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O meio caminho dos Big Red Machine e as minhas expectativas

Bon Iver, Volcano Choir, DeYarmond Edison, Gayngs, The Shouting Matches e agora Big Red Machine.



Justin Vernon continua a espalhar música por aí e 2018 parece ser o ano dos Big Red Machine, projeto que o junta a Aaron Dessner, dos The National, e a mais uma catrefada de músicos.

Ainda não há muita informação sobre o que poderá sair daqui, mas é razoável assumir que as quatro canções lançadas até ao momento fazem parte de algo maior. Sobretudo tendo em conta a descrição do projeto que está no PEOPLE, o novo serviço de streaming e colaboração musical criado pelos mesmos dois músicos:

In 2008, Aaron sent Justin an instrumental sketch of a song called “Big Red Machine” for Dark Was The Night. This was before they had met in person. Justin wrote a song to it, interpreting the Big Red Machine title as a heart. 10 years of friendship later, there are 10 more songs. Big Red Machine.

“Mais dez canções”? Um conjunto com esse número de canções tem um nome: álbum. Mas mais nada se sabe. Os Big Red Machine deram um concerto há pouco tempo em Eaux Claires, o festival curado por – adivinharam! – Justin Vernon e Aaron Dessner, e as quatro canções lançadas no PEOPLE também já estão disponíveis no Spotify e no Apple Music.

Big Red Machine

Enquanto não chegam mais notícias,  as quatro canções já disponibilizadas vão dando para entreter. A meio caminho entre o som atual de Bon Iver e o último álbum dos Volcano Choir, todas elas soam muito bem e deixam água na boca para o que ainda há de vir.

Entre o conforto e a aventura

Se a presença de Justin Vernon é extremamente fácil de identificar por causa da voz, o papel de Aaron Dessner mais difícil de colar ao que se ouve. “Forest Green” é provavelmente a canção em que a influência do músico dos The National se nota mais. A canção orbita em torno de um riff discreto a que vão acrescentando camadas, produzindo um resultado curioso, mas nada aventureiro. Confortável e interessante, talvez, como um bom livro.

A canção que mais brilha é definitivamente “Gratitude”, cuja letra é pelo menos tão indecifrável como as de Bon Iver. E faz sentido, dado que quem as escreve é a mesma pessoa. As guitarras e a batida fazem com que soe fresca e a forma como Justin Vernon a canta leva-a a locais bem mais extremos do que as restantes. E não é todos os dias que conseguimos arrepiar-nos com um verso como “But I known a couple lovers, some were quarterbacks”. A culpa, naturalmente, é da melodia, mas uns bons auscultadores deverão ajudar a que percebam do que raio estou a falar.

“Lyla” e “Hymnostic” completam o lote e não podiam ser mais diferentes uma da outra. A primeira dá-nos quase uma versão rap de Justin Vernon (que certamente já esteve mais longe), uma música em que a bateria meio suja e agressiva encontra na guitarra um complemento perfeito. A última é uma espécie de versão caótica de canção gospel tradicional, com aproximadamente 453 vozes e uma energia tão intensa que assusta um bocadinho.

Ainda assim, o que as novas canções de Big Red Machine fazem melhor é encher um generoso copo de expectativas, mesmo que não se perceba muito bem que caminho vão tomar. Resta esperar.

Atualização: menos de um dia depois de ter publicado isto, eis que se fica a saber tudo o que faltava. O disco homónimo terá dez canções e será lançado a 31 de agosto nas plataformas digitais, incluindo o PEOPLE, e em formato físico através da Jagjaguwar.