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	<title>Ouve-se</title>
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	<description>Música, indústria e tendências.</description>
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		<title>Porque é que algumas músicas provocam arrepios?</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2012 09:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<description><![CDATA[Tenho a certeza de que já vos aconteceu estarem a ouvir uma canção e, a determinada altura, sentirem arrepios. Já vos aconteceu, certo? Pois que há uns dias estava a ouvir algo que só muito recentemente deixei entrar na minha vida, apesar de já ter uns aninhos valentes, e aconteceu. In The Aeroplane, Over The [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho a certeza de que já vos aconteceu estarem a ouvir uma canção e, a determinada altura, sentirem arrepios. Já vos aconteceu, certo?</p>
<p>Pois que há uns dias estava a ouvir algo que só muito recentemente deixei entrar na minha vida, apesar de já ter uns aninhos valentes, e aconteceu. <em>In The Aeroplane, Over The Sea</em>, o estranho e riquíssimo álbum lançado pelos Neutral Milk Hotel em 1998 não teria, à primeira vista, as condições necessárias para me fazer sentir arrepios. Aliás, tendo em conta o número de vezes que o ouvi antes sem grandes efeitos, é mesmo surpreendente. Mas, de alguma forma, a voz meio irritante e desafinada de pronúncia sulista de Jeff Mangum e o choque térmico (ou, antes, sónico) entre uma simples guitarra acústica, metais semi-épicos, guitarras eléctricas cheias de distorção e aquilo que me parece ser uma gaita de foles&#8230; fizeram qualquer coisa. Comecei a apreciar bastante o álbum. E depois aconteceu.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="360" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/bCxEWPLDg5c?version=3&amp;hl=en_US" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="360" src="http://www.youtube.com/v/bCxEWPLDg5c?version=3&amp;hl=en_US" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>“Two-headed Boy” é a quarta faixa do álbum e é tão simples como o álbum consegue ser &#8211; tem voz e guitarra acústica. A característica extra: ocasionalmente, provoca-me arrepios.</p>
<p>E um desses episódios deixou-me a pensar: mas porque é que isto acontece?</p>
<p><span id="more-1471"></span></p>
<p>Aparentemente, a culpa é do <a title="Hipotálamo Anatomia" href="http://3nf3rmag3m.blogs.sapo.pt/1916.html">hipotálamo</a>. Sim, aquela área do cérebro de que se fala sempre que se fala de sexo (e do cérebro). O hipotálamo regula uma série de coisas giras: prazer sexual, apetite, emoções, temperatura corporal, sede e sono, entre outras menos óbvias. Algumas reacções da responsabilidade do hipotálamo incluem o aumento de ritmo cardíaco e da transpiração, por exemplo, mas também, claro está, os proverbiais arrepios.</p>
<p>Suspeitava que os arrepios poderiam ter origem em algo mais imediato, como sequências de acordes, mudanças de timbre ou coisas do género&#8230; mas parece que não. Pelo menos não da forma que pensava. A <a title="Why do you get goose bumps when you hear some music?" href="http://www.thenakedscientists.com/HTML/content/latest-questions/question/1767/">resposta comum</a> é a de que os arrepios que sentimos aqui e ali quando ouvimos uma música estão relacionados com as nossas emoções, com a forma como descodificamos essa música. Pondo as coisas da forma mais redundante possível, os arrepios estão relacionados com o que sentimos quando ouvimos música. Embora sintamos, também, os próprios arrepios (daí a redundância). E depois há o prazer e a libertação de dopamina e assim&#8230; mas ainda não é desta que me vão ver a falar disso.</p>
<p>Pensando bem, a minha primeira hipótese não fazia sentido. O ónus não poderia nunca estar na música, mas sim no ouvinte. Se não, aconteceria a mesma coisa a muito boa gente com a mesma música. E isto demonstra em boa parte o poder da música. O sexo, a fome, a sede&#8230; são coisas claramente físicas. Na música, não é o estímulo sonoro que nos afecta fisicamente. É o processo psicológico que acompanha a música. E isso é uma coisa fantástica.</p>
<p>A piada pós-arrepios está em tentar perceber o que é que, na descodificação de determinada música, nos levou por esse caminho. É que, numa altura em que ainda estava apenas a começar a tomar atenção à letra (e por isso não a tinha bem presente) e depois de já ter ouvido a música antes sem lhe ligar nenhuma, continuo sem perceber o que é que, na prática, me levou a arrepiar-me com “Two-headed Boy”. Mas pronto, venham de lá os próximos.</p>
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		<title>Rescaldo do Record Store Day 2012</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Apr 2012 16:47:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[carbono]]></category>
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		<description><![CDATA[Ontem passei umas horinhas a visitar as capelinhas da música gravada em Lisboa, alimentando o sonho de uma tradição em construção. Comecei pela Louie Louie, no Chiado, ainda antes do almoço. Não tinha muita gente, talvez pela hora. Ao início da tarde, visitei a Carbono. Pouca gente também, desta feita com um incêndio a poucos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" title="Record Store Day" src="http://distilleryimage4.instagram.com/96cd0bee8c9111e1a39b1231381b7ba1_7.jpg" alt="" width="612" height="612" /></p>
<p>Ontem passei umas horinhas a visitar as capelinhas da música gravada em Lisboa, alimentando o sonho de uma tradição em construção. Comecei pela Louie Louie, no Chiado, ainda antes do almoço. Não tinha muita gente, talvez pela hora. Ao início da tarde, visitei a Carbono. Pouca gente também, desta feita com um incêndio a poucos metros e o respectivo cheiro a queimado a não ajudarem. Por fim, dei um salto à Flur, definitivamente a mais concorrida das três (mas também a mais pequena). Não cheguei a comprar nada na Flur (a variedade não é o forte deles, embora tenham muita coisa que mais ninguém tem&#8230; só que é em áreas mais específicas).</p>
<p><span id="more-1464"></span></p>
<p>Dito isto, fiquem a saber os discos que trouxe para casa:</p>
<p><strong>Louie Louie</strong><br />
Iron &amp; Wine &#8211; <em>Morning Becomes Eclectic</em><br />
LCD Soundsystem &#8211; <em>I Can Change</em><br />
LCD Soundsystem &#8211; <em>Movement</em> (promo)<br />
Radiohead &#8211; <em>Pablo Honey</em><br />
Radiohead &#8211; <em>OK Computer</em></p>
<p><strong>Carbono</strong><br />
The Flaming Lips &#8211; <em>Yoshimi Battles the Pink Robots</em><br />
Jeff Buckley &#8211; <em>Mystery White Boy</em> &#8211; a edição especial com um CD extra<br />
The National &#8211; <em>Sad Songs For Dirty Lovers</em><br />
The National &#8211; <em>Cherry Tree</em><br />
Tokyo Police Club &#8211; <em>Champ</em></p>
<p>Em termos de preços, destaco apenas <em>Mystery White Boy</em>, que é uma edição especial com um CD extra e me custou apenas 8 euros (já com 20% de desconto do Record Store Day). De resto, foi um dos dois CDs que comprei &#8211; o resto veio tudo em vinil (até porque já tenho a maioria em CD). Aos poucos, a colecção começa a crescer.</p>
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		<title>Assim fica difícil, Mark Kozelek</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Mar 2012 00:02:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[caldo verde records]]></category>
		<category><![CDATA[mark kozelek]]></category>
		<category><![CDATA[red house painters]]></category>
		<category><![CDATA[sun kil moon]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem me conhece já há muito perdeu a paciência para me ouvir falar de Sun Kil Moon, Red House Painters e/ou Mark Kozelek. Quem me conhece, aliás, já demonstra muito pouco interesse pela música dele. Quem não me conhece, não sabe nada disto mas, tendo em conta que escrevi um post sobre ele no final [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem me conhece já há muito perdeu a paciência para me ouvir falar de Sun Kil Moon, Red House Painters e/ou Mark Kozelek. Quem me conhece, aliás, já demonstra muito pouco interesse pela música dele.</p>
<p>Quem não me conhece, não sabe nada disto mas, tendo em conta que escrevi <a title="Numa nota mais pessoal - das epifanias" href="http://www.ouve-se.com/2010/12/numa-nota-mais-pessoal-das-epifanias/">um post sobre ele no final de 2010</a>, <a title="O chato" href="http://www.ouve-se.com/2011/01/o-chato/">outro passado uma semana</a> (apropriadamente intitulado &#8220;O chato&#8221;) e depois passei o resto do ano a ouvir todos os discos e versões das músicas ao vivo&#8230; acho que consegue imaginar.</p>
<p>Posto isto, vem aí um novo álbum de Sun Kil Moon. Among the Leaves tem lançamento marcado para 29 de Maio e vem dar continuidade ao trabalho mais acústico que Mark Kozelek mostrou em Admiral Fell Promises. Já é possível ouvir dois dos temas &#8211; <a title="&quot;Sunshine in Chicago&quot;" href="http://www.caldoverderecords.com/amongtheleaves/index.html">&#8220;Sunshine in Chicago&#8221;</a> e <a title="&quot;Track Number 8&quot;" href="http://www.caldoverderecords.com/amongtheleaves/index11.html">&#8220;Track Number 8&#8243;</a> (a número 11 no alinhamento&#8230;) &#8211; do álbum no site da <a title="Caldo Verde Records" href="http://www.caldoverderecords.com/">Caldo Verde Records</a>.</p>
<p><span id="more-1458"></span></p>
<p>Among the Leaves promete um Mark Kozelek mais descontraído do que nunca. Isso reflecte-se imediatamente nas canções referidas anteriormente (<em>&#8220;Sunshine in Chicago makes me feel pretty sad / My band played here a lot in the &#8217;90s when we had / Lots of female fans and, fuck, they all were cute / Now I just sign posters for guys in tennis shoes&#8221;</em>, diz ele a determinada altura de &#8220;Sunshine in Chicago&#8221;) mas também em títulos tão fantásticos como &#8220;The Moderately Talented Yet Attractive Young Woman vs. The Exceptionally Talented Yet Not So Attractive Middle Aged Man&#8221; ou &#8220;Not Much Rhymes With Everything’s Awesome At All Times&#8221;.</p>
<p>Mas volto ao início. Ao título, mais especificamente. Assim fica difícil, Mark Kozelek. Não me estás a dar tempo para ouvir outra coisa. E não é por mim. É por todos os que me conhecem. E por mim também, vá, que não quero ficar sem amigos.</p>
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		<title>Haja coração</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Mar 2012 20:17:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[a jigsaw]]></category>
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		<category><![CDATA[festival para gente sentada]]></category>
		<category><![CDATA[low]]></category>

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		<description><![CDATA[Os motivos variam muito mas acho que começo a acumular uma boa dose de concertos inesquecíveis. Umas vezes, é porque a música é impossivelmente boa. Outras, por questões de contexto. Há outras ainda que juntam as duas coisas. O concerto dos Low no Cine-Teatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira, no âmbito do Festival [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" src="http://a4.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-prn1/553424_3539595810716_1297046649_3481183_1055682394_n.jpg" alt="" width="500" height="500" /></p>
<p>Os motivos variam muito mas acho que começo a acumular uma boa dose de concertos inesquecíveis. Umas vezes, é porque a música é impossivelmente boa. Outras, por questões de contexto. Há outras ainda que juntam as duas coisas. O concerto dos Low no Cine-Teatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira, no âmbito do Festival para Gente Sentada, foi uma dessas vezes.</p>
<p><span id="more-1453"></span></p>
<p>Não arranjei companhia, portanto fui sozinho. Low é uma daquelas bandas que não espero ver muitas vezes ao vivo, portanto tinha de ser. Cheguei lá e sentei-me no melhor lugar da casa &#8211; fila da frente, cadeira do meio. <em>So far, so good.</em></p>
<p>Sendo um festival &#8211; e um dos mais interessantes da extensa lista de festivais portugueses -, havia duas bandas a abrir. E é aqui que atingimos o ponto mais baixo: os Aquaparque. Não há palavras bonitas para descrever os Aquaparque. Atrás de mim, ontem, alguém dizia que os miúdos não morreram por más condições do infame parque aquático. Para eles, aparentemente, foi da música. E digamos que percebo o ponto de vista. As vozes, as músicas, a presença, as letras&#8230; tudo lamentável. Valeram-nos os A Jigsaw, que não conhecia. Foram uma grande, grande surpresa. Não são propriamente os tipos mais revolucionários do mundo &#8211; aquele blues folk já se ouviu em qualquer lado, de uma maneira ou de outra &#8211; mas são muito, muito competentes. Fiquei com vontade de ouvir mais.</p>
<p>Pela meia-noite, Alan Sparhawk, Mimi Parker e Steve Garrington começaram a preparar o palco, juntamente com alguns roadies. Não é coisa que se veja todos os dias numa banda com quase 20 anos de carreira&#8230; mas aconteceu, pronto. É o que é.</p>
<p>E depois veio o concerto. E foi fantástico. A determinada altura, tocaram &#8220;Witches&#8221;, &#8220;Try to Sleep&#8221;, &#8220;Monkey&#8221; e &#8220;Sunflower&#8221;&#8230; assim, de seguida. E se isto não bastasse, o set foi relativamente curto (o concerto terminou 1h40 depois) mas quase perfeito. Uma espécie de bomba musical. Tivemos ainda direito a canções como &#8220;Especially Me&#8221;, &#8220;Silver Rider&#8221; (uma das óbvias), &#8220;Murderer&#8221; e a fantástica &#8220;Violent Past&#8221;.</p>
<p>E eles foram tocando umas a seguir às outras, como se não fosse nada com eles. É que, apesar dos quase 20 anos de carreira, os Low estão numa fase fantástica. <em>C&#8217;mon</em> é a prova disso mesmo &#8211; um álbum gigante ao primeiro contacto que consegue, ainda assim, crescer à medida que o vamos ouvindo. Arriscaria até dizer que é um dos melhores álbuns editados até hoje pela banda norte-americana.</p>
<p>E foi de <em>C&#8217;mon</em> que saiu um dos pontos mais altos do concerto: &#8220;Nothing But Heart&#8221;. Aqui, para descrever o que se passou, não consigo dizer senão&#8230; <em>I am nothing but heart</em>.</p>
<p>Não vou falar do talento de Alan Sparhawk para a guitarra nem do minimalismo da bateria de Mimi Parker. Mas é preciso dizer que as vozes de ambos parecem estar melhores do que nunca. É incrível, a sério. É como se os anos não passassem por eles.</p>
<p>Perdoem-me a falta de eloquência materializada neste texto mas ainda estou a modos que em choque. Foi mesmo um grande, grande concerto. Se não estão cheios de inveja, apenas consigo ter pena de vocês.</p>
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		<title>dEUS na Aula Magna &#8211; o ponto de vista de um ignorante</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Feb 2012 23:38:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[aula magna]]></category>
		<category><![CDATA[concertos]]></category>
		<category><![CDATA[dEUS]]></category>

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		<description><![CDATA[Os dEUS passaram pela Aula Magna, em Lisboa, na noite passada e eu fui lá vê-los. Conhecendo (muito mal) apenas dois álbuns &#8211; The Ideal Crash, de 1999, e Pocket Revolution, de 2005 -, não sou de todo a pessoa mais adequada para avaliar o que quer que seja do concerto. Mas vou fazê-lo à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os dEUS passaram pela Aula Magna, em Lisboa, na noite passada e eu fui lá vê-los. Conhecendo (muito mal) apenas dois álbuns &#8211; <em>The Ideal Crash</em>, de 1999, e <em>Pocket Revolution</em>, de 2005 -, não sou de todo a pessoa mais adequada para avaliar o que quer que seja do concerto. Mas vou fazê-lo à mesma.</p>
<p>Com mais de um terço dos temas retirado de <em>Keep You Close</em>, este foi claramente um concerto dedicado à apresentação do mais recente álbum da banda belga. Ainda assim, as canções mais bem recebidas pelo público que encheu a sala foram as outras, as que se espalham por mais de 16 anos de carreira. Mas ninguém esperaria o contrário, claro.</p>
<p>O som da Aula Magna trata muito mal quem fica sentado (sendo que, &#8220;sentado&#8221; aqui é apenas uma força de expressão) mais distante do palco, o que prejudicou um bocadinho a minha experiência. Mas ficou mais que claro que os dEUS são uma banda gigante ao vivo. Valham-nos as guitarras!</p>
<p><span id="more-1444"></span></p>
<p>Falha alguma coisa? Falha, claro. As músicas mais calmas não deixam sacudir a tensão que as outras acumulam, o que faz com que saibam a pouco, por mais aceitáveis ou giras que sejam <em>per si</em>. Neste caso, refiro-me à velhinha &#8220;Nothing Really Ends&#8221; e a &#8220;The End of Romance&#8221;.</p>
<p>Mas quando podemos ouvir num mesmo concerto canções tão grandiosas como &#8220;Instant Street&#8221; &#8211; que merecia ser empurrada lá mais para o final, onde estão as outras todas -, &#8220;Bad Timing&#8221;, &#8220;Suds &amp; Soda&#8221; e &#8220;Sun Ra&#8221;, é virtualmente impossível sair da sala insatisfeito.</p>
<p>E agora vou ali ouvir os álbuns.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Coragem</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 01:37:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[girls]]></category>
		<category><![CDATA[videos]]></category>

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		<description><![CDATA[Não me presto especialmente a gostar de canções por motivos externos às canções propriamente ditas, embora seja certamente influenciável por diversos factores, como o facto de conhecer e gostar ou não do artista ou da banda, por exemplo. Dito isto, o contrário já é mais fácil de acontecer. Não gostar de canções simplesmente por motivos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não me presto especialmente a gostar de canções por motivos externos às canções propriamente ditas, embora seja certamente influenciável por diversos factores, como o facto de conhecer e gostar ou não do artista ou da banda, por exemplo. Dito isto, o contrário já é mais fácil de acontecer. Não gostar de canções simplesmente por motivos externos&#8230; é o pão nosso de cada dia. Mas pronto, <em>I&#8217;m only human</em>.</p>
<p>Normalmente, tanto me faz se uma banda arrisca muito ou pouco; interessa-me, isso sim, se gosto do que fazem ou não. Há, no entanto, excepções que confirmam a regra. Os Girls são uma destas excepções. &#8220;Vomit&#8221; é uma destas excepções. E vocês, conhecendo a música ou não, ainda não perceberam o meu raciocínio, estou certo. Mas já lá vamos.</p>
<p><span id="more-1439"></span></p>
<p>&#8220;Vomit&#8221; é uma grande, grande música. Guitarra tristonha, voz esquiva e letra carente são elementos que contribuem para que a canção se instale. Os urbano-depressivos saberão apreciar. O refrão de guitarra distorcida em punho embrulha tudo bem embrulhadinho e a coisa está bem mais que bem encaminhada. E depois vem a parte final, cheio de órgão à blues, voz feminina à soul, um coro de &#8220;ahs&#8221; e &#8220;uhs&#8221; e um solo de guitarra relativamente simples. E aqui começamos a desconfiar. Ou a adorar.</p>
<p>E é aqui que o meu argumento inicial vem dar. É que é preciso uma certa dose de coragem para fazer uma coisa destas a uma canção. Atenção que eu adoro a música&#8230; mas estou perfeitamente convencido que só gosto tanto dela por causa do final&#8230; e, em circunstâncias normais, uma banda desconhecida para mim seria corrida a pontapé depois das coisas que descrevi. E, ainda assim, acontece exactamente o contrário. Esta espécie de coragem para transformar a canção no que ela é (mais do que a inclusão da voz feminina, do órgão e do solo de guitarra propriamente dita) eleva &#8220;Vomit&#8221; a outro patamar, um patamar a que se chega com vontade de pôr a canção a tocar do início vezes e vezes sem conta&#8230; só para ouvir o final outra vez.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="560" height="315" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ze6rg4ixjOI?version=3&amp;hl=en_US" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/v/ze6rg4ixjOI?version=3&amp;hl=en_US" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<item>
		<title>Contra a lei da cópia privada</title>
		<link>http://www.ouve-se.com/2012/01/contra-a-lei-da-copia-privada/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 02:44:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Indústria discográfica]]></category>
		<category><![CDATA[Tendências]]></category>
		<category><![CDATA[assembleia da república]]></category>
		<category><![CDATA[cópia privada]]></category>
		<category><![CDATA[legislação]]></category>
		<category><![CDATA[partido socialista]]></category>
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		<description><![CDATA[O projecto de lei apresentado pelo Partido Socialista para a cópia privada esta semana na Assembleia da República é confrangedor e embaraçoso. E é apenas um dos muitos exemplos de que, em Portugal, se legisla como a Alexandra Solnado diz que escreve livros: com as ideias de outros. No caso da Alexandra Solnado, parece que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a title="Projecto de lei - cópia privada - Partido Socialista" href="http://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf?path=6148523063446f764c3246795a5868774d546f334e7a67774c325276593342734c576c756156684a5358526c65433977616d77784d54677457456c4a4c6d527659773d3d&amp;fich=pjl118-XII.doc&amp;Inline=true">projecto de lei apresentado pelo Partido Socialista</a> para a cópia privada esta semana na Assembleia da República é confrangedor e embaraçoso. E é apenas um dos muitos exemplos de que, em Portugal, se legisla como a Alexandra Solnado diz que escreve livros: com as ideias de outros. No caso da Alexandra Solnado, parece que é deus; no caso da legislação, quer parecer-me que são os grupos de interesse.</p>
<p>Uma coisa é o Estado criar impostos transversais que contribuem para o financiamento da Educação, da Justiça, da Saúde e mesmo da Cultura. Outra coisa, é decidir cobrar 2 cêntimos por cada gigabyte nos discos rígidos para dar à Sociedade Portuguesa de Autores e afins porque parece que os discos rígidos são muito usados para a tal da cópia privada. Mas que sentido é que isto faz?</p>
<p><span id="more-1433"></span></p>
<p>É um princípio extremamente perigoso que já é posto em prática &#8211; a lei actual prevê o pagamento de uma taxa de 3% que vão para entidades como a SPA na compra de CDs virgens, por exemplo &#8211; mas que parece estar a ganhar dimensões muito preocupantes. Vejam <a title="Poingg" href="http://poingg.com/31770.html">estas <em>divertidas</em> contas feitas pelo Eduardo</a>. Porreiro, não é?</p>
<p>E pensem no precedente que isto abre para todas as outras áreas, se quiserem ficar ainda mais preocupados. Como refere a <a title="Patrícia Nunes no Twitter" href="https://twitter.com/psicookie/status/155089783343943680">Patrícia Nunes no Twitter</a>, segundo o mesmo princípio, comprar uma faca devia vir já com não sei quantos anos de cadeia (não vá a pessoa usá-la para matar alguém). O exemplo é um tanto ou quanto extremo mas a verdade é que o princípio é rigorosamente o mesmo.</p>
<p>Com o projecto de lei apresentado pelo grupo parlamentar do PS &#8211; e relativamente bem recebido pelos outros partidos com assento na Assembleia da República -, estamos a partir do princípio que quem compra um disco rígido vai obrigatoriamente utilizá-lo para copiar obras protegidas por direitos de autor. É uma generalização grosseira e, como já referi, um caminho muito perigoso.</p>
<p>E porque é que os deputados do PS seguiram este caminho? Ignorância, talvez. Ou, mais provavelmente, uma ligação mais próxima aos ditos <em>representantes</em> dos autores do que propriamente aos eleitores. Não tenham dúvidas de que isto se reflectirá, se o projecto de lei for aprovado (e tudo indica que sim), num grande aumento de receitas para as sociedades colectoras. E porquê? Porque compramos discos externos, DVDs virgens, leitores de MP3 e uma série de outras coisas. É tão simples como isto. Não interessa o que fazemos com eles. Compramos? Pagamos!</p>
<p>Dêem uma vista de olhos no <a title="Lei da cópia privada - Jonasnuts" href="http://jonasnuts.com/423564.html">artigo da Jonas sobre o assunto</a>, bem mais completo e informativo que este, para perceberem bem porque é que ser contra a nova lei da cópia privada é simplesmente natural.</p>
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		<title>Desertshore &#8211; é bom estar a par das novidades</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 01:24:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma das minhas formas favoritas de descobrir boa música é por editora. Primeiro, porque é fácil. Quando uma editora pequena lança meia dúzia de discos por ano e gostamos de uma ou duas bandas do catálogo, a probabilidade de gostarmos do resto é relativamente elevada. E é parvo ignorarmos isso e depois andarmos aí ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das minhas formas favoritas de descobrir boa música é por editora.</p>
<p>Primeiro, porque é fácil. Quando uma editora pequena lança meia dúzia de discos por ano e gostamos de uma ou duas bandas do catálogo, a probabilidade de gostarmos do resto é relativamente elevada. E é parvo ignorarmos isso e depois andarmos aí ao deus dará a ouvir sabe-se lá o quê.</p>
<p>Depois, porque vai ao encontro da <a title="Se eu mandasse numa editora de música" href="http://www.ouve-se.com/2009/05/se-eu-mandasse-numa-editora-de-musica/">minha ideia romântica de editora de música</a>.</p>
<p>Dito isto, apetece-me falar dos <a title="Desertshore" href="http://www.desertshoreband.com/">Desertshore</a>, um projecto Phil Carney (ex-Red House Painters) e Chris Connolly de que nunca tinha ouvido falar. Numa das minhas visitas ocasionais ao site da <a title="Caldo Verde Records" href="http://www.caldoverderecords.com/">Caldo Verde Records</a>, a editora de Mark Kozelek, encontrei-os e decidi ouvir uma das músicas disponíveis. E valeu a pena.</p>
<p><span id="more-1428"></span></p>
<p><em>Drawing of Threes</em> é o segundo álbum da banda &#8211; o primeiro é instrumental, segundo consta &#8211; e parece que as canções foram feitas de propósito para mim (creio que isto poderá aplicar-se a todos os fãs de Red House Painters e Sun Kil Moon). <a title="Desertshore - &quot;Diana&quot;" href="http://www.caldoverderecords.com/desertshore/index4.html">&#8220;Diana&#8221;</a> e &#8220;Randy Quaid&#8221;, por exemplo, assemelham-se muito a canções de Mark Kozelek e companhia (ele canta numas quantas canções do álbum, entre as quais estas duas) e isso é uma coisa a que não tenho qualquer intenção de resistir.</p>
<p>Moral da história: mantenham-se a par das novidades das editoras pequenas que vos fazem felizes.</p>
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		<title>O melhor de 2011 &#8211; álbuns</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Dec 2011 15:38:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Este é o terceiro de três posts sobre o melhor da música em 2011. Apresento-vos os meus dez álbuns favoritos de 2011. É uma lista conservadora e pouco ecléctica mas é o espelho dos meus padrões musicais no ano que agora termina. Dito isto, faço a minha tradicional ressalva: se publicasse este post daqui a uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Este é o terceiro de três posts sobre <a title="Top 2011" href="http://www.ouve-se.com/tag/top-2011">o melhor da música em 2011</a>.</em></p>
<p><img class="alignnone" title="Bon Iver" src="http://www.ouve-se.com/wp-content/themes/neoclassical/images/boniver.jpg" alt="" width="600" height="399" /></p>
<p>Apresento-vos os meus dez álbuns favoritos de 2011. É uma lista conservadora e pouco ecléctica mas é o espelho dos meus padrões musicais no ano que agora termina. Dito isto, faço a minha tradicional ressalva: se publicasse este post daqui a uma semana, o resultado seria certamente diferente (não muito&#8230; mas vocês percebem).</p>
<p><span id="more-1419"></span></p>
<p>Os meus dez álbuns favoritos deste ano:</p>
<p><strong>10 &#8211; Girls &#8211; <em>Father, Son, Holy Ghost</em></strong><br />
À partida, não haveria muitos motivos para que os Girls estivessem nesta lista. É que o indie rock perfeitinho desta banda de São Francisco não oferece, à primeira audição, traços que os diferenciem da multidão. Mas é aí que está o truque &#8211; ouçam o álbum uma segunda vez. Aí, já conseguirão ouvir &#8220;Alex&#8221; ou &#8220;Die&#8221; com outro espírito, um mais disponível para ouvir os fantásticos pormenores que <em>Father, Son, Holy Ghost</em> apresenta. E depois há a épica &#8220;Vomit&#8221;, o ponto alto do álbum&#8230; e uma espécie de exemplo condensado do que se pode esperar dos Girls.</p>
<p><strong>9 &#8211; Yuck &#8211; <em>Yuck</em></strong><br />
O álbum de estreia dos londrinos Yuck é um elogio ao rock cheio de distorção, feedback e pedais dos anos 90. Não me parece que sejam do grunge &#8211; diria que estão a meio caminho entre isso e bandas como Yo La Tengo e Sonic Youth (mas ainda têm de comer muita Cerelac para lá chegarem). Basicamente, os Yuck prometem muito&#8230; e temas como &#8220;Holing Out&#8221;, &#8220;Shook Down&#8221; ou a <a title="O melhor de 2011 - canções" href="http://www.ouve-se.com/2011/12/o-melhor-de-2011-cancoes/">já referida</a> &#8220;Rubber&#8221; parecem dar algumas garantias.</p>
<p><strong>8 &#8211; PJ Harvey &#8211; <em>Let England Shake</em></strong><br />
A minha relação com a PJ Harvey é praticamente ocasional. Bem sei que isto é a modos que um sacrilégio mas&#8230; que pode um homem fazer? Os últimos álbuns dela são um tanto ou quanto barrocos (<em>White Chalk</em>, pá!) e também tive alguma dificuldade com isso. Mas <em>Let England Shake</em> tem qualquer coisa que o coloca acima do resto. É um daqueles álbuns que devemos ouvir sem distracções. &#8220;The Words That Maketh Murder&#8221; e &#8220;Hanging In The Wire&#8221; são dois exemplos do que quero dizer.</p>
<p><strong>7 &#8211; Low &#8211; <em>C&#8217;mon</em></strong><br />
<em> C&#8217;mon</em> é um álbum fantástico. &#8220;Try To Sleep&#8221;, &#8220;Witches&#8221;, &#8220;Especially Me&#8221;, &#8220;Something&#8217;s Turning Over&#8221;&#8230; escolham vocês. É deprimente, assustador, um bocadinho estranho e muito, muito bom. O que seria de esperar dos Low, portanto. A consistência é uma característica muito pouco destacada por aí. Anda sempre tudo à procura da novidade, da próxima grande coisa. Nada contra. Mas nem pensar que vou ignorar as grandes coisas actuais. E os Low fazem grande música. Não peço muito mais deles.</p>
<p><strong>6 &#8211; M83 &#8211; <em>Hurry Up, We&#8217;re Dreaming</em></strong><br />
Apesar de eu não ser muito da electrónica, há coisas que não consigo ignorar. E era preciso estar em Marte para conseguir ignorar o gigante <em>Hurry Up, We&#8217;re Dreaming</em> dos M83. Grandioso do início ao fim e cheio de grandes canções &#8211; até a porra da &#8220;Intro&#8221; é épica! -, este álbum é quase cansativo. É um álbum duplo e isso nota-se, claro, mas creio que eles conseguiram safar-se com esta. Um álbum duplo é sempre arriscado (que é como quem diz &#8220;dura demasiado&#8221;), ainda mais se for uma autêntica epopeia áudio&#8230; mas eles conseguiram, definitivamente.</p>
<p><strong>5 &#8211; Kurt Vile -<em> Smoke Ring For My Halo</em></strong><br />
Se, como eu, associavam Kurt Vile a lo-fi&#8230; bem, esqueçam. Este músico norte-americano parece ter arrumado de vez o lo-fi a um canto e deixem-me dizer-vos que valeu a pena. <em>Smoke Ring For My Halo</em> parece mostrar-nos um Kurt Vile mais à vontade consigo mesmo, mais disposto a arriscar &#8211; o que, no caso dele, curiosamente, significa fazer música mais, à falta de melhor termo, pop. Claro que a folk continua a ser uma grande parte da música de Kurt Vile mas há um lado rock menos desgrenhado, mais arrumadinho. É como se a música de Kurt Vile tivesse tomado um banhinho e fosse conhecer o pai da namorada (OK, isto não faz sentido nenhum). Mas a qualidade continua intacta. &#8220;Society Is My Friend&#8221; e &#8220;In My Time&#8221; não me deixam mentir.</p>
<p><strong>4 &#8211; The Antlers &#8211; <em>Burst Apart</em></strong><br />
Devo ser a única pessoa no mundo que gosta mais de <em>Burst Apart</em> do que de <em>Hospice</em>. E atenção que <em>Hospice</em> é um grande álbum &#8211; mais experimental, menos pop&#8230; mas um grande álbum. Mas <em>Burst Apart</em> dá aquele corajoso passo extra em direcção à grandiosidade. Canções como &#8220;I Don&#8217;t Want Love&#8221;, &#8220;Hounds&#8221; ou a maravilhosa &#8220;No Widows&#8221; &#8211; isto já para não falar de <a title="O melhor de 2011 - canções" href="http://www.ouve-se.com/2011/12/o-melhor-de-2011-cancoes/">&#8220;Corsicana&#8221;, claro</a> &#8211; fazem deste álbum um dos melhores do ano e, até ver, o melhor que os The Antlers já fizeram.</p>
<p><strong>3 &#8211; Dan Mangan &#8211; <em>Oh Fortune</em></strong><br />
<em><a title="Um álbum crescido" href="http://www.ouve-se.com/2011/12/um-album-crescido/"> Oh Fortune</a></em> mostra-nos Dan Mangan num grande momento. É o álbum mais abrangente e completo deste músico canadiano. Temos rock, temos pop, temos folk, temos até uma espécie de valsa logo a abrir. Além disto, mantém-se o &#8220;Sold my soul to the devil for nice penmanship&#8221; que Dan Mangan referia em &#8220;Tina&#8217;s Glorious Comeback&#8221;, no <a title="Um grande álbum que fica fora do top 2010" href="http://www.ouve-se.com/2010/12/um-grande-album-que-fica-fora-do-top-2010/">álbum anterior</a>. Quero com isto dizer que ele continua a escrever letras simplesmente brilhantes, sem grandes merdas. E tem canções do tamanho do mundo: &#8220;Post-War Blues&#8221;, &#8220;Starts With Them, Ends With Us&#8221;, &#8220;Rows of Houses&#8221;&#8230; digam-me vocês. Ah, e uma das <a title="O melhor de 2011 - canções" href="http://www.ouve-se.com/2011/12/o-melhor-de-2011-cancoes/">canções do ano</a>: &#8220;If I am Dead&#8221;. Se não ouviram ou nem sequer conhecem, não sabem o que perdem.</p>
<p><strong>2 &#8211; Radiohead &#8211; <em>The King of Limbs</em></strong><br />
É engraçado ver um álbum de Radiohead fora dos destaques do ano. E penso honestamente que, apesar de estar seguramente uns furos abaixo de quase todos os álbuns da banda, <em><a title="The King of Limbs" href="http://www.ouve-se.com/2011/04/the-king-of-limbs/">The King of Limbs</a></em> é um dos melhores álbuns do ano. OK, já toda a gente sabe da minha <a title="A experiência Radiohead" href="http://www.ouve-se.com/2008/09/a-experiencia-radiohead/">obsessão com Radiohead</a> mas para mim é simples: regra geral, eles fazem música muito acima dos que estão acima da média. Assim, um dos piores álbuns deles é, à mesma, um dos melhores álbuns do ano. Foi difícil ouvir canções melhores que &#8220;Lotus Flower&#8221;, &#8220;Codex&#8221;, &#8220;Bloom&#8221; ou &#8220;Separator&#8221; por aí em 2011. Acho é que estamos todos mal habituados. O que <em>The King of Limbs</em> não consegue é estar ao nível a que os Radiohead nos habituaram. Mas esqueçam que são eles e aproveitem o álbum pelo que é. Um grande, grande disco.</p>
<p><strong>1 &#8211; Bon Iver &#8211; <em>Bon Iver, Bon Iver</em></strong><br />
Isto não é surpresa para ninguém. <em><a title="Bon Iver, Bon Iver" href="http://www.ouve-se.com/2011/06/bon-iver-bon-iver/">Bon Iver, Bon Iver</a></em> é o melhor álbum do ano e, para mim, um dos melhores álbuns de sempre, um 10/10. Vale a pena ouvi-lo vezes e vezes sem conta do início ao fim. Da monumental &#8220;Perth&#8221; à incompreendida &#8220;Beth/Rest&#8221;, passando por &#8220;Calgary&#8221;, &#8220;Holocene&#8221;, &#8220;Hinnom, TX&#8221; e &#8220;Minnesota, WI&#8221; como se nada mais houvesse para ouvir no mundo. Este ano, foi quase assim. Bon Iver e os outros. Um dos momentos mais altos da música.</p>
<p>Desde o momento em que me passou pelos ouvidos, <em>Bon Iver, Bon Iver</em> praticamente garantiu o primeiro lugar nesta lista. Justin Vernon mostrou mais uma vez, depois de <a title="O melhor de 2008 - álbuns" href="http://www.ouve-se.com/2008/12/o-melhor-de-2008-albuns/">um primeiro álbum</a> e um EP de grande qualidade, que o seu sucesso não é coincidência. E mostrou-o da melhor forma possível. Não havia outra hipótese senão reconhecê-lo.</p>
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		<title>O melhor de 2011 &#8211; canções</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Dec 2011 17:37:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Marques</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Este é o segundo de três posts sobre o melhor da música em 2011. Foi estranhamente fácil fazer esta lista e creio que o motivo é simples. Apesar de não ter sido um ano mau &#8211; longe disso! -, também não foi dos mais espectaculares. Basta, aliás, olhar para as listas de final do ano [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Este é o segundo de três posts sobre <a title="Top 2011" href="http://www.ouve-se.com/tag/top-2011">o melhor da música em 2011</a>.</em></p>
<p><em><img class="alignnone" title="Bon Iver" src="http://www.ouve-se.com/wp-includes/images/boniver.jpg" alt="" width="590" height="320" /></em></p>
<p>Foi estranhamente fácil fazer esta lista e creio que o motivo é simples. Apesar de não ter sido um ano mau &#8211; longe disso! -, também não foi dos mais espectaculares. Basta, aliás, olhar para as listas de final do ano de todos os sites e publicações que as fazem. Há uns quantos indiscutíveis e depois, salvo raras excepções&#8230; epá, não. Para mim, no fim das contas, acabou por ser um ano de confrontos e confirmações.</p>
<p><span id="more-1414"></span></p>
<p>As minhas dez canções favoritas deste ano:</p>
<p><strong>10 &#8211; The Antlers &#8211; “Corsicana”</strong><br />
&#8220;Corsicana&#8221; é a canção mais simples e despida de <em>Burst Apart</em>. É possível que seja esse o truque para que apareça aqui na lista. A guitarra, os arranjos fantasmagóricos e a voz perfeita de Peter Silberman fazem de &#8220;Corsicana&#8221; uma das coisas mais belas ouvidas em 2011.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=SqdWPV9uFHo">YouTube</a></p>
<p><strong>9 &#8211; Low &#8211; “Try To Sleep”</strong><br />
Para o bem e para o mal, os Low são uma das bandas mais certinhas dos últimos 20 anos. Por um lado, não existe propriamente uma grande evolução no tipo de música nem nos arranjos que podemos ouvir nos álbuns. Por outro lado, não conseguem fazer música má. &#8220;Try To Sleep&#8221;, o tema de abertura de <em>C&#8217;mon</em>, mostra-nos isso mesmo, com a sua cadência lenta e a sua letra brilhante e assustadora (<em>You try to sleep / But then you never wake up</em>). Uma das melhores canções de embalar de sempre, provavelmente.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=wXgc0I0zsYs">YouTube</a></p>
<p><strong>8 &#8211; Lana Del Rey &#8211; &#8220;Video Games&#8221;</strong><br />
Toda a gente fala dela. É a melhor coisa dos últimos anos, é o melhor álbum do ano que vem, é a nova Tori Amos. Não sei se é bem assim mas a verdade é que &#8220;Video Games&#8221; é uma das melhores músicas do ano. Melodia doce a prometer coisas boas, produção de bom gosto e uma voz muito interessante fazem desta canção um ponto de paragem obrigatória na música de 2011.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=HO1OV5B_JDw">YouTube</a></p>
<p><strong>7 &#8211; Wilco &#8211; &#8220;Art of Almost&#8221;</strong><br />
&#8220;Art of Almost&#8221; é um daqueles momentos que nos dá esperança de que os Wilco voltem, um dia, a lançar um álbum tão bom como <em>Yankee Hotel Foxtrot</em>. Ainda não foi desta mas a canção é uma obra de arte. Esquisita e barulhenta q.b., &#8220;Art of Almost&#8221; vai da <em>quase</em> electrónica ao rock passado dos cornos em apenas uns minutos. É sem sombra de dúvida um dos pontos altos do ano.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=yWP4bI37mCE">YouTube</a></p>
<p><strong>6 &#8211; Yuck &#8211; “Rubber”</strong><br />
Os Yuck foram uma descoberta tardia, uma das excepções das listas de final de ano que referi no início do artigo. E &#8220;Rubber&#8221;, qual ode à distorção e ao feedback, é o expoente máximo da excepção. É como se os Yo La Tengo de 1993 tivessem viajado no tempo e, em vez de darem umas dicas a eles próprios (o que poderia tornar-se esquisito), tivessem dito aos Yuck como é que se faz. E eles fizeram.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=3pt2YuvrWYE">YouTube</a></p>
<p><strong>5 &#8211; M83 &#8211; “Midnight City”</strong><br />
Previsível, não é? Não me culpem a mim, que a única coisa que faço neste contexto é ouvir música. Os M83 têm vindo a trilhar um caminho muito interessante, evoluindo do pós-rock para uma feliz abordagem à electro-pop. Assim, &#8220;Midnight City&#8221; é um dos hinos do ano e definitivamente uma das melhores canções que os M83 já fizeram.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=dX3k_QDnzHE">YouTube</a></p>
<p><strong>4 &#8211; Dan Mangan &#8211; &#8220;If I am Dead&#8221;</strong><br />
Dan Mangan faz alguma da melhor música da actualidade mas ninguém lhe liga especialmente fora do Canadá. Mas algo me diz que isso vai mudar. Na primeira vez que ouvi <em>Oh Fortune</em>, pensei que seria &#8220;Post-War Blues&#8221; a estar aqui no final do ano. Mas as coisas evoluem e a letra de &#8220;If I am Dead&#8221; seria, só por si, suficiente para me fazer mudar de ideias. Mas a abordagem meio desiludida, meio esteticamente dramática que Dan Mangan faz à morte neste tema é brilhantemente complementada pela marcha lenta da guitarra, dos metais e da bateria. É deprimente, sim, mas também é uma das canções mais sublimes que ouvi em 2011.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=_vIgfOskHjQ">YouTube</a></p>
<p><strong>3 &#8211; The National &#8211; &#8220;Think You Can Wait&#8221;</strong><br />
Composta para a banda sonora de <em>Win Win</em>, o filme de Thomas McCarthy, &#8220;Think You Can Wait&#8221; chegou de mansinho e ficou sossegada a um cantinho. Até que um dia a pus a tocar a sério, sem distracções. E foi o suficiente para perceber que &#8220;Think You Can Wait&#8221; não é só mais uma música dos The National (o que já seria bom) nem apenas uma das melhores músicas do ano, mas sim uma das melhores que os The National já deitaram cá para fora. Se não a ouviram, façam-no. É perfeita.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=2psTO8EurH0">YouTube</a></p>
<p><strong>2 &#8211; Radiohead &#8211; &#8220;The Daily Mail&#8221;</strong><br />
Num ano em que os Radiohead editaram um álbum, é estranho recorrer a um tema extra para falar deles nesta lista. Se &#8220;The Daily Mail&#8221; não existisse, estaria aqui outra mas&#8230; caraças, ainda bem que existe. É que &#8220;The Daily Mail&#8221; não é apenas melhor que todas as canções de <em>The King of Limbs</em>; é uma das melhores canções que os Radiohead editaram nos últimos anos. &#8220;The Daily Mail&#8221; é uma mistura de <em>OK Computer</em> e <em>Amnesiac</em> (e não, o <em>Kid A</em> não se aplica!), um tema épico e barulhento que começa baixinho&#8230; mas que deixa antever algo mais. E esse &#8220;algo mais&#8221; acontece&#8230; e acontece em grande.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=McuHVXgR8dA">YouTube</a></p>
<p><strong>1 &#8211; Bon Iver &#8211; &#8220;Holocene&#8221;</strong><br />
Num ano marcado por um álbum dos Radiohead, é estranho escolher uma canção de outra banda para o número um desta lista. Mas nem os Radiohead nem os Bon Iver me deixaram muitas opções. &#8220;Holocene&#8221; tem tudo o que uma canção deve ter. É crescente, lindíssima, épica, gigante e perfeita. Parece estar rodeada de um ambiente frio mas confortável que só torna tudo ainda melhor. As duas baterias fazem maravilhas, os metais também. Não há ponto mais alto na música de 2011 que &#8220;Holocene&#8221;.<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=TWcyIpul8OE">YouTube</a></p>
<p>Com os Radiohead em jogo, este ano não foi fácil. Entre as duas primeiras desta lista, a dúvida manteve-se até à última. E são ambas muito, muito boas. Mas confirmou-se a tendência que existe desde que este blog nasceu. Em 2008, <a title="O melhor de 2008 - canções" href="http://www.ouve-se.com/2008/12/o-melhor-de-2008-cancoes/">a melhor canção do ano foi &#8220;Re: Stacks&#8221;</a>. Em 2009, <a title="O melhor de 2009 - canções" href="http://www.ouve-se.com/2009/12/o-melhor-de-2009-cancoes/">&#8220;Blood Bank&#8221;</a>. Em <a title="O melhor de 2010 - canções" href="http://www.ouve-se.com/2009/12/o-melhor-de-2010-cancoes/">2010</a>, não houve canções novas de Bon Iver. Este ano, voltamos a Bon Iver. E com toda a justiça.</p>
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