Música, indústria e tendências.

Ainda sobre os Broken Social Scene

Depois de terminado o concerto dos Broken Social Scene na Aula Magna, Brendan Canning veio até à plateia e esteve à conversa com alguns fãs. Eu aproveitei para fazer duas coisas: tirar uma foto com ele e, claro está, dizer-lhe que deveriam ter tocado a “Ibi Dreams of Pavement”. Ele concordou e, depois de lhe ter pedido para a tocarem na Casa da Música, ele prometeu que o fariam.

Sim, fui ao Porto também – insultaram-me de muitas formas diferentes nos últimos dias. Uns, porque tinham inveja. Outros, porque achavam estúpido ver dois concertos da mesma banda em dois dias (a maioria, claramente). Ora tanto me faz. E valeu muito a pena.

Não me vou alongar muito sobre o concerto – acho que o post anterior dá uma boa ideia do que aconteceu. Mas há uns pormenores interessantes. Um deles é o facto de ser com plateia em pé e não com lugares sentados, na Aula Magna. Fiquei encostado ao palco mesmo (mesmo!) no centro. Mesmo onde decorre a acção. O concerto foi um pouco mais curto e o alinhamento não foi muito diferente (saíram “Hotel”, “It’s All Gonna Break”, “Looks Just Like the Sun”, “Water In Hell” e “Major Label Debut” – sendo que as três últimas apareciam na setlist… – e entraram “Love Is New”, do álbum do Brendan Canning a solo, e “Frightening Lives”, do do Kevin Drew). Mas o facto de estar ali mesmo à frente foi uma experiência sem igual. Kevin Drew e Charles Spearin distribuíram abraços suados pela plateia e eu tive direito ao meu momento quando, antes da última música, gritei “Ibi Dreams of Pavement”. A resposta foi uma espécie de sorriso malandro do Kevin Drew bastante indicativo do que iria acontecer alguns segundos depois.

Sim, fecharam o concerto com “Ibi Dreams of Pavement” e fizeram-me feliz. Grandes, gigantes Broken Social Scene.

10-11-2010   3 comentários

Broken Social Scene na Aula Magna: a crónica suspeita de um fã

Não sei se consigo dizer muita coisa sobre o concerto dos Broken Social Scene na Aula Magna. A verdade é que estou absoluta e irremediavelmente rendido ao som, ao espectáculo, às músicas, aos músicos, enfim, a eles. Não tinha dúvidas de que ia ser um concerto brilhante – sim, não poupei nas expectativas – e… foi.

O motivo da visita era o novo Forgiveness Rock Record, o quarto álbum de originais da banda canadiana, e isso ficou bem patente no alinhamento: das 21 canções tocadas esta noite, nove eram do último álbum. Os destaques vão para a energia de “Forced to Love” e para a força bruta da instrumental “Meet me in the Basement”. Guitarras, guitarras, guitarras!

Mas este concerto não viveu só do último álbum. E aqui chegamos a um dos aspectos mais importantes da noite de ontem: o alinhamento do concerto. Tivemos direito a tudo o que há de bom em Broken Social Scene. Faltou muito pouco para a perfeição… mas já lá vamos. Tivemos clássicos como “Cause = Time” e “7/4 (Shoreline)”; tivemos aquele momento sublime com “Anthems for a Seventeen Year Old Girl” e Lisa Lobsinger a passear pelo palco com se de um qualquer felino se tratasse, com passos tão cuidados que quase pareciam ensaiados; tivemos “Guilty Cubicles”, do primeiro álbum dos Broken Social Scene, a passar para uma sempre bem-vinda “Superconnected”… e tivemos direito a um cheirinho de Modest Mouse com “The World at Large” encaixada lá no meio.

O sempre vistoso Andrew Whiteman deu-nos a calorosa “Looks Just Like The Sun” e Brendan Canning a meio fria, meio tensa “Stars and Sons”… mas foi, como sempre, Kevin Drew a brilhar. A voz, a atitude de vedeta mais ou menos querida, a simpatia… tudo. Aquela versão da “Lover’s Spit” com melódica, harmónica, trompete e saxofone… enfim, não sei se arranjo palavras para explicar o que se passou ali. O Kevin Drew é o maior e não se fala mais nisso.

Depois de músicas gigantes, depois daquele palco cheio de tudo, depois de já terem arrebatado todas as pessoas naquela sala, os Broken Social Scene ainda nos deram a épica e barulhenta “It’s All Gonna Break”. Foram quase 10 minutos do que de melhor há naquela banda. As guitarras, os metais, a montanha-russa de sons e emoções, as letras perversas (e aquele momento divinal em que se ouve, e com razão, “you all want the lovely music to save your life” – é verdade, queremos) e a voz maravilhosa de Kevin Drew, meio aos gritos, meio calminho (dependendo da parte da música)… Foi um quase final quase perfeito. Quase final porque eles tinham dito que só tocavam mais uma mas ainda encontraram espaço, no meio das palmas e dos gritos do público, para tocarem uma versão descontraída de “Major Label Debut”, uma das melhores canções saídas daqueles lados. Quase perfeito porque faltou “Ibi Dreams of Pavement (A Better Day)”. Faltou, faltou, faltou e fez mesmo muita falta. Fez-me a mim, pelo menos, que a venero desde que a conheci. Sei que é gigante ao vivo – tocaram-na em Paredes de Coura e foi, de facto, maravilhosa – e sei que quem não a viu não sabe o que perdeu.

O concerto esteve tão perto da perfeição como seria possível para um concerto dos Broken Social Scene sem “Ibi Dreams of Pavement”. O alinhamento foi brilhante, os músicos foram fenomenais, a energia em palco foi contagiante. Foi tudo bom demais. Depois do concerto de Radiohead em Barcelona… só mesmo isto. Não vi melhor concerto em Portugal. No dia seguinte, fui ao Porto para os ver outra vez.

(A fotografia que ilustra este post é, como tem sido – felizmente – habitual, do Vasco Pereira, do FestivaisPT, a quem agradeço a simpatia. Vejam mais fotos e a reportagem que eles publicaram aqui.)

10-11-2010   5 comentários

Mark Kozelek em Sintra: brandos costumes

O concerto de Mark Kozelek no Centro Cultural Olga Cadaval interessava-me especialmente. Não tinha a ver com as minhas expectativas, que eram moderadas. Era só ele e uma guitarra e a minha experiência com as canções dele nesse registo não é, salvo uma mão cheia de honrosas excepções, particularmente excitante.

O meu interesse especial no concerto de Mark Kozelek era muito pessoal, estava relacionado com a forma como comecei a prestar atenção à música dos Sun Kil Moon nos últimos tempos, o que também contribuiu para melhorar a minha relação com os Red House Painters (para quem não sabe, Mark Kozelek é a mente, a alma e a voz por trás de ambas as bandas).

Por isso – e apesar de já ter passado os ouvidos pelo mais recente projecto do Manel Cruz -, os Foge Foge Bandido, que tocaram antes de Mark Kozelek, interessavam-me pouco. Sim, não sou daquelas pessoas que gosta de tudo o que o Manel Cruz faz… mas não me censurem, por favor. Somos todos pessoas bonitas à mesma.

Uma cadeira, uma guitarra em cima da cadeira, um microfone e o respectivo tripé, os monitores e uma toalha no chão. Era isto que podíamos ver no palco, quando a cortina do auditório abriu. Creio que também lá estava o afinador mas, dado que não estava visível, retiro-o do panorama. Ele entrou todo vestido de preto e começou a tocar.

“Ålesund”, do novo Admiral Fell Promises, o mais recente álbum dos Sun Kil Moon, abriu o concerto da forma mais honesta possível. Quem ouviu aquela música e ficou, não foi enganado. O concerto ia ser assim, meio barroco e complicado.

Muitas pessoas saíram a meio, mesmo antes de Mark Kozelek iniciar uma intifada contra o senhor das luzes (a determinada altura, o músico desabafou que “a diferença entre um tipo do som [sic] retardado e um tipo do som [sic] europeu é muito ténue”, o que provocou algumas gargalhadas mas, estou certo, algumas sobrancelhas franzidas também), porque, presumo eu, não estavam à espera de música assim, não estavam à espera de um concerto naturalmente morno.

Uma versão acústica de “Duk Koo Kim” seguiu-se e a partir daí entrámos num mundo de música que deixou a roupa rock em casa e se manteve confortavelmente despida à nossa frente.

O concerto continuou com músicas retiradas de April e mais umas quantas – não muitas – dos Red House Painters (perdoem-me mas tenho dificuldade em identificar a maioria delas) e atingiu o ponto mais alto com a belíssima “Carry Me Ohio”, talvez a melhor canção dos Sun Kil Moon. A melodia repetitiva e a letra sobre amor não correspondido (na perspectiva de quem não corresponde) são do melhor que Kozelek fez em mais de 20 anos de carreira. De um ponto de vista meramente egoísta, “Carry Me Ohio” foi a única das que queria mesmo ouvir que acabou por surgir durante a noite… e é uma pena. A mim, faltaram-me coisas como “Lost Verses”, “Gentle Moon”, “Salvador Sanchez”, “Have You Forgotten”, “Katy Song” e muitas, muitas outras. Mas pronto, já estava mais ou menos à espera.

Não estava à espera do final brusco mas, dada a frágil ligação estabelecida entre Mark Kozelek e o público (ele não era a simpatia em pessoa, o público não estava especialmente entusiasmado), quase não surpreende. A saída de palco foi simples, rápida e sem gratidão exagerada. “Thank you, guys” e lá foi ele.

Dos que estiveram ontem à noite no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, serei um de muito poucos a pensar isto mas… quando ele voltar a Portugal, quero vê-lo outra vez. A relação de Mark Kozelek com a guitarra, a voz estranhamente cativante e as letras longas, cheias de histórias, são argumentos mais que suficientes para que pense assim. As minhas expectativas eram moderadas e ainda bem. Não me levou ao céu mas também não me desiludiu. Acho que Mark Kozelek me convenceu.

17-10-2010   15 comentários

Eels no Coliseu: blues, rock e pouco mais

Por um lado, os Eels não pisavam um palco português há nove anos. Por outro, lançaram três álbuns em apenas ano e meio sem que nenhum conseguisse entusiasmar por aí além. Não podia, portanto, haver expectativas extremamente elevadas para este concerto. Mesmo que a vontade de os ver novamente por cá fosse quase insuportável, era simplesmente impossível esperar este mundo e o outro.

E, infelizmente, confirmou-se: com um alinhamento que só a espaços se afastou da trilogia constituída por Hombre Lobo (2009), End Times (2010) e Tomorrow Morning (2010), os Eels deram um bom concerto de rock’n’roll e blues… mas foi só isso.

Com um fato-macaco branco, óculos escuros, um lenço na cabeça e a melhor barba de sempre, Mark Oliver Everett (ou E.) mostrou apenas nariz e boca durante a noite toda – parece que o homem é menos importante que a música. E o concerto começou bem, com uma versão despida de “Grace Kelly Blues” e E. sozinho em palco. Depois veio a melancólica “Little Bird” e uma (demasiado) longa série de temas dos últimos três álbuns, interrompida apenas pelas habituais covers que os Eels normalmente oferecem aos seus fãs. “She Said Yeah”, dos Rolling Stones, “Summertime”, de George Gershwin e a grande “Summer in the City”, dos The Lovin’ Spoonful, foram bem recebidas pelo público mas… faltava ali qualquer coisa.

Quando não estavam a fazer blues rock ou algo do género, os Eels lá acalmavam e tocavam coisas mais simples e sossegadas, como “In My Dreams” ou “Spectacular Girl”, o mais recente single. O problema? Continuavam sem sair dos últimos três álbuns.

A determinada altura, lá nos deixaram ouvir uma versão absolutamente transfigurada e acelerada da outrora agridoce “My Beloved Monster”. Entre as vítimas de transfiguração, encontramos também “Mr. E.’s Beautiful Blues”, que ficou mais perto de uns Beach Boys do que seria de esperar, e “I Like Birds” – rápida, barulhenta e suja quando antes era a coisa mais cândida do mundo.

Um dos pontos altos do concerto dos Eels em Lisboa foi certamente a dupla “Dog Faced Boy” e “Souljacker Part 1”, ambas retiradas de Souljacker. Rock do mais granulado que E. e companhia fizeram em 15 anos de carreira.

Mas sabe a pouco. Num concerto onde arranjam tempo para tocar “Talkin’ ‘bout Knuckles” (uma música cantada por Knuckles, o baterista…) e uma série de covers, não cabem as melhores canções dos Eels? Se olharem para Meet The Eels: Essential Eels – Vol. 1, 1996-2006, por exemplo, encontrarão apenas quatro temas dos que foram ouvidos esta noite. “Novocaine for the Soul”, o maior êxito, não apareceu. Electro-shock Blues, o melhor álbum da banda, não teve direito a um tema sequer. Blinking Lights and Other Revelations, que me lembre, também não. Não faz sentido e sabe a pouco.

Depois temos “Paradise Blues” e “Looking Up”, tema que antecedeu o encore, a repetirem fórmulas no mesmo concerto. O encore, curto, trouxe-nos, felizmente, duas das melhores canções de Tomorrow Morning – “I Like The Way This Is Going” e “Oh So Lovely” – mas… um encore apenas com canções do último álbum? Que tipos subversivos, pá.

Foi o último concerto da digressão europeia dos Eels. E foi um bom concerto de rock’n’roll e blues… mas foi só isso e é quase impossível não ficar desiludido. Uma banda com o repertório dos Eels tinha tudo para dar um concerto memorável, épico, gigante. Não foi o caso.

(Este texto foi publicado primeiro no FestivaisPT e a fotografia que o ilustra é do Vasco Pereira, que tem mais umas quantas aqui.)

20-09-2010   3 comentários

Alive: LCD Soundsystem, Pearl Jam e os outros

Comprei bilhete para o Alive por causa dos LCD Soundsystem. No Super Bock Super Rock, há coisa de três anos, deram um dos melhores concertos a que já assisti. Tinha de repetir, sobretudo tendo em conta a indefinição que rodeia o futuro dos LCD Soundsystem.

Além disto, havia Pearl Jam, que nunca tinha visto ao vivo, Gomez, que é sempre bom rever, e mais algumas coisas curiosas nos outros palcos.

Posso dizer-vos muito pouco sobre os concertos dos palcos secundários, já que os dois projectos que queria ver, Miike Snow e The Big Pink, não me impressionaram especialmente. Giritos e tal… mas nada do outro mundo.

Antes disso já tinha visto os Gomez. Eles têm um espectáculo bastante competente e música mais que suficiente na bagagem para um set de qualidade… mas a dinâmica deles é estranha. Gostava de os ver numa sala, eventualmente, porque é o segundo festival onde os vejo… e onde eles não deslumbram. Mas lá está, foi bom revê-los.

Decidi trocar os Dropkick Murphys por uma refeição e não estou arrependido… portanto, passo estes à frente. Já os Gogol Bordello… pronto, foi a terceira vez que os vi e confirmo que é rigorosamente sempre a mesma coisa. Percebo que os convites para festivais continuem a chover… mas pronto, à terceira vez uma pessoa já não liga muito ao punk cigano deles.

Depois disto, restavam duas bandas – não estava numa de abandonar o palco principal para ver outras coisas, mesmo tendo alguma curiosidade. Com excepção de “Man of the Hour” – que surge nos créditos finais de Big Fish, filme de Tim Burton -, há uns bons dois anos que não ouvia Pearl Jam por vontade própria. Não sei se há um motivo especial. Eu gosto de Pearl Jam… mas não me apetecia, pronto.

Resumindo, que não me sinto particularmente inspirado hoje, o concerto dos Pearl Jam foi muito bom. Para os fãs, tenho a certeza de que foi extraordinário. Passaram pelos grandes êxitos e pelas melhores músicas, foram simpáticos e divertidos e convenceram as pessoas de que adoram Portugal. “Better man”, “Just Breathe”, “Daughter”, “Alive”, “Black”, “Even Flow”, “Once” e, claro, “Yellow Ledbetter” justificaram o mar de gente que se deslocou ao Passeio Marítimo de Algés para ver os Pearl Jam. Pessoalmente, tenho um soft spot pela “Black” e pela “Better Man”, portanto, nada a apontar.

Acabou o concerto dos Pearl Jam, começou a espera pelo concerto dos LCD Soundsystem. Sentado, para descansar um bocado. Mas a coisa lá seguiu o rumo normal e meia hora depois lá entrava James Murphy vestido de branco ao som de “Us vs. Them”. Confirma-se: os LCD Soundsystem ao vivo são das melhores coisas que há. O set foi muito curto e soube a pouco, posso dizer-vos isto, mas com “Daft Punk is Playing at My House”, a adoravelmente repetitiva “Yeah” ou a energética “Movement”, não há quem resista. Sim, poderíamos ter ficado ali todos durante duas horas… mas acabámos por ter um concentrado de grandes músicas, faltando umas quantas, como “New York, I Love You But You’re Bringing Me Down”. E claro, não podia faltar o invariável e altamente suspeito ponto alto da noite: “All My Friends”. É certamente uma das minhas músicas favoritas de sempre. E sim, é bem provável que seja a última vez que a ouço ao vivo. Mas espero que não.

Foi um bom dia de música. É engraçado que o Alive se possa dar ao luxo de falhar em inúmeros aspectos da organização (parece que as casas-de-banho estavam um mimo). Quando se tem um cartaz do tamanho do mundo, a arrogância é posta em perspectiva. Por isso é que digo que foi um bom dia de música. Se para o ano tiverem um cartaz tão interessante como este, lá estarei. Sou é capaz de fazer chichi em casa.

12-07-2010   6 comentários

Eels: novo álbum e concerto em Lisboa

Óptimas notícias!

Os Eels vêm ao Coliseu de Lisboa a 19 de Setembro. Além disto, vão lançar mais um álbum: Tomorrow Morning. Este disco encerra a trilogia começada em Hombre Lobo e continuada já este ano em End Times. Depois de quase quatro anos longe das edições, este será o terceiro álbum de originais em pouco mais de um ano.

Agora vou ali chorar de alegria.

21-05-2010   Sem comentários

Sonic Youth no Coliseu de Lisboa: haja guitarras

Os Sonic Youth tocaram ontem no Coliseu de Lisboa e provaram mais uma vez porque é que os anos passam e eles continuam a encher salas sem problemas.

Os anos passam e isso vê-se nas rugas de Kim Gordon ou na cor do cabelo de Lee Ranaldo – se bem que ele parece que já tem ali aqueles grisalhos desde sempre! Mas ficamos por aí. Porque continuam tão irreverentes e irritantemente bons como nos bons velhos tempos.

Estes bons novos tempos trouxeram a Lisboa uns Sonic Youth focados sobretudo no último álbum e ninguém parece queixar-se disso, apesar dos quase 30 anos de carreira da banda. O álbum é bom e é claro que faltaram milhões de canções clássicas, entre as quais “Teen Age Riot”, a minha favorita, mas quando uma banda nos dá um concerto deste nível, a tendência é para deixarmos estas coisas de lado.

Já os tinha visto em Paredes de Coura e tinha adorado. Vi-os ontem, novamente, como se da primeira vez se tratasse. Fiquei outra vez de boca aberta com a força daquelas guitarras, daquelas músicas. Ainda por cima, The Eternal, do qual só não tocaram dois temas um tema, consegue ter momentos ainda mais pesados do que Rather Ripped (que, tanto quanto consigo dizer, não teve direito a qualquer música no alinhamento).

Ninguém trata melhor as guitarras que os Sonic Youth. E quer-me parecer que eles devem ter feito uma daquelas coisas do “cavalinho branco até à morte” porque não consigo imaginar sequer outra banda a superá-los neste campo. E o feedback, meus amigos, o feedback!

Enfim, já perceberam que o concerto foi muito, muito bom. E os pontos mais altos foram, porque o público tem memória, as viagens ao passado: “Schizophrenia” (Sister), “’Cross the Breeze” (Daydream Nation) e “Death Valley’69” (Bad Moon Rising), que encerrou o concerto da segunda melhor forma possível (já falei da “Teen Age Riot”, certo?).

Concerto gigante. Concerto do ano, provavelmente. Mais guitarras!

23-04-2010   2 comentários

Yo La Tengo não partiram guitarras mas foram excelentes

Confesso que não estava totalmente convencido de que assim seria mas o concerto dos Yo La Tengo na Aula Magna foi excelente. Esquizofrénicos q.b. – passam do pós-punk cheio de feedback à Sonic Youth para a mais leve pop do mundo sem grandes constrangimentos – e dotados de uma energia inesgotável, os Yo La Tengo demonstram porque é que, apesar de nunca terem sido um sucesso comercial, já andam nisto há mais de 25 anos e ninguém lhes pede que parem.

Insisto numa ideia: Ira Kaplan é um dos melhores guitarristas do mundo. Não sei se o é tecnicamente – não tem definitivamente um perfil de virtuoso – mas é-o certamente na utilização do feedback, no sentido de oportunidade e na relação da melodia com a electricidade. E em concerto não engana: é, justamente, o centro de todas as atenções. Está bem que parte desta atenção que lhe é dada tem a ver com o facto de ele estar sempre muito próximo de partir guitarras… mas ainda assim!

Surpreendeu-me o excelente desempenho vocal de Georgia Hubley, de quem esperava algumas falhas devido à aparentemente frágil voz que ostenta, e a boa onda do trio, que quase forçou o público a interagir.

No alinhamento, é difícil não haver falhas para quem conhece tão pouco deles como eu. Faltaram-me “From a Motel 6” e “I Heard You Looking”, de Painful, e ainda as mais calmas “I Feel Like Going Home” e “Broken Flowers” de I Am Not Afraid of You and I Will Beat Your Ass. Popular Songs foi naturalmente o álbum a que mais recorreram mas “The Story of Yo La Tango” (sim, é Tango) foi a que mais brilhou, sem dúvida. Fossem todas assim e o concerto teria sido perfeito, certamente.

Nota: a foto é da autoria do Gonçalo Sítima – podem ver mais umas quantas referentes ao concerto dos Yo La Tengo no FestivaisPT.

16-03-2010   1 comentário

Yo La Tengo em Portugal

Tenho andado a perder demasiados concertos este ano pelos mais diferentes motivos. A ver se a coisa muda em 2010.

Em Março, os Yo La Tengo vão actuar duas vezes em Portugal: a primeira é no dia 14 na Aula Magna, em Lisboa; a segunda é no dia seguinte na Casa da Música, no Porto.

Na bagagem trarão, até prova em contrário, Popular Songs, o seu mais recente álbum de originais mas também mais de 25 anos de boa música. Disse e volto a dizer que têm um dos melhores guitarristas do mundo, Ira Kaplan.

Os bilhetes custam 23 euros. A ver se compro o meu rapidamente.

20-12-2009   Sem comentários

Thom Yorke nas notícias

Esta semana foi marcada pela gripe A, pelo acidente no Irão, pelo abanão na Nova Zelândia, pelo Twittergate e pela vitória do nosso Benfica no conceituado torneio do Guadiana. Mas não só (e, por favor, não liguem realmente à escolha de notícias). Foi também a semana em que Thom Yorke, vocalista dos Radiohead, reapareceu na grande superfície musical. Fê-lo por duas vezes.

A primeira foi a propósito de uma compilação de covers de Mark Mulcahy que vai sair em Setembro. Antes de falar da música propriamente dita, é importante explicar o motivo de uma compilação de músicas de um tipo relativamente desconhecido interpretadas por Thom Yorke, Michael Stipe, The National, Mercury Rev, Dinosaur Jr., Josh Rouse e mais uns quantos. O objectivo é simples: ajudar o músico para que continue a fazer música. Parece que, desde que a mulher morreu há cerca de um ano, criar as duas filhas gémeas (com 2 anos agora) tornou-se numa tarefa bem mais complicada.

Quanto à música interpretada por Thom Yorke, é a primeira a ser mostrada ao público. Foi uma boa escolha. Sem fugir para os antípodas da versão original, “All For The Best” está bem dentro no estilo electrónico de Yorke. É, sem dúvida alguma, uma óptima maneira de chamar a atenção para Ciao My Shining Star: The Songs of Mark Mulcahy. Podem ouvir a música aqui.

A segunda notícia diz respeito à actuação de Thom Yorke no Latitude Festival. Foi a solo, coisa pouco habitual. Foi a primeira vez que interpretou algumas canções de The Eraser ao vivo… mas não foi só isso que fez. Lá no meio, entre The Eraser, In Rainbows, e mais umas quantas canções soltas (entre as quais as raras “Follow Me Around” e “True Love Waits”), Yorke mostrou uma nova: “The Present Tense”. As gravações que até agora encontrei não são grande coisa… mas creio que a BBC Radio 6 vai passar o concerto completo hoje, o que deverá significar que hoje ou amanhã já teremos material de qualidade por aí. Esperemos, portanto.

19-07-2009   1 comentário