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Aderir ou não ao Spotify?

Spotify é a melhor coisa do mundo. Mas também é a pior coisa do mundo. Quando chegar a Portugal – e o Davide Pinheiro diz que confirmou que chegará ainda no início do ano, apesar de ainda não haver confirmação oficial -, vai deixar-me com uma dor de cabeça de todo o tamanho: pagar ou não pagar?

O streaming enquanto modelo de negócio para a música tem evoluído muito lentamente nos últimos anos e as dúvidas relativamente à sustentabilidade do Spotify parecem-me ser relativamente sensatas. No entanto, este modelo continua a ser o que mais promete para os principais interessados – artistas e fãs. E o Spotify não é a única opção no mercado – Grooveshark e Rdio são duas boas alternativas e já estão disponíveis em Portugal, bem como o português Myway – mas é claramente a melhor.

O Grooveshark depende muito dos uploads feitos pelos utilizadores, o que se reflete num catálogo muito completo mas também numa desorganização crónica e em algumas limitações derivadas desta organização. Além disso, está a ser processado por este mundo e o outro. Mas há um lado positivo: é gratuito e não interrompe as nossas playlists com publicidade.

Já o Rdio tem uma desvantagem que dificulta muito a adesão ao serviço: não tem um nível de subscrição grátis mas apenas um período de experimentação muito limitado. Além disso, quando comparado com o Spotify, apresenta-se como uma alternativa bastante mais limitada ao nível da interação com outros serviços e aplicações.

Mas se calhar é melhor falar um bocado do Spotify, não?

Entrar no Spotify provoca uma sensação estranha, sobretudo ao início. O “não sei o que me apetece ouvir” pode rapidamente transformar-se num drama de proporções épicas por causa da dimensão do catálogo – com mais de 20 milhões de canções – mas não desesperem.

Porque é que o Spotify é a melhor coisa do mundo? Primeiro, porque me permite ouvir basicamente quase toda a música que quero ouvir, claro. Depois, porque tem uma característica maravilhosa que o coloca bem acima da concorrência: as apps. Combinar o Spotify com o Last.fm, o Pitchfork, o SongKick, o SoundTracking, o Facebook, o Shuffler.fm (de que não sou grande fã, atenção), o Hype Machine, a Rolling Stone e o The Guardian, por exemplo, transforma uma experiência interessante numa coisa absolutamente viciante. O Pitchfork acabou de recomendar uma canção que me parece ser interessante? Deixa-me ouvir. O Last.fm diz-me que devo ouvir isto ou aquilo porque é parecido com aquela banda que eu estou sempre a ouvir? OK, vou ouvir o álbum. O Shuffler.fm recomenda isto e aquilo? OK, lá vou eu ouvir. E tudo isto a partir da aplicação que uso para ouvir música. É tudo muito simples, tudo muito fácil – descobrir nova música é tão fácil como ouvir a música que já conhecemos. O resultado? Horas e horas de felicidade, certamente.

Porque é que o Spotify é a pior coisa do mundo? Por dois motivos relativamente pessoais.

Porque facilita que tratemos a música como a maior parte de nós já a trata atualmente: um produto de consumo imediato e fugaz. E eu não gosto disto, mesmo que de vez em quando me comporte exatamente assim. Mas pronto, a inconveniência do formato físico apaixonou-me há muito tempo e não vai desaparecer, pelo que não tenho grande remédio.

O outro motivo prende-se com aspetos mais logísticos, por assim dizer, que podem gerar muita frustração. Pagar €5 (só desktop, sem anúncios nem interrupções) ou €10 (com aplicações para smartphones e tablets, bem como a possibilidade de fazer download de álbuns e playlists) para usar o Spotify, para mim, significa exclusividade – e quando faltar música, o que é que faço? Mais: com 1GB de tráfego disponível por mês na minha assinatura mensal do telemóvel, é virtualmente impossível usar o Spotify em todo o seu esplendor no telemóvel. Pelo que vejo, não é especialmente difícil arranjar planos com limites mais altos… mas ainda estão muito distantes do que é ideal. Isto é claramente um problema – não do Spotify mas de Portugal, claro.

Parece-me relativamente óbvio que vou aderir ao Spotify. Por €10 por mês e tendo em conta a quantidade de música que ouço, não vejo grandes motivos para não o fazer (mesmo tendo em conta as questões logísticas referidas no parágrafo anterior). Agora resta-me que chegue a Portugal.