Música, indústria e tendências.

Categoria — Web

Sem contrato? A alternativa Twitter

Este post faz parte da série Sem contrato? As alternativas para uma boa auto-promoção.

O website e o Facebook são vertentes muito importantes mas não são as únicas formas de divulgar o trabalho de um artista ou de uma banda. Nesse sentido, o Twitter – que já entrou no mainstream – é importante para a criação de uma relação com os fãs (e com os potenciais fãs também, já agora).

falei aqui algumas vezes sobre o Twitter. Foi numa altura em que já estava na moda… mas ainda não tinha chegado a toda a gente. Hoje em dia, por outro lado, já há notícias nos jornais sobre o facto do Twitter ter parado algumas horas.

Para músicos, especificamente, há diversas formas de estar. No Twitter, há os que falam de como escreveram uma canção e do seu dia-a-dia, entre outras coisas; há também os que apostam muito no networking (ainda que o rei do networking continue a ser o aborrecido MySpace); há igualmente quem promova uma grande interacção com os fãs (sobretudo artistas de algum renome), com ofertas, passatempos e outras iniciativas.

Para artistas ou bandas que estão a tentar mostrar a sua música, a aposta no Twitter deverá ser feita em sintonia com a estratégia de comunicação nas outras redes sociais e no site. É que o Twitter ainda não demonstrou ser, por si só, uma forma fantástica de gerar negócio… porque é fugaz.

Assim, há algumas coisas que me parecem fundamentais quando se está no Twitter: a presença deve ser constante (ninguém vos pede que sejam o Paulo Querido, apenas que não fiquem 4 ou 5 dias sem dar notícias) e deve ter qualidade. Partilhem conhecimento, participem em discussões, acrescentem algo.

Como vêem, nenhum destes conselhos potencia especialmente uma carreira musical. Mas a partilha de conhecimento, a discussão e tudo o resto contribuem para fortalecer a reputação. À medida que forem incorporando o Twitter na vossa estratégia de divulgação, juntamente com o Facebook e um site actualizado e fácil de utilizar, é mais fácil chegar à vossa música – e, consequentemente, mais fácil que a vossa música chegue a algum lado.

11-08-2009   Sem comentários

Uma ideia que quero partilhar

Há já muito tempo que procuro um site onde se possa fazer o que se faz no Collectorz.com Music Collector mas online e com funcionalidades de partilha. Há demasiado tempo, talvez.

Vejo tantos projectos por essa Internet fora e ainda não encontrei um com estas características. O mais próximo que encontrei foi o Racks and Tags… mas falha em demasiados aspectos que são fundamentais para mim – nem que seja porque não permite a introdução manual da informação.

Queria algo que me deixasse catalogar e organizar a minha colecção de música online, exibi-la, partilhar reviews com os restantes membros; algo que criasse gráficos e tabelas com base nas colecções dos utilizadores; algo que me deixe ter uma colecção de CDs, vinis e – porque não? – cassetes, não só de MP3.

Amigos, fica a ideia (não é a mais original de sempre, mas é uma ideia!) e o desafio. Se já conhecerem algo deste género… avisem-me, por favor. Se não e se acharem que podem avançar com isto, força! Se quiserem fazer isto em conjunto, o meu e-mail está à vossa disposição. Espero que se consiga fazer alguma coisa.

10-08-2009   2 comentários

Billboard.com está diferente

A Billboard fez alterações ao seu site.

Pessoalmente, sempre o achei pouco amigável e um tanto ou quanto confuso pelo que, em teoria, a alteração seria bem-vinda. Ainda não o explorei convenientemente… mas, pá,  acho que não gosto do que fizeram.

Atenção, não é pelos conteúdos. Apesar de achar que há muita coisa ali que não me serve de nada, a Billboard é um recurso fundamental para quem quer estar informado sobre o que se anda a passar na cena pop dos Estados Unidos. Nem falo do Billboard.biz, que não foi abrangido pelas alterações, já que este site está vocacionado para notícias e artigos sobre negócios e a indústria discográfica, o que não é bem a mesma coisa. De qualquer forma, não é pelos conteúdos. É, antes, pela forma como estão distribuídos e escondidos no site.

Coisinhas deslizantes e afins não tornam um site obrigatoriamente bom e cool. Se permitissem brincar com aqueles gráficos (que agora apresentam mais facilmente) e fazer comparações, seleccionar espaços temporais e afins… aí se calhar até me esquecia da chatice que é navegar pelo site. Por outro lado, o acesso às notícias piorou: agora há menos, com fotografias maiores.

No geral, é isto. Há coisas mais pequenas (e mais sociais, como a integração com o Lala)… que não são propriamente revolucionárias. As grandes mudanças são o layout (não sei se para pior… mas definitivamente não foi para bom) e o acesso ao histórico do Billboard 200 e de outras tabelas de vendas (mas sempre numa perspectiva por artista… e sem números de vendas, o que é uma pena).

Bem, acho que vou continuar a seguir os feeds…

22-07-2009   Sem comentários

Músicos no Twitter

Há quanto tempo é que não falo do Twitter por aqui? Há tempo suficiente.

O Miguel Albano chamou-me a atenção para um artigo do Mashable sobre músicos no Twitter. A lista contém mais de cem nomes, entre os quais Dave Matthews, Coldplay, John Mayer, Muse, Pete Yorn, Imogen Heap, Sonic Youth, The Streets e Trent Reznor.

O artigo está engraçado e explica a forma como cada um destes artistas – ou respectivo mandatário – marca a sua presença no Twitter. Ainda assim, parece-me mais importante notar que, apesar das mil e uma formas encontradas para estar no Twitter, nenhuma é propriamente errada. Falar da última sessão de estúdio, de banalidades ou do sentido da vida… tudo vale. Os limites são os do razoável – o que é, em si, bastante razoável.

O sucesso do Twitter reside não só na (ilusão de) proximidade mas também – sobretudo, talvez – na sua moldabilidade. O Twitter pode ser confessional mas também pode ser uma eficaz ferramenta de marketing. Pode ser sobre links ou sobre dar os bons dias aos amigos. Daí que o termo microblogging faça sentido. Ora releiam lá as frases anteriores e digam-me se não poderia muito bem estar a falar de blogs.

15-07-2009   Sem comentários

The Pirate Bay vendido. E agora?

Ora aqui está uma coisa que eu não esperava. A notícia tem uns dias mas, mais do que a notícia propriamente dita, interessa perceber o que podemos esperar com este negócio.

Os 5,5 milhões de euros poderão servir certamente para a indemnização que os responsáveis pelo site foram condenados a pagar à indústria discográfica e do cinema. Ainda há um recurso, pelo que não é certo que tenham de utilizar o dinheiro para esse fim. Apenas outro pormenor: a venda não está absolutamente fechada – mas as coisas estão bem encaminhadas.

Mas… e agora, o que acontece ao maior tracker de BitTorrent? Uma coisa é certa: vai ser encerrado. As últimas notícias dão conta de que o espírito do site deverá manter-se mas noutros moldes. Assim, sem um tracker próprio, talvez se torne semelhante ao Mininova, por exemplo, ou aposte em novas tecnologias de partilha de ficheiros. Mas quem sabe…

E se o espírito da coisa não se mantiver? Simples. As pessoas partem para outra.

Nenhum dos utilizadores do TPB vai comprar mais discos ou filmes por causa disso… mas parece que a indústria do entretenimento ainda não conseguiu compreender – só assim se justifica a constante perseguição. A partilha de ficheiros foi uma das melhores coisas que aconteceu à música nas últimas décadas: o acesso facilitado a milhares de artistas anteriormente condenados ao anonimato abriu portas a uma autêntica revolução cultural. O problema é que, no meio disto tudo, as editoras optaram por se afastarem da revolução… a um ponto em que quase não fazem parte dela. E é uma pena porque aqueles anos todos de experiência poderiam enriquecer ainda mais esta experiência.

Mas fujo do assunto. O The Pirate Bay é um símbolo e as pessoas temem que, afinal, tudo isto não tenha passado de um esquema para ganhar uns trocos. Mas um site não é a revolução, é apenas um… site.

Assim como assim, o paradigma já mudou.

02-07-2009   4 comentários

Acordo entre Universal e Virgin é duvidoso

Por esta altura já devem ter lido qualquer coisa sobre o acordo possivelmente histórico entre a Virgin Media e a Universal Music para a disponibilização do catálogo completo da editora em MP3 em troco de uma mensalidade de custo inferior a dois CDs.

Pois bem, muito rapidamente:

1. Este acordo tem tudo para ser um passo em frente: o acesso total e ilimitado aos catálogos das editoras em troca de uma mensalidade é daquelas coisas que toda a gente com dois dedos de testa propõe há já algum tempo. Ainda assim, não deixa de ser uma pena que este acordo só inclua a Universal, deixando de fora três outras majors e todas as editoras independentes.

2. A Virgin Media, ISP britânico, serve mais ou menos como parceiro tecnológico da editora. O que significa isto na prática? Infelizmente, que a resposta gradual será posta em prática: serão suspensas contas de utilizadores que recorram no download ilegal de música, ficarão com menor largura de manda e, em última instância, poderão perder o acesso à Internet. Mas não se fiquem por esta leitura superficial do assunto. O Miguel Caetano tem feito um excelente trabalho de pesquisa neste campo, se tiverem interesse.

3. Não consigo deixar de pensar que, com apenas uma editora, a tendência para a partilha de ficheiros deverá manter-se como dantes. Resta saber se as outras editoras querem seguir este caminho – e, em caso afirmativo, se se querem juntar a este acordo ou desenvolver os seus próprios acordos isoladamente. Se seguirem caminhos separados, a coisa está condenada ao fracasso.

16-06-2009   Sem comentários

Um ano

Este blog faz um ano.

Não é um portento em termos de visitas (9 mil e qualquer coisa) ou de visualizações (15 mil e qualquer coisa) mas é um projecto de que tenho gostado muito até agora.

Há, claro, coisas que quero melhorar. Gostava de publicar textos com mais frequência (sendo que três por dia é um objectivo… mesmo que seja irrealista) e de os tornar mais interessantes. Acho que até tenho publicado algumas coisas giras de vez em quando… mas quero publicar mais.

Ah, e obrigado aos 40-50 que por aqui passam diariamente. E aos 20 e poucos que subscrevem o feed.

Os posts sobre música voltam amanhã, provavelmente. Hoje é dia de aniversário.

28-05-2009   12 comentários

Eu e o marketing da música no ISCSP

Há quase dois meses, fui convidado pela Raquel Ribeiro, professora de Marketing do ISCSP e leitora assídua deste blog, para dar uma aula aos alunos do 2º ano da Licenciatura em Ciências da Comunicação. Aceitei com entusiasmo e a coisa acabou por acontecer na quinta-feira passada.

Foi uma aula com dois temas – e eu fiquei responsável por um deles: o marketing da música. O outro estava relacionado com agências de comunicação e também me é bastante familiar, claro. Acabou por se tornar bem mais interessante do que o tema que levei, pelo menos a julgar pelo número de perguntas que motivou.

Sentia isto quando andava na faculdade e senti-o novamente na semana passada. Uma parte significativa dos universitários querem saber quase exclusivamente como é que podem arranjar emprego. Isto ao mesmo tempo em que deviam estar a fazer pela vida e a ganhar currículo com o que quer que fosse (actividades extracurriculares como o blogging ou o envolvimento activo e responsável na vida académica, por exemplo). É um pós-modernismo interessante, um vou ficar aqui parado a pensar exactamente como é que devo mexer-me. Mas pronto, ainda vão a tempo, acho eu.

Entretanto, deixo-vos a apresentação que pintou a minha parte da aula. É uma coisa no estilo “101″, com enquadramento e informação básicos… mas acho que se adaptava à audiência. Apesar de ter sido feita para acompanhar um tipo semi-lunático a falar, espero que gostem. E que comentem!

18-05-2009   6 comentários

Coldplay oferecem álbum nos concertos e no site

Os Coldplay anunciaram através da sua newsletter que vão oferecer nos próximos concertos um álbum gravado ao vivo em várias cidades durante a Viva La Vida Tour. Também será possível fazer download do produto final através do site da banda a partir de dia 15 deste mês.

Parece-me uma iniciativa porreira. Na newsletter pode ler-se que a banda agradece assim o apoio dos fãs e tudo o resto (e mais a crise). São people pleasers, estes gajos. Mas nada contra! Venha de lá mais música.

O alinhamento e o artwork de LeftRightLeftRightLeft (três “lefts”, dois “rights” e um título estúpido) podem ser vistos aqui.

De qualquer forma, parece-me que interessa mais sublinhar um outro aspecto desta notícia. Este presente é apenas mais um contributo para a teoria (facilmente comprovável) de que, cada vez mais, os músicos fazem dinheiro com os concertos, não com os discos. E atenção: chegámos às bandas pop que, apesar de serem quem está mais à vontade financeiramente para fazer brincadeiras destas, ainda são quem mais tem a perder (ou não ganhar, vá) em termos de vendas.

Mas a venda de discos no presente não vale mais do que o futuro e a reputação dos Coldplay. E para os que, como eu, ainda compram discos, estou certo de que eles ainda vão editar muita coisa em que possamos estourar dinheiro.

03-05-2009   3 comentários

A EMI tem um blog na Austrália…

… e até que não é mau de todo.

In Sound From Way Out é o primeiro blog de uma das grandes editora discográfica. Sim, leram bem.

O blog tem pinta e não se fica pela conversa marqueteira sobre os artistas da EMI. Vemos álbuns de fotografias, a demo mais estranha de sempre, posts com referências a artistas de outras editoras (o crime!!!) e por aí fora. Vemos um blog normal, portanto. E isso é bom.

Não espero é ver por ali conversa séria sobre o caminho da indústria. Parece ser claramente um blog de entretenimento, pelo que também isso é normal.

Além de ser o primeiro blog de uma major, In Sound From Way Out não constitui grande novidade. Claro que estamos em 2009 e o facto de uma empresa como a EMI estar agora a dar os primeiros passos na área é um pouco assustador.

Ainda assim… haja esperança.

07-04-2009   Sem comentários