasse o mundo (até porque, nos Estados Unidos, o MySpace sempre foi mais do que uma rede social para músicos). Começou então a atacar em todas as frentes. E perdeu tudo o que podia perder… e cada vez mais está a perder a música. Ironicamente, começaram agora a admitir que perderam a guerra e que desejam concentrar-se na música. Será tarde demais?
O que significa esta compra do imeem? Não sei bem. Pressuponho que queiram integrar o imeem nos seus serviços… mas porquê, se o negócio não tem compensado? Será que a agregação de tecnologias e serviços será suficiente para devolver a vida ao MySpace? Não sei. Mas não consigo deixar de pensar que parece cada vez mais que o MySpace é um barco todo furado de onde vão tirando baldes e baldes de água sem conseguir resultados. Às tantas, mais vale que se afunde de uma vez.
17-11-2009 1 comentário
Panel
O Panel é um projecto norte-americano que tem como objectivo facilitar-nos a vida.
O que fazem os senhores? Recomendam música. Ou melhor, pedem a pessoas do mundo da música para recomendarem música. É recomendação humana, cheia de potencial de corrupção, falhas e contradições. Por outro lado, como não são da responsabilidade de críticos, as recomendações tendem a ser mais pessoais e interessantes. Mas isso só poderemos ver com o passar do tempo.
Cada membro do painel escolhe dois álbuns. E há um membro novo todas as semanas. Esta semana, por exemplo, as duas escolhas foram feitas por Jason Hughes, fundador de uma loja de música de Seattle chamada Sonic Boom Records e da editora Sonic Boom Recordings. Além da escolha de dois álbuns, o pacote semanal inclui também uma entrevista. Em Portugal, é difícil aproveitar o serviço ao máximo, já que a aplicação para o iPhone não está disponível na loja portuguesa… mas a isso já nos habituámos há muito. E há sempre o site deles, pronto.
O artigo que li sobre este projecto remetia para a ideia do tipo da loja de música (no estilo Alta Fidelidade) e até acho piada à referência. É um regresso ao tempo em que esse tipo era visto como uma autoridade. As coisas mudaram entretanto – pelo menos por cá.
O Panel acaba por ser uma tentativa de reequilibrar a competição entre as máquinas (Last.fm, iTunes Genius) e os humanos (eu e vocês). Cá para mim, gosto de manter várias hipóteses em aberto.
21-10-2009 2 comentários
Excelente iniciativa do Pitchfork
O Pitchfork tem vindo a publicar uma série de artigos sobre a música na década que agora acaba, tendo já publicado a lista das 500 melhores canções dos últimos 10 anos. Há ainda uma série de outras listas e artigos na forja, entre os quais a obrigatória lista dos melhores álbuns.
É uma excelente iniciativa. Em termos de opinião, já se sabe, a coisa nem sempre bate certo com o que achamos mas é preciso reconhecer mérito ao exercício. Entretanto, publicaram também o primeiro de uma série de artigos sobre a primeira década completa do MP3.
Ainda vão publicar muita coisa até ao final do ano. Vale a pena ficar de olho no site.
25-08-2009 Sem comentários
