Haja coração

Os motivos variam muito mas acho que começo a acumular uma boa dose de concertos inesquecíveis. Umas vezes, é porque a música é impossivelmente boa. Outras, por questões de contexto. Há outras ainda que juntam as duas coisas. O concerto dos Low no Cine-Teatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira, no âmbito do Festival para Gente Sentada, foi uma dessas vezes.
25-03-2012 Sem comentários
dEUS na Aula Magna – o ponto de vista de um ignorante
Os dEUS passaram pela Aula Magna, em Lisboa, na noite passada e eu fui lá vê-los. Conhecendo (muito mal) apenas dois álbuns – The Ideal Crash, de 1999, e Pocket Revolution, de 2005 -, não sou de todo a pessoa mais adequada para avaliar o que quer que seja do concerto. Mas vou fazê-lo à mesma.
Com mais de um terço dos temas retirado de Keep You Close, este foi claramente um concerto dedicado à apresentação do mais recente álbum da banda belga. Ainda assim, as canções mais bem recebidas pelo público que encheu a sala foram as outras, as que se espalham por mais de 16 anos de carreira. Mas ninguém esperaria o contrário, claro.
O som da Aula Magna trata muito mal quem fica sentado (sendo que, “sentado” aqui é apenas uma força de expressão) mais distante do palco, o que prejudicou um bocadinho a minha experiência. Mas ficou mais que claro que os dEUS são uma banda gigante ao vivo. Valham-nos as guitarras!
05-02-2012 Sem comentários
O melhor de 2011 – concertos
Este é o primeiro de três posts sobre o melhor da música em 2011.

2011 foi um ano estranho em termos musicais. Ainda fui a alguns concertos – embora tenha deixado os pequenos e relativamente pequenos de fora, o que é uma pena – mas não ouvi tanta música nova como deveria. Acho que os meus concertos favoritos deste ano reflectem a minha estadia prolongado na minha zona de conforto. Mas a verdade é que se está muito confortável por aqui.
21-12-2011 Sem comentários
Bon Iver em Paris e a minha inquietação
Percebi há uns dias que não disse nada aqui sobre o concerto de Bon Iver a que assisti em Paris, durante o Pitchfork Music Festival, no final de Outubro.
Pois que agora é tarde para grandes prosas mas podem ter a certeza de que foi um concerto quase perfeito, como seria de esperar. O recinto estava a abarrotar de casais beijoqueiros, gigantes escandinavos e italianos barulhentos para assistir ao concerto mais importante do festival por onde já tinham passado Aphex Twin, Cut Copy, Lykke Li e Jens Lekman, entre outros.
O início com “Perth”, “Minnesota, WI” e a perfeita “Holocene” dissipou eventuais dúvidas sobre a qualidade do espectáculo. Qualidade que já esperava, lá está, sobretudo porque o álbum é qualquer coisa do outro mundo. E depois veio uma “Blood Bank” on steroids, cheia de força e distorção, e lá fui eu atrás.
20-12-2011 Sem comentários
O meu quinto concerto dos The National foi o que se esperava
Ontem vi os The National ao vivo pela quinta vez e, por este andar, não me vou cansar tão cedo. E o motivo é relativamente simples: gosto mesmo muito da música deles e eles são mesmo muito bons ao vivo. Se me perguntarem, digo-vos que em equipa que ganha não se mexe.
Agora, o espectáculo propriamente dito. Depois de uma primeira parte morna e relativamente desinteressante levada a cabo pelos Dark Dark Dark no Campo Pequeno, os The National abriram o concerto com a crescentemente tensa “Start a War”. Uma boa forma de começar… mas sobretudo uma forma representativa de o fazer. É que, na maioria das vezes, os The National são isso mesmo: tensão acumulada que raramente chega a libertar-se. “Anyone’s Ghost”, que se seguiu, também é um bom exemplo. Caraças, High Violet é todo ele um bom exemplo.
25-05-2011 3 comentários
Londres e a surpresa chamada Decemberists
Cheguei há uns dias de Londres, onde tive oportunidade de ver ao vivo uma banda com quem alimento uma relação muito casual: The Decemberists.
Não vou fazer aqui uma grande crítica ao concerto, até porque o facto de só ter ouvido os três últimos álbuns e um EP me impede de conhecer suficientemente a carreira da banda. Mas deixem-me dizer-vos que saí do Hammersmith Apollo absolutamente rendido aos Decemberists.
21-03-2011 1 comentário
O melhor de 2010 – concertos
Este é o primeiro de três posts sobre o melhor da música em 2010.

2010 foi um bom ano para mim em termos de concertos. Podia ter sido bem melhor, claro, se os Arcade Fire fossem mais importantes que a NATO e se os Eels não tivessem desiludido… mas não acho que me possa realmente queixar.
26-12-2010 3 comentários
Super Bock em Stock: o primeiro dia

Um passeio pela Avenida da Liberdade nos dias do Super Bock Em Stock teria sempre como resultado uma espécie de colagem de pequenas e grandes curiosidades, de acontecimentos imprevistos e coisas mais ou menos planeadas, de bons e maus momentos. E foi mais ou menos assim.
Jorge Palma
Começou com Jorge Palma às 21h30. Para quem não sabe, a estação de metro do Marquês de Pombal tem dois átrios separados, um que serve as linhas azul e amarela com entrada directa na rotunda, outro que serve apenas a linha azul a que se pode aceder apenas na Avenida da Liberdade (quem tem passe, escapa a estes pequenos percalços, já que pode atravessar a estação). A entrada não estava especialmente bem sinalizada, pronto.
Então lá cheguei ao Jorge Palma depois de toda a gente. Significa isto que não consegui sequer ver o homem, de tão cheio que estava o pequeno espaço que lhe foi destinado. Ouvi-o, é verdade, por entre conversas e operadores de câmara e fotógrafos em constante movimento, mas não o vi. Vi que pingava em cima do público, vi que as pessoas estavam a gostar da música… mas não o vi. Ouvi guitarra acústica e ouvi piano. Ouvi “Bairro do Amor” e “Dá-me Lume” e gostei.
Owen Pallett
Por volta das 22h, decidi enfrentar o frio e descer a caótica (pelo menos para os carros) Avenida da Liberdade até ao São Jorge para ver B Fachada. Antes, ainda arranjei tempo para ver o Owen Pallett a tocar dois temas. Dado que estou muito pouco (nada) familiarizado com a música dele, vou abster-me de comentar… mas parece-me que aquilo deve dar um concerto giro (esta praga dos concertos à base de sequenciador já irrita um bocado mas pronto). Um ponto em comum com Jorge Palma: sala cheia.
B Fachada
Depois veio a (minha) surpresa da noite. Daquelas boas. Conheço muito pouco (quase nada) da música do B Fachada – só o suficiente para embirrar com a voz dele mas, ainda assim, achar alguma piada àquela coisa meio festiva da música dele – e decidi arriscar. Neste concerto, no entanto, havia mais do que B Fachada. Havia a prometida participação especial de Sérgio Godinho, que acabou por proporcionar um dos pontos altos da noite aos que enchiam a sala 1 do São Jorge. A excelente e apropriadamente intitulada “Os Discos do Sérgio Godinho” deu o mote para um interessante encontro de gerações. Deste encontro, acabou por sobressair a cover de “Etelvina” a que Godinho assistiu sentado no palco (depois de ter ameaçado que, se a coisa corresse mal, haveria direito a chicote). Quando Sérgio Godinho saiu de palco, B Fachada disse “agora é que eu vou ver quem é que fica!” em tom de desafio. Pois que ficámos quase todos.
No seu todo, foi um espectáculo morno (the good kind of morno) – o lado festivo de B Fachada andou à porrada com o lado intimista e acho que a coisa acabou em empate.
Hollywood, Mon Amour
Depois de B Fachada, ainda faltava um bocadinho para o concerto de Kele. Pensei em ver os Lars and the Hands of Light mas a sala estava absolutamente cheia. Então fui até ao BES Arte e Finança, no Marquês, para ver aquilo que alguém descreveu como uma versão rasca dos Nouvelle Vague: Hollywood, Mon Amour. Não tinha assim tanto tempo em mãos. Ouvi duas músicas (uma delas era uma cover relativamente desinteressante de “Heart of Glass” dos Blondie) e fui-me embora. A sala tinha pouca gente e percebe-se porquê. Sono.
Kele
Lá fui eu outra vez até ao meio da Avenida da Liberdade para mais um concerto. Forçado à reflexão por uma amiga, fui-me perguntando como seria um concerto de Kele Okereke numa sala cheia de cadeiras como a do Teatro Tivoli. Depois do início do concerto, ficou a dúvida desfeita. Tudo de pé, tudo aos saltos, tudo moderadamente louco.
Eu não sei se gosto do que Kele tem feito a solo; acho que não. Mas – desculpem se isto não é suficientemente indie ou assim – gosto dos Bloc Party. O Silent Alarm foi dos meus álbuns favoritos de 2005 e, se o fosse ouvir agora (não vou), perceberia porquê. Pois que Kele a solo tem só um bocadinho daquela urgência dos Bloc Party e nenhuma das guitarras (vá, não é bem verdade). E se as canções de Kele até não soam mal de todo ao vivo, em álbum soam vulgares. É possível que essa vulgaridade desapareça com o volume, não sei. Pergunto-me se será um problema mais genérico da música electro… mas não deve ser.
Pronto, é altura de admitir que Kele se transformou num animal de palco. Desapareceu a postura meio tímida que apresentava nos concertos da banda e surgiu algo novo, mais in your face, mais alfa. E por isso ele correu e dançou que se fartou de uma ponta à outra do palco e de uma ponta à outra do teatro.
Relativamente à música propriamente dita, um dos destaques vai certamente para “Tenderoni”, o single da estreia a solo do músico britânico. Mas Kele tem memória e o público tem memória. Assim, houve direito a um medley de Bloc Party com uma música de cada álbum: “Blue Light”, coisa anteriormente calma meio transfigurada e sem piada, “The Prayer”, um pouco mais cheia mas não radicalmente diferente do que já conhecíamos, e a praticamente igual “Flux”.
Haveria ainda direito a mais uma de Bloc Party, desta feita a fechar a noite, depois de Kele se ter aventurado numa cover de “Goodbye Horses” (Q Lazzarus). “This Modern Love” terá sido para muitos o ponto alto da noite e a melhor forma de fechar um concerto surpreendentemente bom.
Wavves (ou não)
Apesar de nunca ter entrado na histeria em torno dos Wavves, estava curioso para os ver. Mas era eu e muito mais pessoas. Faltavam 20 minutos para o concerto e havia uma enorme fila para o parque de estacionamento do Marquês de Pombal. Estava fresquinho. Desisti.
Venha de lá o segundo dia.
(A fotografia lá de cima é da Mariana Fernandes, que tem mais fotos da noite de ontem no FestivaisPT, onde também poderão ler algumas das coisas que escrevi aqui.)
04-12-2010 2 comentários
Super Bock Em Stock: começa a correria

Vou ali à Avenida da Liberdade ver concertos. Vou ter de deixar uns quantos nomes para outra ocasião (estava curioso para ver I Blame Coco, por exemplo) mas vou ter oportunidade de ver os Wavves, Kele e Junip, por exemplo. O resto do cartaz está no site oficial do evento.
Poderão ler o que quer que eu escreva sobre os concertos por aqui, no FestivaisPT ou, em formato de consumo mais fácil, no Twitter.
Ora vamos lá.
03-12-2010 Sem comentários
Hurts actuam em Portugal
Os Hurts vão dar um concerto em Portugal no dia 15 de Fevereiro. A dupla britânica vai marcar presença no Hard Club, no Porto, depois de se ter estreado por cá na última edição do Alive. Os bilhetes estarão à venda a partir da próxima segunda-feira, 22 de Novembro, e custam 23 euros.
A banda editou Happiness, o seu primeiro álbum, no passado mês de Setembro. É nele que podemos encontrar a absolutamente viciante e melodramática “Wonderful Life”.
18-11-2010 2 comentários
