Música, indústria e tendências.

O melhor de 2011 – concertos

Este é o primeiro de três posts sobre o melhor da música em 2011.

2011 foi um ano estranho em termos musicais. Ainda fui a alguns concertos – embora tenha deixado os pequenos e relativamente pequenos de fora, o que é uma pena – mas não ouvi tanta música nova como deveria. Acho que os meus concertos favoritos deste ano reflectem a minha estadia prolongado na minha zona de conforto. Mas a verdade é que se está muito confortável por aqui.

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21-12-2011   Sem comentários

Bon Iver em Paris e a minha inquietação

Percebi há uns dias que não disse nada aqui sobre o concerto de Bon Iver a que assisti em Paris, durante o Pitchfork Music Festival, no final de Outubro.

Pois que agora é tarde para grandes prosas mas podem ter a certeza de que foi um concerto quase perfeito, como seria de esperar. O recinto estava a abarrotar de casais beijoqueiros, gigantes escandinavos e italianos barulhentos para assistir ao concerto mais importante do festival por onde já tinham passado Aphex Twin, Cut Copy, Lykke Li e Jens Lekman, entre outros.

O início com “Perth”, “Minnesota, WI” e a perfeita “Holocene” dissipou eventuais dúvidas sobre a qualidade do espectáculo. Qualidade que já esperava, lá está, sobretudo porque o álbum é qualquer coisa do outro mundo. E depois veio uma “Blood Bank” on steroids, cheia de força e distorção, e lá fui eu atrás.

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20-12-2011   Sem comentários

O inimigo único

Já passou muito tempo desde o Super Bock Super Rock. Pelo menos, tendo em conta a forma como lidamos com o tempo na Internet. Duas semanas e meia é muito tempo na Internet.

Parte da minha indisponibilidade para escrever sobre isto tem a ver com trabalho. A outra parte é culpa do Luís Montez. E sim, estou a aproveitar-me de uma das clássicas regras de comunicação política – o inimigo único – mas não me interessa. A culpa é do Luís Montez.

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03-08-2011   5 comentários

O melhor de 2010 – concertos

Este é o primeiro de três posts sobre o melhor da música em 2010.

2010 foi um bom ano para mim em termos de concertos. Podia ter sido bem melhor, claro, se os Arcade Fire fossem mais importantes que a NATO e se os Eels não tivessem desiludido… mas não acho que me possa realmente queixar.

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26-12-2010   3 comentários

OFFBEATZ no Musicbox

Confesso que só muito superficialmente tinha ouvido falar do OFFBEATZ até há pouco tempo. Entretanto, a Sílvia começou a trabalhar no projecto e eu fiquei a conhecê-lo um bocadinho melhor. Este parágrafo tem, portanto, uma utilidade dupla: é contexto e é disclaimer.

Então o que é o OFFBEATZ? A organização chama-lhe “um movimento urbano e criativo de apoio, divulgação e discussão de tudo o que de mais excitante e inovador se faz no panorama musical”. Eu duvido da parte final da descrição mas dou-lhes o benefício da dúvida. De qualquer forma, na prática e a partir de amanhã, o OFFBEATZ tem sessões semanais (todas as quartas-feiras, portanto) no Musicbox e um programa de televisão na SIC Radical. O enfoque disto tudo? Bandas e videoclips.

Gosto da ideia de darem um palco a novos talentos da música nacional e espero que façam um real trabalho de curadoria que nos traga boa música nova. No entanto, é possível que o facto de terem um programa de televisão lhes coloque alguma pressão (de editoras?) em cima… mas, pronto, estou a entrar valentemente num mundo de especulação.

Para já, interessa isto: amanhã há OFFBEATZ no Musicbox.

Adenda: As bandas que vão tocar são os Macacos do Chinês e os Pinto Ferreira. Serão exibidos ainda videoclips de Noiserv e Linda Martini.

19-10-2010   3 comentários

Há dias assim

O Super Bock Super Rock no Meco tem problemas. É poeirento, tem maus acessos e problemas graves de estacionamento. Mas tem boa música.

Se calhar, começo pelo princípio. Palma’s Gang é o nome do supergrupo que junta Jorge Palma, Zé Pedro, Kalu, Flak e Alex. Não é habitual gostar de projectos portugueses deste género. Tenho sempre a impressão que eles se juntam mais pela diversão do que propriamente pela música. Ainda assim, gostei. As músicas e sobretudo as palavras de Jorge Palma soam quase sempre demasiado bem. Houve sequências com alguma monotonia mas o balanço final é positivo. Foi uma boa hora para o rock português.

Vi um bocadinho de The Morning Benders e, pronto, foi um bocadinho a dar para o aborrecido. Prometeram-me os Beach Boys. Saíram-me os Interpol.

Voltei ao palco principal para ver Stereophonics e, apesar do rock convencional semi-gritado, semi-barulhento, até lhes achei semi-piada. Não achei piada nenhuma foi ao facto de perder o concerto dos Spoon. Já os tinha visto em Paredes de Coura há uns anos mas queria revê-los para confirmar suspeitas. Não consegui. Mas ao menos jantei.

E depois vieram os The National. Foi por eles que lá fui. Prefiro mil vezes vê-los noutro tipo de ambiente mas, à falta de melhor, o Super Bock Super Rock tinha de servir. E serviu. O concerto durou pouco mais de uma hora. Eu queria que tivesse durado umas três… mas compreendo que fosse complicado. Dito isto, não sei se consigo descrever muito bem o que se passou. Houve ali más escolhas – “Anyone’s Ghost” e “Squalor Victoria” não são canções especialmente brilhantes ao vivo – mas, no geral, foi um óptimo alinhamento. Gostei de ouvir a “Secret Meeting” lá para o meio, por exemplo. Nem sequer é das minhas músicas favoritas deles mas soou bem. Aliás, soa sempre. De resto, até High Violet já produz grandes momentos ao vivo. Ou o que é que aconteceu em “Afraid of Everyone”? Além de tudo isto, o concerto terminou em grande. E quando digo “terminou”, refiro-me naturalmente às últimas – err – sete músicas. “Apartment Story”, “Abel”, “England”, “Fake Empire”, “Mr. November”, “Terrible Love” e a sempre desiludida, sempre triste “About Today” a fechar. A sério, que final.

Depois acabou tudo. Ainda fui ao palco secundário procurar “Ocean”, de John Butler Trio, e encontrei-a, felizmente. De seguida corri para o Prince, que andava a dar-lhe no funk como gente grande. Soltou-se o animal de palco e o brilhante guitarrista. Tivemos direito a Ana Moura, também, o que é sempre um ponto a favor de qualquer concerto. Pontos contra? Acabou por ser monótono, a espaços, e o segundo encore foi totalmente desnecessário. Se ele tivesse terminado com “Purple Rain” ninguém se queixava.

Por falar em queixas, volto ao tema de abertura: pó, acessos e estacionamento. Então não é que estive mais de uma hora só para sair do parque de estacionamento? Giro, não é? Se fossem uns miúdos a organizar, ainda percebia. Mas a Música no Coração já tem uns anos de experiência a organizar grandes festivais…

19-07-2010   6 comentários

Alive: LCD Soundsystem, Pearl Jam e os outros

Comprei bilhete para o Alive por causa dos LCD Soundsystem. No Super Bock Super Rock, há coisa de três anos, deram um dos melhores concertos a que já assisti. Tinha de repetir, sobretudo tendo em conta a indefinição que rodeia o futuro dos LCD Soundsystem.

Além disto, havia Pearl Jam, que nunca tinha visto ao vivo, Gomez, que é sempre bom rever, e mais algumas coisas curiosas nos outros palcos.

Posso dizer-vos muito pouco sobre os concertos dos palcos secundários, já que os dois projectos que queria ver, Miike Snow e The Big Pink, não me impressionaram especialmente. Giritos e tal… mas nada do outro mundo.

Antes disso já tinha visto os Gomez. Eles têm um espectáculo bastante competente e música mais que suficiente na bagagem para um set de qualidade… mas a dinâmica deles é estranha. Gostava de os ver numa sala, eventualmente, porque é o segundo festival onde os vejo… e onde eles não deslumbram. Mas lá está, foi bom revê-los.

Decidi trocar os Dropkick Murphys por uma refeição e não estou arrependido… portanto, passo estes à frente. Já os Gogol Bordello… pronto, foi a terceira vez que os vi e confirmo que é rigorosamente sempre a mesma coisa. Percebo que os convites para festivais continuem a chover… mas pronto, à terceira vez uma pessoa já não liga muito ao punk cigano deles.

Depois disto, restavam duas bandas – não estava numa de abandonar o palco principal para ver outras coisas, mesmo tendo alguma curiosidade. Com excepção de “Man of the Hour” – que surge nos créditos finais de Big Fish, filme de Tim Burton -, há uns bons dois anos que não ouvia Pearl Jam por vontade própria. Não sei se há um motivo especial. Eu gosto de Pearl Jam… mas não me apetecia, pronto.

Resumindo, que não me sinto particularmente inspirado hoje, o concerto dos Pearl Jam foi muito bom. Para os fãs, tenho a certeza de que foi extraordinário. Passaram pelos grandes êxitos e pelas melhores músicas, foram simpáticos e divertidos e convenceram as pessoas de que adoram Portugal. “Better man”, “Just Breathe”, “Daughter”, “Alive”, “Black”, “Even Flow”, “Once” e, claro, “Yellow Ledbetter” justificaram o mar de gente que se deslocou ao Passeio Marítimo de Algés para ver os Pearl Jam. Pessoalmente, tenho um soft spot pela “Black” e pela “Better Man”, portanto, nada a apontar.

Acabou o concerto dos Pearl Jam, começou a espera pelo concerto dos LCD Soundsystem. Sentado, para descansar um bocado. Mas a coisa lá seguiu o rumo normal e meia hora depois lá entrava James Murphy vestido de branco ao som de “Us vs. Them”. Confirma-se: os LCD Soundsystem ao vivo são das melhores coisas que há. O set foi muito curto e soube a pouco, posso dizer-vos isto, mas com “Daft Punk is Playing at My House”, a adoravelmente repetitiva “Yeah” ou a energética “Movement”, não há quem resista. Sim, poderíamos ter ficado ali todos durante duas horas… mas acabámos por ter um concentrado de grandes músicas, faltando umas quantas, como “New York, I Love You But You’re Bringing Me Down”. E claro, não podia faltar o invariável e altamente suspeito ponto alto da noite: “All My Friends”. É certamente uma das minhas músicas favoritas de sempre. E sim, é bem provável que seja a última vez que a ouço ao vivo. Mas espero que não.

Foi um bom dia de música. É engraçado que o Alive se possa dar ao luxo de falhar em inúmeros aspectos da organização (parece que as casas-de-banho estavam um mimo). Quando se tem um cartaz do tamanho do mundo, a arrogância é posta em perspectiva. Por isso é que digo que foi um bom dia de música. Se para o ano tiverem um cartaz tão interessante como este, lá estarei. Sou é capaz de fazer chichi em casa.

12-07-2010   6 comentários

O que é feito de Paredes de Coura?

Não fui a muitas edições mas tenho uma relação especial com o Festival Paredes de Coura. Provavelmente, o sentimento nem sequer é recíproco mas cheguei lá e foi amor à primeira vista. Mas o que é feito do festival que nos entusiasmou nos últimos anos com artistas como os The Arcade Fire, Queens Of The Stone Age, Sonic Youth, The National, Morrissey, Broken Social Scene, Electrelane, Pixies, Bauhaus, Foo Fighters e Nine Inch Nails, entre outros?

Confesso que já no ano passado achei o cartaz relativamente desinteressante, apesar de ter dois ou três nomes sonantes. E confesso que também pensei que a culpa era da Everything Is New – que passou a tratar da contratação artística do festival em 2008. Ainda têm de me convencer melhor de que não tem nada a ver com a Everything Is New… mas o mais provável é que o fraco cartaz deste ano tenha a ver mais com um problema que afectou o festival no ano passado: a falta de um patrocinador principal. A Heineken deixou Paredes de Coura e a Ritmos, promotora do festival, decidiu não baixar (pelo menos substancialmente) o preço do patrocínio. Este ano, a história repete-se e o cartaz reflecte a falta de dinheiro.

Entretanto, a Ritmos queixa-se das direcções de marketing das empresas em Portugal: parece que só querem investir em Lisboa. É, de facto, lamentável… mas a Ritmos parece esquecer-se de que não é suposto as empresas fazerem caridade com os seus orçamentos de marketing (vá, há a responsabilidade social… mas deixamos isso para outra altura). Ou acreditam num projecto e nas vantagens que este traz em termos de negócio, ou não investem. É simples.

Por muito que me custe como adepto do festival, das paisagens e das gentes de Paredes de Coura, tenho a certeza de que o caminho a seguir não pode ser o das queixinhas. Tenho a certeza também de que fizeram e fazem o máximo para manter Paredes de Coura ao melhor nível… mas este ano a coisa não correu bem. Se calhar, foi da crise; se calhar, não se souberam adaptar às circunstâncias; se calhar, passou-se alguma coisa que um outsider não pode sequer imaginar; se calhar, a culpa é da Everything is New! Mas não correu bem, não. E isto vai reflectir-se na bilheteira. E se um festival não ganha muito dinheiro com patrocínios nem com bilheteira, a qualidade tende a diminuir. Depois entra num círculo vicioso e já sabem onde é que isto vai parar, certo?

Se fosse outro festival qualquer, talvez fosse menos compreensivo. Mas é Paredes de Coura e é realmente uma pena. Espero que dêem uma abada aos outros no próximo ano e me obriguem a tirar férias em Agosto.

27-06-2010   1 comentário

“The Present Tense”

Há dias, falei-vos da actuação de Thom Yorke no Latitude Festival. Na altura, esperava-se que a BBC Radio 6 transmitisse o concerto todo um ou dois dias depois. No entanto, acabou por passar apenas duas músicas… portanto não há, até agora, gravações do concerto completo com grande qualidade.

Mas há por aí muito boa gente… e esta gravação de “The Present Tense”, a música que Thom Yorke estreou ao vivo no festival, está muito, muito boa.

27-07-2009   Sem comentários

É uma pena mas…

Optei por não ir ver os Los Campesinos! a Algés.

O meu motivo é mais que razoável: 50 euros por um concerto (OK, gostava de ver Dave Matthews e não me importava de ver uma série de outros nomes… mas querer querer, queria mesmo era ver os campinos). Desta vez, venceu a razão.

Mas é uma pena. É que são os Los Campesinos!, não os vamos ver por cá tão cedo.

12-07-2009   3 comentários